{"id":61225,"date":"2022-03-23T06:35:40","date_gmt":"2022-03-23T09:35:40","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/mulheres-do-futuro-confira-a-entrevista-com-angeluci-figueiredo\/"},"modified":"2022-03-23T06:35:40","modified_gmt":"2022-03-23T09:35:40","slug":"mulheres-do-futuro-confira-a-entrevista-com-angeluci-figueiredo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/23\/mulheres-do-futuro-confira-a-entrevista-com-angeluci-figueiredo\/","title":{"rendered":"Mulheres do Futuro: confira a entrevista com Angeluci Figueiredo"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/03\/22\/angeluci_figueiredo___2___1_.jpeg\" alt=\"Angeluci Figueiredo\" width=\"1024\" height=\"768\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Angeluci Figueiredo nasceu em Amargosa, no Interior baiano, e veio adolescente para Salvador estudar. Enquanto cursava Filosofia, despertou para a profiss\u00e3o que adotou por muitos anos: a de fot\u00f3grafa. Trabalhou em diversos lugares, como o Governo do Estado e o jornal CORREIO, at\u00e9 que, em uma reportagem sobre gastronomia \u00e0 beira-mar, teve a ideia de apostar em uma paix\u00e3o que carrega desde cedo: o fog\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Sem dinheiro para grandes investimentos, vendeu um terreno que possu\u00eda e comprou uma casa na Ilha da Mar\u00e9, onde abriu a primeira vers\u00e3o do Restaurante Preta, em 2015. O mobili\u00e1rio foi garimpado de amigos que estavam reformando suas casas e que gostariam de se desfazer de algumas pe\u00e7as. Outros itens, como barcos usados como decora\u00e7\u00e3o, foram resgatados abandonados na rua e reciclados. Desde 2018, o lugar funciona na Ilha dos Frades, onde Angeluci comanda um time de 25 pessoas, entre o restaurante e a Pretoca, pousada que funciona em paralelo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em entrevista ao CORREIO para o projeto Mulheres do Futuro, a empreendedora conta sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Voc\u00ea morava em Amargosa e chegou em Salvador com 16 anos para fazer faculdade. Com foi para voc\u00ea dar este passo t\u00e3o nova?<\/strong><br \/> Sair de Amargosa foi libert\u00e1rio. Eu morava numa casa com tr\u00eas irm\u00e3s e um irm\u00e3o e minha m\u00e3e era altamente autorit\u00e1ria. O que eu mais queria na vida era sair e n\u00e3o ser dependente dela. A\u00ed vim para Salvador trabalhar em uma loja de material fotogr\u00e1fico. Foi quando come\u00e7ou minha paix\u00e3o pela fotografia. Estudei, fiz Filosofia, e depois fui fazer Gastronomia. Mas te digo, eu sou de ciclos. Eu fecho um ciclo e come\u00e7o outro, e outro. Sempre quero um novo, eu gosto de desafios, \u00e9 isso que me move.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Voc\u00ea atuou em setores do mercado de trabalho classificados como masculinos. Foi um desafio?<\/strong><br \/> Eu sei que existe isso, mas nunca pensei por este lado. Nunca tive nenhum problema nisso, em transitar em um universo que era mais masculino. Eu tenho uma for\u00e7a que sempre me pergunto de onde vem porque para uma coisa me abater, s\u00f3 sendo fofoca, pessoas invejosas. ?? s\u00f3 isso que me abate.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Eu queria que voc\u00ea contasse a hist\u00f3ria do Preta, o restaurante que voc\u00ea comanda desde 2015.<\/strong><br \/> Eu fui fazer uma pauta sobre ???gastronomia \u00e0 beira-mar???. Rodei a Ba\u00eda de Todos-os-Santos e vi que n\u00e3o tinha nenhum lugar bonitinho, agrad\u00e1vel, para almo\u00e7ar, mas tinha p\u00fablico, que sa\u00eda da Bahia Marina, do Yacht Clube e da Marina de Aratu. Eu ouvi minha voz interior, vendi um terreno, comprei uma casa na Ilha de Mar\u00e9 e montei o restaurante. Sem dinheiro para o mobili\u00e1rio, tive a ideia de usar m\u00f3veis descartados, lou\u00e7as sem conex\u00e3o. E o Preta foi constru\u00eddo com fragmentos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>E o p\u00fablico apareceu de imediato?<\/strong><br \/> Nos primeiros dois meses n\u00e3o deu ningu\u00e9m. Toda vez que tocava Pablo, aquela m\u00fasica ???Chore n\u00e3o, beb\u00ea, chore n\u00e3o, beb\u00ea???, parecia que tinha sido feita para mim porque eu s\u00f3 chorava. Mas depois o restaurante ???pegou???. Ficou no gostinho das pessoas. E era uma comida simples, eu s\u00f3 queria um lugar aconchegante, onde as pessoas chegassem, tomassem um suco de fruta natural, comesse uma coisinha, assim, mais tranquila, sentasse numa mesa de madeira ??? porque eu odeio pl\u00e1stico ??? e foi isso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Na sua equipe, voc\u00ea deu oportunidade para muitas mulheres que procuravam uma forma de se manter e mudar suas vidas e sempre se envolvia nas hist\u00f3rias delas. Fale sobre isso.<\/strong><br \/> Eu sempre gostei de trabalhar com mulheres. Acho que elas t\u00eam algo fora da curva, resolvem as coisas, sempre t\u00eam uma sa\u00edda para qualquer dificuldade. Parece que pensam de forma macro. Gosto desse universo totalmente feminino e voc\u00ea ajudar outras mulheres a se inspirar, a tamb\u00e9m correr atr\u00e1s de seus sonhos, \u00e9 gratificante.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Por que o restaurante saiu da Ilha de Mar\u00e9 e foi para a Ilha dos Frades?<\/strong><br \/> Eu migrei para a Ilha dos Frades em 2018. Recebi esse convite da Funda\u00e7\u00e3o Ba\u00eda Viva e montei o restaurante l\u00e1. Trabalho com pessoas das localidades. A maioria, mulheres.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>?? uma realidade dura ter uma restaurante em uma ilha, mas ao mesmo tempo \u00e9 algo inspirador. At\u00e9 porque, al\u00e9m do trabalho com as funcion\u00e1rias, voc\u00ea sempre incentivou a produ\u00e7\u00e3o local das mulheres da regi\u00e3o.<\/strong><br \/> No restaurante, voc\u00ea pode ver da decora\u00e7\u00e3o \u00e0s coisinhas, que eu trabalho com o que as pessoas do meu entorno fazem, sempre estou incentivando. Ent\u00e3o, os tapetes que uso no ch\u00e3o do restaurante s\u00e3o de uma crocheteira da Ilha de Mar\u00e9; os doces de banana v\u00eam de l\u00e1 tamb\u00e9m. Sobre a realidade dura, eu vou te dizer que quando estou na minha a\u00e7\u00e3o total n\u00e3o consigo dizer &#8216;eu sou mulher??? ou ???eu sou homem???. Eu acho que sou feminino e masculino, tudo em um. Nunca pensei: ???n\u00e3o vou fazer isso porque sou mulher???. Em nenhum momento ser mulher me impediu de fazer algo. Eu me sinto segura de mim mesma e assim eu vou. Eu sou uma ???mulher-cebola???, de v\u00e1rias camadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Voc\u00ea falou da ???mulher-cebola??? no Dia Internacional da Mulher e eu vi que muita gente se identificou com essa necessidade de ser vista como um indiv\u00edduo com diversas possibilidades, camadas, como uma cebola, e n\u00e3o como uma coisa s\u00f3.<\/strong><br \/> ??, tem diversas camadas uma cebola. E \u00e0s vezes a cebola n\u00e3o \u00e9 gostosa, n\u00e3o \u00e9 legal. Tamb\u00e9m tem outro lado. Depois, ela tempera, faz coisas deliciosas que voc\u00ea nem imagina. Faz gente chorar, faz tudo. ?? isso, s\u00e3o as camadas que n\u00f3s temos, que vamos descascando. Entendeu? Eu sou essa mulher com m\u00faltiplas camadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 teve relatos de mulheres dizendo que voc\u00ea \u00e9 o exemplo para elas?<\/strong><br \/> Sempre vejo no Instagram as pessoas falando isso, mas eu acho que tem tantas outras mulheres inspiradoras.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O que voc\u00ea acha que falta e do que voc\u00ea se orgulha?<\/strong><br \/> Tem uma coisa em mim que parece que nada basta. Sempre estou em busca de algo. Eu quero mais. Eu vou buscando. Eu nunca desacredito.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Tem alguma coisa que voc\u00ea n\u00e3o gosta e que queira mudar?<\/strong><br \/> Eu quero aprender a dizer mais ???n\u00e3o??? para os chatos e t\u00f3xicos. Eu acho que o mundo est\u00e1 um pouco doente e quero me blindar dessas pessoas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Tem alguma mulher que te inspira?<\/strong><br \/> S\u00e3o tantas que at\u00e9 para falar aqui, se eu for falar uma, a outra vai ficar triste, porque s\u00e3o muitas. E vou te dizer, o meu universo \u00e9 mais composto de feminino do que de masculino.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Voc\u00ea acha que isso te alimenta?<\/strong><br \/> As pessoas t\u00eam uma coisa de dizer que as mulheres s\u00e3o competitivas entre si. Pode at\u00e9 ser, mas eu n\u00e3o acho. Eu acho que ela te instiga at\u00e9. Instiga voc\u00ea a sair da sua zona de conforto.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Qual \u00e9 o ideal que voc\u00ea imagina para a sociedade? <\/strong><br \/> Eu acho que as mulheres t\u00eam que se impor mais, se mostrar mais, e botar o peito para fora. Porque tem que gritar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Qual a sua mensagem de inspira\u00e7\u00e3o para outras mulheres empreendedoras?<\/strong><br \/> Que elas sempre ou\u00e7am a sua escuta interior. ??s vezes, empreender n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. O segredo \u00e9 n\u00e3o romantizar as coisas e acreditar no seu sonho.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Mulheres do Futuro<\/strong><br \/> Este conte\u00fado integra o projeto Mulheres do Futuro, uma realiza\u00e7\u00e3o do jornal Correio com o apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e da FIEB. Confira nesta\u00a0sexta-feira (25), a entrevista com a gerente executiva de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do SESI Bahia, Clessia Lobo. Al\u00e9m da vers\u00e3o impressa e digital, os conte\u00fados poder\u00e3o ser conferidos em v\u00eddeos publicados no<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/correio24horas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> perfil do jornal no Instagram<\/a>.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2018\/01\/09\/MARCA.png\"\/><br \/><em>O Est\u00fadio Correio produz conte\u00fado sob medida para marcas, em diferentes plataformas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Angeluci Figueiredo nasceu em Amargosa, no Interior baiano, e veio adolescente para Salvador estudar. 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