{"id":647162,"date":"2026-02-19T01:12:01","date_gmt":"2026-02-19T04:12:01","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/02\/19\/armazenamento-por-10-mil-anos-microsoft-avanca-em-tecnica-que-grava-dados-em-vidro\/"},"modified":"2026-02-19T01:12:01","modified_gmt":"2026-02-19T04:12:01","slug":"armazenamento-por-10-mil-anos-microsoft-avanca-em-tecnica-que-grava-dados-em-vidro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/02\/19\/armazenamento-por-10-mil-anos-microsoft-avanca-em-tecnica-que-grava-dados-em-vidro\/","title":{"rendered":"Armazenamento por 10 mil anos: Microsoft avan\u00e7a em t\u00e9cnica que grava dados em vidro"},"content":{"rendered":"<p>Siga o Olhar Digital no Google Discover<\/p>\n<p>Um estudo, divulgado nesta quarta-feira (18) na revista <em>Nature<\/em>, apresentou novos avan&ccedil;os do <strong>Projeto Silica<\/strong>, iniciativa de pesquisa da Microsoft voltada ao desenvolvimento de um sistema de armazenamento digital em <strong>placas de vidro<\/strong> capaz de preservar informa&ccedil;&otilde;es por <strong>mil&ecirc;nios<\/strong>.<\/p>\n<p>O projeto, iniciado em <strong>2019<\/strong>, busca criar um m&eacute;todo <strong>mais dur&aacute;vel e energeticamente eficiente<\/strong> que os dispositivos atuais, cujos suportes t&ecirc;m vida &uacute;til <strong>limitada<\/strong> e exigem <strong>c&oacute;pias peri&oacute;dicas<\/strong> de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>A tecnologia utiliza vidro de <strong>sil&iacute;cio<\/strong> &mdash; material muito <strong>puro e comum<\/strong>, empregado, por exemplo, em tubos de l&acirc;mpadas hal&oacute;genas e espelhos de telesc&oacute;pios &mdash; conhecido por resistir a <strong>varia&ccedil;&otilde;es de temperatura, umidade e interfer&ecirc;ncias eletromagn&eacute;ticas<\/strong>.<\/p>\n<p>Essas caracter&iacute;sticas contrastam com centros de dados tradicionais, que consomem grande quantidade de energia e dependem de ambientes altamente controlados para preservar discos r&iacute;gidos e outras m&iacute;dias.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, o sistema desenvolvido pela divis&atilde;o de pesquisa Microsoft Research constitui uma <strong>&ldquo;solu&ccedil;&atilde;o de armazenamento de arquivos&rdquo; completa<\/strong>, abrangendo desde o registro e conserva&ccedil;&atilde;o at&eacute; a restitui&ccedil;&atilde;o dos dados, com potencial de mant&ecirc;-los intactos por <strong>dezenas de milhares de anos<\/strong>.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/projeto_silica-1024x683.jpg\" alt=\"Parte de m&iacute;dia do Projeto Silia com dados gravados\"><figcaption>Parte de m&iacute;dia do Projeto Silica com dados gravados (Imagem: Divulga&ccedil;&atilde;o\/Microsoft)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>5 dicas para manter o armazenamento interno do PC em dia<\/li>\n<li>9 apps para liberar mem&oacute;ria no celular<\/li>\n<li>Microsoft vai investir US$ 50 bi em IA no Sul Global para &lsquo;reduzir abismo digital&rsquo;<\/li>\n<\/ul>\n<h2 id=\"h-como-funciona-o-armazenamento-em-vidro-da-microsoft\">Como funciona o armazenamento em vidro da Microsoft<\/h2>\n<p>O processo do Silica &eacute; dividido em <strong>quatro<\/strong> etapas: <strong>grava&ccedil;&atilde;o, armazenamento, leitura e decodifica&ccedil;&atilde;o<\/strong>. Os dados s&atilde;o registrados diretamente dentro da placa de vidro com um <strong>laser ultrarr&aacute;pido multif&aacute;sico<\/strong> &mdash; um laser de <strong>femtossegundo<\/strong> &mdash; que cria pixels tridimensionais chamados <strong>voxels<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com a descri&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, &ldquo;os dados do usu&aacute;rio chegam sob a forma de uma s&eacute;rie de <strong>bits<\/strong>, que depois s&atilde;o agrupados em <strong>s&iacute;mbolos<\/strong>. Cada s&iacute;mbolo corresponde a um voxel&rdquo;. Esses voxels s&atilde;o gravados camada por camada <strong>dentro<\/strong> do material, &ldquo;de baixo para cima ao longo da espessura da placa de vidro, at&eacute; que fique completamente preenchida&rdquo;.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a grava&ccedil;&atilde;o, as placas podem ser armazenadas em bibliotecas <strong>sem necessidade<\/strong> de condi&ccedil;&otilde;es atmosf&eacute;ricas especiais. Para recuperar as informa&ccedil;&otilde;es, o sistema usa um <strong>microsc&oacute;pio automatizado<\/strong> com c&acirc;mera capaz de captar imagens de cada camada de voxels. Em seguida, essas imagens s&atilde;o <strong>decodificadas<\/strong> &mdash; principalmente com aux&iacute;lio de <strong>intelig&ecirc;ncia artificial (IA)<\/strong> &mdash; para restaurar os dados em seu formato original.<\/p>\n<h3 id=\"h-capacidade-e-durabilidade\">Capacidade e durabilidade<\/h3>\n<p>O estudo aponta que o m&eacute;todo alcan&ccedil;a velocidade de grava&ccedil;&atilde;o de <strong>65,9 megabits por segundo<\/strong> e densidade de armazenamento de <strong>1,59 gigabits por mil&iacute;metro c&uacute;bico<\/strong>. Isso equivale a cerca de <strong>4,84 terabytes<\/strong> em um fragmento de vidro de <strong>12 cent&iacute;metros <\/strong>quadrados e apenas <strong>dois mil&iacute;metros<\/strong> de espessura. Nesse espa&ccedil;o reduzido, afirmam os pesquisadores, caberiam &ldquo;cerca de <strong>dois milh&otilde;es de livros impressos<\/strong> ou <strong>cinco mil filmes em 4K de ultra-alta defini&ccedil;&atilde;o<\/strong>&rdquo;.<\/p>\n<p>Entre os principais atrativos est&aacute; a <strong>longevidade<\/strong>. Os cientistas calculam que &ldquo;os dados poderiam continuar leg&iacute;veis dentro de <strong>dez mil anos<\/strong>&rdquo;, mesmo se submetidos a temperaturas de at&eacute; <strong>290 &deg;C<\/strong>. As proje&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m, <strong>n&atilde;o consideram<\/strong> poss&iacute;veis <strong>danos f&iacute;sicos<\/strong> ou <strong>corros&atilde;o qu&iacute;mica<\/strong> que possam degradar o suporte ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Outra vantagem apontada &eacute; a <strong>seguran&ccedil;a<\/strong>: como os dados ficam armazenados <strong>offline<\/strong>, <strong>n&atilde;o podem<\/strong> ser alvo de ataques de hackers, a menos que as placas sejam <strong>fisicamente roubadas<\/strong>.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/projeto_silica_2-1024x683.jpg\" alt=\"Maquin&aacute;rio utilizado para grava&ccedil;&atilde;o dos dados a laser\"><figcaption>Apesar das vantagens do novo sistema de armazenamento, maquin&aacute;rio para grava&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o dos dados &eacute; &ldquo;complexo&rdquo; (Imagem: Divulga&ccedil;&atilde;o\/Microsoft)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h3 id=\"h-novo-material-reduz-custos-e-amplia-viabilidade\">Novo material reduz custos e amplia viabilidade<\/h3>\n<p>Um dos avan&ccedil;os descritos na publica&ccedil;&atilde;o &eacute; a possibilidade de usar <strong>vidro borossilicato<\/strong> &mdash; <strong>material comum<\/strong> encontrado em <strong>utens&iacute;lios de cozinha<\/strong> e <strong>portas de forno<\/strong> &mdash; em vez de <strong>s&iacute;lica fundida de alta pureza<\/strong>, antes necess&aacute;ria para a t&eacute;cnica. Essa mudan&ccedil;a <strong>reduz custos<\/strong> e <strong>aumenta a disponibilidade<\/strong> do meio de armazenamento, superando obst&aacute;culos importantes para eventual comercializa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb&eacute;m mostrou melhorias na <strong>velocidade de grava&ccedil;&atilde;o e simplifica&ccedil;&atilde;o do hardware<\/strong>. O leitor das placas agora necessita apenas de <strong>uma<\/strong> c&acirc;mera, e n&atilde;o tr&ecirc;s ou quatro, <strong>diminuindo<\/strong> tamanho e pre&ccedil;o. J&aacute; os dispositivos de escrita passaram a ter <strong>menos componentes<\/strong>, facilitando <strong>fabrica&ccedil;&atilde;o, calibra&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o<\/strong>.<\/p>\n<p>Os cientistas relataram ainda descobertas t&eacute;cnicas relevantes, como:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Redu&ccedil;&atilde;o<\/strong> do n&uacute;mero de pulsos necess&aacute;rios para formar voxels birefringentes;<\/li>\n<li>Desenvolvimento de escrita &ldquo;<strong>pseudo-pulso &uacute;nico<\/strong>&rdquo; para grava&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida;<\/li>\n<li>Cria&ccedil;&atilde;o de um novo m&eacute;todo de armazenamento chamado &ldquo;<strong>phase voxels<\/strong>&rdquo; (voxels de fase, em tradu&ccedil;&atilde;o literal), que modifica a <strong>fase<\/strong> do vidro em vez da <strong>polariza&ccedil;&atilde;o<\/strong> e pode ser formado com apenas <strong>um<\/strong> pulso;<\/li>\n<li>Capacidade de gravar v&aacute;rios voxels <strong>simultaneamente<\/strong> com sistema de <strong>m&uacute;ltiplos feixes<\/strong>;<\/li>\n<li>Uso de <strong>aprendizado de m&aacute;quina<\/strong> para <strong>otimizar<\/strong> codifica&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos e decodifica&ccedil;&atilde;o de dados;<\/li>\n<li>Novo m&eacute;todo &oacute;ptico n&atilde;o destrutivo para avaliar o envelhecimento das grava&ccedil;&otilde;es.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Como iniciativa de pesquisa, o Projeto Silica j&aacute; realizou provas de conceito para demonstrar a tecnologia. Entre elas, o armazenamento do filme &ldquo;<strong>Superman<\/strong>&rdquo;, da Warner Bros. Discovery, em <strong>vidro de quartzo<\/strong>; a parceria com o <strong>Global Music Vault<\/strong> para <strong>preservar m&uacute;sicas sob gelo<\/strong> por <strong>dez mil anos<\/strong>; e um projeto educacional chamado &ldquo;<strong>Golden Record 2.0<\/strong>&rdquo;, um arquivo digital colaborativo com imagens, sons, m&uacute;sicas e falas destinado a representar a diversidade humana ao longo dos mil&ecirc;nios.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CEO-da-Microsoft-1024x576.jpg\" alt=\"CEO da Microsoft\"><figcaption>Big tech, liderada por Satya Nadella, investe no projeto desde 2019 e vem obtendo avan&ccedil;os significativos (Imagem: QubixStudio\/Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 id=\"h-desafio-global-de-armazenamento\">Desafio global de armazenamento<\/h2>\n<p>O estudo destaca que a quantidade de dados gerados pela atividade humana &ldquo;quase <strong>duplicam<\/strong> a cada <strong>tr&ecirc;s anos<\/strong>&rdquo;, refor&ccedil;ando a <strong>necessidade<\/strong> de m&eacute;todos <strong>alternativos e sustent&aacute;veis<\/strong> de preserva&ccedil;&atilde;o digital. Solu&ccedil;&otilde;es atuais, como <strong>fitas magn&eacute;ticas<\/strong> e <strong>discos r&iacute;gidos<\/strong>, degradam em <strong>poucas d&eacute;cadas<\/strong> e possuem vida &uacute;til <strong>limitada<\/strong>, o que <strong>dificulta<\/strong> a conserva&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es para gera&ccedil;&otilde;es futuras.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, o armazenamento em vidro com lasers de femtossegundo est&aacute; entre as poucas tecnologias em desenvolvimento com potencial de oferecer armazenamento <strong>dur&aacute;vel, imut&aacute;vel e de longa dura&ccedil;&atilde;o<\/strong>. A fase de pesquisa foi conclu&iacute;da e os resultados foram publicados para que outros cientistas possam expandir o trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Siga o Olhar Digital no Google Discover Um estudo, divulgado nesta quarta-feira (18) na revista Nature, apresentou novos avan&ccedil;os do Projeto Silica, iniciativa de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":647163,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[229],"tags":[],"class_list":["post-647162","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/647162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=647162"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/647162\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/647163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=647162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=647162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=647162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}