{"id":648204,"date":"2026-02-22T03:36:49","date_gmt":"2026-02-22T06:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/02\/22\/trans-fakes-presas-denunciam-homens-cis-em-celas-destinadas-a-mulheres-veja-cartas\/"},"modified":"2026-02-22T03:36:49","modified_gmt":"2026-02-22T06:36:49","slug":"trans-fakes-presas-denunciam-homens-cis-em-celas-destinadas-a-mulheres-veja-cartas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/02\/22\/trans-fakes-presas-denunciam-homens-cis-em-celas-destinadas-a-mulheres-veja-cartas\/","title":{"rendered":"&#8220;Trans fakes&#8221;: presas denunciam homens cis em celas destinadas a mulheres. Veja cartas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Por tr&aacute;s dos muros da Penitenci&aacute;ria Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida popularmente como Colmeia, no Gama, uma metamorfose administrativa e penal est&aacute; redesenhando a geografia do crime e da conviv&ecirc;ncia. O que antes era um<strong> pres&iacute;dio exclusivo para mulheres cisg&ecirc;nero, hoje abriga a popula&ccedil;&atilde;o transexual feminina<\/strong>. Por&eacute;m, <span>artimanhas adotadas por &ldquo;trans fakes&rdquo; tem tensionado a Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal (LEP) e colocado em xeque a seguran&ccedil;a de servidoras e internas<\/span>.<\/p>\n<p>De acordo com cartas escritas por mulheres detidas na unidade (<em>leia mais abaixo<\/em>), <span>h&aacute; v&aacute;rios homens cis em celas destinadas a mulheres ap&oacute;s se autodeclararem mulheres trans<\/span>. Dessa forma, conseguem burlar as regras e s&atilde;o inseridos em cadeias femininas. A mentira tem um motivo: conquistar espa&ccedil;o em um &ldquo;ambiente carcer&aacute;rio melhor&rdquo;, sem se preocupar se a empreitada descredibiliza ou n&atilde;o a luta do <strong>movimento trans<\/strong>.<\/p>\n<p>Dados oficiais da Secretaria de Administra&ccedil;&atilde;o Penitenci&aacute;ria (Seape), obtidos via Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o, revelam um crescimento exponencial na autodeclara&ccedil;&atilde;o de identidade de g&ecirc;nero trans: em 2023, a unidade abrigava 19 pessoas que se diziam transexuais. Em setembro do ano passado, o n&uacute;mero saltou para 86 &ndash; um aumento de 353%.<\/p>\n<p>Somados os homens cis do regime semiaberto e da ala psiqui&aacute;trica &ndash; que tamb&eacute;m s&atilde;o alocados na Colmeia &ndash; o total de detentos do sexo masculino na estrutura carcer&aacute;ria chega a 155, representando um contingente que j&aacute; equivale a 13% da ocupa&ccedil;&atilde;o total da unidade, que abriga 644 mulheres.<\/p>\n<div>\n<h4>Leia tamb&eacute;m<\/h4>\n<ul>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<p><strong>Das 86 mulheres trans, 85 fizeram uma autodeclara&ccedil;&atilde;o de &ldquo;identidade feminina&rdquo; ap&oacute;s o in&iacute;cio de todo o processo judicial<\/strong>. A transfer&ecirc;ncia depende de autoriza&ccedil;&atilde;o da Vara de Execu&ccedil;&otilde;es Penais (VEP).<\/p>\n<p>O levantamento aponta que a mudan&ccedil;a de g&ecirc;nero, em muitos casos, ocorre ap&oacute;s o in&iacute;cio do processo, escancarando o m&eacute;todo desleal para migrar de pres&iacute;dios masculinos de seguran&ccedil;a m&aacute;xima para a Colmeia.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;Como em qualquer pol&iacute;tica p&uacute;blica, podem ocorrer casos de abuso de direito, inconsist&ecirc;ncias ou eventual falseamento de informa&ccedil;&otilde;es pessoais. Para essas situa&ccedil;&otilde;es, o sistema prisional e a VEP disp&otilde;em de fluxo de verifica&ccedil;&atilde;o consolidado e amplamente divulgado &agrave;s equipes t&eacute;cnicas, que inclui an&aacute;lise documental, escuta qualificada e avalia&ccedil;&atilde;o multidisciplinar. Quando necess&aacute;rio, as medidas s&atilde;o revistas com atua&ccedil;&atilde;o pontual caso a caso&rdquo;, disse, ao <strong>Metr&oacute;poles<\/strong>, a VEP, em nota.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Liga&ccedil;&atilde;o com fac&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p>Entre os homens transferidos como mulheres trans, figuram pessoas ligadas a fac&ccedil;&otilde;es criminosas temidas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Comboio do C&atilde;o (CDC).<\/p>\n<hr>\n<p>Entre os crimes cometidos pelas &ldquo;trans fakes&rdquo; est&atilde;o:<\/p>\n<ul>\n<li>11 homic&iacute;dios qualificados;<\/li>\n<li>11 casos de estupro de vulner&aacute;vel e 5 estupros comuns;<\/li>\n<li>6 latroc&iacute;nios (roubo seguido de morte)<\/li>\n<\/ul>\n<hr>\n<h2>Relatos de Ass&eacute;dio e Inseguran&ccedil;a<\/h2>\n<p>O impacto no cotidiano das detentas cisg&ecirc;nero &eacute; devastador. Em cartas manuscritas, datadas de 2021, as internas descrevem a perda do &uacute;ltimo reduto de privacidade. &ldquo;Perdemos a privacidade. H&aacute; exposi&ccedil;&atilde;o corporal constante e somos submetidas &agrave; linguagem de cunho sexual&rdquo;, afirma um trecho do documento encaminhado ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"&ldquo;Trans fakes&rdquo;: presas denunciam homens cis em celas destinadas a mulheres. Veja cartas - destaque galeria\" title=\"&ldquo;Trans fakes&rdquo;: presas denunciam homens cis em celas destinadas a mulheres. 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Relatos indicam que alguns detentos simulam autoles&otilde;es e tentativas de suic&iacute;dio para coagir a administra&ccedil;&atilde;o a conceder benef&iacute;cios ou para acusar policiais de &ldquo;transfobia&rdquo;, de forma estrat&eacute;gica.<\/p>\n<h2>Campo de batalha<\/h2>\n<p>Para as policiais penais, a rotina tornou-se um campo de batalha psicol&oacute;gica. <span>Enquanto a popula&ccedil;&atilde;o masculina saltou de 19 para 155, o efetivo de seguran&ccedil;a recebeu o refor&ccedil;o de apenas oito novos policiais em quatro anos.<\/span><\/p>\n<p>Segundo o Sindicato dos Policiais Penais do Distrito Federal (<strong>Sindpol-DF<\/strong>), a entidade trabalha para garantir a constru&ccedil;&atilde;o de um ambiente capaz de evitar a exposi&ccedil;&atilde;o de policiais penais e de mulheres privadas de liberdade a riscos inaceit&aacute;veis dentro de unidade prisional feminina. &ldquo;O sindicato tem se posicionado de forma veemente contra a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas sem estrutura adequada, sem refor&ccedil;o proporcional de efetivo e sem avalia&ccedil;&atilde;o real dos impactos no sistema&rdquo;, aponta a nota.<\/p>\n<p>Um question&aacute;rio respondido por 17 servidoras da unidade em 2025 exp&otilde;e a gravidade do cen&aacute;rio:<\/p>\n<ul>\n<li>100% afirmam que h&aacute; uma diferen&ccedil;a brutal de for&ccedil;a f&iacute;sica, tornando as conten&ccedil;&otilde;es perigosas;<\/li>\n<li>100% relatam a necessidade constante de apoio de policiais masculinos, o que fere o Artigo 77 da LEP, que prev&ecirc; pessoal exclusivamente feminino em pres&iacute;dios de mulheres;<\/li>\n<li>100% descrevem situa&ccedil;&otilde;es de risco iminente<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote><p>&ldquo;Uma interna trans estava me olhando com a m&atilde;o dentro da cal&ccedil;a, massageando seu &oacute;rg&atilde;o sexual&hellip; Elas fazem &lsquo;estoques&rsquo; [de armas artesanais] para nos intimidar. Antes delas chegarem, eu nunca tinha tocado a sirene. Hoje, &eacute; quase todo dia&rdquo;, relata uma policial em depoimento an&ocirc;nimo.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Entenda a Lei<\/h2>\n<p>A Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 348\/2020 do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ) permitiu a aloca&ccedil;&atilde;o de pessoas privadas de liberdade em estabelecimento prisional com base em autodeclara&ccedil;&atilde;o de identidade de g&ecirc;nero.<\/p>\n<ul>\n<li>Art. 7&ordm; &ndash; Em caso de pris&atilde;o da pessoa autodeclarada parte da popula&ccedil;&atilde;o LGBTI, o local de priva&ccedil;&atilde;o de liberdade ser&aacute; determinado pelo magistrado em decis&atilde;o fundamentada ap&oacute;s consulta &agrave; pessoa acerca de sua escolha, que poder&aacute; se dar a qualquer momento do processo penal ou execu&ccedil;&atilde;o da pena, devendo ser assegurada, ainda, a possibilidade de altera&ccedil;&atilde;o do local, em aten&ccedil;&atilde;o aos objetivos previstos no art. 2&ordm; da presente Resolu&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>&sect; 1&ordm; &ndash; A possibilidade de escolha do local de priva&ccedil;&atilde;o de liberdade e de sua altera&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser informada expressamente &agrave; pessoa parte da popula&ccedil;&atilde;o LGBTI no momento da autodeclara&ccedil;&atilde;o.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Constrangimento e inseguran&ccedil;a<\/h2>\n<p>O Sindpol-DF destacou que &ldquo;garantir direitos n&atilde;o pode significar violar outros direitos&rdquo;. &ldquo;As policiais penais, que tamb&eacute;m s&atilde;o mulheres, n&atilde;o podem ser submetidas a constrangimento, inseguran&ccedil;a e desgaste permanente, assim como as mulheres presas n&atilde;o perdem sua dignidade nem o direito &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de sua condi&ccedil;&atilde;o feminina&rdquo;, finalizou.<\/p>\n<p>Por meio de nota, a VEP disse que todas as decis&otilde;es relativas &agrave; cust&oacute;dia de pessoas transg&ecirc;nero no &acirc;mbito do sistema prisional do DF observaram estritamente a legisla&ccedil;&atilde;o vigente e as normas do CNJ. <span>&ldquo;A cria&ccedil;&atilde;o pela VEP da Ala para Pessoas Transg&ecirc;nero na Penitenci&aacute;ria Feminina do Distrito Federal (PFDF) foi pautada pela legalidade, pela prote&ccedil;&atilde;o integral de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade e pelo dever constitucional de prevenir viol&ecirc;ncia, discrimina&ccedil;&atilde;o e viola&ccedil;&otilde;es de direitos&rdquo;<\/span>, disse<\/p>\n<p>A Vara de Execu&ccedil;&otilde;es Penais disse, ainda, que as decis&otilde;es que autorizam o recolhimento de pessoas trans s&atilde;o individualizadas, fundamentadas e amparadas pelos princ&iacute;pios do contradit&oacute;rio e da ampla defesa.&nbsp;A VEP ressalta que a preocupa&ccedil;&atilde;o com a seguran&ccedil;a e a dignidade das mulheres cis permanece central, tanto daquelas privadas de liberdade quanto das servidoras que integram a unidade prisional.<\/p>\n<p>&ldquo;Como em qualquer pol&iacute;tica p&uacute;blica, podem ocorrer casos de abuso de direito, inconsist&ecirc;ncias ou eventual falseamento de informa&ccedil;&otilde;es pessoais. Para essas situa&ccedil;&otilde;es, o sistema prisional e a VEP disp&otilde;em de fluxo de verifica&ccedil;&atilde;o consolidado e amplamente divulgado &agrave;s equipes t&eacute;cnicas, que inclui an&aacute;lise documental, escuta qualificada e avalia&ccedil;&atilde;o multidisciplinar. Quando necess&aacute;rio, as medidas s&atilde;o revistas com atua&ccedil;&atilde;o pontual caso a caso&rdquo;.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a VEP, <strong>o aumento no n&uacute;mero de mulheres trans custodiadas se d&aacute; por conta da ado&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo de trabalho, alinhado &agrave; normativa nacional do CNJ<\/strong>, na qual a autodeclara&ccedil;&atilde;o de identidade de g&ecirc;nero &eacute; considerada e analisada dentro dos par&acirc;metros legais, t&eacute;cnicos e de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>&ldquo;Por fim, a VEP esclarece que a presen&ccedil;a de equipes compostas por profissionais de ambos os sexos em &aacute;reas espec&iacute;ficas da unidade prisional atende &agrave; necessidade de cust&oacute;dia diferenciada, garantindo a seguran&ccedil;a interna sem afastar o respeito &agrave;s diretrizes da Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal. Todas as escalas e procedimentos s&atilde;o realizados pela administra&ccedil;&atilde;o penitenci&aacute;ria, conforme sua atribui&ccedil;&atilde;o legal&rdquo;, finalizou.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por tr&aacute;s dos muros da Penitenci&aacute;ria Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida popularmente como Colmeia, no Gama, uma metamorfose administrativa e penal est&aacute; redesenhando\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":648205,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-648204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/648204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=648204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/648204\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/648205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=648204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=648204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=648204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}