{"id":648206,"date":"2026-02-22T03:47:41","date_gmt":"2026-02-22T06:47:41","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/02\/22\/entenda-por-que-os-celulares-nao-funcionam-direito-em-lugares-lotados\/"},"modified":"2026-02-22T03:47:41","modified_gmt":"2026-02-22T06:47:41","slug":"entenda-por-que-os-celulares-nao-funcionam-direito-em-lugares-lotados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/02\/22\/entenda-por-que-os-celulares-nao-funcionam-direito-em-lugares-lotados\/","title":{"rendered":"Entenda por que os celulares n\u00e3o funcionam direito em lugares lotados"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Quem vai &agrave;s ruas durante o Carnaval, frequenta festivais de m&uacute;sica ou jogos de futebol, se habituou a enfrentar <span>falhas de conex&atilde;o no celular<\/span>. Em ambientes superlotados, a rede fica <strong>sobrecarregada&nbsp;<\/strong>e, por isso, &eacute; mais dif&iacute;cil enviar v&iacute;deos, receber mensagens ou acessar as redes sociais.<\/p>\n<p>Para entender as explica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas sobre a instabilidade dos celulares em ambientes de multid&atilde;o e as alternativas para evitar o problema, o <strong>Metr&oacute;poles<\/strong> conversou com o &nbsp;presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (SBrT) &mdash; e professor da Escola Polit&eacute;cnica (Poli) da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) &ndash;, Cristiano Magalh&atilde;es Panazio.<\/p>\n<h2>Comunica&ccedil;&atilde;o em etapas<\/h2>\n<p>A comunica&ccedil;&atilde;o dos aparelhos com a rede funciona por meio de antenas colocadas pelas operadoras em diferentes pontos da cidade. Essas antenas, chamadas oficialmente de <strong>Esta&ccedil;&atilde;o R&aacute;dio Base (ERBs)<\/strong>, possuem uma <span>&aacute;rea limitada de cobertura e de recursos<\/span>, oficialmente denominados de <strong>banda<\/strong> &ndash; em termos t&eacute;cnicos, a banda &eacute; definida como o conjunto de frequ&ecirc;ncias em que ocorre a comunica&ccedil;&atilde;o entre o usu&aacute;rio e a antena.<\/p>\n<p>Para haver conex&atilde;o, ocorre um processo em duas etapas. Primeiro, <span>o celular envia um sinal para o canal de controle da operadora, indicando que quer compartilhar ou receber dados<\/span>. Em seguida, a rede fornece um <span>&ldquo;espa&ccedil;o&rdquo; dentro da banda,<\/span> de acordo com a demanda solicitada pelo aparelho.<\/p>\n<div>\n<h4>Leia tamb&eacute;m<\/h4>\n<ul>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<p>As ERBs s&atilde;o projetadas considerando a densidade daquela &aacute;rea. Ou seja, levam em considera&ccedil;&atilde;o a quantidade de usu&aacute;rios que devem solicitar comunica&ccedil;&atilde;o e dividir a frequ&ecirc;ncia dentro da &aacute;rea de cobertura. Quando essa densidade &eacute; maior do que o planejado &mdash; um bloquinho de Carnaval ou festival de m&uacute;sica, por exemplo &ndash;, o sistema fica <strong>sobrecarregado<\/strong> e enfrenta dificuldades para atender a todos os aparelhos.<\/p>\n<h2>Conex&atilde;o lenta em lugares lotados<\/h2>\n<p>Para a primeira etapa da conex&atilde;o, quando o celular envia o sinal para o canal de controle, o professor Cristiano Panazio faz a <span>analogia de uma palestra<\/span>: &ldquo;Quando o palestrante termina, ele abre para perguntas. E v&aacute;rios participantes levantam a m&atilde;o ao mesmo tempo. O palestrante precisa resolver esse conflito, dar a palavra a uma pessoa, enquanto as outras esperam. Assim, elas n&atilde;o falam todas ao mesmo tempo.&rdquo;<\/p>\n<p>Na analogia, o palestrante exerce o papel do canal de controle, enquanto os celulares seriam os participantes da palestra. O canal de controle recebe diversas solicita&ccedil;&otilde;es de contato e as distribui, mas, &agrave;s vezes, dois smartphones tentam falar ao mesmo tempo, o que &eacute; chamado tecnicamente de <strong>colis&atilde;o<\/strong>. E, quando isso ocorre, os dois celulares ficam em &ldquo;sil&ecirc;ncio&rdquo; antes de solicitar o contato novamente. <span>Em ambientes superlotados, a frequ&ecirc;ncia de colis&otilde;es &eacute; muito maior, o que causa demora para &ldquo;encaixar a fala&rdquo; de cada celular<\/span>.<\/p>\n<p>Essa n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica barreira. Mesmo que o canal de controle aceite as solicita&ccedil;&otilde;es de todos os aparelhos, <span>a <strong>largura da banda<\/strong> &mdash; &ldquo;espa&ccedil;o&rdquo; onde os dados ser&atilde;o transmitidos &mdash; &eacute; limitada<\/span>. Quando poucas pessoas est&atilde;o na &aacute;rea da antena, o espa&ccedil;o para cada usu&aacute;rio &eacute; maior e suporta mais volumes de dados. Mas, se uma multid&atilde;o estiver dividindo a largura da banda, o espa&ccedil;o fica restrito e o volume de dados suportado &eacute; menor.<\/p>\n<p>Para essa situa&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel fazer a analogia de uma rodovia: quando h&aacute; poucos carros, o espa&ccedil;o para cada um deles &eacute; maior e o tr&acirc;nsito flui. Mas, se a quantidade de ve&iacute;culos &eacute; maior que a capacidade da rodovia, o tr&acirc;nsito fica intenso.<\/p>\n<p>O resultado &eacute; lentid&atilde;o na rede, instabilidade nas chamadas de voz, dificuldade para baixar ou enviar mensagens e falhas na internet, mesmo que o celular esteja com todas as barras de sinal.<\/p>\n<h2>O que fazer para melhorar o sinal<\/h2>\n<p>Em termos estruturais, a solu&ccedil;&atilde;o &eacute; simples:&nbsp;basta as operadoras instalarem mais antenas para atender a todas as pessoas naquela &aacute;rea. Do ponto de vista econ&ocirc;mico, no entanto, essa solu&ccedil;&atilde;o &eacute; invi&aacute;vel, porque representa grandes custos.<\/p>\n<p>O docente lembra que, pontualmente, as empresas at&eacute; solucionam o problema. Ele cita como exemplo o Grande Pr&ecirc;mio de F&oacute;rmula 1, em Interlagos, na zona sul de S&atilde;o Paulo. &ldquo;Os operadores on-line colocam sistemas extras de comunica&ccedil;&atilde;o. Novas Esta&ccedil;&otilde;es de R&aacute;dio Base [ERBs] que lidam com todos os torcedores que querem gravar seus v&iacute;deos e publicar na internet, nas redes sociais. Mas isso depende do p&uacute;blico do evento, dos patrocinadores. E a F&oacute;rmula 1 &eacute; um evento de v&aacute;rios dias. Em um bloco de Carnaval na rua, que talvez tenha dura&ccedil;&atilde;o de algumas horas, n&atilde;o &eacute; interessante para as empresas&rdquo;.<\/p>\n<p>No caso dos usu&aacute;rios, as solu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o ainda mais limitadas. Uma alternativa muito comum &eacute; <span>erguer o celular para o alto em busca de sinal<\/span>. Segundo o professor, esse movimento at&eacute; <span>pode aumentar a taxa de transmiss&atilde;o, mas &eacute; ineficaz se o ambiente estiver muito lotado<\/span>. Outra possibilidade &eacute; buscar uma rede wi-fi no local, o que pode ajudar a descongestionar as antenas na &aacute;rea.<\/p>\n<p>Mas como nem sempre essa infraestrutura est&aacute; dispon&iacute;vel, a recomenda&ccedil;&atilde;o do professor Cristiano Panazio &eacute; priorizar mensagens curtas, j&aacute; que &aacute;udios e v&iacute;deos t&ecirc;m volume de dados muito maior. E ser paciente.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;O ideal seria deixar para fazer a transmiss&atilde;o de v&iacute;deos depois do evento. Mas, a gente sabe que compartilhar as coisas na hora tem um valor, as pessoas querem mostrar que est&atilde;o l&aacute;. Ent&atilde;o, a rede vai, sim, demorar mais tempo. Se estiver sobrecarregada, n&atilde;o vai ter jeito. A melhor solu&ccedil;&atilde;o &eacute; a paci&ecirc;ncia mesmo.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<hr>\n<h2>Por que o celular n&atilde;o funciona direito em lugares lotados?<\/h2>\n<ul>\n<li>As operadoras instalam antenas espalhadas pela cidade considerando a quantidade de aparelhos na &aacute;rea.<\/li>\n<li>Quando esse n&uacute;mero aumenta significativamente &mdash; em raz&atilde;o de um bloquinho de Carnaval ou festival de m&uacute;sica, por exemplo &ndash;, o sistema fica sobrecarregado e enfrenta dificuldades para atender a todos.<\/li>\n<li>Como h&aacute; muitos aparelhos tentando se comunicar com a antena, ocorrem &ldquo;colis&otilde;es&rdquo; e a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; interrompida.<\/li>\n<li>Al&eacute;m disso, muitas pessoas na mesma &aacute;rea sobrecarregam a banda. Assim, a banda fica dividida entre mais usu&aacute;rios e cada um deles tem um &ldquo;espa&ccedil;o&rdquo; menor para transmitir dados.<\/li>\n<li>Como consequ&ecirc;ncia, os aparelhos demoram mais para enviar ou receber dados e as chamadas ficam inst&aacute;veis, mesmo que o celular esteja com sinal.<\/li>\n<li>A solu&ccedil;&atilde;o principal &eacute; instalar mais antenas, mas o custo para as operadoras &eacute; elevado.<\/li>\n<li>Levantar o celular para o alto at&eacute; pode ajudar, mas &eacute; ineficaz em ambientes com muitas pessoas.<\/li>\n<li>O ideal &eacute; procurar uma rede wi-fi e ter paci&ecirc;ncia.<\/li>\n<\/ul>\n<hr><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem vai &agrave;s ruas durante o Carnaval, frequenta festivais de m&uacute;sica ou jogos de futebol, se habituou a enfrentar falhas de conex&atilde;o no celular.\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":648207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-648206","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/648206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=648206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/648206\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/648207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=648206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=648206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=648206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}