{"id":65964,"date":"2022-03-29T11:40:45","date_gmt":"2022-03-29T14:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/preco-da-gasolina-o-que-pode-mudar-apos-queda-do-dolar-segundo-economistas\/"},"modified":"2022-03-29T11:40:45","modified_gmt":"2022-03-29T14:40:45","slug":"preco-da-gasolina-o-que-pode-mudar-apos-queda-do-dolar-segundo-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/29\/preco-da-gasolina-o-que-pode-mudar-apos-queda-do-dolar-segundo-economistas\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7o da gasolina: o que pode mudar ap\u00f3s queda do d\u00f3lar, segundo economistas"},"content":{"rendered":"<p>Com a queda de 15% do d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o ao real desde o in\u00edcio do ano, o consumidor brasileiro se pergunta: e a gasolina, vai agora ficar mais barata? A infla\u00e7\u00e3o vai perder for\u00e7a? <\/p>\n<p>A BBC News Brasil perguntou a economistas e, segundo eles, os pre\u00e7os praticados pela Petrobras nas refinarias ainda est\u00e3o defasados em rela\u00e7\u00e3o ao mercado internacional, mesmo com a queda de pre\u00e7os do barril de petr\u00f3leo e a valoriza\u00e7\u00e3o recente do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar. <\/p>\n<p>Assim, uma redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os pela empresa \u00e9 improv\u00e1vel neste momento, dizem os especialistas. <\/p>\n<ul>\n<li>Por que o d\u00f3lar est\u00e1 caindo tanto mesmo com guerra e crise econ\u00f4mica<\/li>\n<\/ul>\n<p>Mas os analistas tamb\u00e9m n\u00e3o acreditam em nova alta para corrigir a defasagem atual ??? estimada entre 5% e 10%, ante quase 40% no in\u00edcio de mar\u00e7o, quando o petr\u00f3leo chegou pr\u00f3ximo a US$ 140 e o d\u00f3lar ainda era negociado acima de R$ 5. <\/p>\n<p>Quanto aos efeitos na infla\u00e7\u00e3o em geral, h\u00e1 quem defenda que seria necess\u00e1rio um d\u00f3lar em queda por per\u00edodo mais longo para que a mudan\u00e7a do c\u00e2mbio tenha efeitos em itens como alimentos e bens industriais. <\/p>\n<p>E mesmo quem acredita que a queda j\u00e1 dura tempo relevante admite que, quando o d\u00f3lar sobe, os repasses s\u00e3o sempre mais r\u00e1pidos do que quando ele cai.  <\/p>\n<p>&#8220;Existe uma resist\u00eancia maior dos empres\u00e1rios em dar descontos&#8221;, observa Rafaela Vit\u00f3ria, economista-chefe do Banco Inter.   <\/p>\n<p>Entenda o atual cen\u00e1rio para o pre\u00e7os dos combust\u00edveis, o que leva Brasil a ter gasolina mais cara do que seus vizinhos da Am\u00e9rica do Sul e o que esperar da infla\u00e7\u00e3o em geral, diante do atual cen\u00e1rio de queda do d\u00f3lar. <\/p>\n<h3>Gasolina pode ficar mais barata com queda do d\u00f3lar? <\/h3>\n<p>Os especialistas aqui s\u00e3o un\u00e2nimes: neste momento, isso \u00e9 improv\u00e1vel. <\/p>\n<p>??tore Sanchez, economista-chefe da gestora de recursos Ativa Investimentos, lembra que, em primeiro lugar, \u00e9 preciso diferenciar pre\u00e7os da Petrobras e pre\u00e7os dos combust\u00edveis na bomba.  <\/p>\n<p>A Petrobras controla os pre\u00e7os nas refinarias, o come\u00e7o da cadeia da gasolina que chega aos postos. A gasolina vendida nas refinarias \u00e9 de tipo A e n\u00e3o possui etanol. J\u00e1 a gasolina que se compra nos postos \u00e9 de tipo C, com a adi\u00e7\u00e3o de etanol feita pelas distribuidoras.  <\/p>\n<p>Segundo estimativa da Petrobras, o peso da gasolina comercializada pela empresa no pre\u00e7o final do produto vendido ao consumidor \u00e9 de cerca de 38%, com o restante do pre\u00e7o formado pelo custo do etanol adicionado, impostos e a margem de distribui\u00e7\u00e3o e revenda. <\/p>\n<p>&#8220;A gasolina A n\u00e3o tem ainda um potencial de queda, ainda vemos uma defasagem com rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o internacional, mesmo com o c\u00e2mbio cotado abaixo de R$ 4,80&#8221;, diz Sanchez. <\/p>\n<p>Segundo o economista, a defasagem est\u00e1 atualmente em cerca de 7%, comparado a quase 40% no pior momento desse ano, quando o barril de petr\u00f3leo do tipo brent bateu em R$ 139, maior valor em 14 anos.  <\/p>\n<p>No c\u00e1lculo da defasagem, os economistas comparam os pre\u00e7os da Petrobras com o valor da gasolina no Golfo P\u00e9rsico, regi\u00e3o onde \u00e9 produzido o maior volume de petr\u00f3leo do mundo, fazendo a convers\u00e3o cambial entre os dois valores.  <\/p>\n<p>A Petrobras adotou o chamado PPI (Pre\u00e7o de Paridade de Importa\u00e7\u00e3o) em 2016, ap\u00f3s anos praticando pre\u00e7os controlados, sobretudo no governo de Dilma Rousseff (PT). O controle de pre\u00e7os era uma forma de mitigar a infla\u00e7\u00e3o, mas causou grandes preju\u00edzos \u00e0 petroleira. <\/p>\n<p>&#8220;Vemos uma defasagem entre 5% e 10%, tanto no diesel, como na gasolina na m\u00e9dia da \u00faltima semana. ?? uma defasagem relativamente baixa e que a Petrobras deve carregar ainda por um tempo, para observar a tend\u00eancia das duas vari\u00e1veis [petr\u00f3leo e c\u00e2mbio]&#8221;, diz Rafaela Vit\u00f3ria, do Inter. <\/p>\n<p>&#8220;O cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel hoje \u00e9 de uma estabilidade dos pre\u00e7os. Parando de subir, a infla\u00e7\u00e3o tende a perder for\u00e7a, mas uma queda dos pre\u00e7os da gasolina na bomba, com o petr\u00f3leo ainda pr\u00f3ximo dos US$ 110, \u00e9 dif\u00edcil&#8221;, afirma a analista.  <\/p>\n<p>Quanto ao pacote de medidas aprovadas em mar\u00e7o no Congresso para tentar frear a alta dos combust\u00edveis, as leis que criam um fundo para estabiliza\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e aux\u00edlios para categorias como motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores foram aprovadas no Senado, mas ainda precisam passar pela C\u00e2mara.  <\/p>\n<p>J\u00e1 a mudan\u00e7a do ICMS (Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os) sobre combust\u00edveis, aprovada nas duas casas, ainda est\u00e1 travada na etapa da regulamenta\u00e7\u00e3o pelos Estados, que devem perder bilh\u00f5es em arrecada\u00e7\u00e3o com a medida. <\/p>\n<h3>Por que gasolina \u00e9 mais cara no Brasil do que nos vizinhos? <\/h3>\n<p>Segundo os especialistas, s\u00e3o dois os motivos principais: a pol\u00edtica de pre\u00e7os de cada pa\u00eds e a carga de impostos.  <\/p>\n<p>Pa\u00edses que t\u00eam gasolina muito mais barata do que a do Brasil, como Venezuela e Argentina, praticam interven\u00e7\u00f5es estatais nos pre\u00e7os, como subs\u00eddios pesados no caso venezuelano e congelamento de valores, no caso argentino. <\/p>\n<p>Conforme o levantamento mais recente do projeto Global Petrol Prices, feito em 21 de mar\u00e7o, o Brasil tem atualmente a segunda gasolina mais cara entre as principais economias sul-americanas, atr\u00e1s apenas do Uruguai.  <\/p>\n<p>&#8220;Cada pa\u00eds tem uma pol\u00edtica de pre\u00e7o diferente e uma tributa\u00e7\u00e3o diferente&#8221;, diz Pedro Rodrigues, s\u00f3cio da consultoria CBIE Avisory e diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). <\/p>\n<p>&#8220;Na Venezuela, por exemplo, a PDVSA (petroleira estatal venezuelana) praticamente d\u00e1 a gasolina para as pessoas de gra\u00e7a. H\u00e1 um subs\u00eddio muito grande da estatal ao combust\u00edvel, ao ponto que o litro da gasolina na Venezuela custa mais barato que um litro de \u00e1gua&#8221;, observa. <\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 a Argentina congelou pre\u00e7os para controlar a infla\u00e7\u00e3o, impedindo os agentes do setor de reajustar valores&#8221;, acrescenta. <\/p>\n<p>Segundo Rodrigues, no entanto, esse tipo de pol\u00edtica \u00e9 problem\u00e1tica. &#8220;Cria artificialidades, leva a desabastecimento e gera incentivos econ\u00f4micos errados&#8221;, afirma.  <\/p>\n<p>Rodrigues observa que a tributa\u00e7\u00e3o reflete diferentes entendimentos das sociedade sobre o uso de combust\u00edveis.  <\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis \u00e9 baixa, por ser um pa\u00eds cuja economia \u00e9 muito centrada no autom\u00f3vel, que definiu at\u00e9 mesmo o modelo de urbaniza\u00e7\u00e3o das cidades. J\u00e1 o Reino Unido tributa pesadamente os combust\u00edveis f\u00f3sseis, a partir de um entendimento de que seu uso precisa ser desincentivado, priorizando o transporte p\u00fablico. <\/p>\n<p>&#8220;Pol\u00edtica tribut\u00e1ria n\u00e3o tem pior ou melhor, \u00e9 uma quest\u00e3o de escolha da sociedade&#8221;, diz Rodrigues.  <\/p>\n<p>Segundo ele, no Brasil, uma reforma tribut\u00e1ria poderia, por exemplo, reduzir a tributa\u00e7\u00e3o do diesel, g\u00e1s de cozinha e energia el\u00e9trica, j\u00e1 que s\u00e3o bens essenciais.   <\/p>\n<h3>E a infla\u00e7\u00e3o, pode melhorar com a queda do d\u00f3lar? <\/h3>\n<p>Aqui, os economistas t\u00eam vis\u00f5es diferentes, mas acabam todos admitindo que o efeito para a infla\u00e7\u00e3o deve ser pouco.  <\/p>\n<p>&#8220;No curt\u00edssimo prazo, o c\u00e2mbio bate na infla\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos combust\u00edveis, devido \u00e0 pol\u00edtica de paridade de pre\u00e7os&#8221;, explica Sanchez, da Ativa Investimentos. &#8220;Como n\u00e3o estamos vendo potencial para reajuste baixista [da gasolina], mesmo com o al\u00edvio do c\u00e2mbio, por essa via n\u00e3o deve haver impacto.&#8221; <\/p>\n<p>J\u00e1 para as cadeias onde o c\u00e2mbio tem influ\u00eancia por caminhos mais longos ??? como a importa\u00e7\u00e3o de componentes que entram em produtos industriais e as commodities agr\u00edcolas usadas na ra\u00e7\u00e3o animal ???, seria necess\u00e1rio um real valorizado por mais tempo para que houvesse impacto favor\u00e1vel, avalia o economista. <\/p>\n<p>Sanchez estima que o d\u00f3lar deve chegar ao fim de 2022 cotado a R$ 5,40, pois, na avalia\u00e7\u00e3o dele, o n\u00edvel atual, abaixo de R$ 5,80, n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com os &#8220;fundamentos&#8221; da economia brasileira, como a fr\u00e1gil situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas do governo federal. <\/p>\n<p>J\u00e1 Rafaela Vit\u00f3ria, do Banco Inter, projeta um d\u00f3lar a R$ 5 no fim do ano e acredita que o c\u00e2mbio j\u00e1 est\u00e1 em baixa a tempo suficiente para ter um efeito positivo na economia, posto que ele fechou 2021 cotado a quase R$ 5,60 e acumula tr\u00eas meses de queda, chegando a R$ 4,75 na sexta-feira (25\/3). <\/p>\n<p>&#8220;Podemos falar num impacto positivo sim, \u00e9 uma queda j\u00e1 de tr\u00eas meses&#8221;, afirma. <\/p>\n<p>&#8220;Mas vale lembrar que, quando o d\u00f3lar sobe, os repasses s\u00e3o mais r\u00e1pido do que quando o d\u00f3lar cai. Para baixo, existe uma resist\u00eancia maior. Historicamente, mesmo em per\u00edodos de valoriza\u00e7\u00f5es mais significativas e duradouras [do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar] o impacto \u00e9 menor do que quando acontece uma deprecia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio&#8221;, acrescenta a economista. <\/p>\n<p>&#8220;?? doloroso subir pre\u00e7os, mas uma vez que subiu, dar descontos \u00e9 ainda mais dif\u00edcil.&#8221; <\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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