{"id":661507,"date":"2026-03-23T17:27:42","date_gmt":"2026-03-23T20:27:42","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/03\/23\/veja-antes-e-depois-dos-locais-do-acidente-com-o-cesio-137-em-goiania\/"},"modified":"2026-03-23T17:29:37","modified_gmt":"2026-03-23T20:29:37","slug":"veja-antes-e-depois-dos-locais-do-acidente-com-o-cesio-137-em-goiania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/03\/23\/veja-antes-e-depois-dos-locais-do-acidente-com-o-cesio-137-em-goiania\/","title":{"rendered":"Veja antes e depois dos locais do acidente com o C\u00e9sio-137 em Goi\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<h1>Mem\u00f3rias radioativas de Goi\u00e2nia: o acidente de Cs-137 e as marcas que ainda acompanham a cidade<\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resumo: Em 1987, Goi\u00e2nia enfrentou o maior acidente radiol\u00f3gico j\u00e1 registrado fora de uma usina nuclear, iniciado pela perda de uma c\u00e1psula de Cs-137 de uma cl\u00ednica de radioterapia desativada. A contamina\u00e7\u00e3o se espalhou por bairros, im\u00f3veis e espa\u00e7os p\u00fablicos, deixando marcas f\u00edsicas e sociais que a cidade carrega at\u00e9 hoje. Este relato percorre os locais mais significativos do epis\u00f3dio, as v\u00edtimas, as a\u00e7\u00f5es de resposta e a mem\u00f3ria que permanece vivo na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou quando uma c\u00e1psula de material radioativo foi deixada no centro da cidade, na antiga cl\u00ednica de radioterapia, que funcionava no Centro at\u00e9 1985. A c\u00e1psula acabou sendo retirada de seu equipamento, reaproveitada ou exposta em um ferro-velho, e o material escapou. A partir daquele momento, o material se tornou um risco que se espalhou por diversos espa\u00e7os, movendo-se entre casas, dep\u00f3sitos de sucata e locais p\u00fablicos. A resposta envolveu uma complexa opera\u00e7\u00e3o de conten\u00e7\u00e3o, descontamina\u00e7\u00e3o e monitoramento, cujo legado permanece em cada marco da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antigo Instituto Goiano de Radioterapia \u2013 localizado no Centro, o pr\u00e9dio abrigava uma cl\u00ednica de radioterapia em funcionamento at\u00e9 1985. Ap\u00f3s a desativa\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o foi demolido, o terreno passou por descontamina\u00e7\u00e3o rigorosa e hoje abriga o Centro de Conven\u00e7\u00f5es de Goi\u00e2nia. No entanto, a c\u00e1psula que continha Cs-137 permaneceu interna, desencadeando a contamina\u00e7\u00e3o que motivou a resposta de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ferro-velho de Devair Ferreira \u2013 situado no Setor Aeroporto, o local funcionava como dep\u00f3sito de sucata. Atra\u00eddos pelo valor do chumbo, catadores levaram partes do equipamento retirado da cl\u00ednica. Ali ocorreu a abertura da c\u00e1psula, liberando o p\u00f3 radioativo que emitia um brilho azul. A \u00e1rea foi isolada, demolida e o solo removido. Mesmo descontaminado, o terreno permanece abandonado e cercado por proibi\u00e7\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casa do catador Roberto Santos Alves \u2013 na regi\u00e3o central, foi a primeira resid\u00eancia na qual parte do equipamento foi trazida por catadores para desmontagem inicial. O im\u00f3vel foi demolido, o solo e artigos descartados como rejeito radioativo. O terreno passou por descontamina\u00e7\u00e3o, mas hoje continua vazio, com restri\u00e7\u00f5es de edifica\u00e7\u00e3o na localidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1dio Ol\u00edmpico Pedro Ludovico Teixeira \u2013 no Setor Central, houve uma triagem maci\u00e7a de v\u00edtimas ap\u00f3s a constata\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o. O espa\u00e7o, que j\u00e1 foi a principal pra\u00e7a esportiva da cidade, tornou-se um polo de triagem e medi\u00e7\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o. Cerca de 112 mil pessoas passaram por exames, um indicador da escala da resposta emergencial na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria \u2013 foi para l\u00e1 que a c\u00e1psula foi levada na busca por conten\u00e7\u00e3o e isolamento. A partir desse movimento, iniciou-se a etapa de gerenciamento da contamina\u00e7\u00e3o, com a distribui\u00e7\u00e3o de cargas de trabalho, o controle de \u00e1reas afetadas e a coordena\u00e7\u00e3o entre diferentes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para evitar a dissemina\u00e7\u00e3o do material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cemit\u00e9rio Municipal Parque \u2013 ap\u00f3s o acidente, as v\u00edtimas receberam sepultamento em caix\u00f5es de chumbo, sob forte conten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. O local tornou-se s\u00edmbolo do impacto social e do estigma associado \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. Ao redor das sepulturas, as medidas de prote\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia refor\u00e7aram a percep\u00e7\u00e3o de risco cont\u00ednuo na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aterro de rejeitos radioativos \u2013 localizado na BR-060, km 174, em Abadia de Goi\u00e1s, o dep\u00f3sito definitivo acomodou todo o material contaminado, incluindo casas demolidas, solo e objetos. O local permanece sob monitoramento constante, como parte de uma opera\u00e7\u00e3o de longo prazo para impedir qualquer retorno da contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mem\u00f3ria e seguida cobertura p\u00fablica \u2013 a hist\u00f3ria do Cs-137 ganhou novos cap\u00edtulos com a divulga\u00e7\u00e3o de relatos de v\u00edtimas, estudos t\u00e9cnicos e document\u00e1rios. A s\u00e9rie especial do Metropoles, Mem\u00f3rias radioativas, preserva as mem\u00f3rias da trag\u00e9dia, contextualizando as v\u00edtimas e as li\u00e7\u00f5es aprendidas pela cidade para evitar que o epis\u00f3dio se repita.<\/p>\n<h2>Galeria de imagens<\/h2>\n<div id=\"gallery\" style=\"display: grid; grid-template-columns: repeat(auto-fill, minmax(180px, 1fr)); gap: 12px; margin: 16px 0;\">\n<figure style=\"margin: 0;\">\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.metroimg.com\/2021\/08\/26105933\/Instalacoes-da-clinica-de-onde-foi-retirada-a-capsula-em-Goiania.jpg\" alt=\"Instala\u00e7\u00f5es da cl\u00ednica onde foi retirada a c\u00e1psula em Goi\u00e2nia\" style=\"width:100%; height:auto;\" \/><br \/>\n  <\/figure>\n<figure style=\"margin: 0;\">\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/03\/2026-hb-memorias-radioativas-vitimas-do-cesio-137-lutam-para-nao-serem-esquecidas103.jpg\" alt=\"Terreno onde estava a cl\u00ednica de radioterapia e onde foi retirada a c\u00e1psula\" style=\"width:100%; height:auto;\" \/><br \/>\n  <\/figure>\n<figure style=\"margin: 0;\">\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/03\/2026-hb-memorias-radioativas-vitimas-do-cesio-137-lutam-para-nao-serem-esquecidas60.jpg\" alt=\"Ferro-velho onde come\u00e7ou o acidente\" style=\"width:100%; height:auto;\" \/><br \/>\n  <\/figure>\n<figure style=\"margin: 0;\">\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/03\/2026-hb-memorias-radioativas-vitimas-do-cesio-137-lutam-para-nao-serem-esquecidas98.jpg\" alt=\"Capsula de Cs-137 durante a investiga\u00e7\u00e3o\" style=\"width:100%; height:auto;\" \/><br \/>\n  <\/figure>\n<figure style=\"margin: 0;\">\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.metroimg.com\/oiMK_9bZYWiuUMUMW3LpWyYyuR4uyNNh1BQClMU3aUE\/w:1200\/q:85\/f:webp\/plain\/https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/03\/capsula-na-vigilancia-sanitaria-cnen.jpg\" alt=\"Capsula na Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria\" style=\"width:100%; height:auto;\" \/><br \/>\n  <\/figure>\n<figure style=\"margin: 0;\">\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.metroimg.com\/1gjdjv8PHzS7rteIljuvzsX50B1lgmjLv1xYuXNmPv0\/w:1200\/q:85\/f:webp\/plain\/https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/03\/estadio-cesio-137.jpg\" alt=\"Est\u00e1dio Ol\u00edmpico de Goi\u00e2nia usado como centro de triagem\" style=\"width:100%; height:auto;\" \/><br \/>\n  <\/figure>\n<figure style=\"margin: 0;\">\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.metroimg.com\/FdBD7JSqFoI35kCKHLYpMmCGCMa8zkogDt3D0jHCiZU\/w:1200\/q:85\/f:webp\/plain\/https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/03\/cesio-137-foto-cara-do-livro.jpg\" alt=\"Imagem do livro sobre o acidente Cesio-137\" style=\"width:100%; height:auto;\" \/><br \/>\n  <\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conjunto de locais marcados pela trag\u00e9dia revela n\u00e3o apenas o aspecto t\u00e9cnico do epis\u00f3dio, mas tamb\u00e9m o impacto humano. As demoli\u00e7\u00f5es, as \u00e1reas isoladas e as medidas de monitoramento deram origem a uma nova forma de olhar a sa\u00fade p\u00fablica, a seguran\u00e7a ambiental e a mem\u00f3ria coletiva da cidade. A hist\u00f3ria de Goi\u00e2nia permanece como alerta sobre o cuidado com equipamentos m\u00e9dicos potencialmente perigosos e sobre a import\u00e2ncia de respostas r\u00e1pidas, transparentes e bem coordenadas a crises desse tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00edmos que o epis\u00f3dio de 1987 deixou ensinamentos que v\u00e3o muito al\u00e9m da ci\u00eancia: ele moldou pol\u00edticas p\u00fablicas, refor\u00e7ou a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria e abriu um espa\u00e7o para a lembran\u00e7a respons\u00e1vel. A cidade continua a vigiar os locais contaminados, a preservar as mem\u00f3rias das v\u00edtimas e a educar novas gera\u00e7\u00f5es sobre os riscos envolvidos na gest\u00e3o de materiais radioativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, queremos ouvir voc\u00ea: quais aspectos da mem\u00f3ria de Goi\u00e2nia voc\u00ea considera mais importantes para que a cidade n\u00e3o apenas lembre, mas aprenda e pratique a preven\u00e7\u00e3o? Deixe seu coment\u00e1rio com sua vis\u00e3o, perguntas ou experi\u00eancias relacionadas a esse epis\u00f3dio hist\u00f3rico que ainda ecoa na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><script>\n\/* Lightbox simples para a galeria *\/\n(function() {\n  const imgs = Array.from(document.querySelectorAll('#gallery img'));\n  const overlay = document.createElement('div');\n  overlay.style.position = 'fixed';\n  overlay.style.top = 0; overlay.style.left = 0;\n  overlay.style.width = '100%'; overlay.style.height = '100%';\n  overlay.style.background = 'rgba(0,0,0,.8)';\n  overlay.style.display = 'flex';\n  overlay.style.alignItems = 'center';\n  overlay.style.justifyContent = 'center';\n  overlay.style.zIndex = 1000;\n  overlay.style.cursor = 'zoom-out';\n  overlay.style.visibility = 'hidden';\n  document.body.appendChild(overlay);<\/p>\n<p>  const lx = document.createElement('img');\n  lx.style.maxWidth = '90%';\n  lx.style.maxHeight = '80%';\n  overlay.appendChild(lx);<\/p>\n<p>  overlay.addEventListener('click', () => { overlay.style.visibility = 'hidden'; });<\/p>\n<p>  imgs.forEach(img => {\n    img.style.cursor = 'pointer';\n    img.addEventListener('click', () => {\n      lx.src = img.src;\n      overlay.style.visibility = 'visible';\n    });\n  });\n})();\n<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mem\u00f3rias radioativas de Goi\u00e2nia: o acidente de Cs-137 e as marcas que ainda acompanham a cidade Resumo: Em 1987, Goi\u00e2nia enfrentou o maior acidente\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":661509,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[244],"tags":[],"class_list":["post-661507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=661507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/661509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=661507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=661507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=661507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}