{"id":663983,"date":"2026-03-30T02:52:58","date_gmt":"2026-03-30T05:52:58","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/03\/30\/cpmi-pede-indiciamento-de-familia-do-df-envolvida-na-farra-do-inss\/"},"modified":"2026-03-30T02:52:58","modified_gmt":"2026-03-30T05:52:58","slug":"cpmi-pede-indiciamento-de-familia-do-df-envolvida-na-farra-do-inss","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/03\/30\/cpmi-pede-indiciamento-de-familia-do-df-envolvida-na-farra-do-inss\/","title":{"rendered":"CPMI pede indiciamento de fam\u00edlia do DF envolvida na farra do INSS"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Irm&atilde;os, filho, cunhado e esposa. <span>Ao menos cinco pessoas de uma mesma fam&iacute;lia, moradora do Recanto das Emas, no Distrito Federal, est&atilde;o por tr&aacute;s da cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o dos Aposentados do Brasil (AAB)<\/span> &ndash; uma das institui&ccedil;&otilde;es investigadas no caso que ficou conhecido como a Farra do INSS.<\/p>\n<p>Desse total, pelo menos <strong>tr&ecirc;s integrantes tiveram pedido de indiciamento solicitado pela CPMI <\/strong>que investiga os descontos ilegais em aposentadorias e pens&atilde;o da Seguridade Social.<\/p>\n<p>Entre eles est&aacute; Dogival Jos&eacute; dos Santos, que presidia a AAB. A entidade foi criada especificamente para replicar o modelo de descontos n&atilde;o autorizados aplicado pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) &ndash; outra institui&ccedil;&atilde;o envolvida nas fraudes.<\/p>\n<p>Conforme consta no relat&oacute;rio final da comiss&atilde;o, <span>Dogival ocupava posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica e operacional no n&uacute;cleo da organiza&ccedil;&atilde;o criminosa mantida por seu c&iacute;rculo familiar<\/span>.<\/p>\n<div>\n<h4>Leia tamb&eacute;m<\/h4>\n<ul>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<p>Uma quebra de sigilo financeiro, encaminhado &agrave; comiss&atilde;o, aponta Dogival &ndash; que era motorista, como um dos principais emissores e receptores de recursos dentro da rede de branqueamento do grupo.<\/p>\n<p>Entre 2019 e 2025, o homem realizou 353 dep&oacute;sitos em favor da esposa, Lucineide dos Santos Oliveira, totalizando R$ 741 mil. &ldquo;Tais transa&ccedil;&otilde;es fracionadas e repetitivas configuram a t&eacute;cnica de smurfing &ndash; utilizada para ocultar o rastro do dinheiro e dificultar a fiscaliza&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria&rdquo;, disse a CPMI.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, Dogival &eacute; acusado de articular a gest&atilde;o de recursos com o filho &ndash; <strong>Dogival Jos&eacute; dos Santos J&uacute;nior<\/strong>, e com o cunhado, <strong>Samuel Chris&oacute;stomo<\/strong> &ndash; que tamb&eacute;m atuava como contador da Conafer, utilizando empresas de faixada para lavar o proveito dos crimes.<\/p>\n<p>&ldquo;Ao comandar a transi&ccedil;&atilde;o da AAB para o setor previdenci&aacute;rio e operar o duto financeiro que escoava milh&otilde;es de reais para o seu n&uacute;cleo familiar, o indiciado usurpou a &eacute;tica associativa e concorreu diretamente para a les&atilde;o patrimonial de milh&otilde;es de brasileiros vulner&aacute;veis&rdquo;, declarou a CPMI, <span>que pediu indiciamento do homem por organiza&ccedil;&atilde;o criminosa e lavagem de dinheiro.<\/span><\/p>\n<h2>Respons&aacute;vel pelas empresas de faixada<\/h2>\n<p><span>Samuel Chris&oacute;stomo era o respons&aacute;vel por movimentar e lavar vultosos volumes de recursos<\/span>, operando um n&uacute;cleo que, <strong>em conjunto com sua irm&atilde; Lucineide dos Santos Oliveira<\/strong>, transacionou cerca de R$ 250 milh&otilde;es de origem il&iacute;cita.<\/p>\n<p>Citado como o <span>terceiro principal operador financeiro da organiza&ccedil;&atilde;o criminosa liderada por Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer<\/span>, Samuel Chris&oacute;stomo &eacute; acusado de comandar um <strong>&ldquo;complexo ecossistema de empresas de fachada destinadas a absorver, circular e ocultar ativos extra&iacute;dos de segurados do INSS&rdquo;<\/strong>.<\/p>\n<p>O <strong>Metr&oacute;poles<\/strong> denunciou, em novembro de 2025, que Samuel, Lucineide e uma terceira pessoa vinculada &agrave; Conafer criaram diversos CNPJs distintos que operavam no mesmo conjunto de endere&ccedil;os na capital da Rep&uacute;blica.&nbsp;A maior parte dos empreendimentos supostamente funcionam na parte superior de um pequeno sobrado no Recanto das Emas.<\/p>\n<blockquote><p><span>Segundo a CPMI, as investiga&ccedil;&otilde;es revelaram que as empresas de Samuel, al&eacute;m de lavarem recursos da AAB, emitiam notas fiscais frias para justificar contabilmente o recebimento de valores da Conafer.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>O esquema caracterizava-se por um &ldquo;ciclo fechado&rdquo;, onde os recursos sa&iacute;am da Conafer para as empresas do investigado e, em seguida, eram repassados para empresas ligadas ao assessor do presidente da confedera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para garantir o controle absoluto do esquema, <span>Samuel posicionou familiares pr&oacute;ximos, como sua m&atilde;e, irm&atilde;o e filho, em cargos de c&uacute;pula e conselhos da AAB.<\/span><\/p>\n<p>Na qualidade de pessoa f&iacute;sica, Samuel recebeu ao menos R$ 15 milh&otilde;es de suas pr&oacute;prias empresas de fachada.<\/p>\n<p>Diante dos fatos, a CPMI pediu o indiciamento de Samuel por organiza&ccedil;&atilde;o criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideol&oacute;gica, corrup&ccedil;&atilde;o ativa e participa&ccedil;&atilde;o em furto e fraude eletr&ocirc;nica.<\/p>\n<h2>Os repasses<\/h2>\n<p>No relat&oacute;rio, a CPMI disse que <strong>Lucineide dos Santos Oliveira atuava tanto como tesoureira da AAB quanto no n&uacute;cleo financeiro que operava as fraudes da Conafer<\/strong>.<\/p>\n<p>Ela tamb&eacute;m &eacute; apontada como uma operadora estrat&eacute;gica na lavagem de dinheiro e na pulveriza&ccedil;&atilde;o de recursos desviados de aposentados.<\/p>\n<p>&ldquo;A indiciada controlava a Expresso Servi&ccedil;os de Publicidade e Marketing, a Impacto Servi&ccedil;os de Apoio Adm e a Solution Servi&ccedil;os de Loca&ccedil;&atilde;o e Apoio. Tais empresas, sediadas em endere&ccedil;os no Recanto das Emas (DF) e sem funcion&aacute;rios registrados, receberam o total de R$ 141 milh&otilde;es, sendo R$ 138,9 milh&otilde;es da Conafer e R$ 2,9 milh&otilde;es da AAB&rdquo;, disse a CPMI.<\/p>\n<p><span>Como pessoa f&iacute;sica, Lucineide recebeu R$ 160,9 milh&otilde;es entre 2019 e 2025, dos quais R$ 113 milh&otilde;es vieram diretamente da Conafer<\/span>. &ldquo;Essa movimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; flagrantemente incompat&iacute;vel com sua realidade econ&ocirc;mica, visto que em 2022 ela possu&iacute;a renda formal de apenas R$ 2 mil e hist&oacute;rico de inscri&ccedil;&atilde;o no Cad&Uacute;nico&rdquo;, consta no relat&oacute;rio.<\/p>\n<p>A investiga&ccedil;&atilde;o financeira comprovou que <span>Lucineide transferiu R$ 40 mil, em 2024, <strong>para o servidor Pedro Alves Corr&ecirc;a Neto, apontado como o principal t&eacute;cnico que facilitava os processos das associa&ccedil;&otilde;es na DIRBEN\/INSS<\/strong><\/span><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Por meio de sua empresa Expresso Marketing, Lucineide enviou R$ 9,5 milh&otilde;es para a BSF Gest&atilde;o em Sa&uacute;de &ndash; controlada por Danilo Trento &ndash; e repassou R$ 5,94 milh&otilde;es para o BK Bank &ndash; institui&ccedil;&atilde;o investigada por lavar dinheiro para organiza&ccedil;&otilde;es criminosas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, efetuou uma transfer&ecirc;ncia &uacute;nica de R$ 600 mil, em 2024, para o Auto Posto Topa Tudo &ndash; estabelecimento localizado em Minas Gerais e utilizado para branqueamento de capitais.<\/p>\n<blockquote><p>Ainda segundo o relat&oacute;rio, Lucineide <span>transferiu cerca de R$ 700 mil para o escrit&oacute;rio de Milena C&acirc;mara, filha do Deputado Federal Silas C&acirc;mara.<\/span> Esses pagamentos ocorreram entre 2023 e 2024, coincidindo temporalmente com reuni&otilde;es de articula&ccedil;&atilde;o entre o parlamentar e o presidente da Conafer.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ap&oacute;s o in&iacute;cio dos repasses milion&aacute;rios, Lucineide adquiriu uma frota incompat&iacute;vel com seus rendimentos: um Porsche Boxster 2023, uma Mitsubishi Triton 2024 e um VW T-Cross 2025. A Pol&iacute;cia Federal aponta que ela tamb&eacute;m registrava ve&iacute;culos de terceiros em seu nome para blindar o patrim&ocirc;nio dos l&iacute;deres da organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com isso, Lucineide teve pedido de indiciamento feito pelos crimes de organiza&ccedil;&atilde;o criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideol&oacute;gica.<\/p>\n<h2>O outro lado<\/h2>\n<p>O <strong>Metr&oacute;poles<\/strong> tentou contatar os envolvidos, mas n&atilde;o obteve retorno at&eacute; a &uacute;ltima atualiza&ccedil;&atilde;o no texto. O espa&ccedil;o segue aberto para manifesta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm&atilde;os, filho, cunhado e esposa. 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