{"id":664175,"date":"2026-03-30T18:17:30","date_gmt":"2026-03-30T21:17:30","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/03\/30\/mais-de-200-mil-simulacoes-tentam-explicar-como-venus-se-tornou-infernal\/"},"modified":"2026-03-30T18:17:30","modified_gmt":"2026-03-30T21:17:30","slug":"mais-de-200-mil-simulacoes-tentam-explicar-como-venus-se-tornou-infernal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/03\/30\/mais-de-200-mil-simulacoes-tentam-explicar-como-venus-se-tornou-infernal\/","title":{"rendered":"Mais de 200 mil simula\u00e7\u00f5es tentam explicar como V\u00eanus se tornou infernal"},"content":{"rendered":"<p>V&ecirc;nus tem sido cada vez mais estudado como refer&ecirc;ncia para entender mundos rochosos que orbitam outras estrelas. Miss&otilde;es como o Telesc&oacute;pio Espacial James Webb (JWST) e o futuro Observat&oacute;rio de Mundos Habit&aacute;veis (HWO), ambos da NASA, ajudam a comparar planetas e entender se um mundo pode ser parecido com a Terra ou um verdadeiro inferno, como o nosso vizinho extremo.<\/p>\n<p><strong>Em resumo:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>V&ecirc;nus &eacute; usado como refer&ecirc;ncia para entender exoplanetas rochosos;<\/li>\n<li>Simula&ccedil;&otilde;es de 4,5 bilh&otilde;es de anos testaram a evolu&ccedil;&atilde;o do planeta;<\/li>\n<li>Quatro cen&aacute;rios poss&iacute;veis explicam a crosta densa e atividade limitada;<\/li>\n<li>&Aacute;gua interna e fatores f&iacute;sicos impediram placas tect&ocirc;nicas de se formarem;<\/li>\n<li>Miss&otilde;es futuras v&atilde;o mapear a superf&iacute;cie e testar previs&otilde;es cient&iacute;ficas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Pesquisadores da Universidade de Washington, EUA, liderados pelo astr&ocirc;nomo Rodolfo Garcia, investigaram por que V&ecirc;nus e Terra, t&atilde;o pr&oacute;ximos, evolu&iacute;ram de forma t&atilde;o diferente. Para isso, simularam 4,5 bilh&otilde;es de anos da hist&oacute;ria de V&ecirc;nus usando o software VPLanet, que permite testar diferentes condi&ccedil;&otilde;es iniciais e par&acirc;metros f&iacute;sicos do planeta.&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido no Laborat&oacute;rio de Planetas Virtuais (VPL), onde a equipe utiliza a ferramenta para simular a evolu&ccedil;&atilde;o de planetas, incluindo os chamados exoplanetas (de fora do Sistema Solar). Assim, conseguem entender como fatores internos, como o n&uacute;cleo e o manto, e externos, como a atmosfera, influenciam a hist&oacute;ria e as condi&ccedil;&otilde;es dos mundos rochosos.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"605\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/panquecas-vnus-1024x605.jpeg\" alt><figcaption>Reconstru&ccedil;&atilde;o computacional da superf&iacute;cie de V&ecirc;nus criada a partir de dados da espa&ccedil;onave Magellan, da NASA. Cr&eacute;dito E. De Jong et al. (JPL), MIPL, Magellan Team, NASA<\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"h-simulacoes-indicam-quatro-caminhos-possiveis-para-a-situacao-atual-de-venus\"><strong>Simula&ccedil;&otilde;es indicam quatro caminhos poss&iacute;veis para a situa&ccedil;&atilde;o atual de V&ecirc;nus<\/strong><\/h2>\n<p>Foram feitas 234 mil simula&ccedil;&otilde;es, assumindo que V&ecirc;nus sempre teve &ldquo;tampa estagnada&rdquo; na crosta, ou seja, sem placas tect&ocirc;nicas m&oacute;veis como as da Terra. O modelo considerou o interior do planeta, sua crosta e a atmosfera, aplicando tr&ecirc;s restri&ccedil;&otilde;es: press&atilde;o de di&oacute;xido de carbono de 92 bar, press&atilde;o de &aacute;gua de 3 milibares e um campo magn&eacute;tico muito fraco, menos de 0,01% do da Terra. Apenas 808 simula&ccedil;&otilde;es, 0,35% do total, conseguiram reproduzir essas condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>As simula&ccedil;&otilde;es bem-sucedidas mostraram quatro caminhos poss&iacute;veis para a situa&ccedil;&atilde;o atual do planeta. O mais comum, chamado &ldquo;convencional&rdquo;, ocorre quando manto e n&uacute;cleo esfriam lentamente, como previsto por modelos anteriores, representando 72% das simula&ccedil;&otilde;es. Outro cen&aacute;rio, em 18% dos casos, indica que V&ecirc;nus perdeu muita &aacute;gua do manto, endurecendo sua crosta e bloqueando a atividade interna, causando um planeta seco e tectonicamente inativo.<\/p>\n<p>Em 10% das simula&ccedil;&otilde;es, o n&uacute;cleo interno nunca se desenvolveu totalmente, prejudicando a din&acirc;mica do planeta. E um &uacute;ltimo cen&aacute;rio raro mostrou grandes oscila&ccedil;&otilde;es de temperatura e atividade interna nos primeiros 500 milh&otilde;es de anos, antes de se estabilizar no estado atual. Esses caminhos diferentes mostram que pequenas mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es iniciais podem transformar um planeta potencialmente parecido com a Terra em um verdadeiro inferno.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/hunting-venus-20-scien-1-1024x768.jpg\" alt><figcaption>Maat Mons &eacute; o maior vulc&atilde;o de V&ecirc;nus, sendo a segunda montanha mais alta do planeta. Cr&eacute;dito: NASA\/JPL<\/figcaption><\/figure>\n<p>Par&acirc;metros como quantidade de &aacute;gua inicial, viscosidade do manto, resist&ecirc;ncia &agrave; desidrata&ccedil;&atilde;o, efici&ecirc;ncia dos vulc&otilde;es e ponto de fus&atilde;o do n&uacute;cleo foram cruciais para que V&ecirc;nus alcan&ccedil;asse o estado atual. Esses fatores ajudaram os pesquisadores a entender por que o planeta n&atilde;o desenvolveu placas tect&ocirc;nicas e manteve sua atmosfera densa e quente.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Poss&iacute;vel t&uacute;nel vulc&acirc;nico gigante descoberto em V&ecirc;nus desafia teorias<\/li>\n<li>Enigma de d&eacute;cadas em V&ecirc;nus pode ter chegado ao fim<\/li>\n<li>Asteroides mais r&aacute;pidos do Sistema Solar produzem chuva de meteoros em V&ecirc;nus<\/li>\n<\/ul>\n<h2 id=\"h-planeta-ainda-contem-agua-e-e-geologicamente-ativo\"><strong>Planeta ainda cont&eacute;m &aacute;gua e &eacute; geologicamente ativo<\/strong><\/h2>\n<p>Um dado interessante do estudo &eacute; que, mesmo no estado atual, V&ecirc;nus mant&eacute;m grande parte da &aacute;gua em seu interior, equivalente a pelo menos um oceano terrestre. O artigo, dispon&iacute;vel em pr&eacute;-impress&atilde;o no reposit&oacute;rio <em>arXiv<\/em>, onde aguarda revis&atilde;o, tamb&eacute;m sugere que o planeta ainda &eacute; geologicamente ativo, embora em n&iacute;vel mais baixo do que a Terra. Al&eacute;m disso, a maioria das simula&ccedil;&otilde;es indica que V&ecirc;nus teve campo magn&eacute;tico no in&iacute;cio, vest&iacute;gios que podem estar registrados nas rochas da superf&iacute;cie.<\/p>\n<p>Nos pr&oacute;ximos anos, tr&ecirc;s miss&otilde;es v&atilde;o explorar V&ecirc;nus: Investiga&ccedil;&atilde;o da Atmosfera Profunda de V&ecirc;nus de Gases Nobres, Qu&iacute;mica e Imagens (DAVINCI) e Emissividade de V&ecirc;nus, Ci&ecirc;ncias de R&aacute;dio, InSAR, Topografia e Espectroscopia (VERITAS), ambas da NASA, e Sensoriamento Remoto Atmosf&eacute;rico Infravermelho para Grandes Estudos de Exoplanetas (EnVision), da Ag&ecirc;ncia Espacial Europeia (ESA).<\/p>\n<p>Essas sondas v&atilde;o penetrar as densas nuvens de V&ecirc;nus, mapear a superf&iacute;cie e analisar a atmosfera para testar as previs&otilde;es do estudo. Os dados poder&atilde;o indicar se o planeta j&aacute; teve um n&uacute;cleo ativo, explicar a origem do clima extremo e revelar como sua evolu&ccedil;&atilde;o seguiu um caminho t&atilde;o diferente do percorrido pela Terra.<\/p>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/foto-flavia-perfil-1-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" alt=\"Flavia Correia\" loading=\"lazy\"><\/p>\n<div>\n<p>Flavia Correia<\/p>\n<p>Fl&aacute;via Correia &eacute; jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ci&ecirc;ncia e Espa&ccedil;o.<\/p>\n<p>Ver todos os artigos &rarr;  \t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V&ecirc;nus tem sido cada vez mais estudado como refer&ecirc;ncia para entender mundos rochosos que orbitam outras estrelas. 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