{"id":664265,"date":"2026-03-31T00:19:44","date_gmt":"2026-03-31T03:19:44","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/03\/31\/japao-supervulcao-adormecido-mostra-sinais-de-atividade-e-recarrega-magma\/"},"modified":"2026-03-31T00:19:44","modified_gmt":"2026-03-31T03:19:44","slug":"japao-supervulcao-adormecido-mostra-sinais-de-atividade-e-recarrega-magma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/03\/31\/japao-supervulcao-adormecido-mostra-sinais-de-atividade-e-recarrega-magma\/","title":{"rendered":"Jap\u00e3o: supervulc\u00e3o adormecido mostra sinais de atividade e recarrega magma"},"content":{"rendered":"<p>Um fen&ocirc;meno de grande import&acirc;ncia vem chamando a aten&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores: o supervulc&atilde;o subterr&acirc;neo localizado sob o Jap&atilde;o, conhecido como caldeira <strong>Kikai<\/strong>, est&aacute; passando por um processo de preenchimento com <strong>magma<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com estudos realizados pela Universidade de Kobe (Jap&atilde;o), essa observa&ccedil;&atilde;o ajuda a entender como esses sistemas gigantes de caldeiras se comportam ap&oacute;s uma erup&ccedil;&atilde;o monumental.<\/p>\n<p>Apesar desses novos dados, &eacute; importante ressaltar que a identifica&ccedil;&atilde;o do reabastecimento de magma <strong>n&atilde;o indica<\/strong> que uma erup&ccedil;&atilde;o est&aacute; para acontecer imediatamente. O que &eacute; significativo, por&eacute;m, &eacute; que os cientistas est&atilde;o tendo a oportunidade de <strong>mapear<\/strong> como esses vastos sistemas de magma se reorganizam e se reabastecem ao longo de <strong>milhares de anos<\/strong>.<\/p>\n<h2 id=\"h-por-que-os-sistemas-de-caldeiras-sao-menos-previsiveis\">Por que os sistemas de caldeiras s&atilde;o menos previs&iacute;veis?<\/h2>\n<p>Enquanto vulc&otilde;es considerados &ldquo;normais&rdquo; apresentam sinais claros de uma poss&iacute;vel erup&ccedil;&atilde;o, como pequenos terremotos e altera&ccedil;&otilde;es na emiss&atilde;o de gases, caldeiras como a de Kikai s&atilde;o <strong>muito mais complexas<\/strong> de prever. As quantidades de magma envolvidas s&atilde;o <strong>enormes<\/strong> e o tempo para que uma caldeira reaja pode ser bastante <strong>longo<\/strong>, <strong>dificultando<\/strong> o entendimento completo dos gatilhos para uma erup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo o geof&iacute;sico <strong>Nobukazu Seama<\/strong>, da Universidade de Kobe, &eacute; <strong>vital<\/strong> compreender como grandes quantidades de magma se acumulam para entender a forma&ccedil;&atilde;o dessas erup&ccedil;&otilde;es gigantescas de caldeira. O caso de Kikai &eacute; especialmente not&aacute;vel porque sua &uacute;ltima grande erup&ccedil;&atilde;o ocorreu h&aacute; relativamente pouco tempo, em termos geol&oacute;gicos, cerca de <strong>7,3 mil<\/strong> anos atr&aacute;s, durante o <strong>Holoceno<\/strong>.<\/p>\n<h2 id=\"h-estudo-do-supervulcao-kikai\">Estudo do supervulc&atilde;o Kikai<\/h2>\n<ul>\n<li>A caldeira Kikai est&aacute; <strong>predominantemente submersa<\/strong>, o que poderia parecer uma desvantagem, mas Seama argumenta que isso <strong>facilita<\/strong> pesquisas sistem&aacute;ticas em larga escala;<\/li>\n<li>Sem as barreiras que existem no solo terrestre, como montanhas e constru&ccedil;&otilde;es, &eacute; poss&iacute;vel realizar medi&ccedil;&otilde;es mais <strong>precisas<\/strong> sobre o que ocorre abaixo da superf&iacute;cie;<\/li>\n<li>Os pesquisadores, em colabora&ccedil;&atilde;o com a Ag&ecirc;ncia Japonesa de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia Marinha e Terrestre (JAMSTEC, na sigla em ingl&ecirc;s), utilizaram conjuntos de <strong>canh&otilde;es de ar comprimido<\/strong> para gerar pulsos s&iacute;smicos artificiais, al&eacute;m de <strong>sism&ocirc;metros<\/strong> colocados no fundo do oceano para registrar a propaga&ccedil;&atilde;o dessas ondas s&iacute;smicas atrav&eacute;s da crosta terrestre;<\/li>\n<li>Isso permitiu captar <strong>detalhes<\/strong> sobre as altera&ccedil;&otilde;es de velocidade nas ondas, o que geralmente indica a presen&ccedil;a de <strong>magma, flu&iacute;dos ou rochas alteradas<\/strong> em profundidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os dados recentemente levantados apontam para uma regi&atilde;o a partir do supervulc&atilde;o Kikai que parece conter uma <strong>significativa<\/strong> quantidade de magma. A an&aacute;lise da forma e alcance desse reservat&oacute;rio sugere que ele est&aacute; conectado ao mesmo sistema de magma que provocou a grande erup&ccedil;&atilde;o h&aacute; 7,3 mil anos.<\/p>\n<p>&ldquo;Dadas suas dimens&otilde;es e localiza&ccedil;&atilde;o, &eacute; evidente que este &eacute; o mesmo reservat&oacute;rio que participou da erup&ccedil;&atilde;o anterior&rdquo;, afirma Seama ao <em>Earth.com<\/em>, o que sugere que uma grande estrutura de caldeira <strong>n&atilde;o desaparece<\/strong> necessariamente ap&oacute;s uma erup&ccedil;&atilde;o. Ela pode permanecer como um dep&oacute;sito de magma <strong>duradouro<\/strong>, mesmo que o magma dentro dela evolua ao longo do tempo.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/geiser_yellowstone-1024x682.jpg\" alt=\"G&ecirc;iser no parque Yellowstone\"><figcaption>O que foi descoberto no Kikai pode ser aplicado a Yellowstone (Imagem: Wirestock Creators\/Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Qual &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o do vulc&atilde;o?<\/li>\n<li>O que &eacute; e como se forma um vulc&atilde;o submarino?<\/li>\n<li>Cientistas descobrem segredo dos vulc&otilde;es que pode revolucionar tudo o que sabemos<\/li>\n<\/ul>\n<h2 id=\"h-por-que-o-magma-possivelmente-nao-e-um-remanescente\">Por que o magma possivelmente n&atilde;o &eacute; um remanescente?<\/h2>\n<p>Um ponto intrigante da pesquisa &eacute; a possibilidade de que o magma atualmente detectado <strong>n&atilde;o seja<\/strong> apenas um remanescente da erup&ccedil;&atilde;o passada, mas, sim, magma rec&eacute;m-injetado. Esse entendimento baseia-se em dois ind&iacute;cios principais: o desenvolvimento de um novo domo de lava nos &uacute;ltimos <strong>3,9 mil anos<\/strong> no centro da caldeira e o fato de que as an&aacute;lises qu&iacute;micas do material desta nova atividade s&atilde;o diferentes do magma antigo.<\/p>\n<p>&ldquo;Isso significa que o magma agora presente no reservat&oacute;rio sob o domo de lava &eacute; provavelmente um <strong>magma novo<\/strong> que foi rec&eacute;m-injetado&rdquo;, elucidou Seama. Assim, o supervulc&atilde;o Kikai parece ser mais do que um tanque esvaziado, revelando-se como um sistema que come&ccedil;ou a ser recarregado a partir de fontes mais profundas.<\/p>\n<h2 id=\"h-modelo-que-pode-aplicar-se-ao-yellowstone\">Modelo que pode aplicar-se ao Yellowstone<\/h2>\n<p>A Kikai n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica caldeira gigante que se suspeita possuir um grande reservat&oacute;rio de magma superficial. Localidades, como o <strong>Yellowstone<\/strong>, nos Estados Unidos, tamb&eacute;m s&atilde;o conhecidas por tal caracter&iacute;stica. A equipe de Seama sugere que o modelo de recarga de Kikai poderia ser usado para <strong>entender<\/strong> a <strong>recupera&ccedil;&atilde;o<\/strong> de outras caldeiras p&oacute;s-erup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Este modelo de reinje&ccedil;&atilde;o de magma &eacute; consistente com a exist&ecirc;ncia de grandes reservat&oacute;rios de magma superficial sob outras grandes caldeiras, como Yellowstone e <strong>Toba<\/strong>&ldquo;, afirmou Seama. Embora cada caldeira possua suas particularidades, esta pesquisa fornece uma sequ&ecirc;ncia plaus&iacute;vel e baseada em evid&ecirc;ncias de como a recupera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-erup&ccedil;&atilde;o pode ocorrer.<\/p>\n<h2 id=\"h-implicacoes-da-pesquisa-sobre-o-supervulcao\">Implica&ccedil;&otilde;es da pesquisa sobre o supervulc&atilde;o<\/h2>\n<p>Embora descobrir que uma caldeira est&aacute; sendo reabastecida com magma possa soar alarmante, os prazos envolvidos s&atilde;o de <strong>milhares de anos<\/strong>. O real valor do estudo est&aacute; em <strong>melhorar<\/strong> a capacidade de previs&atilde;o de longo prazo sobre o comportamento das caldeiras.<\/p>\n<p>Se os cientistas conseguirem interpretar melhor o que significa um reservat&oacute;rio se reabastecendo em dados s&iacute;smicos e como isso se relaciona com atividades de superf&iacute;cie, como a forma&ccedil;&atilde;o de domos de lava e emiss&otilde;es de gases, ser&aacute; poss&iacute;vel desenvolver estrat&eacute;gias de monitoramento mais <strong>eficazes<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo Seama, a equipe pretende refinar seus m&eacute;todos para entender melhor como essa reinje&ccedil;&atilde;o ocorre e quais os sinais mais relevantes a serem monitorados. Esta pesquisa oferece uma vis&atilde;o rara de como um supervulc&atilde;o pode se reconstruir ap&oacute;s uma megaerup&ccedil;&atilde;o, especialmente por ser um dos poucos exemplos modernos documentados.<\/p>\n<p>O estudo publicado na revista <em>Communications Earth &amp; Environment<\/em> refor&ccedil;a a evolu&ccedil;&atilde;o constante de sistemas vulc&acirc;nicos, que, assim como supervulc&atilde;o Kikai, n&atilde;o se desativam completamente, mas continuam a evoluir e se recarregar.<\/p>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mozelli-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" alt=\"Rodrigo Mozelli\" loading=\"lazy\"><\/p>\n<div>\n<p>Rodrigo Mozelli<\/p>\n<p>Rodrigo Mozelli &eacute; jornalista formado pela Universidade Metodista de S&atilde;o Paulo (UMESP) e, atualmente, &eacute; redator do Olhar Digital.<\/p>\n<p>Ver todos os artigos &rarr;  \t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um fen&ocirc;meno de grande import&acirc;ncia vem chamando a aten&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores: o supervulc&atilde;o subterr&acirc;neo localizado sob o Jap&atilde;o, conhecido como caldeira Kikai, est&aacute; passando\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":664266,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[229],"tags":[],"class_list":["post-664265","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/664265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=664265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/664265\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/664266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=664265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=664265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=664265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}