{"id":666200,"date":"2026-04-04T10:43:57","date_gmt":"2026-04-04T13:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/04\/04\/em-nome-de-deus-por-andre-gustavo-stumpf\/"},"modified":"2026-04-04T10:44:47","modified_gmt":"2026-04-04T13:44:47","slug":"em-nome-de-deus-por-andre-gustavo-stumpf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/04\/04\/em-nome-de-deus-por-andre-gustavo-stumpf\/","title":{"rendered":"Em nome de Deus (por Andr\u00e9 Gustavo Stumpf)"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUm debate sobre a rela\u00e7\u00e3o entre guerra e religi\u00e3o volta a ocupar as manchetes, com o Secret\u00e1rio de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, vinculando opera\u00e7\u00f5es militares a uma leitura religiosa da hist\u00f3ria. Em meio ao governo de Donald Trump, ele sustenta que conflitos globais t\u00eam uma base moral e divina, citando as Cruzadas e ostentando s\u00edmbolos que refor\u00e7am essa leitura. O tema provoca reflex\u00f5es sobre a separa\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e pol\u00edtica externa e sobre como tal narrativa pode influenciar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas no cen\u00e1rio internacional.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nHegseth afirma, publicamente, que as a\u00e7\u00f5es dos EUA no Oriente M\u00e9dio, na \u00c1frica e na Am\u00e9rica Latina v\u00e3o al\u00e9m de uma simples pol\u00edtica externa. Segundo ele, os conflitos possuem uma base moral crist\u00e3 e s\u00e3o \u201cdivinamente orientados\u201d. Em ocasi\u00f5es p\u00fablicas, ele pediu que o povo americano orasse pela vit\u00f3ria e pela seguran\u00e7a das tropas, descrevendo momentos de guerra como oportunidades para que a na\u00e7\u00e3o se mantenha firme, com a ora\u00e7\u00e3o ocorrendo \u201ctodos os dias, de joelhos, com fam\u00edlias, em escolas e igrejas, em nome de Jesus Cristo\u201d. O secret\u00e1rio tamb\u00e9m exibe, em sua Tatuagem, a frase latina Deus vult, refor\u00e7ando a leitura de que a f\u00e9 orienta a miss\u00e3o militar. Em seu livro American Crusade, lan\u00e7ado em 2020, ele afirma que as Cruzadas foram fundamentais para salvar a Europa crist\u00e3, sustentando que sem esse per\u00edodo n\u00e3o haveria Reforma Protestante, nem Renascimento, nem Europa como conhecemos\u2014e, por extens\u00e3o, nem Am\u00e9rica.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA narrativa propositadamente remete ao passado medieval para justificar a\u00e7\u00f5es presentes. O texto destaca que as Cruzadas s\u00e3o apresentadas n\u00e3o apenas como campanhas hist\u00f3ricas, mas como marco de uma linha moral que, segundo Hegseth, explica o papel dos EUA no mundo. Ao associar a atual guerra a essas eras, o secret\u00e1rio procura ampliar o peso pol\u00edtico de uma f\u00e9 crist\u00e3 na condu\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas, conectando s\u00edmbolos religiosos a decis\u00f5es de defesa sob a lideran\u00e7a de Trump.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPara sustentar essa leitura, o texto recorre \u00e0 hist\u00f3ria dos Templ\u00e1rios, tamb\u00e9m conhecidos como Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salom\u00e3o, criados por volta de 1119, ap\u00f3s a Primeira Cruzada, com a fun\u00e7\u00e3o de proteger peregrinos na Terra Santa. Os Templ\u00e1rios tornaram-se poderosos, financiando quiseram terras e dinheiro de reis e nobres e inauguraram, na pr\u00e1tica, um sistema banc\u00e1rio que facilitava dep\u00f3sitos na Europa e saques no Oriente. O s\u00edmbolo da Ordem de Cristo \u2014 a cruz vermelha nas velas das caravelas \u2014 \u00e9 apresentado como o legado vis\u00edvel que conectou navega\u00e7\u00e3o, descobertas e f\u00e9 religiosa.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSegundo o texto, a hist\u00f3ria toma contornos ainda mais dram\u00e1ticos com a Ordem dos Templ\u00e1rios, que ficou rica a ponto de atrair d\u00edvidas do rei Filipe IV da Fran\u00e7a. Em vez de pagar a d\u00edvida, Filipe IV prendeu os Templ\u00e1rios, acusando-os de heresia, torturando-os e executando-os; o \u00faltimo gr\u00e3o-mestre, Jacques de Molay, foi queimado em 1319. A narrativa afirma que os Templ\u00e1rios eram cat\u00f3licos radicais, sem rela\u00e7\u00e3o com Martinho Lutero e com a Reforma Protestante, que moldou o sistema institucional dos Estados Unidos. Essa vis\u00e3o \u00e9 apresentada como um alerta sobre como a leitura de passado pode ser usada para justificar viol\u00eancia presente.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEntre as linhas, o texto questiona a apropria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica feita por quem v\u00ea nas Cruzadas uma justificativa para a\u00e7\u00f5es militares contempor\u00e2neas, sugerindo que esse procedimento empurra o debate para uma leitura voltada ao confronto religioso. Em vez de retomar esse passado para legitimar decis\u00f5es de defesa, o ideal \u00e9 buscar solu\u00e7\u00f5es ancoradas em valores democr\u00e1ticos, legais e humanos, sem recuar a um quadro hist\u00f3rico que tente naturalizar viol\u00eancia.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nQual \u00e9 a sua leitura sobre a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9, hist\u00f3ria e decis\u00f5es de defesa? Deixe sua opini\u00e3o nos coment\u00e1rios e compartilhe suas perspectivas sobre esse tema que envolve identidade nacional, mem\u00f3ria hist\u00f3rica e responsabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um debate sobre a rela\u00e7\u00e3o entre guerra e religi\u00e3o volta a ocupar as manchetes, com o Secret\u00e1rio de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, vinculando\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":666202,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-666200","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=666200"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666200\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/666202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=666200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=666200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=666200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}