{"id":66908,"date":"2022-03-30T08:45:35","date_gmt":"2022-03-30T11:45:35","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/abusada-e-perseguida-pelo-ex-desabafa-tive-que-provar-que-nao-sou-louca\/"},"modified":"2022-03-30T08:45:35","modified_gmt":"2022-03-30T11:45:35","slug":"abusada-e-perseguida-pelo-ex-desabafa-tive-que-provar-que-nao-sou-louca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/30\/abusada-e-perseguida-pelo-ex-desabafa-tive-que-provar-que-nao-sou-louca\/","title":{"rendered":"Abusada e perseguida pelo ex desabafa: &#8216;Tive que provar que n\u00e3o sou louca&#8217;"},"content":{"rendered":"<div>???&#8217;O feminicida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que mata, o estuprador n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que estupra. Esses crimes tem co-autores, e eles s\u00e3o voc\u00eas, que n\u00e3o escutam as mulheres enquanto elas est\u00e3o vivas, e falam por elas quando j\u00e1 est\u00e3o mortas.??? Isabella C., conhecida nas redes sociais como\u00a0@afeminisa, tem 28 anos, \u00e9 comunicadora, empreendedora, formadora de opini\u00e3o, promove discuss\u00f5es sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica nas redes sociais h\u00e1 seis anos, e \u00e9 estudante de Investiga\u00e7\u00e3o Forense e Per\u00edcia Criminal.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>Ela acusa um ex-namorado de estupro de vulner\u00e1vel, estupro, persegui\u00e7\u00e3o, difama\u00e7\u00e3o, cal\u00fania, viol\u00eancia psicol\u00f3gica, descumprimento de medida protetiva de urg\u00eancia e coa\u00e7\u00e3o no curso do processo.\u00a0 Mas a hist\u00f3ria de Isabella evidencia outras viol\u00eancias para al\u00e9m das praticadas pelo autor:\u00a0 o questionamento \u00e0 palavra da v\u00edtima, a dissemina\u00e7\u00e3o de boatos,\u00a0 a rede de apoio ao agressor, o despreparo para o atendimento \u00e0 mulher por parte das institui\u00e7\u00f5es e a revitimiza\u00e7\u00e3o praticada pelo estado. Diante tudo isso, ela precisou mudar de cidade para tentar frear as agress\u00f5es e sobreviver.\u00a0<\/p>\n<div><\/div>\n<div><b>Leia:<\/b>\u00a0Caso Mariana Ferrer mostra como institui\u00e7\u00f5es menosprezam v\u00edtimas de abuso<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Leia:<\/b>\u00a0Mito da mulher falsa acusadora escancara viol\u00eancia contra v\u00edtimas de abusos<\/div>\n<p><\/div>\n<div>Isabella divide com seu p\u00fablico, desde o in\u00edcio, a jornada de uma sobrevivente que busca por Justi\u00e7a. Mas, por conta do sigilo processual, nunca revelou a identidade ou qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre seu agressor. ????? importante que as v\u00edtimas saibam que expor a identidade do agressor nas redes sociais pode configurar alguns crimes. No fim das contas, as v\u00edtimas acabam como r\u00e9s. ?? preciso ter frieza, formalizar a queixa e aguardar o tr\u00e2nsito do processo para poder revelar???, alerta. <\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo de surfe Mateus Prior Barbosa \u00e9 autor de diversas postagens com imagens, marca\u00e7\u00f5es e mensagens direcionadas \u00e0 Isabella, que circularam em grupos do WhatsApp compostos por suas seguidoras. Tamb\u00e9m \u00e9 autor de boatos sobre a sa\u00fade mental de Isabella e uma suposta arma\u00e7\u00e3o que ela teria realizado para prend\u00ea-lo, que foram confirmados por diversas pessoas da comunidade onde moravam. <\/p>\n<p>Mateus tamb\u00e9m n\u00e3o escondeu de seus seguidores no Instagram que usava uma tornozeleira eletr\u00f4nica, na mesma \u00e9poca em que corriam os boatos sobre a v\u00edtima ser respons\u00e1vel pelo monitoramento eletr\u00f4nico de um ex-namorado. Os inqu\u00e9ritos, processos e a\u00e7\u00f5es penais correm sob segredo de Justi\u00e7a e, por isso, detalhes sobre as investiga\u00e7\u00f5es e autos, n\u00e3o ser\u00e3o mencionados nesta reportagem<\/p>\n<\/div>\n<div>Ap\u00f3s Isabella determinar o fim da rela\u00e7\u00e3o, motivado pelos diversos sintomas som\u00e1ticos que desenvolveu ap\u00f3s os epis\u00f3dios de estupro, passou a ser perseguida pelo ex-namorado. Ela conta que ele saiu \u00e0s escondidas com outra mulher enquanto ainda tinha a inten\u00e7\u00e3o de reatar o relacionamento com ela, e foi visto por uma conhecida em comum. Segundo ela, ap\u00f3s este epis\u00f3dio, foram ao menos 14 tentativas de contato por parte dele. <\/p>\n<p>Ela contou que em algumas delas ele usou como desculpa problemas de sa\u00fade, em outras pediu para que pessoas mentissem para Isabella, chegando a dizer que ela poderia estar gr\u00e1vida &#8211; ciente de que na semana anterior ela havia realizado dois testes que resultaram negativo -, e que estava &#8220;surtada&#8221;, sugerindo aos terceiros que a mentira seria o melhor para preservar sua sa\u00fade mental. <\/p>\n<p>Por temer pela sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a e evitar ser reinserida no ciclo da viol\u00eancia, a v\u00edtima solicitou uma medida protetiva de urg\u00eancia contra o acusado. A Lei 14.188 de 2021, conhecida como Lei Sinal Vermelho, al\u00e9m de tipificar a conduta da viol\u00eancia psicol\u00f3gica, reconheceu a necessidade de que medidas protetivas de urg\u00eancia sejam deferidas em casos como o de Isabella, para que agressores sejam impedidos de continuar manipulando as v\u00edtimas, mantendo-as no ciclo da viol\u00eancia.<\/p><\/div>\n<div><b><br \/><\/b><\/div>\n<div><b>O IN\u00cdCIO DAS VIOL??NCIAS<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0???Ele come\u00e7ou uma grande campanha de difama\u00e7\u00e3o. Quando ele soube que eu iria pedir a medida, construiu toda uma narrativa de que eu era ???louca??? a partir dos meus\u00a0 sintomas de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico (TEPT) provocados pela viol\u00eancia sexual. Minhas pr\u00f3prias amigas ficaram sabendo que eu estava vomitando com frequ\u00eancia e com pensamentos de morte por ele, antes de saberem por mim.???\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>Isabella conta que trata sintomas do TEPT devido aos traumas causados pelas viol\u00eancias sexuais e psicol\u00f3gicas, al\u00e9m da persegui\u00e7\u00e3o. Ela convive com amn\u00e9sia, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e foco, crises de ansiedade, sensa\u00e7\u00e3o de paralisia, enj\u00f4o, crises de p\u00e2nico, anorexia secund\u00e1ria, pensamentos de morte, idea\u00e7\u00e3o suicida, n\u00e1useas, amenorr\u00e9ia e v\u00f4mitos. <\/p>\n<p>O TEPT foi comprovado por meio de dois laudos, um psicol\u00f3gico e outro psiqui\u00e1trico, e ambos foram apresentados \u00e0s autoridades. S\u00e3o justamente estes os sintomas apontados pelo ex-namorado como supostos ind\u00edcios de &#8220;loucura&#8221;, usados para descredibilizar a den\u00fancia. <\/p>\n<p>Segundo ele, Isabella ???surtou??? e tra\u00e7ou um plano de vingan\u00e7a motivado por ???ci\u00fames???. Al\u00e9m dos laudos que comprovam o trauma, Isabella tamb\u00e9m precisou apresentar em laudo psiqui\u00e1trico a confirma\u00e7\u00e3o de que ela n\u00e3o possui nenhum tipo de transtorno mental ou qualquer indicativo de que seria capaz de inventar fatos para prejudicar o ex-companheiro. <\/p>\n<p>&#8220;Eu tive que provar por meio de parecer t\u00e9cnico que n\u00e3o sou &#8216;louca&#8217;, mas esse tipo de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega em quem est\u00e1 adorando opinar sobre meu caso&#8221;, relata. O relat\u00f3rio psicol\u00f3gico confirma que ela j\u00e1 havia falado sobre o primeiro estupro em sess\u00e3o, n\u00e1 \u00e9poca do fato, meses antes de existir qualquer conflito que pudesse gerar alguma crise por &#8220;ci\u00fames&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div>O sentimento de medo do agressor por parte da v\u00edtima, o receio de ela ser desacreditada e questionada pelas autoridades e a\u00a0 vergonha e a culpa de admitir que foi violentada atravessam muitas das v\u00edtimas no momento de pedir ajuda. Ao chegar a uma delegacia para registrar o boletim de ocorr\u00eancia, geralmente a mulher precisa aguardar horas para ser atendida e narrar um fato que a deixa\u00a0 muito desconfort\u00e1vel. E tem ainda o exame de corpo de delito que ela tem que se submeter no\u00a0 Instituto M\u00e9dico-Legal (IML).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mesmo assim, a sociedade busca ???justificativas??? para culpar a v\u00edtima e desresponsabilizar o agressor, seja por conta de comportamentos, car\u00e1ter ou roupas. Quando Isabella foi at\u00e9 a Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o a Crian\u00e7a, Adolescente, Mulher e Idoso registrar o Boletim de Ocorr\u00eancia do Estupro de Vulner\u00e1vel, o policial a questionou sobre quais seriam os seus argumentos de defesa &#8211; mesmo ela sendo a v\u00edtima &#8211; se o autor era, na \u00e9poca dos fatos, seu namorado. ???Eu tive que passar uma hora explicando para ele o que \u00e9 um estupro. Uma mulher que chegue ali sem o mesmo respaldo te\u00f3rico, social e pol\u00edtico feminista que eu, sai sem o registro&#8221;.<\/p>\n<p><b>A PALAVRA DA V\u00cdTIMA EM XEQUE<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fora da delegacia, as especula\u00e7\u00f5es rondavam.&#8221;Tenho observado que \u00e9 muito mais confort\u00e1vel para o p\u00fablico ??? que \u00e9 como chamo quem assiste a experi\u00eancia mais traum\u00e1tica da minha vida como se fosse um espet\u00e1culo ??? acreditar na possibilidade de eu ter realmente tra\u00e7ado um plano de vingan\u00e7a contra um homem que tem menos dinheiro e menos poder pol\u00edtico do que eu, com quem eu tentava terminar o relacionamento h\u00e1 meses, do que aceitar que todo homem \u00e9 um potencial estuprador. Se um cara bonito, carism\u00e1tico, de classe m\u00e9dia, que tem amigos, tem fam\u00edlia e \u00e9 um excelente profissional, pode ter feito todas essas coisas, ent\u00e3o que homem n\u00e3o poderia?&#8221;, questiona.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Isso abre uma ferida que demandaria um compromisso com a luta das mulheres que nossa sociedade tem pregui\u00e7a de assumir. O argumento de quem o defende para acreditar em sua palavra \u00e9 o de que ele \u00e9 um cara legal e simp\u00e1tico. Eu sei melhor do que ningu\u00e9m o quanto ele \u00e9 carism\u00e1tico e carinhoso, ele era meu namorado, pra mim era o cara mais legal do mundo. Isso n\u00e3o quer dizer que ele n\u00e3o seja um estuprador. Mas e a minha palavra? A palavra de uma mulher que carrega h\u00e1 anos uma luta comprometida pela vida das mulheres, vale o qu\u00ea?&#8221; aponta Isabella.<\/p>\n<\/div>\n<div>Cinco dias ap\u00f3s a medida ser concedida \u00e0 Isabella, Mateus foi preso em flagrante pelo descumprimento. Na ocasi\u00e3o, ela estava em uma praia com uma amiga que postou nas redes sociais a localiza\u00e7\u00e3o onde estavam. Cerca de uma hora ap\u00f3s visualizar a postagem, ele chegou ao local. <\/p>\n<p>&#8220;Eu pedi para um gar\u00e7om o avisar que se ele n\u00e3o fosse embora eu iria chamar a pol\u00edcia. Ele n\u00e3o apenas desrespeitou meu pedido, como se aproximou ainda mais de mim. Liguei para o 190 da areia da praia. A caminho da delegacia, ele postou v\u00eddeos filmados de dentro da viatura e exp\u00f4s a minha identidade, como se o fato de tudo isso ter acontecido em local p\u00fablico n\u00e3o fosse exposi\u00e7\u00e3o o suficiente. Descobri que ele tinha divulgado o momento por uma amiga e um seguidor que viram, porque ele apagou o post antes de colocarem ele na cela, quando ainda est\u00e1vamos na delegacia&#8221;.<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>Isabella relata que os funcion\u00e1rios do restaurante, onde estavam no momento em que tudo aconteceu, n\u00e3o apenas se omitiram, como tamb\u00e9m ofereceram apoio ao agressor. N\u00e3o suficiente, ela foi mandada embora tr\u00eas vezes, e contou que foi insultada pelo funcion\u00e1rio que a atendia. Ainda, ao pagar a conta no caixa, a v\u00edtima foi mais uma vez hostilizada por um funcion\u00e1rio, que recusou-se a atend\u00ea-la, acusando-a de ter feito uma denuncia falsa. ???O feminic\u00eddio nunca acontece sem que existam co-autores indiretos. Eu podia ter sido agredida, podia ter morrido nesse dia. Qualquer coisa poderia ter acontecido??????, afirma Isabella.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>No dia seguinte, foi concedida liberdade provis\u00f3ria ao preso, mediante o monitoramento por meio de tornozeleira eletr\u00f4nica. O delito de Descumprimento de Medida Protetiva de Urg\u00eancia &#8211; que \u00e9 incluso pelo artigo 24%u200B%u200B-A da Lei Maria da Penha &#8211; prev\u00ea pena de deten\u00e7\u00e3o de 3 meses a 2 anos. Isabella ainda aguarda a Audi\u00eancia de Instru\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 marcada para junho.<\/p>\n<\/div>\n<div>A jovem relata que ap\u00f3s a soltura o autor passou a realizar diversas postagens nas redes sociais dizendo que ele foi injusti\u00e7ado e que Isabella era uma pessoa &#8220;desequilibrada&#8221;. <\/p>\n<p>???Ele passou a agir como se a liberdade provis\u00f3ria fosse uma prova de que ele \u00e9 inocente, quando \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. As pessoas ao meu redor disseram que eu ???peguei pesado??? por ter chamado a pol\u00edcia, e ficaram do lado dele. Ningu\u00e9m me perguntou como eu me senti diante de toda essa situa\u00e7\u00e3o, como me senti sendo perseguida, monitorada e desrespeitada dessa forma, depois de ter sido estuprada e enganada por aquele que eu considerava ser o meu melhor amigo, um cara pra quem eu sempre fiz o bem. Doeu muito, deu medo, mas ningu\u00e9m se importou o suficiente para perguntar. Naquele dia eu tive certeza de que nunca mais teria paz, e n\u00e3o tive mesmo. At\u00e9 hoje, das pessoas que faziam parte do nosso c\u00edrculo de conv\u00edvio, ningu\u00e9m me perguntou como foi pra mim viver isso. S\u00f3 conseguiram me julgar e ficar com pena dele???.\u00a0 \u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>A Medida Protetiva existe para prestar assist\u00eancia e prevenir viol\u00eancias contra a mulher, em car\u00e1ter preventivo e assistencial.\u00a0 S\u00e3o v\u00e1rios os tipos de medidas que podem ser solicitadas, entre elas: o limite m\u00ednimo de dist\u00e2ncia entre a v\u00edtima e o agressor. A medida \u00e9 concedida ap\u00f3s a an\u00e1lise de um juiz sobre a situa\u00e7\u00e3o e a conclus\u00e3o deste pela necessidade da interven\u00e7\u00e3o, para conter as a\u00e7\u00f5es do agressor. De acordo com a pr\u00f3pria lei, as medidas protetivas t\u00eam como finalidade preservar a integridade e sa\u00fade f\u00edsica, mental e psicol\u00f3gica da v\u00edtima.\u00a0\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>O advogado da defesa prop\u00f4s \u00e0 advogada que acompanhou o in\u00edcio do caso de Isabella que a situa\u00e7\u00e3o fosse ???resolvida de outra forma???, &#8220;ele prop\u00f4s que eu retirasse as queixas em troca de uma &#8216;prova social&#8217; do respeito do agressor por mim &#8211; seja l\u00e1 o que isso significa &#8211; e, depois que eu neguei, tudo o que ele fez foi me perseguir mais ainda. Se ele \u00e9 inocente, quiseram me convencer dessa forma a retirar as queixas por qu\u00ea? &#8220;, questiona.\u00a0<\/div>\n<div><b><br \/><\/b><\/div>\n<div><b>O APOIO DAS MULHERES AO HOMEM<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Isabella conta que no momento da pris\u00e3o do ex-companheiro, um grupo de mulheres chegou no local e se juntou a ele. &#8220;Elas deram risada e fizeram dancinhas. Enquanto eu estava no ch\u00e3o, por ter perdido a for\u00e7a nas pernas, elas passaram me encarando, como se a criminosa fosse eu&#8221;, relata. <\/p>\n<p>No dia seguinte \u00e0 soltura dele, o encontrou novamente em um restaurante. Ela foi surpreendida ao perceber que na mesa, sentada com ele, estava uma mulher que fazia parte de seu grupo de amigas. Na semana seguinte, o encontrou novamente em outro restaurante, dessa vez na companhia de outra amiga \u00edntima de Isabella, que frequentava sua casa &#8211; essa \u00faltima veio a se tornar testemunha na defesa do r\u00e9u.<\/p>\n<\/div>\n<div>Durante o curso do processo, Isabella relata que teve mensagens \u00edntimas, onde relatava seu medo e desespero, vazadas por uma integrante de um grupo do WhatsApp, formado por mulheres autodeclaradas feministas. A mulher respons\u00e1vel era amiga da mulher que mantinha um relacionamento com Mateus, poucos dias ap\u00f3s o t\u00e9rmino de seu relacionamento com a v\u00edtima. <\/p>\n<p>&#8220;Enquanto eu estava isolada em outro estado, num endere\u00e7o que nem minhas advogadas conheciam, enviando peti\u00e7\u00f5es que somam mais de cem p\u00e1ginas relatando tudo o que ele estava fazendo na \u00e9poca, uma amiga da ficante dele assistia a minha desgra\u00e7a e ainda postou uma foto com ele nas redes sociais, sorrindo, em uma festa. Ela compartilhou capturas de tela, de mensagens onde pedi socorro, pelo medo de ele divulgar fotos \u00edntimas, com essa amiga que se relacionava com ele &#8211; enquanto ainda usava a tornozeleira &#8211; e ela obviamente compartilhou com ele. Isso fez ele perseguir mais uma amiga minha, e me violentar de novo. Eu j\u00e1 havia comentado no grupo que sabia que algu\u00e9m estava vazando informa\u00e7\u00f5es sobre mim para ele, mas s\u00f3 quando uma outra integrante me enviou a foto deles juntos eu entendi que essa pessoa estava ali dentro&#8221;, relata.<\/p>\n<\/div>\n<div>O caso tomou novas propor\u00e7\u00f5es. ???Ele tornou o circo p\u00fablico. Saiu desfilando com a tornozeleira em tudo que era canto e contando pra todo mundo a hist\u00f3ria dele de que armei a pris\u00e3o??????, lembrou. <\/p>\n<p>Como influenciadora nas redes sociais, ela possui uma imagem p\u00fablica e, portanto, cria-se um espa\u00e7o f\u00e9rtil para especula\u00e7\u00f5es a partir da narrativa criada pelo ex-namorado.<\/p>\n<p>\u00a0????? muito f\u00e1cil difamar uma mulher e coloc\u00e1-la no centro de um caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica e sexual, quando este deveria ser o pr\u00f3prio agressor. Se essa mulher tem uma vida p\u00fablica, e voc\u00ea uma vida que n\u00e3o interessa a ningu\u00e9m, nem precisa se esfor\u00e7ar. As pessoas ficam curiosas, querem competir para ver quem tem a informa\u00e7\u00e3o mais verdadeira, ficam brincando de detetives.\u00a0 Fiquei um bom tempo sem sair de casa e, nas poucas vezes em que fui at\u00e9 algum bar com amigas, todo mundo na cal\u00e7ada virava pra mim quando eu chegava e come\u00e7avam a comentar com outras pessoas nas rodas, na minha frente, na minha cara, parecia cena de filme de high school. Essas pessoas fofocam, mas n\u00e3o vem at\u00e9 mim perguntar nada???.<\/p>\n<\/div>\n<div>O fator sintom\u00e1tico do relato, que revela o poder da automisoginia das mulheres no processo de retraumatiza\u00e7\u00e3o de uma v\u00edtima, \u00e9 que as autoras dos atos mais invasivos, difamat\u00f3rios e violentos foram justamente as mulheres. <\/p>\n<p>???Algumas vezes se aproximaram pedindo satisfa\u00e7\u00f5es, cheguei a ser puxada pelo bra\u00e7o por uma vizinha dele. Outras vezes fui literalmente seguida dentro de bares e festas por amigas dele, que faziam quest\u00e3o de se sentarem ao meu lado, me empurrarem ou se aproximarem de quem quer que estivesse conversando comigo. Parei de postar fotos com as minhas amigas, para que elas n\u00e3o fossem perseguidas tamb\u00e9m. E se elas postavam fotos comigo, recebiam mensagens de outras amigas delas, dizendo que eu era a mulher que armou para prender o ex-namorado&#8221;, contou.<\/p>\n<\/div>\n<div>\u00a0Ela conta que at\u00e9 mesmo mulheres que se diziam feministas viraram as costas para ela. E quem ficou do lado dela foi questionado. ??????Uma amiga minha me disse: ???Eu n\u00e3o aguento mais os olhares e o julgamento das pessoas por eu ter ficado do seu lado. Eu sei que \u00e9 o lado certo, mas eu n\u00e3o aguento mais??? e, assim, ela cortou rela\u00e7\u00f5es comigo. Essa amiga era a minha principal testemunha??????, acrescentou.\u00a0<\/div>\n<div>Assim, a viol\u00eancia contra a v\u00edtima passou a ter outras autoras, al\u00e9m do pr\u00f3prio acusado. ???Uma ex-namorada dele come\u00e7ou a me difamar dizendo que eu sou ???louca??? e quero ???palco???, constrangeu uma testemunha exigindo que ela deixasse de acreditar em mim. Tive que denunci\u00e1-la por coa\u00e7\u00e3o no curso do processo???.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A situa\u00e7\u00e3o ficou ainda mais grave quando, segundo a jovem, outra familiar do ex-companheiro fez postagens nas redes sociais a insultando com palavr\u00f5es mis\u00f3ginos e sugerindo que seus seguidores a agredissem. ??????Eu precisei ficar um m\u00eas fora da cidade por conta de toda a situa\u00e7\u00e3o. Quando eu voltei para onde eu morava, ela publicou ???a dem\u00f4nia vagabund* est\u00e1 de volta, quem ver ela na rua, chuta que \u00e9 macumba??????. A Lei Maria da Penha expressa que uma mulher pode ser autora de viol\u00eancia dom\u00e9stica, desde que possua ou tenha possu\u00eddo rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto com a v\u00edtima.<\/p>\n<\/div>\n<div>Isabella conta que Mateus teve autorizada a remo\u00e7\u00e3o antecipada da cautelar &#8211; monitoramento por tornozeleira eletr\u00f4nica &#8211;\u00a0 para viajar \u00e0 uma ilha no continente asi\u00e1tico \u00e0 trabalho. &#8220;O suposto &#8220;bom comportamento&#8221; que viram nele significa que ele, durante o per\u00edodo pelo qual foi monitorado, n\u00e3o adentrou o per\u00edmetro determinado pelo ju\u00edz ao redor da minha casa. Isso n\u00e3o quer dizer que ele tenha se comportado bem! Ele n\u00e3o deixou de me violentar pela internet ou por meio de terceiros em nenhum momento. Quem ficou em pris\u00e3o domiciliar fui eu&#8221;, relata Isabella. <\/p>\n<p>Assim que a tornozeleira foi removida, quando Mateus j\u00e1 havia embarcado para fora do Brasil, com a medida protetiva em vig\u00eancia, mesmo tendo sido advertido anteriormente sobre uma medida protetiva que o pro\u00edbe, especificamente, de utilizar imagens de Isabella, ele colocou em seu perfil em rede social foto em que aparecia metade do rosto da jovem. ???N\u00e3o foi a primeira vez, no dia do meu anivers\u00e1rio ele postou tr\u00eas fotos com partes do meu corpo. Eu tenho 20 tatuagens&#8221;, relata Isabella.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><br \/><\/b><\/div>\n<div><b>AS CONSEQU??NCIAS\u00a0<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Isabella precisou encerrar as atividades de sua empresa, desistiu das duas gradua\u00e7\u00f5es que cursava, mudou de casa e ficou longe da cidade por um m\u00eas. ???Eu estava totalmente presa, j\u00e1 que n\u00e3o era poss\u00edvel mensurar o tamanho da difama\u00e7\u00e3o promovida por ele e seus aliados. Evitava frequentar locais p\u00fablicos, como ir a certas\u00a0 praias, ou postar qualquer sugest\u00e3o da minha localiza\u00e7\u00e3o. Tinha medo de ir ao mercado e ele ou a m\u00e3e dele me atropelarem na rua. Tinha medo de tudo, nem na festa de anivers\u00e1rio de uma das minhas melhores amigas eu fui??????, relatou. <\/p>\n<p>Isso tudo refletiu no corpo dela.\u00a0 Isabella que tem 1,74m de altura, pesava 62 quilos, mas chegou a pesar 54 quilos. Ela tenta se recuperar da anorexia como sintoma secund\u00e1rio do trauma\u00a0 desencadeado pelos epis\u00f3dios de estupro. ???Mudei de endere\u00e7o e n\u00e3o informei no processo, para ele n\u00e3o saber. Comprei um colch\u00e3o novo, porque n\u00e3o conseguia mais dormir naquele onde fui estuprada???.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>Os danos cerebrais causados pela viol\u00eancia tamb\u00e9m foram constatados. ???At\u00e9 hoje tenho falhas frequentes na mem\u00f3ria. Isso atrapalha n\u00e3o s\u00f3 o meu trabalho, mas tamb\u00e9m as minhas rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas, porque esque\u00e7o de conversas que tive com pessoas que eu amo. Tamb\u00e9m fiquei muito tempo sem conseguir ler, porque n\u00e3o associava as palavras e frases???, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div>Os boatos criados por Mateus chegaram at\u00e9 o p\u00fablico de Isabella, que a alertou: ???Isso prejudica meu trabalho. Mulheres que acompanhavam a minha atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no combate a viol\u00eancia sentiram-se tra\u00eddas ao ouvirem que eu era uma fraude. Isso faz as mulheres perderem a f\u00e9???.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>Segundo Isabella, as provas que constam desde o in\u00edcio nos autos s\u00e3o mais do que suficientes para comprovar os crimes: ???eu filmei do momento em que ele chegou at\u00e9 ser colocado dentro da viatura, n\u00e3o tem como dizer que n\u00e3o aconteceu o descumprimento. E sobre os outros crimes, a mesma coisa. Tem \u00e1udios, mensagens, laudos. As advogadas que consultei disseram nunca terem visto um caso de viol\u00eancia sexual com tantas provas???. No entanto, o r\u00e9u sabe que, por conta do sigilo processual, ela n\u00e3o as pode divulgar, ent\u00e3o aproveita a brecha para colocar sua palavra em descr\u00e9dito.<\/p>\n<\/div>\n<div>As viol\u00eancias n\u00e3o cessaram at\u00e9 que a v\u00edtima finalmente decidisse mudar de estado. ???Desde que tudo come\u00e7ou eu tenho sonhos. Tudo o que ele faz nos meus sonhos acaba acontecendo de verdade poucos dias depois. No \u00faltimo sonho ele vinha me matar, tr\u00eas dias depois vi o carro dele na rua ao lado da minha casa. N\u00f3s pedimos a pris\u00e3o preventiva de novo, pedimos aumento da dist\u00e2ncia, e isso foi negado. Fiquei alguns dias na casa de amigas. Quando voltei para pegar mudas de roupa, tranquei a casa e liguei o alarme para poder tomar banho mais tranquila. N\u00e3o dormia mais sozinha em casa, todo dia alguma amiga ia dormir comigo. N\u00e3o tive outra op\u00e7\u00e3o al\u00e9m de tentar reconstruir minha vida em outro lugar. Fui embora e n\u00e3o voltei nunca mais para a cidade onde morava, nem para buscar minhas coisas???, relata.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda assim, ao saber que a v\u00edtima havia se mudado, o agressor em poucos dias foi at\u00e9 a cidade onde ela hoje reside, e chegou a intimidar uma das testemunhas pelas redes sociais. <\/p>\n<p>N\u00e3o satisfeito, passou a enviar mensagens privadas para seguidoras de Isabella, que compartilharam assustadas as capturas de tela em grupos no Whatsapp.<\/p>\n<p><b><br \/>ATAQUE NAS REDES SOCIAIS\u00a0<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div>Em uma era digital, sequer o deslocamento geogr\u00e1fico \u00e9 capaz de proteger a v\u00edtima de ataques do agressor. Mudar de estado n\u00e3o \u00e9 barreira suficiente para impedir que as viol\u00eancias continuem sendo praticadas via internet. <\/p>\n<p>???Logo nos primeiros dias depois da mudan\u00e7a, recebi a not\u00edcia de que a mesma p\u00e1gina no Instagram que foi respons\u00e1vel por criar todas as fake news que circulam sobre Mariana Ferrer, estava postando mentiras sobre mim. Vasculharam meu Twitter tentando encontrar qualquer coisa para me descredibilizar, falaram dos meus relacionamentos passados??? foi um ataque muito insistente e agressivo&#8221;, disse. <\/p>\n<p>Isabella contou que se atentou a um detalhe: em uma das postagens, elas mencionaram que o agressor dormiu ap\u00f3s o estupro. &#8220;Eu nunca falei sobre isso com ningu\u00e9m, o \u00fanico lugar onde constava essa informa\u00e7\u00e3o era o inqu\u00e9rito, foi quando comecei a pensar que havia algo suspeito. Quem perderia tanto tempo fazendo uma varredura na vida de uma mulher para atac\u00e1-la, cometendo os crimes de cal\u00fania, inj\u00faria e difama\u00e7\u00e3o, a troco de nada?&#8221;, questionou.<\/p><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>H\u00e1 quem insista que a solu\u00e7\u00e3o para a v\u00edtima \u00e9 seguir em frente e esquecer o passado, mas, para a mulher que \u00e9 obrigada a conviver com o fantasma do ex-companheiro, isso n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples. ???Depois de muito tempo sentindo pavor de qualquer toque f\u00edsico, iniciei um novo relacionamento com uma pessoa que esperei nove anos para reencontrar. Foi tudo perfeito e maravilhoso, foi reconfortante saber que, apesar de tudo, n\u00e3o perdi a capacidade de amar e me relacionar de forma saud\u00e1vel, que ainda sou capaz de ter uma vida sexual sem gatilhos. Isso durou at\u00e9 eu descobrir que a fam\u00edlia dele temia que meu agressor pudesse fazer algo contra n\u00f3s dois, por vingan\u00e7a. Eu n\u00e3o pude garantir que isso n\u00e3o aconteceria &#8211; considerando o hist\u00f3rico. Al\u00e9m disso, passei a temer que, caso acontecesse, a fam\u00edlia do novo companheiro fizesse algo contra mim???.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><b>COMPORTAMENTO VASCULHADO\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div>A hist\u00f3ria de Isabella demonstra o quanto \u00e9 comum que a sociedade busque encontrar no comportamento da v\u00edtima as justificativas para a viol\u00eancia. ???Eles vasculharam a minha vida inteira, minhas amizades, minhas fotos, tentando encontrar qualquer coisa que me responsabilizasse pelas viol\u00eancias das quais fui v\u00edtima. Mesmo que a pessoa com quem me relacionei n\u00e3o concorde em nada com isso, me senti humilhada e ainda mais vulner\u00e1vel, com medo de ser abandonada e jogada na fogueira, mais uma vez, por pessoas da minha intimidade. Por isso, preferi n\u00e3o continuar o relacionamento. J\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil que mulheres sobreviventes de viol\u00eancia sejam consideradas dignas de serem amadas, mais dif\u00edcil ainda \u00e9 confiarmos em algu\u00e9m depois da viol\u00eancia. Eu estava feliz, vivendo a minha vida, e mais uma vez as escolhas dele mudaram meus planos. N\u00e3o tem como medir nem descrever o quanto isso me deixa triste at\u00e9 hoje???.<\/p>\n<\/div>\n<div>Isabella convive com os traumas que, ao contr\u00e1rio do que muitos dizem, n\u00e3o s\u00e3o superados, e sim, vivenciados diariamente. No entanto, tamb\u00e9m divide as viol\u00eancias sofridas\u00a0 para conscientizar outras mulheres. Sabendo que sua viv\u00eancia n\u00e3o se trata de uma mera experi\u00eancia individual, a jovem quer elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas a partir do caso. <\/p>\n<p>???Ele conseguiu acabar com a minha vida mesmo antes da conclus\u00e3o do inqu\u00e9rito. Agora, com a Lei Mariana Ferrer, ao menos a defesa ter\u00e1 de inventar alguma outra tese, que n\u00e3o envolva a minha suposta loucura &#8211; ou ???desequil\u00edbrio???, como eles dizem. O que me impressiona \u00e9 eu n\u00e3o ter de fato enlouquecido com tudo isso. Eu n\u00e3o temo que ele n\u00e3o seja condenado, confio muito que vai ser, porque h\u00e1 at\u00e9 um excesso de provas. Mas vai ser tarde. A difama\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi tanta &#8211; os diagn\u00f3sticos fict\u00edcios da defesa sobre minha sa\u00fade mental, as hist\u00f3rias distorcidas sobre o que realmente aconteceu, os boatos sobre um suposto ???modus operandi??? meu &#8211; que, mesmo com as condena\u00e7\u00f5es, ainda ir\u00e3o acreditar que sou louca e fiz den\u00fancias falsas. A minha pena eu j\u00e1 estou cumprindo, e pouco me interessa qual vai ser a dele, desde que sirva de exemplo para outros agressores. O que eu quero saber \u00e9 como essas pessoas que foram part\u00edcipes em todos os atos de revitimiza\u00e7\u00e3o ser\u00e3o responsabilizadas. Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas que protejam a v\u00edtima desde a fase inicial, porque a Justi\u00e7a \u00e9 muito lenta. Se voc\u00ea for esperar a condena\u00e7\u00e3o, ela j\u00e1 estar\u00e1 morta, ainda que subjetivamente???, aponta.\u00a0<\/p>\n<h3>Outro lado<\/h3>\n<p><\/div>\n<div>Na \u00faltima sexta-feira (26\/3), a reportagem entrou em contato com o advogado do acusado e n\u00e3o obteve resposta. Na segunda-feira (28\/3), o <b>Estado de Minas<\/b> fez um novo contato por meio do advogado. Por meio de nota, o defensor informou que ??????o processo tramita sob segredo de Justi\u00e7a e meu cliente n\u00e3o autorizou a defesa\u00a0 fazer pronunciamentos fora do processo. O que eu posso te dizer \u00e9 que tais acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o falsas, de modo que \u00e9 o meu cliente quem est\u00e1 sofrendo com tudo isso.???<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>???&#8217;O feminicida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que mata, o estuprador n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que estupra. 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