{"id":672653,"date":"2026-04-19T11:55:04","date_gmt":"2026-04-19T14:55:04","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/04\/19\/ubu-e-o-menino-selvagem-por-pedro-costa\/"},"modified":"2026-04-19T12:00:22","modified_gmt":"2026-04-19T15:00:22","slug":"ubu-e-o-menino-selvagem-por-pedro-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/04\/19\/ubu-e-o-menino-selvagem-por-pedro-costa\/","title":{"rendered":"Ubu e o Menino Selvagem (por Pedro Costa)"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify;\">Resumo: este texto examina como a forma\u00e7\u00e3o humana resulta da intera\u00e7\u00e3o entre o que nasce conosco e o que recebemos do ambiente, entre o barro, a palavra e o amor que cultivamos na cidade em que vivemos. A partir de casos hist\u00f3ricos, refer\u00eancias filos\u00f3ficas e uma leitura cr\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o, revela que identidade, poder e virtude emergem desse contato entre natureza e cultura, sem reduzir o tema a respostas simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia central \u00e9 que o ser humano nasce com potencialidades, mas \u00e9 moldado pelo meio. O autor recorre ao di\u00e1logo entre o que j\u00e1 est\u00e1 conosco desde o in\u00edcio e o que constru\u00edmos com pais, vizinhos, professores e a pr\u00f3pria cidade. Nesse equil\u00edbrio entre heran\u00e7a gen\u00e9tica, v\u00ednculos afetivos e padr\u00f5es sociais, surgem escolhas que aproximam a pessoa da bondade ou da viol\u00eancia, da solidariedade ou da indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As narrativas de crian\u00e7as que viveram isoladas do conv\u00edvio humano \u2014 Victor, o jovem de 32 anos cuja hist\u00f3ria \u00e9 tema de debates sobre educa\u00e7\u00e3o, e Kaspar Hauser, que chegou a Nuremberg em meio a um mist\u00e9rio de origem \u2014 servem como espelhos para essa discuss\u00e3o. Itard e Pinel, figuras que interagem com esses casos, questionam se o ser humano pode se tornar plenamente humano sem linguagem, toque e comunica\u00e7\u00e3o afetiva. O texto lembra que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, e sim a constru\u00e7\u00e3o de um mundo onde algu\u00e9m aprende a nomear, compreender e se importar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessas refer\u00eancias, o autor relembra a poderosa virada proporcionada pela linguagem na vida de Helen Keller, atrav\u00e9s do trabalho de Ann Sullivan. O milagre, na vis\u00e3o do texto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma t\u00e9cnica, mas a abertura de uma vida para o outro, um passo que permite perceber o mundo, as pessoas e as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es com mais clareza. Essa passagem, segundo o autor, revela que o aprendizado \u00e9 tamb\u00e9m uma descoberta de si mesmo, de uma humanidade que se reconhece no contato com o diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre a leitura hist\u00f3rica e a cr\u00edtica social, o texto aponta para o peso do meio na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. O ambiente n\u00e3o apenas acolhe, mas pode deformar ou potencializar capacidades. Critica ideias de escolas c\u00edvico-militares e de projetos que tratam a educa\u00e7\u00e3o como ferramenta de controle ou de propaganda, lembrando que a educa\u00e7\u00e3o deve priorizar a dignidade, a empatia e a constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos, n\u00e3o a obedi\u00eancia cega ou a exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ensaio recorre ainda a figuras liter\u00e1rias para expor o paradoxo do poder. Ubu representa a farsa do dom\u00ednio que se autoproclama benevolente, mas que, na pr\u00e1tica, favorece interesses que prosperam sobre o medo, o consumo e a competi\u00e7\u00e3o desmedida. A refer\u00eancia a Donald J. Trump, atual presidente dos Estados Unidos a partir de janeiro de 2025, \u00e9 usada para ilustrar como discursos de poder podem manipular a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica, confundindo bravura com viol\u00eancia simb\u00f3lica e abrindo espa\u00e7o para pol\u00edticas que afetam diretamente a vida das cidades e de seus moradores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto conclui que a humanidade n\u00e3o \u00e9 uma linha abstrata entre o nascimento e a educa\u00e7\u00e3o, mas uma rede de influ\u00eancias que inclui gra\u00e7a, \u00e9tica e liberdade. Ao cruzar os ensinamentos de Agostinho, Pascal e a ideia de caridade, o autor afirma que a cidade tem a responsabilidade de cultivar pr\u00e1ticas que aproximem as pessoas, promovam a justi\u00e7a e protejam a dignidade de cada algu\u00e9m, especialmente daqueles que ainda n\u00e3o tiveram voz para se defender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa reflex\u00e3o n\u00e3o fica apenas no campo te\u00f3rico. Questiona como pol\u00edticas p\u00fablicas, escolas, fam\u00edlias e comunidades locais podem transformar o ambiente para que a empatia se torne uma pr\u00e1tica cotidiana. Em vez de dividir entre vencedores e vencidos, o texto prop\u00f5e um compromisso com o cuidado m\u00fatuo, a inclus\u00e3o e a liberdade respons\u00e1vel, para que a cidade seja capaz de educar n\u00e3o apenas compet\u00eancias, mas tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o. Convido voc\u00ea, leitor, a compartilhar nos coment\u00e1rios suas perspectivas sobre como a sua cidade pode fortalecer v\u00ednculos, incentivar o di\u00e1logo e construir uma educa\u00e7\u00e3o que forme pessoas de verdade, capazes de amar e agir com responsabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: este texto examina como a forma\u00e7\u00e3o humana resulta da intera\u00e7\u00e3o entre o que nasce conosco e o que recebemos do ambiente, entre o\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":672655,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-672653","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/672653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=672653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/672653\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/672655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=672653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=672653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=672653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}