{"id":674688,"date":"2026-04-24T09:13:29","date_gmt":"2026-04-24T12:13:29","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/04\/24\/cnj-mantem-afastamento-de-juiza-baiana-acusada-de-trafico-de-influencia-e-agiotagem\/"},"modified":"2026-04-24T09:13:29","modified_gmt":"2026-04-24T12:13:29","slug":"cnj-mantem-afastamento-de-juiza-baiana-acusada-de-trafico-de-influencia-e-agiotagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/04\/24\/cnj-mantem-afastamento-de-juiza-baiana-acusada-de-trafico-de-influencia-e-agiotagem\/","title":{"rendered":"CNJ mant\u00e9m afastamento de ju\u00edza baiana acusada de \u201ctr\u00e1fico de influ\u00eancia\u201d e \u201cagiotagem\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Por decis&atilde;o un&acirc;nime do Plen&aacute;rio Virtual, o Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ) negou provimento ao recurso administrativo interposto pela ju&iacute;za de Direito Marlise Freire Alvarenga Mendon&ccedil;a, do Tribunal de Justi&ccedil;a da Bahia (TJ-BA), que buscava anular seu afastamento cautelar determinado pela Corte local em novembro de 2025. <\/p>\n<p>        O julgamento, ocorrido em 17 de abril de 2026, manteve o entendimento de que o qu&oacute;rum aplic&aacute;vel para a medida disciplinar &eacute; o de maioria absoluta, e n&atilde;o o de dois ter&ccedil;os exigido para afastamentos decorrentes de infra&ccedil;&otilde;es penais.<\/p>\n<p>        A magistrada foi afastada do cargo pelo Pleno do TJ-BA em 14 de novembro de 2025, sob ind&iacute;cios graves de irregularidades funcionais. Segundo o ac&oacute;rd&atilde;o do tribunal baiano, a ju&iacute;za teria atuado fora de sua compet&ecirc;ncia formal, omitido apura&ccedil;&atilde;o de condutas de assessor e delegat&aacute;rios, favorecido familiares e pessoas pr&oacute;ximas, proferido decis&otilde;es em processos nos quais havia declarado suspei&ccedil;&atilde;o, praticado tr&aacute;fico de influ&ecirc;ncia junto &agrave; Procuradoria Municipal, envolvido-se em esquema de agiotagem com transa&ccedil;&otilde;es superiores a R$ 10 milh&otilde;es e beneficiado o filho, advogado, em opera&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria com suspeita de lavagem de dinheiro n&atilde;o comunicada ao Coaf. H&aacute; ainda refer&ecirc;ncia ao apelido depreciativo &ldquo;Ju&iacute;za Cinquentinha&rdquo;, supostamente alusivo ao valor cobrado por decis&otilde;es judiciais.<\/p>\n<p>        LEIA TAMB&Eacute;M:<\/p>\n<p>      \tInvestiga&ccedil;&atilde;o apura capit&atilde;o da PM em esquema de intermedia&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria em vara de ju&iacute;za suspeita em Barreiras          No recurso ao CNJ, a defesa da ju&iacute;za sustentou que o afastamento deveria ter sido submetido ao qu&oacute;rum de dois ter&ccedil;os dos membros do Tribunal, argumentando viola&ccedil;&atilde;o ao princ&iacute;pio da hierarquia das normas, uma vez que a Resolu&ccedil;&atilde;o CNJ n&ordm; 135\/2011, que exige apenas maioria absoluta, n&atilde;o poderia se sobrepor &agrave; lei complementar federal.<\/p>\n<p>        O relator do caso no CNJ, conselheiro Silvio Roberto Oliveira de Amorim Junior, afastou a tese. Em seu voto, acompanhado por unanimidade pelos demais conselheiros, incluindo o presidente do &oacute;rg&atilde;o, ministro Edson Fachin, Amorim Junior destacou que o artigo 29 da Loman aplica-se exclusivamente &agrave;s hip&oacute;teses de afastamento de magistrado em raz&atilde;o da pr&aacute;tica de infra&ccedil;&atilde;o penal, quando se torna aconselh&aacute;vel o recebimento de den&uacute;ncia ou queixa. <\/p>\n<p>        O relator ressaltou que n&atilde;o h&aacute; conflito entre as normas, pois elas regulam esferas aut&ocirc;nomas. &ldquo;O art. 29 da Loman refere-se ao qu&oacute;rum para afastamento por incid&ecirc;ncia em infra&ccedil;&otilde;es penais. Por sua vez, o art. 15 da Resolu&ccedil;&atilde;o CNJ n&ordm; 135\/2011 se aplica a hip&oacute;teses de afastamento de ju&iacute;zes em decorr&ecirc;ncia de processo administrativo disciplinar&rdquo;, escreveu o conselheiro.<\/p>\n<p>        Ainda em car&aacute;ter argumentativo, o relator observou que, mesmo que se considerasse o qu&oacute;rum de dois ter&ccedil;os, hip&oacute;tese que rejeitou, ele teria sido atingido. Dos 64 desembargadores aptos a votar no Pleno do TJBA (exclu&iacute;das cinco aposentadorias e um afastamento n&atilde;o eventual determinado pelo Superior Tribunal de Justi&ccedil;a), 45 votaram a favor do afastamento, percentual superior a dois ter&ccedil;os. O ac&oacute;rd&atilde;o do TJ-BA tamb&eacute;m registra que a medida foi tomada por maioria absoluta, com 45 votos favor&aacute;veis.<\/p>\n<p>        O CNJ tamb&eacute;m recha&ccedil;ou alega&ccedil;&otilde;es de cerceamento de defesa e de prescri&ccedil;&atilde;o, destacando que o prazo prescricional para apura&ccedil;&atilde;o de faltas funcionais &eacute; de cinco anos, contado da ci&ecirc;ncia do tribunal, e que a fase investigat&oacute;ria pr&eacute;via n&atilde;o exige a plena observ&acirc;ncia do contradit&oacute;rio, garantia assegurada na fase do processo administrativo disciplinar propriamente dito.<\/p>\n<p>        Com a decis&atilde;o, mant&eacute;m-se o afastamento cautelar da ju&iacute;za, que continuar&aacute; afastada de suas fun&ccedil;&otilde;es at&eacute; o julgamento final do processo administrativo disciplinar instaurado no TJ-BA. A magistrada ainda pode recorrer da decis&atilde;o do CNJ ao Supremo Tribunal Federal, por meio de mandado de seguran&ccedil;a. O caso, que envolve grav&iacute;ssimas imputa&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o e desvio funcional, segue sob investiga&ccedil;&atilde;o na Justi&ccedil;a baiana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por decis&atilde;o un&acirc;nime do Plen&aacute;rio Virtual, o Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ) negou provimento ao recurso administrativo interposto pela ju&iacute;za de Direito Marlise Freire\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":674689,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2737],"tags":[],"class_list":["post-674688","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bahia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=674688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674688\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/674689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=674688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=674688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=674688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}