{"id":68716,"date":"2022-04-01T04:43:44","date_gmt":"2022-04-01T07:43:44","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/pa-de-cal-na-ivermectina\/"},"modified":"2022-04-01T04:43:44","modified_gmt":"2022-04-01T07:43:44","slug":"pa-de-cal-na-ivermectina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/01\/pa-de-cal-na-ivermectina\/","title":{"rendered":"P\u00e1 de cal na ivermectina"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Estudo liderado por pesquisadores brasileiros ligados a institui\u00e7\u00f5es de Minas Gerais p\u00f5e uma p\u00e1 de cal sobre os supostos benef\u00edcios da ivermectina no combate \u00e0 COVID-19. Publicado na revista cient\u00edfica ???New England Journal of Medicine??? (Nejm), o estudo, apontado como o maior sobre o tema at\u00e9 o momento, conclui que o f\u00e1rmaco n\u00e3o reduz o risco de hospitaliza\u00e7\u00e3o dos infectados pelo v\u00edrus. ???O tratamento com ivermectina n\u00e3o resultou em menor incid\u00eancia de interna\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas por progress\u00e3o da COVID-19???, dizem os pesquisadores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desde o in\u00edcio da pandemia, a ivermectina, medicamento prescrito para a elimina\u00e7\u00e3o de parasitas, foi associado ao tratamento contra a COVID-19, depois que testes laboratoriais iniciais sugeriram que o rem\u00e9dio poderia bloquear a prolifera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Apesar de os supostos benef\u00edcios nunca terem sido demonstrados em testes em seres vivos, a droga continua sendo usada em alguns pa\u00edses. No Brasil, ela faz parte do ???kit covid???, conjunto de medicamentos ineficazes ou sem efic\u00e1cia comprovada contra a doen\u00e7a que, mesmo assim, continuam sendo promovidos como tratamento contra o coronav\u00edrus.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O estudo, publicado na quarta-feira, foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros, entre eles membros da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais e Universidade Federal de Ouro Preto. A pesquisa, que \u00e9 parte da iniciativa Together, contou com a colabora\u00e7\u00e3o de cientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, e da Universidade Monash, na Austr\u00e1lia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando o estudo foi realizado, notava-se uma grande ideologiza\u00e7\u00e3o do uso da Ivermectina no pa\u00eds e nos Estado Unidos, observa o pesquisador e professor da PUC-Minas Gilmar Reis, que liderou a pesquisa. ???Hoje, no Brasil, isso diminuiu bastante. Por\u00e9m, nos Estados Unidos, continua muito intensa. S\u00f3 na primeira semana de janeiro deste ano, foram gastos US$ 2,5 milh\u00f5es em ivermectina para a COVID-19, um enorme recurso desembolsado desnecessariamente???, observa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Durante o estudo, salientou-se a import\u00e2ncia de identificar terapias baratas e amplamente dispon\u00edveis contra a COVID-19, mas esse, definitivamente, n\u00e3o \u00e9 o caso do verm\u00edfugo. ???N\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de que a ivermectina seja clinicamente \u00fatil???, disse Edward Mills, um dos principais pesquisadores desse novo estudo e professor de ci\u00eancias da sa\u00fade na Universidade McMaster, do Canad\u00e1.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>CORRIDA\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>No in\u00edcio da pandemia, explica Reis, todo mundo procurou redirecionar medicamentos j\u00e1 existentes para um poss\u00edvel tratamento da COVID-19, j\u00e1 que encontrar um medicamento novo baseado na biologia viral era quase imposs\u00edvel, uma vez que nem se sabia qual era o genoma do v\u00edrus. ???Dentro dessa \u00f3tica, utilizamos a pesquisa de medicamentos bem conhecidos que, do ponto de vista da ci\u00eancia experimental, da ci\u00eancia b\u00e1sica, demonstraram algum efeito contra o v\u00edrus.\u00a0 Por isso, foram estudados inicialmente tr\u00eas medicamentos: metformina, ivermectina e a fluvoxamina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desse trabalho, o que se tinha era uma s\u00e9rie de estudos de pequeno ou m\u00e9dio portes, com um n\u00famero razo\u00e1vel de pacientes usando a droga, mas metodologicamente incompletos, n\u00e3o randomizado, n\u00e3o duplo-cego ou n\u00e3o controlado por placebo. Essas circunst\u00e2ncias acabavam trazendo d\u00favidas na comunidade cient\u00edfica sobre realmente sepultar ou n\u00e3o a medica\u00e7\u00e3o, explica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Mas, agora, trata-se do maior estudo sobre a ivermectina j\u00e1 feito no mundo. Do ponto de vista acad\u00eamico, cient\u00edfico e metodol\u00f3gico, \u00e9 um estudo muito bem-feito, realizado dentro de uma rede de colabora\u00e7\u00e3o enorme. Nosso grupo Together \u00e9 considerado o mais importante de pesquisa em COVID-19 ambulatorial do mundo inteiro. Acreditamos que, a partir de agora, n\u00e3o tenha o menor sentido prescrever a ivermectina para a COVID-19 ???, finaliza Gilmar Reis.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>METODOLOGIA\u00a0<\/h2>\n<div>Os cientistas realizaram um estudo duplo-cego, com pacientes infectados que n\u00e3o tiveram sintomas da doen\u00e7a por mais de sete dias e sem hist\u00f3rico de uso de ivermectina para tratamento da enfermidade. Entre 23 de mar\u00e7o e 6 de agosto de 2021, 1.358 pacientes foram observados, dos quais, 679 receberam aleatoriamente a ivermectina, enquanto os outros 679 tomaram um placebo (prepara\u00e7\u00e3o neutra quanto a efeitos farmacol\u00f3gicos). Pacientes assintom\u00e1ticos que testaram positivo para o SARS-CoV-2 n\u00e3o entraram na conta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A m\u00e9dia de idade dos volunt\u00e1rios era de 49 anos. Eles foram monitorados para averiguar se a ivermectina foi capaz de eliminar o v\u00edrus do corpo em menos tempo; se os sintomas desapareceram mais cedo; se ficaram internados ou utilizaram ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica por menos tempo; e se havia alguma diferen\u00e7a nas taxas de mortalidade entre os dois grupos. Nem os m\u00e9dicos nem os pacientes sabiam quem recebia o medicamente ou o placebo. No relat\u00f3rio final, os pesquisadores afirmaram que n\u00e3o houve nenhuma diferen\u00e7a entre os grupos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em entrevista ao ???The New York Times???, David Boulware, especialista em doen\u00e7as infecciosas da Universidade de Minnesota, salienta que agora as pessoas poder\u00e3o mergulhar nos detalhes e nos dados e espera que o estudo, finalmente, desvie a maioria dos m\u00e9dicos da ivermectina para outras terapias.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>DEFINITIVO\u00a0<\/h2>\n<div>???Esse estudo publicado recentemente tem uma import\u00e2ncia grande. Foi um trabalho conduzido de maneira t\u00e9cnica bastante apurada, correto e com um n\u00famero grande de participantes. Consequentemente, considerando um dos estudos mais amplos sobre o uso da ivermectina. Ele tem essa import\u00e2ncia de ser um ???ponto final??? nessa hist\u00f3ria, mantendo a conclus\u00e3o pr\u00e9via e definitiva de que de fato esse verm\u00edfugo n\u00e3o tem um poder de auxiliar no tratamento paliativo ou principal para infec\u00e7\u00f5es causadas pelo SARS-CoV-2???, comenta Fl\u00e1vio da Fonseca, virologista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atual presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O infectologista Estev\u00e3o Urbano concorda que esse \u00e9 um estudo importante. ???S\u00f3 se come\u00e7a a provar teorias (sobre medicamentos) quando elas s\u00e3o testadas em seres vivos. Muitos estudos foram feitos e comprovaram a inefic\u00e1cia da ivermectina. Os pouqu\u00edssimos estudos que mostravam a droga como um potencial agente tinham metodologias muito fr\u00e1geis, diferentemente dos bons estudos, com metodologias cient\u00edficas e adequadas como esse???, comenta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>*Estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o da subeditora Rachel Botelho<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo liderado por pesquisadores brasileiros ligados a institui\u00e7\u00f5es de Minas Gerais p\u00f5e uma p\u00e1 de cal sobre os supostos benef\u00edcios da ivermectina no combate\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":68717,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8648],"tags":[],"class_list":["post-68716","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minas-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68716\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}