{"id":68812,"date":"2022-04-01T07:43:45","date_gmt":"2022-04-01T10:43:45","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/area-do-largo-do-rosario-vira-patrimonio-imaterial-de-bh\/"},"modified":"2022-04-01T07:43:45","modified_gmt":"2022-04-01T10:43:45","slug":"area-do-largo-do-rosario-vira-patrimonio-imaterial-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/01\/area-do-largo-do-rosario-vira-patrimonio-imaterial-de-bh\/","title":{"rendered":"\u00c1rea do Largo do Ros\u00e1rio vira patrim\u00f4nio imaterial de BH"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Valoriza\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es religiosas, reconhecimento do patrim\u00f4nio cultural e destaque importante para a hist\u00f3ria da capital. O Conselho Deliberativo do Patrim\u00f4nio Cultural do Munic\u00edpio de Belo Horizonte (CDPCM-BH) aprovou o registro provis\u00f3rio do Territ\u00f3rio do Largo do Ros\u00e1rio como patrim\u00f4nio cultural imaterial da cidade. O Largo do Ros\u00e1rio \u00e9 o nome usado para designar a Igreja do Ros\u00e1rio e seu adro, com um cemit\u00e9rio com 60 sepulturas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Constru\u00eddo pela Irmandade do Ros\u00e1rio dos Homens Pretos, o cemit\u00e9rio entrou em funcionamento em 1811, enquanto a igreja foi inaugurada em 1819, no antigo arraial de Curral del-Rei ??? o Largo do Ros\u00e1rio foi destru\u00eddo durante a constru\u00e7\u00e3o da nova capital, inaugurada em 12 de dezembro de 1897. De acordo com os estudos que subsidiaram o dossi\u00ea, o largo ficava no trecho situado onde atualmente est\u00e3o as ruas da Bahia, Aimor\u00e9s, Esp\u00edrito Santo e Avenida \u00c1lvares Cabral, no Bairro Lourdes, na Regi\u00e3o Centro-Sul. A aprova\u00e7\u00e3o ocorreu na quarta-feira (30\/3), durante a 319\u00aa Sess\u00e3o Ordin\u00e1ria do conselho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em nota divulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a secret\u00e1ria municipal de Cultura e presidente interina da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura, Fab\u00edola Moulin, diz que o reconhecimento faz uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e0 mem\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra da cidade. ???O registro do Largo do Ros\u00e1rio como patrim\u00f4nio cultural imaterial atende a uma reivindica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos movimentos afro-brasileiros na busca pelo resgate de sua mem\u00f3ria. Esse resgate simb\u00f3lico fortalece uma refer\u00eancia identit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o negra da cidade, criando refer\u00eancias materiais para anunciar a exist\u00eancia do Largo do Ros\u00e1rio como um espa\u00e7o de acolhimento de celebra\u00e7\u00f5es, eventos e a\u00e7\u00f5es educativas, entre outras, relacionadas \u00e0 comunidade afro-brasileira belo-horizontina???.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>O registro representa ???uma conquista???, ressalta Makota Kidoial\u00ea, uma das lideran\u00e7as do Quilombo Manzo, no Bairro Para\u00edso, na Regi\u00e3o Leste da capital. ???Mesmo ocupada hoje por pr\u00e9dios, essa \u00e1rea de BH guarda uma hist\u00f3ria que n\u00e3o foi contada e, que agora, pode ser revelada aos mineiros. S\u00e3o mem\u00f3rias, constru\u00e7\u00e3o de identidades, algo invis\u00edvel a ser respeitado.??? O Quilombo Manzo, que tem \u00e0 frente Efig\u00eania Maria da Concei\u00e7\u00e3o, a M\u00e3e Efig\u00eania, de 76 anos, foi reconhecido pela Funda\u00e7\u00e3o Palmares em 2017 e merecedor do t\u00edtulo de patrim\u00f4nio Cultural de Minas em 2018.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>TOMBAMENTO\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Em agosto de 2021, o CDPCM-BH analisou e aprovou o pedido de abertura do processo de Registro do Territ\u00f3rio do Largo do Ros\u00e1rio como Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial, durante sua 312\u00aa Sess\u00e3o Ordin\u00e1ria. Dessa forma, a Diretoria de Patrim\u00f4nio Cultural e Arquivo P\u00fablico da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura iniciou os estudos para avaliar a viabilidade t\u00e9cnica de se conferir o t\u00edtulo a esse bem. A partir deles, foi feito um dossi\u00ea com uma s\u00edntese dos estudos e levantamentos necess\u00e1rios, concluindo-se pela viabilidade t\u00e9cnica desta titula\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Conforme nota da PBH, os conselheiros, a partir da avalia\u00e7\u00e3o do dossi\u00ea, fizeram a vota\u00e7\u00e3o com o parecer favor\u00e1vel ao reconhecimento. Assim, o largo recebeu o registro provis\u00f3rio, e decorrido o prazo regimental de 15 dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o dos conselheiros no Di\u00e1rio Oficial do Munic\u00edpio (DOM), e n\u00e3o havendo recursos contr\u00e1rios \u00e0 decis\u00e3o, o bem receber\u00e1 o t\u00edtulo permanente.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>HIST??RIA\u00a0<\/h2>\n<div>Segundo as pesquisas divulgadas pela Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura\/PBH, o Largo do Ros\u00e1rio \u00e9 o nome dado ao espa\u00e7o em que se situavam a Igreja do Ros\u00e1rio (inaugurada em 1819) e seu cemit\u00e9rio (inaugurado em 1811), constru\u00eddos pela Irmandade do Ros\u00e1rio dos Homens Pretos, em Curral del-Rei. As irmandades eram associa\u00e7\u00f5es religiosas de leigos marcadas pelo la\u00e7o de solidariedade entre os integrantes para atender \u00e0s necessidades no campo terreno e espiritual. Especificamente, as irmandades de homens pretos eram alternativas encontradas pelos negros, exclu\u00eddos das irmandades de brancos, que constru\u00edam suas pr\u00f3prias associa\u00e7\u00f5es dedicadas aos santos de sua devo\u00e7\u00e3o (S\u00e3o Benedito, Santa Efig\u00eania, Nossa Senhora do Ros\u00e1rio) com a edifica\u00e7\u00e3o de igrejas, cemit\u00e9rios, festas e celebra\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Durante a constru\u00e7\u00e3o de BH, todos os im\u00f3veis que ficavam dentro dos limites da Avenida 17 de Dezembro (atual Avenida do Contorno) foram demolidos para dar espa\u00e7o a novas edifica\u00e7\u00f5es. ?? \u00e9poca, a elite dirigente do estado pretendia construir uma capital moderna, semelhante a Paris e Washington, e apagar a mem\u00f3ria dos per\u00edodos colonial e imperial brasileiro. A planta da cidade, assinada pelo engenheiro Aar\u00e3o Reis (1853-1936), representava esse ideal e n\u00e3o previa local para assentamento da massa de trabalhadores, composta em sua maioria por negros e imigrantes europeus.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Diz um trecho da pesquisa: ???Excluindo a popula\u00e7\u00e3o negra, principalmente, a \u00e1rea urbana da nova capital foi planejada com o objetivo de receber o aparato burocr\u00e1tico-administrativo do governo e os funcion\u00e1rios p\u00fablicos, vindos de Ouro Preto (ex-capital). Com a proibi\u00e7\u00e3o dos sepultamentos no entorno das igrejas, acrescida da demoli\u00e7\u00e3o da capela e do Cemit\u00e9rio do Ros\u00e1rio, os corpos no cemit\u00e9rio da Irmandade do Ros\u00e1rio dos Homens Pretos n\u00e3o foram exumados e trasladados para o novo cemit\u00e9rio municipal (atual Cemit\u00e9rio do Bonfim)???.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para substituir a Igreja do Ros\u00e1rio, um templo foi erguido na esquina da Avenida Amazonas com as ruas S\u00e3o Paulo e Tamoios, no Centro da cidade. Inaugurado em 1897, passou ao controle e propriedade da Arquidiocese de Belo Horizonte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???A demoli\u00e7\u00e3o do templo e a destrui\u00e7\u00e3o do cemit\u00e9rio s\u00e3o fatos hist\u00f3ricos denunciados por lideran\u00e7as afro-brasileiras, que buscam, h\u00e1 anos, reconstituir e resgatar as mem\u00f3rias da popula\u00e7\u00e3o negra belo-horizontina.\u00a0 Assim, a titula\u00e7\u00e3o do bem representa uma importante contribui\u00e7\u00e3o para o direito \u00e0 mem\u00f3ria da comunidade afro-brasileira de Belo Horizonte e dos mun\u00edcipes em geral, uma vez que todos t\u00eam o direito de conhecer a hist\u00f3ria da cidade com toda a sua diversidade???, afirma a nota da PBH.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Enquanto isso&#8230;<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Uberaba busca t\u00edtulo para o espiritismo<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>A Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Uberaba (FCU), por meio do Departamento de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, iniciou nesta semana o Invent\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o do Acervo Cultural (Ipac) das institui\u00e7\u00f5es religiosas do espiritismo kardecista, na modalidade &#8220;celebra\u00e7\u00e3o e ritos&#8221;, que existem na cidade. Segundo informa\u00e7\u00f5es da FCU, em seguida, ser\u00e1 preparado um dossi\u00ea (cole\u00e7\u00e3o de documentos) para que assim seja poss\u00edvel o registro do espiritismo como patrim\u00f4nio cultural imaterial do munic\u00edpio. &#8220;Os centros de Uberaba que tiverem interesse em participar do Ipac podem entrar em contato pelo<\/div>\n<div>\u00a0telefone 3331-9216, das 9h \u00e0s 17h, ou pelo e-mail secaodegestao.fcu@gmail.com&#8221;, ressaltou nota da FCU.\u00a0 O coordenador do projeto, o historiador Gustavo Vaz, explica que a FCU come\u00e7ou a fazer as fichas de invent\u00e1rio com todos os dados hist\u00f3ricos dos centros, os quais ser\u00e3o remetidos ao Instituto Estadual de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico (Iepha). Nascido em Pedro Leopoldo, o m\u00e9dium Francisco C\u00e2ndido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier, que divulgou o espiritismo no Brasil, viveu em Uberaba de 5 de janeiro de 1959 at\u00e9 30 de junho de 2002, quando morreu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valoriza\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es religiosas, reconhecimento do patrim\u00f4nio cultural e destaque importante para a hist\u00f3ria da capital. 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