{"id":689798,"date":"2026-05-29T02:57:45","date_gmt":"2026-05-29T05:57:45","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/05\/29\/greve-em-escolas-de-bh-afeta-familias-fui-mandada-embora-conta-mae\/"},"modified":"2026-05-29T02:57:45","modified_gmt":"2026-05-29T05:57:45","slug":"greve-em-escolas-de-bh-afeta-familias-fui-mandada-embora-conta-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/05\/29\/greve-em-escolas-de-bh-afeta-familias-fui-mandada-embora-conta-mae\/","title":{"rendered":"Greve em escolas de BH afeta fam\u00edlias: &#8220;Fui mandada embora&#8221;, conta m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>Belo Horizonte &mdash;<\/strong> A greve dos professores e trabalhadores da educa&ccedil;&atilde;o da rede municipal de Belo Horizonte n&atilde;o d&aacute; sinais de solu&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s mais de um m&ecirc;s de paralisa&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O prolongamento do movimento, marcado por um duro impasse entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educa&ccedil;&atilde;o da Rede P&uacute;blica Municipal (Sind-Rede\/BH) e a Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o (SMED),<span> tem gerado consequ&ecirc;ncias diretas e dolorosas para milhares de fam&iacute;lias e, principalmente, para as crian&ccedil;as, que acumulam preju&iacute;zo pedag&oacute;gico a cada dia sem aula.<\/span><\/p>\n<p>O que come&ccedil;ou como uma mobiliza&ccedil;&atilde;o por reajuste salarial, transpar&ecirc;ncia e melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho se transformou em um confronto que paralisa parcialmente as escolas e coloca pais, m&atilde;es e filhos no meio do fogo cruzado.<\/p>\n<h2>Impacto real nas fam&iacute;lias<\/h2>\n<p>Enquanto o conflito pol&iacute;tico se arrasta, as fam&iacute;lias enfrentam dificuldades concretas. Carolaine Oliveira, de 29 anos, designer de interiores,<span> perdeu o emprego para ficar com a filha<\/span>. Helena, de 10 anos, estudante do 5&ordm; ano do Col&eacute;gio Marconi, na regi&atilde;o Centro-Sul da capital mineira, ficou sem a <strong>escola integrada<\/strong> &ndash; essencial para a rotina da m&atilde;e &ndash; <span>ap&oacute;s a greve dos servidores terceirizados da Educa&ccedil;&atilde;o, que antecedeu a dos professores<\/span>.<\/p>\n<p>Sem rede de apoio &mdash; o pai mora em I&uacute;na, no Esp&iacute;rito Santo &mdash;, Carolaine precisou deixar a menina com uma conhecida <span>e passava o dia no trabalho preocupada, ligando constantemente<\/span>. A designer estava empolgada e trabalhando duro pois ainda estava em per&iacute;odo de experi&ecirc;ncia, tr&ecirc;s meses de CLT, mas n&atilde;o conseguiu manter a concentra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;Eu n&atilde;o conseguia me concentrar no trabalho. Ficava no telefone o tempo todo, preocupada. Estava no per&iacute;odo de experi&ecirc;ncia e minha l&iacute;der me disse que eu n&atilde;o produzia bem. Fui mandada embora e estou desempregada at&eacute; hoje&rdquo;, desabafa Carolaine.<\/p><\/blockquote>\n<p>Carolaine <strong>diz que entende a reivindica&ccedil;&atilde;o dos professores<\/strong>, mas acha que &eacute; preciso entender tamb&eacute;m a <strong>situa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as<\/strong>. &ldquo;Entendo as reivindica&ccedil;&otilde;es dos professores, mas o preju&iacute;zo para as crian&ccedil;as &eacute; muito grande. A escola p&uacute;blica j&aacute; chega atrasada e agora vai ser ainda mais dif&iacute;cil recuperar esse conte&uacute;do&rdquo;, lamenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4865624\" aria-describedby=\"caption-attachment-4865624\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Sind-Rede BH greve professores\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"Sind-Rede%20BH\/Divulga%C3%A7%C3%A3o\"><figcaption id=\"caption-attachment-4865624\">Professores municipais de BH decidem manter greve nesta quinta-feira (28)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&Eacute;veline Campos, economista de 45 anos que trabalha em home office com o marido, <span>tenta equilibrar o cuidado com a filha de 6 anos,<\/span> que est&aacute; no Infantil 2 na Escola Municipal Hugo Werneck, no Graja&uacute;, regi&atilde;o Oeste de BH.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;A gente precisa ajustar a rotina o tempo todo. Eu consigo contornar melhor porque trabalho em casa, mas fico dividida entre dar aten&ccedil;&atilde;o para ela e cumprir minhas metas. &Eacute; uma crian&ccedil;a pequena, que est&aacute; em fase de transi&ccedil;&atilde;o para o 1&ordm; ano. O aprendizado &eacute; uma sequ&ecirc;ncia e essas interrup&ccedil;&otilde;es quebram todo o ritmo&rdquo;, explica a m&atilde;e.<\/p><\/blockquote>\n<p>A economista ainda critica a forma de comunica&ccedil;&atilde;o da escola. &ldquo;Eles at&eacute; avisam, mas na maioria das vezes avisam com um ou dois dias de anteced&ecirc;ncia, ou at&eacute; na v&eacute;spera. Isso dificulta muito o planejamento das fam&iacute;lias.&rdquo;<\/p>\n<p>A dona de casa, Nath&aacute;lia Cavanelas, 40 anos, m&atilde;e de tr&ecirc;s filhos (5, 10 e 16 anos) &ndash; os dois mais novos matriculados na Escola Municipal Marconi &ndash; <span>relata desorganiza&ccedil;&atilde;o dentro da pr&oacute;pria greve.<\/span><\/p>\n<p>&ldquo;O mais estranho &eacute; que a escola n&atilde;o para toda de uma vez. Uns dias uma turma, outros dias outra. A gente recebe o aviso no grupo de WhatsApp no dia anterior e tem que se virar. Meus filhos perderam completamente o ritmo de estudo. Isso est&aacute; criando um clima de falta de compromisso com as fam&iacute;lias&rdquo;, desabafa.<\/p>\n<p>Nath&aacute;lia frisa que entende o lado dos educadores que precisam reivindicar seus direitos, mas que a greve est&aacute; se estendendo por muito tempo. &ldquo;A gente n&atilde;o sabe como que no final vai ficar para repor essas aulas&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<h2>O impasse que n&atilde;o se resolve<\/h2>\n<p>Os grevistas denunciam o que chamam de <strong>&ldquo;falta de respeito&rdquo;<\/strong> por parte da gest&atilde;o do prefeito &Aacute;lvaro Dami&atilde;o e da secret&aacute;ria de Educa&ccedil;&atilde;o, Nat&aacute;lia Ara&uacute;jo. Entre as principais pautas est&atilde;o:<\/p>\n<ul>\n<li>Reajuste salarial digno para 2026 (o sindicato contesta o percentual de 4,11% oferecido pela Prefeitura);<\/li>\n<li>Transpar&ecirc;ncia no quadro real de lota&ccedil;&atilde;o de professores, j&aacute; que muitas escolas enfrentam falta de profissionais;<\/li>\n<li>Revis&atilde;o do modelo de terceiriza&ccedil;&atilde;o do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que segundo o Sind-Rede\/BH representa uma &ldquo;privatiza&ccedil;&atilde;o disfar&ccedil;ada&rdquo; ao transferir atribui&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas para Organiza&ccedil;&otilde;es da Sociedade Civil (OSCs).<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Prefeitura, por sua vez, afirma que j&aacute; atendeu sete pontos da pauta inicial e que n&atilde;o h&aacute; mais o que oferecer. A secret&aacute;ria Nat&aacute;lia Ara&uacute;jo tem repetido que <strong>&ldquo;n&atilde;o h&aacute; privatiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/strong> &mdash; apenas uma mudan&ccedil;a de empregadora para profissionais que j&aacute; eram terceirizados &mdash; e condicionou o retorno das negocia&ccedil;&otilde;es ao fim da greve. A gest&atilde;o tamb&eacute;m anunciou corte de ponto dos grevistas, o que aumentou a tens&atilde;o.<\/p>\n<p>Nesta quinta-feira (28), em assembleia realizada em frente &agrave; Prefeitura, os trabalhadores decidiram por unanimidade manter a greve. A categoria aprovou um calend&aacute;rio de mobiliza&ccedil;&atilde;o com atos p&uacute;blicos, panfletagem e nova assembleia no dia 1&ordm; de junho.<\/p>\n<div>\n<h4>Leia tamb&eacute;m<\/h4>\n<ul>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<figure id=\"attachment_4865631\" aria-describedby=\"caption-attachment-4865631\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Sind-Rede BH\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"Sind-Rede%20BH\/Divulga%C3%A7%C3%A3o\"><figcaption id=\"caption-attachment-4865631\">Cronograma da greve dos professores municipais de BH<\/figcaption><\/figure>\n<h2>O que vem pela frente<\/h2>\n<p>Com a continuidade da greve confirmada, a expectativa &eacute; de que as pr&oacute;ximas semanas tragam ainda mais press&atilde;o sobre a Prefeitura. <span>O Sind-Rede\/BH promete intensificar os atos p&uacute;blicos, enquanto a SMED mant&eacute;m a posi&ccedil;&atilde;o de que s&oacute; voltar&aacute; a negociar com os professores dentro das salas de aula.<\/span><\/p>\n<p>Para as fam&iacute;lias, o temor &eacute; que o calend&aacute;rio escolar seja profundamente comprometido, com reflexos que podem se estender at&eacute; o per&iacute;odo de f&eacute;rias e <span>prejudicar especialmente as crian&ccedil;as mais vulner&aacute;veis, que dependem da escola p&uacute;blica tanto para aprendizado quanto para seguran&ccedil;a e alimenta&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>A greve, que come&ccedil;ou como uma luta por direitos, agora tamb&eacute;m exp&otilde;e o alto custo social que uma paralisa&ccedil;&atilde;o prolongada imp&otilde;e &agrave; sociedade &mdash; especialmente &agrave;s m&atilde;es que, como Carolaine, pagam com o pr&oacute;prio emprego a conta de um impasse que ainda n&atilde;o encontrou caminho para a solu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belo Horizonte &mdash; A greve dos professores e trabalhadores da educa&ccedil;&atilde;o da rede municipal de Belo Horizonte n&atilde;o d&aacute; sinais de solu&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s mais\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":689799,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-689798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=689798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689798\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/689799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=689798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=689798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=689798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}