{"id":690412,"date":"2026-05-30T15:57:52","date_gmt":"2026-05-30T18:57:52","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/05\/30\/colombia-vai-as-urnas-avaliar-continuidade-de-1o-governo-de-esquerda-do-pais\/"},"modified":"2026-05-30T15:57:52","modified_gmt":"2026-05-30T18:57:52","slug":"colombia-vai-as-urnas-avaliar-continuidade-de-1o-governo-de-esquerda-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/05\/30\/colombia-vai-as-urnas-avaliar-continuidade-de-1o-governo-de-esquerda-do-pais\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia vai \u00e0s urnas avaliar continuidade de 1\u00ba governo de esquerda do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div id=\"news-body-content\">\n<div id=\"firstHalf\">\n<p>Neste domingo (31), a Col&ocirc;mbia avaliar&aacute; nas urnas o primeiro governo de esquerda da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, sob o avan&ccedil;o da ultradireita e em meio a uma onda de viol&ecirc;ncia que, dez anos ap&oacute;s a assinatura dos Acordos de Paz com as Farc (For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia), colocou novamente a criminalidade no topo da lista de preocupa&ccedil;&otilde;es dos eleitores.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Est&atilde;o em jogo apenas os cargos de Presid&ecirc;ncia e Vice-Presid&ecirc;ncia. O Legislativo j&aacute; foi decidido em vota&ccedil;&atilde;o de mar&ccedil;o deste ano, quando o partido do presidente Gustavo Petro, Pacto Hist&oacute;rico, elegeu 25 senadores, ampliando a lideran&ccedil;a na Casa, e se tornou o maior bloco da C&acirc;mara de Representantes, com 36 eleitos.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; improv&aacute;vel que a elei&ccedil;&atilde;o se resolva no primeiro turno. De acordo com as &uacute;ltimas pesquisas, os colombianos est&atilde;o divididos entre tr&ecirc;s presidenci&aacute;veis.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>O l&iacute;der &eacute; o apadrinhado de Petro, Iv&aacute;n Cepeda, com 44,6% das inten&ccedil;&otilde;es de voto, segundo levantamento da empresa Invamer divulgado na semana passada, com margem de erro de tr&ecirc;s pontos percentuais. Formado em filosofia na Universidade de S&oacute;fia, na Bulg&aacute;ria, o candidato foi representante na C&acirc;mara antes de alcan&ccedil;ar o cargo de senador, que ocupa atualmente.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Ele chega &agrave; vota&ccedil;&atilde;o com as credenciais de defensor de direitos humanos e articulador de diversos esfor&ccedil;os para a paz no pa&iacute;s, marcado por um conflito armado de mais de seis d&eacute;cadas. Consta no seu curr&iacute;culo tamb&eacute;m o antagonismo com um dos mais influentes pol&iacute;ticos da Col&ocirc;mbia, &Aacute;lvaro Uribe &#8211;foi a partir de um embate com Cepeda no Senado que o ex-presidente terminou condenado a 12 anos de pris&atilde;o, um caso ainda em aberto.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>A candidata do uribismo, por sua vez, &eacute; Paloma Valencia. H&aacute; anos a advogada do partido Centro Democr&aacute;tico tenta ser o novo rosto da direita tradicional, cuja figura m&aacute;xima &eacute; o pol&iacute;tico que governou a Col&ocirc;mbia de 2002 a 2010 sob a bandeira da luta contra o terrorismo, com o apoio dos Estados Unidos.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Neta de Guillermo Le&oacute;n Valencia, presidente de 1962 a 1966, Paloma &eacute; senadora desde 2014 e, em tempos mais simples, seria a &uacute;nica opositora com chances de ir para o segundo turno com Cepeda. Mas, com 14% das inten&ccedil;&otilde;es de voto, a pol&iacute;tica est&aacute; em terceiro lugar, e, nas &uacute;ltimas semanas, afastou-se do segundo colocado nas pesquisas: o advogado Abelardo de la Espriella, candidato a Bukele colombiano.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Est&aacute; tudo ali -o bon&eacute;, a barba cuidadosamente alinhada, as provoca&ccedil;&otilde;es aos advers&aacute;rios, o discurso impiedoso contra criminosos. A f&oacute;rmula salvadorenha &eacute; providencial para pol&iacute;ticos de direita na Col&ocirc;mbia, que registra um aumento de atentados das guerrilhas e v&ecirc; a ordem p&uacute;blica volta a ser o problema n&uacute;mero 1 do pa&iacute;s para quase 41% da popula&ccedil;&atilde;o.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Segundo a Invamer, o presidente de El Salvador &eacute; o l&iacute;der mais admirado pelos colombianos, &agrave; frente de Donald Trump (EUA), Lula (Brasil) e Javier Milei (Argentina).<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>As &uacute;ltimas pesquisas divulgadas apontam uma diferen&ccedil;a de cerca de dez pontos percentuais de Espriella em rela&ccedil;&atilde;o a Cepeda, mas o que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a sua trajet&oacute;ria ascendente -de acordo com os levantamentos, saiu de 21,5% das inten&ccedil;&otilde;es de voto, no final de abril, para 31,6% na pen&uacute;ltima semana de maio.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Sem experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica, o candidato do Movimiento de Salvaci&oacute;n Nacional ficou conhecido pelos clientes not&aacute;veis que defendeu: al&eacute;m de membros de grupos paramilitares, David Murcia Guzm&aacute;n, criador de um esquema de pir&acirc;mide que lesou mais de 200 mil pessoas, e Alex Saab, suposto laranja do ditador Nicol&aacute;s Maduro e acusado de lavagem de dinheiro.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"secondHalf\">\n<p>Ao longo da campanha, Espriella disse que mandaria o Ex&eacute;rcito para as ruas para cuidar da seguran&ccedil;a e afirmou que assinaria &#8220;sem d&uacute;vida&#8221; a extradi&ccedil;&atilde;o de Petro caso os EUA pedissem. &#8220;Eu mesmo me sacrifico e o levo&#8221;, disse no in&iacute;cio de maio.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Antes da corrida, em julho de 2025, afirmou que iria estripar pessoas de esquerda. &#8220;&Eacute; preciso erradicar essa praga&#8221;, disse a uma r&aacute;dio.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Restam aos outros candidatos, como Sergio Fajardo e Claudia L&oacute;pez, porcentagens que n&atilde;o chegam aos 3% para cada um. O estrangulamento do centro revela a polariza&ccedil;&atilde;o entre os pr&oacute; e anti-Petro -segundo a pesquisa de maio da Invamer, os eleitores se dividem entre 50,4% que desaprovam a sua gest&atilde;o e 45,8% que a aprovam.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>At&eacute; agora, no entanto, os que desaprovam n&atilde;o conseguiram se unir em torno de uma candidatura, desorganiza&ccedil;&atilde;o que se deve em partes ao v&aacute;cuo deixado por Miguel Uribe Turbay, pr&eacute;-candidato assassinado durante um com&iacute;cio no meio do ano passado.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Ivan Cepeda (esq.), Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, os tr&ecirc;s candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia da Col&ocirc;mbia com as maiores inten&ccedil;&otilde;es de voto em pesquisas Raul Arboleda de Jaime Saldarriaga AFP Tr&ecirc;s pessoas aparecem em fotos lado a lado, cada uma falando ao microfone. &Agrave; esquerda, homem de &oacute;culos e cabelo curto, vestindo camisa branca, fala com express&atilde;o intensa. No centro, mulher de cabelos longos e soltos, com blusa branca, segura microfone e sorri levemente. Apesar do sobrenome em comum com &Aacute;lvaro Uribe, Miguel n&atilde;o &eacute; parente do ex-presidente. Na verdade, ele &eacute; filho da jornalista Diana Turbay, sequestrada em 1990 pelo traficante Pablo Escobar e morta no ano seguinte.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>O atentado contra o senador reviveu a Col&ocirc;mbia da d&eacute;cada de 1980 e 1990, quando cinco presidenci&aacute;veis foram mortos em atentados. O n&uacute;mero d&aacute; a dimens&atilde;o da viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica da &eacute;poca &#8211;o pr&oacute;prio pai de Cepeda, Manuel, foi morto em agosto de 1994, um m&ecirc;s ap&oacute;s assumir como senador pelo Partido Comunista Colombiano e em um contexto de assassinatos em s&eacute;rie de membros da esquerda no pa&iacute;s.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>O epis&oacute;dio &eacute; central na trajet&oacute;ria do candidato, que cobrou o Estado colombiano pelas viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos ao longo da guerra durante toda a sua vida pol&iacute;tica e se envolveu em iniciativas de paz, incluindo algumas que levariam ao acordo com as Farc, em 2016.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Caso eleito, Cepeda quer retomar o di&aacute;logo com a ELN (Ex&eacute;rcito de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional), conhecida como a &uacute;ltima guerrilha da Col&ocirc;mbia e, at&eacute; agora, resistente &agrave;s tentativas de ceder &agrave; &#8220;paz total&#8221; prometida por Petro, seu aliado.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>Para a cientista pol&iacute;tica Angie Katherine Gonz&aacute;lez, pesquisadora visitante da Universidade de Oxford (Reino Unido), apesar das derrotas, o presidente soube captar as mudan&ccedil;as que a popula&ccedil;&atilde;o aspirava ap&oacute;s tantos anos de viol&ecirc;ncia, e isso explica a sua capacidade de emplacar um apadrinhado no segundo turno.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Nenhum governo havia discutido reforma do sistema de sa&uacute;de, independentemente de ela ter sido boa ou ruim&#8221;, afirma a professora sobre a iniciativa de Petro &#8211;uma das tantas de seu mandato ainda incompletas.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;S&oacute; recentemente nossa hist&oacute;ria nos permitiu perceber que outras coisas, como meio ambiente, educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, importam. Ainda n&atilde;o conseguimos sair completamente da lama, mas pelo menos tiramos a cabe&ccedil;a da &aacute;gua. E isso nos permite ter uma perspectiva um pouco mais ampla e pensar em coisas que antes voc&ecirc; n&atilde;o ousaria&#8221;, completa.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo (31), a Col&ocirc;mbia avaliar&aacute; nas urnas o primeiro governo de esquerda da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, sob o avan&ccedil;o da ultradireita e em\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":690413,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[244],"tags":[],"class_list":["post-690412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/690412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=690412"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/690412\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/690413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=690412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=690412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=690412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}