{"id":690450,"date":"2026-05-30T18:36:50","date_gmt":"2026-05-30T21:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/05\/30\/endividamento-familiar-recorde-o-que-explica-indice-e-o-que-pode-ser-feito\/"},"modified":"2026-05-30T18:36:50","modified_gmt":"2026-05-30T21:36:50","slug":"endividamento-familiar-recorde-o-que-explica-indice-e-o-que-pode-ser-feito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/05\/30\/endividamento-familiar-recorde-o-que-explica-indice-e-o-que-pode-ser-feito\/","title":{"rendered":"Endividamento familiar recorde; o que explica \u00edndice e o que pode ser feito"},"content":{"rendered":"<div role=\"main\">\n<div typeof=\"BreadcrumbList\" vocab=\"https:\/\/schema.org\/\">\n<p><span property=\"itemListElement\" typeof=\"ListItem\"><span property=\"name\">Jovem Pan<\/span><meta property=\"position\" content=\"1\"><\/span>&gt; <span property=\"itemListElement\" typeof=\"ListItem\"><span property=\"name\">Not&iacute;cias<\/span><meta property=\"position\" content=\"2\"><\/span>&gt; <span property=\"itemListElement\" typeof=\"ListItem\"><span property=\"name\">Economia<\/span><meta property=\"position\" content=\"3\"><\/span>&gt; <span>Endividamento familiar recorde; o que explica &iacute;ndice e o que pode ser feito<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h3><\/h3>\n<p>&Iacute;ndice &eacute; impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do cr&eacute;dito rotativo, pela press&atilde;o do custo de vida e pelo avan&ccedil;o das apostas online (bets) sobre o or&ccedil;amento dom&eacute;stico<\/p>\n<div>\n<div>\n<ul>\n<li>Por                                     <strong>Ag&ecirc;ncia Senado<\/strong><\/li>\n<li>30\/05\/2026 16h51 &#8211; <strong>Atualizado em<\/strong> 30\/05\/2026 16h58<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li><i><\/i><\/li>\n<li>\n<li>\n<li><i><\/i><\/li>\n<li><i><\/i><\/li>\n<li><i><\/i><\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<p><span>Drazen Zigic\/Freepik<\/span><\/p>\n<picture><source media=\"(max-width: 799px)\"><source media=\"(min-width: 800px)\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2025\/02\/123-31-676x450.jpg\" alt=\"CONTAS-C&Aacute;LCULOS-D&Iacute;VIDAS\" id=\"zoom-img\">                                         <\/source><\/source><\/picture><\/div>\n<p> <?xml encoding=\"UTF-8\"><\/p>\n<p><strong>O Brasil atingiu, em 2026, o maior &iacute;ndice de endividamento das fam&iacute;lias desde o in&iacute;cio da s&eacute;rie hist&oacute;rica<\/strong> da Pesquisa de Endividamento e Inadimpl&ecirc;ncia do Consumidor (Peic). Em abril, <strong>80,9% das fam&iacute;lias brasileiras declararam possuir algum tipo de d&iacute;vida<\/strong>, segundo o levantamento feito pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional do Com&eacute;rcio de Bens, Servi&ccedil;os e Turismo (CNC).<\/p>\n<p>Esse &iacute;ndice &eacute; impulsionado pela <strong>alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do cr&eacute;dito rotativo, pela press&atilde;o do custo de vida e pelo avan&ccedil;o das apostas online (bets)<\/strong> sobre o or&ccedil;amento dom&eacute;stico. O aumento do comprometimento da renda das fam&iacute;lias tamb&eacute;m acendeu um alerta sobre os impactos econ&ocirc;micos e sociais do superendividamento no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Diante do cen&aacute;rio, especialistas apontam que o problema vai al&eacute;m do consumo e j&aacute; <strong>afeta diretamente o crescimento econ&ocirc;mico, o mercado de trabalho e a capacidade de investimento<\/strong> das fam&iacute;lias brasileiras. Ao mesmo tempo, o <strong>Congresso Nacional discute medidas para ampliar a prote&ccedil;&atilde;o aos consumidores endividados e fortalecer programas de renegocia&ccedil;&atilde;o<\/strong>, como o Novo Desenrola Brasil, relan&ccedil;ado pelo governo federal em maio deste ano (MP 1.355\/2026)<\/p>\n<p>Para o senador Fl&aacute;vio Arns (PSB-PR), propostas estruturais s&atilde;o necess&aacute;rias para impedir que milh&otilde;es de brasileiros permane&ccedil;am presos em ciclos permanentes de inadimpl&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&mdash; Em um pa&iacute;s com os juros mais altos do mundo, precisamos avan&ccedil;ar em mecanismos permanentes de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s fam&iacute;lias e em pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o financeira para evitar o efeito bola de neve das d&iacute;vidas.<\/p>\n<p>Por outro lado, o senador Rog&eacute;rio Marinho (PL-RN) entende que programas de renegocia&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas n&atilde;o reduzem a inadimpl&ecirc;ncia nem enfrentam o problema estrutural do endividamento da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&mdash; [O primeiro Desenrola] levava em considera&ccedil;&atilde;o a possibilidade de haver uma troca de d&iacute;vidas antigas por d&iacute;vidas novas, com taxas de juros melhoradas. O resultado &eacute; que, dois anos ap&oacute;s, o calote do que foi renegociado cresceu 15%.<\/p>\n<h2>D&iacute;vidas e inadimpl&ecirc;ncia<\/h2>\n<p><strong>O m&ecirc;s de abril de 2026 registrou um marco cr&iacute;tico para as finan&ccedil;as dom&eacute;sticas no Brasil<\/strong>, atingindo o recorde hist&oacute;rico de 80,9% de fam&iacute;lias endividadas. Este foi o quarto m&ecirc;s consecutivo de alta na s&eacute;rie da Peic, superando significativamente os patamares registrados no mesmo per&iacute;odo entre 2022, quando a pesquisa passou a fazer o boletim mensal, e 2025.<\/p>\n<p>Embora o n&uacute;mero total de endividados tenha crescido, a <strong>inadimpl&ecirc;ncia apresentou uma relativa estabilidade na margem,<\/strong> com 29,7% das fam&iacute;lias possuindo contas em atraso, comparado aos 29,1% de abril do ano anterior. No entanto, um dado preocupante &eacute; que 12,3% dessas fam&iacute;lias declararam que n&atilde;o ter&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es de quitar suas d&iacute;vidas.<\/p>\n<h2>Custo do cr&eacute;dito<\/h2>\n<p>O cen&aacute;rio de <strong>endividamento recorde registrado no Brasil em abril de 2026 &eacute; acompanhado por um custo de cr&eacute;dito elevado<\/strong>. As diferentes modalidades de taxas de juros revelam a profundidade da press&atilde;o sobre o or&ccedil;amento dom&eacute;stico.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do Banco Central, o <strong>cart&atilde;o de cr&eacute;dito rotativo consolida-se como a linha mais dura do mercado<\/strong>, com taxas que podem atingir entre 428% e 440,5% ao ano. O cart&atilde;o &eacute; o principal fator de endividamento para 83,6% das fam&iacute;lias e compromete, sozinho, 54% da renda familiar.<\/p>\n<p>Segundo a economista Catarina Carneiro, da CNC, o peso do cart&atilde;o de cr&eacute;dito acaba reduzindo diretamente a capacidade de consumo das fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>&mdash; Essa grande parcela de d&iacute;vidas acumulada no cart&atilde;o, a modalidade com a maior taxa de juros do mercado, freia a inten&ccedil;&atilde;o de consumo para os pr&oacute;ximos meses, fazendo com que as fam&iacute;lias analisem com cautela suas condi&ccedil;&otilde;es de arcar com os pagamentos futuros e consumam menos do que fariam com cr&eacute;dito menos custoso &mdash; explica.<\/p>\n<p><strong>Outras modalidades de cr&eacute;dito voltadas ao consumo tamb&eacute;m apresentam patamares alarmantes:<\/strong> o cart&atilde;o parcelado registra juros de 181,2% ao ano, enquanto o cheque especial e o cr&eacute;dito pessoal n&atilde;o consignado mant&ecirc;m-se em n&iacute;veis de aproximadamente 130% e 106,6%, respectivamente. Mesmo a taxa de cr&eacute;dito livre m&eacute;dio para pessoas f&iacute;sicas, que serve como um term&ocirc;metro geral para o consumidor, situa-se no patamar de 59,4% ao ano.<\/p>\n<p>Para o economista Rodrigo Saraiva Marinho, CEO do Instituto Livre Mercado &mdash; organiza&ccedil;&atilde;o que acompanha debates sobre economia, cr&eacute;dito e ambiente de neg&oacute;cios &mdash;, o problema dos<strong> juros elevados come&ccedil;a no pr&oacute;prio desequil&iacute;brio das contas p&uacute;blicas brasileiras.<\/strong><\/p>\n<p>&mdash; N&atilde;o h&aacute; como falar sobre esse tema sem falar no n&iacute;vel de endividamento do pr&oacute;prio Estado brasileiro. O Estado &eacute; muito endividado e isso faz com que os juros sejam muito altos. O governo n&atilde;o consegue se sustentar com aquilo que arrecada de tributos e precisa de empr&eacute;stimos para complementar seus gastos &ndash; afirma.<\/p>\n<p>Maria L&uacute;cia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidad&atilde; da D&iacute;vida, <strong>os juros e a d&iacute;vida p&uacute;blica se alimentam mutuamente,<\/strong> tornando a solu&ccedil;&atilde;o do problema cada vez mais inexequ&iacute;vel.<\/p>\n<p>&mdash; Os juros altos praticados historicamente no pa&iacute;s constituem o principal fator de crescimento da d&iacute;vida p&uacute;blica. O volume acumulado de juros nominais da d&iacute;vida supera o estoque da d&iacute;vida liquida do setor p&uacute;blico, ou seja, temos uma d&iacute;vida de juros sobre juros. O Tribunal de Contas da Uni&atilde;o j&aacute; demonstrou em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica ao Senado Federal que nenhuma despesa or&ccedil;ament&aacute;ria classificada como investimentos foi custeada com recursos advindos da venda de t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica. Isso significa que a d&iacute;vida p&uacute;blica tem servido apenas para financiar os gastos financeiros com a pr&oacute;pria divida, principalmente os juros exorbitantes.<\/p>\n<p><strong>Essa estrutura de juros &eacute; sustentada por fatores macroecon&ocirc;micos persistentes,<\/strong> como o endividamento do pa&iacute;s e o valor comparativo da moeda com o d&oacute;lar, e pela a taxa Selic (taxa b&aacute;sica definida pelo Banco Central). Para Marcos Melo, professor do IBMEC Bras&iacute;lia e mestre em finan&ccedil;as, a taxa b&aacute;sica de juros &eacute; hoje um dos principais fatores por tr&aacute;s do avan&ccedil;o do endividamento no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&mdash; A taxa b&aacute;sica Selic no Brasil &eacute; de 14,5% ao ano, uma taxa muito alta. Ela &eacute; uma refer&ecirc;ncia para todas as outras taxas de juros no Brasil. Quando ela est&aacute; muito elevada, os bancos passam a emprestar a taxas ainda maiores, o que prejudica diretamente as fam&iacute;lias e empresas.<\/p>\n<p>A refer&ecirc;ncia da Selic eleva o custo do cr&eacute;dito de forma generalizada e coloca o Brasil com a segunda maior taxa real de juros do mundo (9,3%), atr&aacute;s apenas da R&uacute;ssia.<\/p>\n<h2>Renda comprometida<\/h2>\n<p>O comprometimento da renda das fam&iacute;lias brasileiras com o <strong>pagamento de d&iacute;vidas apresenta uma trajet&oacute;ria de crescimento consistente<\/strong>, e tamb&eacute;m atinge recordes em 2026. Essa m&eacute;trica representa a rela&ccedil;&atilde;o entre os pagamentos esperados para o servi&ccedil;o da d&iacute;vida e a renda mensal dispon&iacute;vel.<\/p>\n<p>Segundo dados do Banco Central, a fatia de renda das fam&iacute;lias que est&aacute; comprometida com d&iacute;vidas <strong>saltou de aproximadamente 22% em 2019 para 29,7% no fim de 2025.<\/strong> Isso significa que quase um ter&ccedil;o do or&ccedil;amento dom&eacute;stico j&aacute; est&aacute; carimbado para as d&iacute;vidas antes mesmo de outras despesas b&aacute;sicas serem pagas.<\/p>\n<p><strong>O avan&ccedil;o do comprometimento da renda tamb&eacute;m afeta diretamente a atividade econ&ocirc;mica,<\/strong> especialmente o com&eacute;rcio e os servi&ccedil;os. Com menos renda dispon&iacute;vel, as fam&iacute;lias reduzem gastos considerados n&atilde;o essenciais. O professor Marcos Melo avalia que os juros elevados acabam afetando toda a din&acirc;mica econ&ocirc;mica do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&mdash; Al&eacute;m da situa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias, a taxa de juros t&atilde;o alta significa menor oferta de emprego, prejudica a renda do trabalhador e permite uma disfun&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho &mdash; afirma.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da press&atilde;o dos juros, novos fatores estruturais &mdash; como o impacto das apostas online (bets) no consumo e a alta nos custos de vida com alimenta&ccedil;&atilde;o e moradia &mdash; t&ecirc;m for&ccedil;ado as fam&iacute;lias, especialmente as de baixa renda, a utilizarem o cr&eacute;dito como complemento salarial. Como resultado, o endividamento total das fam&iacute;lias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; renda acumulada atingiu o recorde hist&oacute;rico de 49,9%, sinalizando que metade de tudo o que as fam&iacute;lias recebem e produzem em um ano j&aacute; est&aacute; comprometido com d&iacute;vidas.<\/p>\n<p><strong>Fatores internacionais, como conflitos e oscila&ccedil;&otilde;es no mercado global, tamb&eacute;m impactam diretamente<\/strong> pre&ccedil;os e consumo no Brasil e podem pressionar ainda mais a economia brasileira e afetar diretamente o or&ccedil;amento das fam&iacute;lias.<\/p>\n<h2>Novo Desenrola<\/h2>\n<p><strong>Programas de refinanciamento de d&iacute;vidas e a&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia social s&atilde;o ferramentas para ajudar as pessoas a organizarem<\/strong> suas vidas financeiras quando as contas saem do controle. O principal exemplo atual &eacute; o <strong>Novo Desenrola Brasil (Programa Extraordin&aacute;rio de Reequil&iacute;brio Financeiro das Fam&iacute;lias),<\/strong> lan&ccedil;ado em maio de 2026, que funciona como um grande mutir&atilde;o para que brasileiros, estudantes e at&eacute; pequenas empresas consigam negociar o que devem com condi&ccedil;&otilde;es facilitadas.<\/p>\n<p>A iniciativa foi institu&iacute;da pela Medida Provis&oacute;ria (MP) 1.355\/2026, publicada em 4 de maio e j&aacute; em vigor. A MP criou o Programa Extraordin&aacute;rio de Reequil&iacute;brio Financeiro das Fam&iacute;lias &ndash; Novo Desenrola Brasil, vinculado ao Minist&eacute;rio da Fazenda, com o objetivo de promover a renegocia&ccedil;&atilde;o e regulariza&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas em atraso junto ao sistema financeiro.<\/p>\n<p>Segundo o senador Fl&aacute;vio Arns, programas como o Novo Desenrola possuem impacto social imediato relevante, especialmente entre as fam&iacute;lias de baixa renda, mas s&atilde;o apenas o come&ccedil;o.<\/p>\n<p>&mdash; Seus efeitos ainda s&atilde;o paliativos. S&atilde;o necess&aacute;rias medidas estruturais de m&eacute;dio e longo prazo, voltadas para gera&ccedil;&atilde;o de emprego, aumento da renda, acesso ao cr&eacute;dito mais barato e educa&ccedil;&atilde;o financeira da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O senador Rog&eacute;rio Marinho critica escolhas feitas na formata&ccedil;&atilde;o do Novo Desenrola.<\/p>\n<p>&mdash; O governo nos oferece velhas f&oacute;rmulas, as mesmas pr&aacute;ticas, e n&oacute;s j&aacute; sabemos o resultado. V&atilde;o usar recursos de saque do FGTS para pagamento de d&iacute;vidas, ou seja, segregar o recurso para fortalecer o sistema financeiro brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Para que o aux&iacute;lio chegue a quem precisa, o programa foi dividido em diferentes categorias:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O Desenrola Fam&iacute;lias &eacute; focado em pessoas que ganham at&eacute; cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos e possuem d&iacute;vidas atrasadas de cart&atilde;o de cr&eacute;dito, cheque especial ou empr&eacute;stimos;<\/li>\n<li>O Desenrola Fies ajuda estudantes a regularizarem seus financiamentos educativos, oferecendo descontos que podem chegar a 99% para quem est&aacute; h&aacute; muito tempo sem conseguir pagar;<\/li>\n<li>Existem tamb&eacute;m vers&otilde;es espec&iacute;ficas para ajudar pequenos neg&oacute;cios e produtores rurais a recuperarem seu cr&eacute;dito.<\/li>\n<\/ul>\n<p>As vantagens oferecidas por esses programas s&atilde;o pensadas para que o pagamento caiba no bolso do cidad&atilde;o. <strong>Entre os principais benef&iacute;cios est&atilde;o:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Descontos generosos: As d&iacute;vidas podem ser reduzidas em at&eacute; 90% do valor total;<\/li>\n<li>Juros mais baixos: O programa define um teto de juros de 1,99% ao m&ecirc;s, taxa muito menor do que a do cart&atilde;o de cr&eacute;dito rotativo, que pode passar de 400% ao ano;<\/li>\n<li>Nome limpo mais r&aacute;pido: Para d&iacute;vidas de at&eacute; R$ 100, o nome do consumidor &eacute; retirado dos &oacute;rg&atilde;os de prote&ccedil;&atilde;o ao cr&eacute;dito (como SPC e Serasa) logo no in&iacute;cio do programa;<\/li>\n<li>Uso do FGTS: O trabalhador pode usar uma parte do seu saldo do FGTS para ajudar a pagar a d&iacute;vida negociada.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Al&eacute;m de facilitar o pagamento, esses programas tamb&eacute;m trazem medidas de prote&ccedil;&atilde;o social.<\/strong> Uma regra importante de 2026 &eacute; que quem participar da renegocia&ccedil;&atilde;o ter&aacute; o seu CPF bloqueado para realizar apostas online (bets) por 12 meses. O objetivo &eacute; garantir que o dinheiro economizado com o desconto da d&iacute;vida seja usado para o bem-estar da fam&iacute;lia e n&atilde;o gasto em atividades de alto risco.<\/p>\n<p><strong>A MP do Novo Desenrola tem previs&atilde;o de dura&ccedil;&atilde;o de 90 dias,<\/strong> e ainda precisa ser analisada e aprovada pelas duas Casas do Congresso Nacional para se tornar lei definitiva.<\/p>\n<h2>Peso das bets<\/h2>\n<p>O cen&aacute;rio de recorde hist&oacute;rico no endividamento das fam&iacute;lias brasileiras &eacute; sustentado por uma <strong>combina&ccedil;&atilde;o de fatores macroecon&ocirc;micos persistentes e novas causas estruturais.<\/strong> No centro desse problema est&aacute; a <strong>manuten&ccedil;&atilde;o da taxa Selic em patamares elevados,<\/strong> recentemente ajustada para 14,5% a 14,75% ao ano, o que encarece o cr&eacute;dito de forma generalizada. Para o professor Marcos Melo, do IBMEC, a redu&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel dos juros depende diretamente do equil&iacute;brio fiscal do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&mdash; &Eacute; preciso um trabalho muito grande de maior responsabilidade fiscal, gastar menos e gastar melhor, para que num futuro mais adiante seja poss&iacute;vel diminuir a taxa b&aacute;sica de juros. S&oacute; assim os problemas relacionados ao endividamento das fam&iacute;lias, das empresas e do crescimento do pa&iacute;s acabam sendo resolvidos ao longo do tempo&nbsp;&mdash; avalia.<\/p>\n<p>Esse custo elevado do dinheiro se agrava pela alta concentra&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria, que permite aos cinco maiores bancos do pa&iacute;s manterem um spread banc&aacute;rio de 34,6 pontos percentuais. O spread representa a diferen&ccedil;a entre o custo que os bancos pagam para captar dinheiro e os juros cobrados dos clientes nos empr&eacute;stimos. Esse valor &eacute; drasticamente superior &agrave; m&eacute;dia global de 6 p.p., calculada pelo Banco Mundial.<\/p>\n<p>Como reflexo direto dessas taxas, <strong>o uso do cart&atilde;o de cr&eacute;dito cria uma &ldquo;bola de neve&rdquo;&nbsp;financeira<\/strong> que atinge severamente as fam&iacute;lias de baixa renda (at&eacute; 3 sal&aacute;rios m&iacute;nimos), que muitas vezes recorrem ao cr&eacute;dito para cobrir despesas como alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e moradia.<\/p>\n<p>Somando-se aos fatores tradicionais, as <strong>apostas online (bets) surgiram como uma nova e relevante causa estrutural entre 2024 e 2025,<\/strong> passando a ser o principal fator associado ao endividamento em certas faixas da popula&ccedil;&atilde;o e superando o impacto do acesso ao cr&eacute;dito comum. De acordo com a economista Catarina Carneiro,&nbsp;da CNC, embora os juros altos continuem sendo o principal fator de inadimpl&ecirc;ncia, as apostas passaram a agravar significativamente o problema.<\/p>\n<p>&mdash; As apostas online deixaram de ser um gasto de entretenimento residual e passaram a atuar como um dreno severo na restri&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria das fam&iacute;lias brasileiras, afetando de forma desproporcional as classes de menor renda.<\/p>\n<p>Um estudo econom&eacute;trico realizado pela CNC estima que, desde a regulamenta&ccedil;&atilde;o das plataformas em 2023, cerca de R$ 30 bilh&otilde;es por m&ecirc;s deixaram de circular no consumo tradicional para abastecer sites de apostas.<\/p>\n<h2>Propostas do Senado<\/h2>\n<p>Para tentar mitigar esse ciclo,<strong> tramitam no Poder Legislativo propostas como o PL 2.944\/2022,<\/strong> que trata do superendividamento de consumidores. O projeto redefine o chamado &ldquo;m&iacute;nimo existencial&rdquo;, que &eacute; a quantia que n&atilde;o pode ser comprometida na renegocia&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas e na concess&atilde;o de cr&eacute;dito. Atualmente, um decreto estabelece o m&iacute;nimo existencial no valor de 25% do sal&aacute;rio m&iacute;nimo.<\/p>\n<p>Autor do projeto, o ex-senador Mecias de Jesus (RR),&nbsp;argumenta que o crescimento do endividamento das fam&iacute;lias brasileiras exige mecanismos capazes de impedir que consumidores comprometam recursos indispens&aacute;veis &agrave; pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia para conseguir quitar d&iacute;vidas banc&aacute;rias. Para ele, um valor fixo &mdash; e t&atilde;o reduzido&nbsp; &mdash; n&atilde;o atende a esse objetivo.<\/p>\n<p>&ldquo;O valor estabelecido foi considerado por especialistas em direito do consumidor muito baixo para o pagamento de despesas b&aacute;sicas, o que compromete a efetividade da lei e as condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia dos brasileiros superendividados. O conceito n&atilde;o deveria se basear em um crit&eacute;rio fixo, mas sim em um &iacute;ndice de comprometimento de renda a ser aplicado caso a caso. Esse modelo levaria em conta a realidade de cada consumidor individualmente&rdquo;, escreveu Mecias na justificativa para o projeto.<\/p>\n<p><strong>O projeto j&aacute; foi aprovado pela Comiss&atilde;o de Assuntos Sociais (CAS) e aguarda decis&atilde;o final na Comiss&atilde;o de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o e Controle (CTFC).<\/strong><\/p>\n<p>Para o senador Fl&aacute;vio Arns, que participou da aprova&ccedil;&atilde;o do texto na CAS, a proposta &eacute; necess&aacute;ria diante do avan&ccedil;o do superendividamento no pa&iacute;s. O senador tamb&eacute;m defende o fortalecimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o financeira como forma de preven&ccedil;&atilde;o ao descontrole das finan&ccedil;as pessoais.<\/p>\n<p>&mdash; O Congresso discute pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o financeira, inclusive projetos para torn&aacute;-la obrigat&oacute;ria na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e tamb&eacute;m no ensino superior. A l&oacute;gica dessas propostas &eacute; preventiva: formar h&aacute;bitos de consumo, poupan&ccedil;a e uso do cr&eacute;dito antes que o endividamento se torne estrutural.<\/p>\n<p>Outra iniciativa &eacute; o PL 2.356, de 2024, do senador Jayme Campos (Uni&atilde;o-MT), que incorpora a educa&ccedil;&atilde;o financeira ao curr&iacute;culo de todos os n&iacute;veis da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. O projeto j&aacute; foi aprovado pela Comiss&atilde;o de Assuntos Econ&ocirc;micos (CAE) e est&aacute; na Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o (CE).<\/p>\n<p>&ldquo;A escola n&atilde;o cumprir&aacute; sua miss&atilde;o civilizadora se for incapaz de formar cidad&atilde;os preparados para se inserir na vida produtiva de forma empreendedora e com compet&ecirc;ncias financeiras&rdquo;, argumenta ele na justificativa.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"meta\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-12\">\n<ul class=\"sharebar list-inline\">\n<li><i class=\"fab fa-facebook-f\"><\/i><\/li>\n<li><i class=\"fa-brands fa-x-twitter\"><\/i><\/li>\n<li><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/jovempan.com.br\/wp-content\/plugins\/jms-home-post-type\/images\/blueskywhite.svg\" alt=\"BlueSky\" style=\"width: 20px; height: 20px;\"><\/li>\n<li><i class=\"fab fa-linkedin\"><\/i><\/li>\n<li><i class=\"fab fa-whatsapp\"><\/i><\/li>\n<li><i class=\"fab fa-flipboard\"><\/i><\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>                     <!--\/row-->                 <\/div>\n<p>                 <!--\/meta-->                                        <\/p>\n<section class=\"tags\">\n<ul class=\"list-inline\">\n<li class=\"tag-title\">Tags: <\/li>\n<li>Endividamento<\/li>\n<\/ul>\n<\/section>\n<section class=\"comments\">\n<div class=\"container-free-comments\">\n<div class=\"size-container-comments\">\n<div class=\"title-text\">\n<p><i style=\"font-size: 20px; color: #c92428;\" class=\"fas fa-comment\"><\/i> Coment&aacute;rios<\/p>\n<p>                             <span>Conte&uacute;do para assinantes. 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<!-- aqui mais lidas e novo espa&ccedil;o ADS -->                       <\/p>\n<div class=\"pubad hp floating-ad ads-gam\" data-pos=\"HP\" id=\"ad-right\" style=\"margin:0 auto; text-align: center; width: 300px; min-height: 250px;\"><\/div>\n<style> @media screen and (max-width: 800px) { .hp{ height:250px !important; } }<\/style>\n<p>             <!-- \n\n<div class=\"sidebar\"> \t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\n -->             <!-- sidebar -->             <!-- \n\n<div class=\"clearfix text-center\"> \t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\n -->          \t\t \t\t             <\/p>\n<div class=\"sidebar-widget related-posts\" id=\"sidebar-relacionadas\" style=\"background: #fff; padding: 15px; border: 1px solid #eee; border-top: 4px solid #c92428;\">\n<h3 style=\"color: #333; font-weight: bold; text-transform: uppercase; font-size: 16px; margin-top: 0; margin-bottom: 20px;\">Relacionadas<\/h3>\n<div class=\"related-list\">\n<div style=\"display: flex; margin-bottom: 18px; gap: 12px; align-items: 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                                                     <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div style=\"display: flex; margin-bottom: 18px; gap: 12px; align-items: flex-start;\">\n<div style=\"flex-shrink: 0; width: 85px;\">                                                                                                                                                  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2024\/10\/ato20240828020-300x170.jpg\" style=\"width: 85px; height: 60px; object-fit: cover; border-radius: 4px; display: block;\" alt=\"Minist&eacute;rios da Defesa e das Cidades lideram cortes no Or&ccedil;amento de 2026\" loading=\"lazy\">                                                                                                                                      <\/div>\n<div style=\"flex-grow: 1;\">                                                                                              Minist&eacute;rios da Defesa e das Cidades lideram cortes no Or&ccedil;amento de 2026                                                                                     <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div style=\"display: flex; margin-bottom: 18px; gap: 12px; align-items: flex-start;\">\n<div style=\"flex-shrink: 0; width: 85px;\">                                                                                                                                                  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2026\/02\/design-sem-nome-42-300x170.png\" style=\"width: 85px; height: 60px; object-fit: cover; border-radius: 4px; display: block;\" alt=\"BRB adia divulga&ccedil;&atilde;o de balan&ccedil;o ap&oacute;s acordo de socorro com a Uni&atilde;o\" loading=\"lazy\">                                                                                                                                      <\/div>\n<div style=\"flex-grow: 1;\">                                                                                              BRB adia divulga&ccedil;&atilde;o de balan&ccedil;o ap&oacute;s acordo de socorro com a Uni&atilde;o                                                                                     <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div style=\"display: flex; margin-bottom: 18px; gap: 12px; align-items: flex-start;\">\n<div style=\"flex-shrink: 0; width: 85px;\">                                                                                                                                                  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2026\/03\/foto-jp-1-11-300x170.png\" style=\"width: 85px; height: 60px; object-fit: cover; border-radius: 4px; display: block;\" alt=\"Durigan diz que medida dos EUA contra PCC e CV pode prejudicar o Pix\" loading=\"lazy\">                                                                                                                                      <\/div>\n<div style=\"flex-grow: 1;\">                                                                                              Durigan diz que medida dos EUA contra PCC e CV pode prejudicar o Pix                                                                                     <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"pubad hp floating-ad ads-gam\" data-pos=\"HP\" id=\"ad-right-2\" style=\"margin:0 auto; text-align: center; width: 300px; min-height: 250px;\"><\/div>\n<style> @media screen and (max-width: 800px) { .hp{ height:250px !important; } }<\/style>\n<p>                           <!--\/row-->  <!--\/container-->         <!--\/main_content-->       <!--\/wrap-->          <\/p>\n<footer id=\"main-footer\">\n<div class=\"cliente-free\"><\/div>\n<section class=\"footer-menu clearfix\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-12\">\n<div id=\"footer-navbar\" class=\"menu-menu-footer-container\">\n<ul id=\"menu-menu-footer\" class=\"footer-navbar-nav\">\n<li id=\"menu-item-417917\" class=\"menu-title menu-item 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