{"id":690568,"date":"2026-05-31T04:56:11","date_gmt":"2026-05-31T07:56:11","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/05\/31\/pcc-e-cv-como-atuam-em-bh-as-faccoes-que-viraram-alvo-internacional\/"},"modified":"2026-05-31T04:56:11","modified_gmt":"2026-05-31T07:56:11","slug":"pcc-e-cv-como-atuam-em-bh-as-faccoes-que-viraram-alvo-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/05\/31\/pcc-e-cv-como-atuam-em-bh-as-faccoes-que-viraram-alvo-internacional\/","title":{"rendered":"PCC e CV: como atuam em BH as fac\u00e7\u00f5es que viraram alvo internacional"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>Belo Horizonte &ndash;<\/strong> Minas Gerais consolidou-se como um dos principais corredores estrat&eacute;gicos do crime organizado no Brasil. Localizado entre S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro e as rotas de entrada de drogas pelo Norte do pa&iacute;s, <span>o estado atrai o interesse do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), que buscam expandir influ&ecirc;ncia sobre o tr&aacute;fico de coca&iacute;na, maconha, armas e lavagem de dinheiro<\/span>.<\/p>\n<p>O Comando Vermelho avan&ccedil;a principalmente pela Zona da Mata (Juiz de Fora, Ub&aacute;, Cataguases), Vale do Mucuri (Te&oacute;filo Otoni, com forte alian&ccedil;a com a Fam&iacute;lia Te&oacute;filo Otoni &ndash; FTO) e Leste do estado (Governador Valadares). J&aacute; o PCC mant&eacute;m presen&ccedil;a consolidada no Tri&acirc;ngulo Mineiro (Uberl&acirc;ndia), Sul de Minas e Grande Belo Horizonte, utilizando o sistema prisional como base para organiza&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas.<\/p>\n<blockquote><p>As duas fac&ccedil;&otilde;es brasileiras foram designadas pelos Estados Unidos como organiza&ccedil;&otilde;es terroristas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ambos disputam rotas de suprimento vindas da Amaz&ocirc;nia e fronteiras, gerando alian&ccedil;as e rupturas que reverberam em viol&ecirc;ncia urbana.<\/p>\n<h2>Guerra por territ&oacute;rios em Belo Horizonte<\/h2>\n<p>A ruptura da alian&ccedil;a nacional entre PCC e CV em 2025 acendeu uma guerra aberta por pontos de venda e rotas na capital mineira. O principal palco &eacute; o Aglomerado da Serra, a maior favela de Minas Gerais, na regi&atilde;o Centro-Sul. Ali, CV, PCC e o Terceiro Comando Puro (TCP) disputam o dom&iacute;nio contra grupos locais menores.<\/p>\n<p>Moradores relatam toque de recolher, picha&ccedil;&otilde;es intimidat&oacute;rias, tiroteios frequentes e comunicados de fac&ccedil;&otilde;es impondo regras de circula&ccedil;&atilde;o (vidros abaixados, far&oacute;is baixos).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"mapa do crime em BH\" width=\"1200\" height=\"800\" src><\/p>\n<p>Outros focos quentes incluem a Vila Cemig (Barreiro), Pedreira Prado Lopes (PPL), Maloquinha e Morro das Pedras. Nessas &aacute;reas, as fac&ccedil;&otilde;es imp&otilde;em &ldquo;governan&ccedil;a criminal&rdquo;, controlam o varejo de drogas e executam rivais para expandir territ&oacute;rio.<\/p>\n<p>A Pol&iacute;cia Militar mant&eacute;m ocupa&ccedil;&otilde;es prolongadas no Aglomerado da Serra para conter o avan&ccedil;o, enquanto a Civil intensifica investiga&ccedil;&otilde;es sobre gerentes do tr&aacute;fico.<\/p>\n<div>\n<h4>Leia tamb&eacute;m<\/h4>\n<ul>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<li> \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<h2>Opera&ccedil;&otilde;es policiais com resultados expressivos<\/h2>\n<p>As for&ccedil;as de seguran&ccedil;a mineiras responderam com intensidade. Destaque para:<\/p>\n<p><strong>Opera&ccedil;&atilde;o &Iacute;caro III (maio 2026):<\/strong> Considerada a maior ofensiva contra o CV na Zona da Mata. Cumpriu mais de 200 mandados (60 de pris&atilde;o), bloqueou R$ 8,4 milh&otilde;es em bens e mirou a hierarquia e controle territorial em ao menos cinco bairros de Juiz de Fora (Nova Era, Dom Bosco, Vila Montanhesa, Vista Alegre e Grama). A a&ccedil;&atilde;o envolveu MPMG, PM e PC.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4871208\" aria-describedby=\"caption-attachment-4871208\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Governador Mateus Sim&otilde;es em coletiva\" width=\"1220\" height=\"807\" src><figcaption id=\"caption-attachment-4871208\">Governador, Mateus Sim&otilde;es, e o procurador-geral de Justi&ccedil;a de Minas Gerais, Paulo de Tarso Morais Filho, falaram sobre a opera&ccedil;&atilde;o.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Opera&ccedil;&atilde;o Vulcano II (maio 2026):<\/strong> Combateu o com&eacute;rcio ilegal de armas que abasteciam fac&ccedil;&otilde;es em BH e regi&atilde;o metropolitana. Cumpridos 56 mandados de busca, 11 pris&otilde;es, apreens&atilde;o de 20 armas, 1.400 muni&ccedil;&otilde;es e drogas. A primeira fase j&aacute; havia retirado 33 armas e mais de 7 mil muni&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4871169\" aria-describedby=\"caption-attachment-4871169\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Opera&ccedil;&atilde;o Vulcano II\" width=\"1220\" height=\"806\" src=\"Sejusp\/Divulga%C3%A7%C3%A3o\"><figcaption id=\"caption-attachment-4871169\">Opera&ccedil;&atilde;o Vulcano II: for&ccedil;as de seguran&ccedil;a de Minas reunidas na sede do Minist&eacute;rio p&uacute;blico em Belo Horizonte<\/figcaption><\/figure>\n<p>Opera&ccedil;&otilde;es na Pedreira Prado Lopes e Aglomerado da Serra: A&ccedil;&otilde;es integradas da PM, PC e PF resultaram em dezenas de pris&otilde;es e retirada de drogas e armamentos das m&atilde;os de fac&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A Pol&iacute;cia Federal, por meio das For&ccedil;as Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), atua em Governador Valadares e Leste mineiro, focando contrabando de armas e tr&aacute;fico internacional.<\/p>\n<h2>Comparativo de apreens&otilde;es 2024 x 2025<\/h2>\n<p>Os n&uacute;meros mostram avan&ccedil;o no enfrentamento. De janeiro a novembro de 2025, a PMMG retirou de circula&ccedil;&atilde;o mais de <strong>12 mil armas<\/strong> (crescimento expressivo em rela&ccedil;&atilde;o a 2024). <span>A Pol&iacute;cia Civil concluiu 23,4 mil procedimentos por tr&aacute;fico de drogas, alta de 26,8% comparado a 2024, e incinerou mais de 11,9 toneladas de entorpecentes.<\/span><\/p>\n<p>No geral, crimes violentos recuaram 21,2% no per&iacute;odo, <strong>embora homic&iacute;dios ligados a disputas faccionadas tenham aumentado em periferias de BH<\/strong>.<\/p>\n<p>O governo de Minas Gerais, sob comando do governador Romeu Zema e vice Mateus Sim&otilde;es, criou grupos de trabalho espec&iacute;ficos contra o crime organizado, promoveu ocupa&ccedil;&otilde;es policiais em &aacute;reas de risco, suspendeu parcerias suspeitas e investiu em integra&ccedil;&atilde;o entre PM, PC, PF e MPMG. Sim&otilde;es refor&ccedil;ou: &ldquo;Aqui em Minas, quem manda &eacute; o Estado. Enquanto eu for governador, bandido n&atilde;o imp&otilde;e regra.&rdquo;<\/p>\n<p>Apesar dos avan&ccedil;os, autoridades reconhecem que o desafio permanece grande, exigindo continuidade de a&ccedil;&otilde;es integradas e intelig&ecirc;ncia para evitar que as fac&ccedil;&otilde;es se reestruturem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4871186\" aria-describedby=\"caption-attachment-4871186\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"apreens&atilde;o me maconha\" width=\"1280\" height=\"960\" src><figcaption id=\"caption-attachment-4871186\">Trezentos quilos de maconha foram apreendidos em um caminh&atilde;o na BR-381, em Ipatinga; o motorista, de 29 anos, foi preso. Ele saiu de Uberl&acirc;ndia e seguia para Governador Valadares.<\/figcaption><\/figure>\n<h2>A inclus&atilde;o de PCC e CV na lista de terroristas pelos EUA<\/h2>\n<p>Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado americano, sob o governo Trump,<span> designou PCC e CV como &ldquo;Organiza&ccedil;&otilde;es Terroristas Estrangeiras&rdquo; (FTO), com vig&ecirc;ncia a partir de 5 de junho.<\/span> A medida permite congelamento de ativos nos EUA, proibi&ccedil;&atilde;o de qualquer tipo de apoio material (financeiro, log&iacute;stico ou tecnol&oacute;gico) por americanos ou empresas, e amplia&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o internacional em intelig&ecirc;ncia e investiga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O delegado Andr&eacute; Santos Pereira, especialista em Intelig&ecirc;ncia Policial e Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, analisa os desdobramentos ap&oacute;s recente decis&atilde;o dos Estados Unidos de incluir o PCC e o Comando Vermelho na lista de organiza&ccedil;&otilde;es terroristas.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;Antes, a coopera&ccedil;&atilde;o internacional se dava basicamente entre &oacute;rg&atilde;os policiais. Agora, a partir de 5 de junho, essa rela&ccedil;&atilde;o passa a envolver diretamente a pol&iacute;cia americana, a CIA e at&eacute; o aparato de intelig&ecirc;ncia e militar dos EUA. Isso traz impactos operacionais, econ&ocirc;micos &mdash; com san&ccedil;&otilde;es financeiras &mdash; e pol&iacute;ticos, especialmente num cen&aacute;rio de elei&ccedil;&otilde;es&rdquo;, avalia.<\/p><\/blockquote>\n<p>Consequ&ecirc;ncias pr&aacute;ticas incluem maior dificuldade de lavagem de dinheiro via sistema financeiro internacional, san&ccedil;&otilde;es a facilitadores e potencial compartilhamento mais agressivo de informa&ccedil;&otilde;es. O governador Mateus Sim&otilde;es celebrou a decis&atilde;o: &ldquo;Os EUA reconheceram o &oacute;bvio: PCC e CV s&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es terroristas, n&atilde;o &lsquo;quest&atilde;o social&rsquo;. Em Minas a gente j&aacute; trata o crime organizado como precisa ser: pol&iacute;cia na rua e investimento pesado.&rdquo;<\/p>\n<p>Andr&eacute; Santos Pereira pondera sobre os riscos e benef&iacute;cios da medida americana. Como ponto positivo, ele v&ecirc; a possibilidade de asfixia financeira das fac&ccedil;&otilde;es e pris&atilde;o de membros em territ&oacute;rio norte-americano. No entanto, alerta para os perigos:<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;O ponto negativo &eacute; a abertura para uma interven&ccedil;&atilde;o mais contundente dos EUA, que, em um mundo globalizado, pode gerar impactos econ&ocirc;micos diretos no Brasil. Se n&atilde;o for feito com precis&atilde;o, pode atingir empresas e institui&ccedil;&otilde;es brasileiras n&atilde;o ligadas &agrave;s fac&ccedil;&otilde;es, gerando preju&iacute;zos&rdquo;, adverte o diretor de Estudos da ADEPOL-BR.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por fim, o delegado faz um alerta sobre o contexto brasileiro e afirma que ainda &eacute; muito cedo para tirar conclus&otilde;es. &ldquo;N&oacute;s estamos, em certa medida, <strong>dentro de uma caverna<\/strong>, vendo apenas as sombras do aspecto pol&iacute;tico. A polariza&ccedil;&atilde;o impede que o brasileiro comum enxergue o verdadeiro jogo por tr&aacute;s dessas decis&otilde;es. &Eacute; fundamental trazer o debate para a raz&atilde;o, porque as repercuss&otilde;es dessas medidas v&atilde;o impactar diretamente a vida de todos n&oacute;s nos pr&oacute;ximos quatro anos&rdquo;, conclui Andr&eacute; Santos Pereira.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belo Horizonte &ndash; Minas Gerais consolidou-se como um dos principais corredores estrat&eacute;gicos do crime organizado no Brasil. 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