{"id":69221,"date":"2022-04-01T17:44:38","date_gmt":"2022-04-01T20:44:38","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/domestica-em-situacao-de-trabalho-escravo-ha-40-anos-e-resgatada-no-sudoeste-da-bahia\/"},"modified":"2022-04-01T17:44:38","modified_gmt":"2022-04-01T20:44:38","slug":"domestica-em-situacao-de-trabalho-escravo-ha-40-anos-e-resgatada-no-sudoeste-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/01\/domestica-em-situacao-de-trabalho-escravo-ha-40-anos-e-resgatada-no-sudoeste-da-bahia\/","title":{"rendered":"Dom\u00e9stica em situa\u00e7\u00e3o de trabalho escravo h\u00e1 40 anos \u00e9 resgatada no sudoeste da Bahia"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/04\/01\/csm_15042020PN2137_f6a2ee2eac.jpeg\" alt=\"\" width=\"940\" height=\"585\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma mulher de 52 anos foi resgatada esta semana no munic\u00edpio de Vit\u00f3ria da Conquista, no sudoeste baiano, depois de permanecer por quatro d\u00e9cadas submetida a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 de escravo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A opera\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Estadual de Combate ao Trabalho Escravo da Bahia (Coetrae-BA) teve participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), de auditores-fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia Social, da Secretaria de Justi\u00e7a, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), da Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) e da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF). A v\u00edtima, identificada apenas pelas iniciais M. S. S., foi retirada do local de trabalho, encaminhada para a resid\u00eancia de seus familiares e um acordo com a empregadora ir\u00e1 garantir o pagamento de verbas rescis\u00f3rias e de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Esse \u00e9 um daqueles casos cl\u00e1ssicos de empregada dom\u00e9stica levada ainda crian\u00e7a para a casa do empregador e que nunca recebia sal\u00e1rio sob o argumento de que seria da fam\u00edlia. Essa \u00e9 uma realidade que infelizmente vemos se repetir, mas que os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o buscando combater???, afirmou a procuradora Manuella Gedeon, coordenadora de combate ao trabalho escravo do MPT na Bahia. Ela informa que, ap\u00f3s o resgate, prop\u00f4s um acordo para a empregadora de forma a evitar uma a\u00e7\u00e3o judicial, que seria prejudicial para ambas as partes, principalmente para a v\u00edtima. Pelo termo de ajuste de conduta (TAC) assinado nesta sexta-feira (1\u00ba\/04), a patroa, que que n\u00e3o teve o nome revelado para evitar a identifica\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, se compromete a pagar as verbas rescis\u00f3rias e a indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral no total de R$150 mil, em 50 parcelas mensais.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O TAC tamb\u00e9m d\u00e1 conta de outra ilegalidade identificada pela equipe de fiscaliza\u00e7\u00e3o, que foi a apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, pela patroa, de um benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada (BPC) obtido pela v\u00edtima depois de ser diagnosticada com um tumor cerebral h\u00e1 alguns anos. Ap\u00f3s a concess\u00e3o do BPC pela Previd\u00eancia Social, a empregadora convenceu a v\u00edtima a aplicar o dinheiro na compra parcelada de um terreno no bairro Lagoa das Flores, em Vit\u00f3ria da Conquista, mas o im\u00f3vel n\u00e3o estaria registrado em nome dela, e sim da empregadora. No TAC, Creuza tamb\u00e9m se compromete a transferir a propriedade do im\u00f3vel para M. S. S.. Com o acordo assinado, ela poder\u00e1 viver no munic\u00edpio de Itacar\u00e9, no sul do estado, onde reside seu pai, cantando com a renda mensal das presta\u00e7\u00f5es da rescis\u00e3o de contrato, e o benef\u00edcio previdenci\u00e1rio ou aposentadoria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Eu j\u00e1 participei de diversas opera\u00e7\u00f5es de resgate de trabalho dom\u00e9stico e muitas vezes a mesma justificativa de que pegou para criar de que \u00e9 filha de cria\u00e7\u00e3o, mas este caso foi estarrecedor, e quando a gente vai ver, os filhos formados enquanto ela nem terminou a quarta s\u00e9rie. E o pior: neste atual est\u00e1gio da pandemia, ela n\u00e3o tinha tomado nenhuma dose da vacina. E eu me pergunto que m\u00e3e deixa um filho sem vacina???, avaliou o defensor p\u00fablico Ricardo Luiz Wanderley da Fonseca. A opera\u00e7\u00e3o contou ainda com a participa\u00e7\u00e3o dos auditores-fiscais do trabalho Jos\u00e9 Wanderley Nery e Fl\u00e1via de Almeida Maia e do servidor da SJDHDS Admar J\u00fanior, al\u00e9m de uma equipe d PRF.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A quest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio tem sido objeto de cautela por parte da equipe multiintitucional que atua no caso. Com a formaliza\u00e7\u00e3o do acordo e o reconhecimento do v\u00ednculo empregat\u00edcio, a v\u00edtima dever\u00e1 perder o direito a receber o BPC. Por isso, a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o dever\u00e1 representar M. S. S. para a obten\u00e7\u00e3o de aposentadoria por invalidez permanente em raz\u00e3o do tumor cerebral diagnosticado h\u00e1 alguns anos. O suporte \u00e0 v\u00edtima est\u00e1 sendo coordenado pela Secretaria da Justi\u00e7a, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do estado, que conduziu ela at\u00e9 a resid\u00eancia de seu pai e monitora sua situa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Entenda o caso<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A a\u00e7\u00e3o fiscal foi motivada por uma den\u00fancia que chegou \u00e0 unidade do MPT em Vit\u00f3ria da Conquista no ano passado. Antes de ir at\u00e9 a pens\u00e3o para estudantes onde M. S. S. trabalhava, foi necess\u00e1rio fazer uma s\u00e9rie de investiga\u00e7\u00f5es preliminares, mas ao chegar ao local o teor das den\u00fancias foi confirmado. Ao ser ouvida pelos auditores-fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia Social, a v\u00edtima contou que come\u00e7ou a trabalhar para Creuza quando tinha apenas 12 anos. Na \u00e9poca, ela morava numa fazenda em Ubaitaba, no sul baiano, e o pai concordou em deixar a filha seguir com a empregadora para Itabuna, onde ela residia naquela \u00e9poca. Nos primeiros anos, M. S. S. ainda tinha contato com o pai, que a visitou algumas vezes, mas com a mudan\u00e7a da patroa para o munic\u00edpio de Vit\u00f3ria da Conquista esse contato se rompeu.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Somente em 2019, mais de 30 anos depois de ter visto o pai pela \u00faltima vez, M. S. S. reatou o contato com sua fam\u00edlia. Ela j\u00e1 se sentia em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravos. Contou aos integrantes da for\u00e7a-tarefa que viu em um programa de televis\u00e3o a not\u00edcia do resgate de uma empregada dom\u00e9stica como ela que permaneceu por d\u00e9cadas na casa da patroa e que tamb\u00e9m teve benef\u00edcios previdenci\u00e1rios usurpados pelo empregador. A partir de ent\u00e3o, passou a alimentar a esperan\u00e7a de ser resgatada da situa\u00e7\u00e3o que vivia. Mas o caso s\u00f3 chegou ao conhecimento das autoridades por causa de uma den\u00fancia encaminhada por um delegado da Pol\u00edcia Federal, que fez a comunica\u00e7\u00e3o ao MPT.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma mulher de 52 anos foi resgatada esta semana no munic\u00edpio de Vit\u00f3ria da Conquista, no sudoeste baiano, depois de permanecer por quatro d\u00e9cadas\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":69222,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-69221","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69221"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69221\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}