{"id":694359,"date":"2026-06-10T01:20:00","date_gmt":"2026-06-10T04:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/06\/10\/astronomos-descobrem-ventos-de-buraco-negro-rapidos-como-forte-furacao\/"},"modified":"2026-06-10T01:20:00","modified_gmt":"2026-06-10T04:20:00","slug":"astronomos-descobrem-ventos-de-buraco-negro-rapidos-como-forte-furacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/06\/10\/astronomos-descobrem-ventos-de-buraco-negro-rapidos-como-forte-furacao\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos descobrem ventos de buraco negro r\u00e1pidos como forte furac\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Astr&ocirc;nomos identificaram um <strong>quasar distante<\/strong> &mdash; ou n&uacute;cleo ativo de uma gal&aacute;xia &mdash; alimentado por um buraco negro supermassivo que lan&ccedil;a ventos em uma velocidade recorde de <strong>30%<\/strong> da velocidade da luz, o equivalente a cerca de <strong>323 milh&otilde;es km\/h<\/strong>. Segundo os pesquisadores, trata-se do vento de buraco negro <strong>mais r&aacute;pido<\/strong> j&aacute; observado especificamente em comprimentos de onda ultravioleta.<\/p>\n<p>O objeto, chamado <strong>J2318<\/strong>, abriga um buraco negro com massa estimada em <strong>1,7 bilh&atilde;o de vezes<\/strong> a massa do Sol e est&aacute; localizado a cerca de <strong>tr&ecirc;s bilh&otilde;es de anos-luz<\/strong> da Terra. Embora essa seja uma massa considerada bastante t&iacute;pica para um buraco negro supermassivo, a velocidade dos ventos observados est&aacute; longe de ser comum, afirmou <strong>Patrick Hall<\/strong>, pesquisador da Universidade de York (Canad&aacute;) e integrante da equipe.<\/p>\n<p>&ldquo;Em termos de velocidade, o vento deste quasar poderia ser chamado de um furac&atilde;o categoria <strong>79<\/strong>&rdquo;, disse <strong>Lucas Seaton<\/strong>, l&iacute;der do estudo e pesquisador da Universidade de York, em comunicado. &ldquo;Cada categoria de furac&atilde;o &eacute; cerca de <strong>20%<\/strong> mais r&aacute;pida do que a categoria abaixo. Chamar isso de categoria 79 d&aacute; uma ideia de qu&atilde;o r&aacute;pido ele &eacute;, mas, &eacute; claro, esse vento &eacute; <strong>diferente de tudo o que existe na Terra<\/strong>.&rdquo;<\/p>\n<p>A origem desses ventos est&aacute; no <strong>comportamento<\/strong> dos quasares. As gal&aacute;xias grandes s&atilde;o consideradas lar de um buraco negro supermassivo em seus centros, com massas de milh&otilde;es ou at&eacute; bilh&otilde;es de vezes a do Sol.<\/p>\n<p>Mas nem todos esses gigantes c&oacute;smicos alimentam quasares ou emitem ventos t&atilde;o potentes. Os quasares surgem quando esses buracos negros centrais s&atilde;o cercados por enormes quantidades de g&aacute;s e poeira, chamadas de <strong>discos de acre&ccedil;&atilde;o<\/strong>, que os alimentam gradualmente.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O que &eacute; um buraco negro?<\/li>\n<li>Buracos negros est&atilde;o por tr&aacute;s de tecnologias essenciais do mundo moderno<\/li>\n<li>Buracos negros: nova t&eacute;cnica permite imagens coloridas e mais frequentes<\/li>\n<\/ul>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"970\" height=\"546\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/quasar_2.png\" alt=\"Ilustra&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de um quasar\"><figcaption>Representa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de um quasar: o ponto preto no centro representa o buraco negro supermassivo no n&uacute;cleo do quasar; a espiral vermelha e amarela que o circunda mostra o disco de g&aacute;s quente caindo no buraco negro; parte desse g&aacute;s &eacute; ejetada como o vento do quasar, representado em azul claro; o tamanho do disco mostrado &eacute; compar&aacute;vel ao tamanho do nosso Sistema Solar &ndash; Imagem: NASA\/CXC\/M. Weiss, Nahks Tr&#8217;Ehnl, Nurten Filiz Ak<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 id=\"h-ventos-de-buraco-negro\">&ldquo;Ventos&rdquo; de buraco negro?<\/h2>\n<ul>\n<li>Como essas massas colossais geram for&ccedil;as gravitacionais intensas, os discos de acre&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m sofrem fortes for&ccedil;as de mar&eacute;, que produzem atrito e fazem o sistema brilhar intensamente em todo o espectro eletromagn&eacute;tico. Essa radia&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m empurra mat&eacute;ria para longe dos discos, sob a forma de intensos &ldquo;ventos&rdquo; de buraco negro.<\/li>\n<li>&ldquo;Nos quasares, muitas vezes vemos ventos de g&aacute;s empurrados para longe do buraco negro pela luz do quasar&rdquo;, disse Seaton. &ldquo;O vento em J2318 pode ser visto em comprimentos de onda <strong>ultravioleta<\/strong>, com velocidades de at&eacute; <strong>30%<\/strong> da velocidade da luz. Ventos ainda mais r&aacute;pidos podem ser vistos em comprimentos de onda de <strong>raios X<\/strong>, mas J2318 &eacute; o mais r&aacute;pido j&aacute; descoberto em comprimentos de onda ultravioleta&rdquo;;<\/li>\n<li>A principal diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos ventos terrestres est&aacute; no fato de que os ventos de buracos negros s&atilde;o impulsionados pela <strong>radia&ccedil;&atilde;o<\/strong>, por part&iacute;culas de luz chamadas <strong>f&oacute;tons<\/strong> que <strong>colidem<\/strong> com os <strong>&aacute;tomos<\/strong>, e n&atilde;o pela press&atilde;o do ar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&ldquo;Os quasares emitem tantos f&oacute;tons que esses pequenos impulsos se somam e geram velocidades extremas&rdquo;, disse Seaton. &ldquo;O problema &eacute; que os f&oacute;tons tamb&eacute;m podem remover todos os el&eacute;trons dos &aacute;tomos, tornando-os <strong>invis&iacute;veis<\/strong>. Como empurrar o g&aacute;s at&eacute; as velocidades que vemos enquanto mantemos intactos os &iacute;ons de carbono e sil&iacute;cio que observamos&hellip; &eacute; um verdadeiro quebra-cabe&ccedil;a!&rdquo;<\/p>\n<p>Para tentar resolver essa quest&atilde;o, a equipe recorreu a dados observacionais do <strong>SDSS-IV Time-Domain Spectroscopic Survey<\/strong> e do <strong>SDSS-V Black Hole Mapper<\/strong>, ambos parte do <strong>Sloan Digital Sky Survey (SDSS)<\/strong>.<\/p>\n<p>Seaton explicou que o sistema funciona como um <strong>prisma<\/strong>: &ldquo;Assim como um arco-&iacute;ris espalha a luz do Sol em diferentes comprimentos de onda, cores, o SDSS espalha a luz de certas estrelas, gal&aacute;xias e quasares no que chamamos de seus espectros. A partir desses espectros, com pr&aacute;tica, os estudantes aprendem a identificar quasares incomuns.&rdquo;<\/p>\n<p>Esses espectros detalhados de J2318 revelaram os ventos em alta velocidade do quasar no ultravioleta. O estudo de ventos de buracos negros como esse &eacute; considerado importante para entender como as gal&aacute;xias evoluem, j&aacute; que esses ventos s&atilde;o a forma como buracos negros supermassivos trocam energia com suas gal&aacute;xias hospedeiras. Em especial, essa energia pode expulsar g&aacute;s e poeira, mat&eacute;ria-prima para a forma&ccedil;&atilde;o de estrelas, sufocando o nascimento estelar nas gal&aacute;xias.<\/p>\n<p>&ldquo;Esses fluxos extremos carregam quantidades incr&iacute;veis de energia que podem afetar as gal&aacute;xias ao redor. Eles funcionam como uma esp&eacute;cie de elo perdido: o feedback elusivo entre a regi&atilde;o central ativa de uma gal&aacute;xia e o restante da gal&aacute;xia&rdquo;, disse <strong>Paola Rodr&iacute;guez Hidalgo<\/strong>, professora associada da Universidade de Washington em Bothell.<\/p>\n<p>&ldquo;Embora esse processo tenha sido inclu&iacute;do em simula&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de gal&aacute;xias por d&eacute;cadas, ainda h&aacute; muito trabalho a ser feito para entend&ecirc;-lo por meio de observa&ccedil;&otilde;es e garantir que as simula&ccedil;&otilde;es o tratem corretamente.&rdquo;<\/p>\n<p>A equipe e outros astr&ocirc;nomos devem continuar buscando ventos de buracos negros de alta velocidade na radia&ccedil;&atilde;o ultravioleta, mas <strong>n&atilde;o est&atilde;o confiantes<\/strong> de que encontrar&atilde;o algo t&atilde;o r&aacute;pido quanto o de J2318.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil encontrar um outflow ultravioleta mais r&aacute;pido do que o de J2318, mas estamos continuando essa busca do Universo pr&oacute;ximo at&eacute; os confins mais distantes do Universo que podemos ver&rdquo;, concluiu Flores.<\/p>\n<p>A pesquisa da equipe foi publicada na quinta-feira (4) no <em>The Astrophysical Journal<\/em>.<\/p>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mozelli-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" alt=\"Rodrigo Mozelli\" loading=\"lazy\"><\/p>\n<div>\n<p>Rodrigo Mozelli<\/p>\n<p>Rodrigo Mozelli &eacute; jornalista formado pela Universidade Metodista de S&atilde;o Paulo (UMESP) e, atualmente, &eacute; redator do Olhar Digital.<\/p>\n<p>Ver todos os artigos &rarr;  \t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr&ocirc;nomos identificaram um quasar distante &mdash; ou n&uacute;cleo ativo de uma gal&aacute;xia &mdash; alimentado por um buraco negro supermassivo que lan&ccedil;a ventos em uma\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-694359","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/694359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=694359"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/694359\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=694359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=694359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=694359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}