{"id":69580,"date":"2022-04-02T07:37:05","date_gmt":"2022-04-02T10:37:05","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/mais-informacao-faz-com-que-adultos-descubram-que-vivem-com-autismo\/"},"modified":"2022-04-02T07:37:05","modified_gmt":"2022-04-02T10:37:05","slug":"mais-informacao-faz-com-que-adultos-descubram-que-vivem-com-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/02\/mais-informacao-faz-com-que-adultos-descubram-que-vivem-com-autismo\/","title":{"rendered":"Mais informa\u00e7\u00e3o faz com que adultos descubram que vivem com autismo"},"content":{"rendered":"<p>???Era bom estar sozinha. Era um ambiente novo e a ideia de conhecer as pessoas me apavorava. Isolar-me no sil\u00eancio e sem contato social era confort\u00e1vel???, escreveu a atriz e educadora Fabr\u00edcia Eliane no conjunto de textos que chama de minimem\u00f3rias at\u00edpicas. Os trabalhos refletem sobre como foi viver 37 anos sem saber que tinha um grau leve do transtorno autista. Ela s\u00f3 foi diagnosticada no processo de buscar tratamento para as dificuldades do filho, h\u00e1 pouco mais de dois anos.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1451936&#038;o=rss\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1451936&#038;o=rss\"\/><\/p>\n<p>No Dia Mundial de Conscientiza\u00e7\u00e3o do Autismo, celebrado hoje (2), a educadora revela\u00a0que sempre percebeu peculiaridades em Arthur, que \u00e0 \u00e9poca do diagn\u00f3stico tinha 9 anos de idade. Por\u00e9m, foram os problemas dele em\u00a0acompanhar o ritmo da escola que levaram a fam\u00edlia a buscar um apoio mais consistente para lidar com esses obst\u00e1culos. ???Ele foi crescendo\u00a0e, na escola, tinha dificuldades com a alfabetiza\u00e7\u00e3o. Uma dificuldade muito grande de fazer as tarefas???, diz.<\/p>\n<p>Muito antes disso, ela j\u00e1 havia percebido que o menino n\u00e3o lidava bem com determinadas situa\u00e7\u00f5es cotidianas. Desde que ele era beb\u00ea, eu percebia que provavelmente deveria\u00a0ter\u00a0d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, porque era dif\u00edcil amamentar, qualquer som externo e ele se distraia muito???, lembra.<\/p>\n<h2>Mais informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel<\/h2>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o do transtorno foi um choque para Fabr\u00edcia. ???Como eu, m\u00e3e super atenta, educadora, n\u00e3o percebi????, se questionava. ???Depois de passar esse per\u00edodo de me culpar, eu fui estudar para entender como poderia contribuir melhor???, conta. O aprofundamento da pesquisa levou a educadora a perceber em si mesma muitos dos sinais indicativos do autismo.<\/p>\n<p>Segundo o neurologista da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia do Hospital Albert Einstein, Erasmo Barbante Casella, muitas pessoas enquadradas no espectro leve do autismo,\u00a0hoje, adultos na faixa de 25 ou 30 anos, n\u00e3o foram diagnosticados quando crian\u00e7as. ???Nesse per\u00edodo, os m\u00e9dicos n\u00e3o tinham uma forma\u00e7\u00e3o na faculdade, na resid\u00eancia, sobre o que \u00e9 o autismo. Havia uma dificuldade de identificar casos mais leves???, ressalta. Segundo ele, as informa\u00e7\u00f5es sobre o tema passaram a ser muito mais difundidas nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n<p>O autismo \u00e9 um transtorno do neurodesenvolvimento que pode causar dificuldade\u00a0na comunica\u00e7\u00e3o falada e n\u00e3o verbal, al\u00e9m de afetar a sociabilidade.<\/p>\n<p>Mesmo atualmente, de acordo com Casella, nem sempre o diagn\u00f3stico \u00e9 f\u00e1cil e algumas fam\u00edlias, \u00e0s vezes, resistem a aceitar a condi\u00e7\u00e3o. ???A gente, como pai, \u00e0s vezes, tem uma nega\u00e7\u00e3o, tem medo de ouvir. Voc\u00ea come\u00e7a a suspeitar, as pessoas ficam cheias de dedos para falar???, diz. Ele conta que \u00e9 comum que a fam\u00edlia relate a suspeita ao final de uma consulta motivada por outras raz\u00f5es, ???quando todo mundo j\u00e1 est\u00e1 de p\u00e9???.<\/p>\n<h2>Conflitos<\/h2>\n<p>Fabr\u00edcia acredita que, al\u00e9m da falta de informa\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos, quando era mais jovem, o comportamento mais retra\u00eddo devido ao autismo acabava atendendo algumas expectativas sociais. ???Quando voc\u00ea \u00e9 mulher, o fato de voc\u00ea ser mais reservada, mais t\u00edmida, s\u00e3o consideradas como qualidades. Ent\u00e3o, passa muitas vezes batido, voc\u00ea tenta mascarar\u00a0tudo que voc\u00ea sofre, tudo que voc\u00ea sente???, reflete.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, por n\u00e3o ser entendida\u00a0como uma situa\u00e7\u00e3o mais complexa, para al\u00e9m de um tra\u00e7o de personalidade, Fabr\u00edcia diz que tamb\u00e9m enfrentou conflitos. Foi dif\u00edcil fazer amigos no per\u00edodo de escola e faculdade, e existiam diverg\u00eancias at\u00e9 dentro do relacionamento com o companheiro. ???Ele queria ir para barzinhos, sair \u00e0 noite. Eu me sentia super desconfort\u00e1vel. Eu tive muitas brigas por conta dessa quest\u00e3o???, relata.<\/p>\n<p>Ela explica que o barulho e a intera\u00e7\u00e3o social causam ansiedade e um profundo desgaste. ???Quando eu fico muito tempo com outras pessoas, tendo que fazer social, acaba sendo muito desgastante. Se voc\u00ea fica muitas horas, \u00e9 como te tirasse da tomada. ??s vezes d\u00e1 dor de cabe\u00e7a, enjoo???, detalha.<\/p>\n<p>Se tivesse sabido mais cedo da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o, Fabr\u00edcia acredita que poderia\u00a0ter\u00a0tomado decis\u00f5es melhores sobre como conduzir a vida pessoal e profissional. ???Se eu tivesse tido esse diagn\u00f3stico precoce talvez eu tivesse conseguido fazer esse direcionamento das escolhas mais direcionado \u00e0s minhas potencialidades???, diz.<\/p>\n<p>Como exemplo, ela reflete sobre a profiss\u00e3o de professora. ???Embora tenha v\u00e1rias coisas que eu ame no meu trabalho com crian\u00e7as, tem outras que me agridem tanto que me impedem que eu possa trabalhar. ?? frustrante???, desabafa.<\/p>\n<h2>Diagn\u00f3stico precoce<\/h2>\n<p>Erasmo Casella explica que, quando o transtorno \u00e9 identificado ainda na inf\u00e2ncia, \u00e9 poss\u00edvel trabalhar diversas formas de est\u00edmulos para contornar as dificuldades enfrentadas pelas crian\u00e7as. ???Algumas melhoram e s\u00e3o bem funcionais. A qualidade de vida das crian\u00e7as que s\u00e3o tratadas adequadamente \u00e9 completamente diferente???, ressalta.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o do autismo pode ser feita, segundo o m\u00e9dico, por profissionais como o neurologista infantil, o psiquiatra infantil e o pediatra do desenvolvimento. O acompanhamento multidisciplinar pode envolver terapia motivacional e fonoaudiologia.<\/p>\n<p>A complexidade do autismo acaba dificultando, de acordo com Casella, o diagn\u00f3stico e tratamento do transtorno. ???N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque \u00e9 tudo muito caro. Um profissional consegue atender poucos casos. Teria que ser montado servi\u00e7os de atendimento para crian\u00e7as com autismo e com uma equipe multiprofissional???, opina.<\/p>\n<p>Saber da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o levou Fabr\u00edcia a trabalhar o tema de diversas formas, entre elas um espet\u00e1culo solo de palha\u00e7aria em que traz as dificuldades que enfrentou em diversos momentos da vida. ???Estar em cena \u00e9 o momento que eu me sinto podendo ser eu mesma. Tem uma m\u00e1scara que me protege, mas revela muita coisa???, diz.<\/p>\n<p>No palco, aparecem caracter\u00edsticas que marcaram sua vida e a rela\u00e7\u00e3o com as outras pessoas. Uma delas, que divide com o filho, \u00e9 a dificuldade para entender piadas. Ali, surgem ainda as pequenas confus\u00f5es com a direita e a esquerda e outros detalhes que n\u00e3o costumavam passar desapercebidos por quem convivia com ela. ???Estudei palha\u00e7aria durante muitos anos, Na palha\u00e7aria voc\u00ea acaba revelando do que voc\u00ea \u00e9, sem for\u00e7ar o riso nos outros???, diz.<\/p>\n<p>Enquanto lida com as pr\u00f3prias quest\u00f5es, Fabr\u00edcia tamb\u00e9m ajuda Arthur,\u00a0hoje\u00a0com 12 anos, com as dificuldades do autismo na pr\u00e9-adolesc\u00eancia. ???Ele me pergunta todo o tempo o que tem que ser feito &#8211; ???Hoje\u00a0eu lavo o cabelo ou n\u00e3o lavo??????, exemplifica. Devagar, ela tenta guiar para que ele mesmo encontre a resposta. ???Voc\u00ea lavou\u00a0ontem? Como est\u00e1 o clima\u00a0hoje, est\u00e1 \u00famido????, diz sobe como tenta incentivar as reflex\u00f5es do menino. ???Eu trabalho o m\u00e1ximo que de para que ele tenha autonomia???.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>???Era bom estar sozinha. Era um ambiente novo e a ideia de conhecer as pessoas me apavorava. 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