{"id":70043,"date":"2022-04-02T19:39:05","date_gmt":"2022-04-02T22:39:05","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/cozinheira-negra-e-agredida-com-joelhadas-em-predio-em-sp\/"},"modified":"2022-04-02T19:39:05","modified_gmt":"2022-04-02T22:39:05","slug":"cozinheira-negra-e-agredida-com-joelhadas-em-predio-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/02\/cozinheira-negra-e-agredida-com-joelhadas-em-predio-em-sp\/","title":{"rendered":"Cozinheira negra \u00e9 agredida com joelhadas em pr\u00e9dio em SP"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/04\/02\/saopaulo_racismo.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Hoje aos 42 anos, Eliane Aparecida de Paula se lembra de ter descoberto o que era sofrer racismo ainda na inf\u00e2ncia, em palavras, gestos e olhares. O preconceito levou a cozinheira a estar sempre alerta. Em um pr\u00e9dio nos Jardins, no centro expandido da cidade de S\u00e3o Paulo, ela foi agredida enquanto esperava um carro por aplicativo ap\u00f3s sair de um trabalho e afirma ter sido v\u00edtima de insultos racistas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">?? reportagem, Eliane conta ter procurado dialogar com a mulher que teria feito as ofensas em um condom\u00ednio na Rua Oscar Freire. Imagens de uma c\u00e2mera de seguran\u00e7a interna mostram que uma mulher &#8211; apontada pela defesa da cozinheira como moradora &#8211; aborda Eliane, que estava sentada em um banco, e comete agress\u00f5es com joelhadas, pux\u00f5es de cabelo e batidas de cabe\u00e7a contra a parede.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A situa\u00e7\u00e3o foi registrada como inj\u00faria racial e les\u00e3o corporal no 78\u00ba DP (Jardins) em outubro passado. Na \u00faltima quinta-feira, 31, Eliane fez uma representa\u00e7\u00e3o na pol\u00edcia, o que \u00e9 necess\u00e1rio em casos de crime de a\u00e7\u00e3o condicionada, ap\u00f3s obter o v\u00eddeo das agress\u00f5es por meio de ordem judicial.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP), um inqu\u00e9rito foi instaurado no mesmo dia para a apura\u00e7\u00e3o do caso, realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias e an\u00e1lise das imagens, a fim de &#8220;esclarecer todas as circunst\u00e2ncias do fato&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Reveladas no Jornal Nacional de sexta-feira, 1\u00ba, as agress\u00f5es ocorreram por volta das 17h30 de 22 de outubro de 2021, por\u00e9m as imagens foram cedidas pelo condom\u00ednio apenas ap\u00f3s determina\u00e7\u00e3o judicial no fim de mar\u00e7o. No v\u00eddeo, Eliane se senta em um banco pr\u00f3ximo da sa\u00edda do edif\u00edcio durante aproximadamente 3 minutos at\u00e9 que \u00e9 abordada pela suposta moradora, que fala e gesticula por cerca de um minuto.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Depois, a mulher se afasta em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta. Eliane se aproxima e \u00e9 empurrada. Elas trocam palavras e, em determinados momentos, a suposta moradora novamente gesticula e grita. Ap\u00f3s ser impedida de sair, puxa os cabelos da cozinheira, que \u00e9 encurralada, leva cerca de oito joelhadas e tem a cabe\u00e7a batida contra a parede.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Neste momento, o porteiro chega ao local e consegue parar a agress\u00e3o, sendo tamb\u00e9m atingido pela mulher. Eliane retorna, ent\u00e3o, ao banco em que aguardava o carro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">?? reportagem, a cozinheira contou ter tentado dialogar com a mulher. &#8220;Ela dizia &#8216;que negra esquisita'&#8221;, comenta. &#8220;Tentei ignorar no primeiro momento, fazer que n\u00e3o era comigo&#8221;, recorda-se. &#8220;Tentei explicar para ela, conscientizar do ato que estava fazendo&#8221;, continua. &#8220;Perguntava o que eu estava fazendo ali, para quem eu trabalhava, e mesmo assim eu tentava conscientizar. E ela continuava.&#8221;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Eliane disse \u00e0 suposta moradora que aquela postura era racista. A agressora, conforme a vers\u00e3o da cozinheira, teria respondido ter amigas negras e insinuado que Eliane queria &#8220;causar&#8221; e conseguir dinheiro. &#8220;Foi muito forte tudo o que ela falou&#8221;, conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ap\u00f3s ser empurrada, Eliane decidiu impedir que a agressora deixasse o local, a fim de aguardar a chegada da pol\u00edcia. &#8220;Falo que ela cometeu crimes, o do racismo, por ter falado coisas horrorosas, que iria acionar a pol\u00edcia. Falo firme que ela vai ser presa, que vou chamar a pol\u00edcia.&#8221; Segundo ela, a suposta moradora dizia que uma queixa na pol\u00edcia &#8220;n\u00e3o daria em nada&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em locais que est\u00e1 pela primeira vez, Eliane costuma at\u00e9 mesmo pedir para que o cliente a encontre na portaria para evitar algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o imaginava que passaria por situa\u00e7\u00e3o dessas no edif\u00edcio da Oscar Freire, no qual mant\u00e9m um cliente h\u00e1 cerca de seis anos. Naquele dia, decidiu esperar o carro dentro do condom\u00ednio por causa de relatos de furtos e roubos no entorno.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Desde crian\u00e7a, a gente sofre. Os primeiros, a gente n\u00e3o sabe o que \u00e9, porque n\u00e3o sabe o que \u00e9 racismo. Com livros, informa\u00e7\u00f5es, passa a entender e perceber os olhares, o comportamento das pessoas, a perceber o racismo em lojas. S\u00e3o in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es. Pelo menos uma vez por semana tem uma situa\u00e7\u00e3o&#8221;, conta. &#8220;Lamentavelmente, faz parte do cotidiano (da pessoa negra)&#8221;, afirma. &#8220;Agora, no n\u00edvel dessa situa\u00e7\u00e3o que vivi (no edif\u00edcio da Oscar Freire), jamais imaginei viver.&#8221;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mesmo no caso mais grave que sofreu, diz que algumas pessoas duvidaram da situa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 trataram o caso como &#8220;vitimismo&#8221;. &#8220;Sou uma pessoa muito guerreira, trabalho muito. Perdi um filho em um acidente de tr\u00e2nsito h\u00e1 um ano e quatro meses. Eu n\u00e3o estava para buscar agress\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Agora, espera que a &#8220;justi\u00e7a seja feita&#8221;. &#8220;Que uma sociedade como a nossa possa entender que racismo \u00e9 crime, que minha cor n\u00e3o me diferencia de ningu\u00e9m&#8221;, comenta. &#8220;Queria que ela (a agressora) entendesse que isso me fez muito mal, que faz mal para as pessoas.&#8221;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ela conta que at\u00e9 evitou falar da situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Quando decidi falar, decidi pelos outros, n\u00e3o por mim. Minha dor \u00e9 grande, estava me fazendo mal ficar calada&#8221;, relata. At\u00e9 o momento, diz n\u00e3o ter conseguido ver as imagens daquele dia: &#8220;N\u00e3o tive condi\u00e7\u00f5es de assistir tudo. Vem tudo na minha cabe\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Advogado de Eliane no caso, Theodoro Balducci argumenta que o v\u00eddeo prova a ocorr\u00eancia dos crimes. &#8220;Est\u00e1 muito claro. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma d\u00favida. E n\u00e3o foi um simples tapa, um chute, foram v\u00e1rias joelhadas, cabe\u00e7adas na parede, houve um empurr\u00e3o. Temos um contexto muito forte.&#8221; Ele comenta que a les\u00e3o corporal pode ter pena de tr\u00eas meses a um ano, enquanto a inj\u00faria racial de um a tr\u00eas anos de reclus\u00e3o, al\u00e9m da multa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com a suposta moradora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje aos 42 anos, Eliane Aparecida de Paula se lembra de ter descoberto o que era sofrer racismo ainda na inf\u00e2ncia, em palavras, gestos\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":70044,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-70043","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70043\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}