{"id":703181,"date":"2026-06-29T03:38:48","date_gmt":"2026-06-29T06:38:48","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/06\/29\/feminicidios-crescem-em-mg-e-2026-pode-bater-recorde\/"},"modified":"2026-06-29T03:39:39","modified_gmt":"2026-06-29T06:39:39","slug":"feminicidios-crescem-em-mg-e-2026-pode-bater-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/06\/29\/feminicidios-crescem-em-mg-e-2026-pode-bater-recorde\/","title":{"rendered":"Feminic\u00eddios crescem em MG e 2026 pode bater recorde"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minas Gerais pode registrar, em 2026, o maior n\u00famero hist\u00f3rico de feminic\u00eddios tentados e consumados desde 2019, caso a tend\u00eancia se confirme. At\u00e9 maio, o estado j\u00e1 soma 148 v\u00edtimas neste ano, com fevereiro registrando 23 feminic\u00eddios consumados \u2014 o maior para o m\u00eas desde o in\u00edcio da s\u00e9rie. O conjunto de dados aponta Belo Horizonte como o maior registro e alerta para falhas na prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 2019 e 2026, o estado registrou 2.725 v\u00edtimas de feminic\u00eddio, somando casos consumados e tentados. Belo Horizonte lidera com 347 registros, seguido pela Regi\u00e3o Metropolitana, onde cidades como Betim e Contagem aparecem com n\u00fameros expressivos de ocorr\u00eancias consumadas. No interior, Uberl\u00e2ndia se destaca, assumindo posi\u00e7\u00e3o de destaque na s\u00e9rie 2024\u20132026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma caracter\u00edstica marcante \u00e9 que, em muitos anos, as tentativas superam os feminic\u00eddios consumados. Em 2024, 248 mulheres sobreviveram a ataques; em 2023, por\u00e9m, houve mais mortes (186) do que tentativas (168). Essas tend\u00eancias evidenciam a defici\u00eancia na efetividade das medidas protetivas, apesar do avan\u00e7o da Lei Maria da Penha, e refor\u00e7am a necessidade de aperfei\u00e7oamento das a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>\u201cQuando se imp\u00f5e a medida protetiva, a responsabilidade pela fiscaliza\u00e7\u00e3o recai sobre a pr\u00f3pria mulher. \u00c9 ela quem precisa verificar se o agressor est\u00e1 cumprindo a determina\u00e7\u00e3o, acionar a pol\u00edcia e comunicar qualquer descumprimento. Isso faz com que ela deixe de ser apenas v\u00edtima e passe a tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o da medida.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Ludmila Ribeiro, pesquisadora da UFMG, \u00e9 preciso investir em novas tecnologias para monitorar automaticamente o descumprimento das medidas protetivas, reduzindo a sobrecarga sobre as v\u00edtimas e fortalecendo a fiscaliza\u00e7\u00e3o que hoje recai sobre quem sofreu a viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> Diversidade e metodologia: o sistema mineiro inclui dados de mulheres trans e travestis, assegurando respeito \u00e0 identidade de g\u00eanero nos registros. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o extra\u00eddas de bases integradas como REDS e PCnet, com participa\u00e7\u00e3o de Pol\u00edcia Civil e Pol\u00edcia Militar, cobrindo tanto viol\u00eancia dom\u00e9stica quanto discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos crimes tem rela\u00e7\u00e3o direta entre autor e v\u00edtima \u2014 c\u00f4njuges, namorados, ex-companheiros ou membros da fam\u00edlia. O preenchimento preciso dos boletins \u00e9 crucial para a fidedignidade dos dados e para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes contra a viol\u00eancia contra a mulher no estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Locais de aten\u00e7\u00e3o constante (2019\u20132026) aparecem repetidamente: Belo Horizonte, Contagem, Betim, Uberl\u00e2ndia e Ribeir\u00e3o das Neves. A especialista ressalta que denunciar \u00e9 apenas o primeiro passo; \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado aprimore a fiscaliza\u00e7\u00e3o das medidas protetivas para que o peso n\u00e3o recaia, ainda, sobre as v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sequ\u00eancia de n\u00fameros de 2019 a 2026 mostra um panorama de alta e volatilidade: 2019 \u2014 375 v\u00edtimas (149 consumados, 226 tentativas); 2020 \u2014 341 (151\/190); 2021 \u2014 336 (155\/181); 2022 \u2014 370 (176\/194); 2023 \u2014 354 (186\/168); 2024 \u2014 417 (169\/248); 2025 \u2014 384 (177\/207); 2026 (jan\u2013maio) \u2014 148 (63 consumados, 85 tentativas). Em 2024, o ano ficou marcado pelo maior total da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 o caminho para reduzir esses \u00edndices? A pesquisadora defende uma atua\u00e7\u00e3o integrada entre seguran\u00e7a p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e assist\u00eancia social, indo al\u00e9m da den\u00fancia. E voc\u00ea, o que acha que falta para proteger as mulheres de forma mais eficaz? Compartilhe sua opini\u00e3o e contribua para um debate que pode transformar a realidade em Minas Gerais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minas Gerais pode registrar, em 2026, o maior n\u00famero hist\u00f3rico de feminic\u00eddios tentados e consumados desde 2019, caso a tend\u00eancia se confirme. 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