{"id":704467,"date":"2026-07-01T09:20:07","date_gmt":"2026-07-01T12:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/01\/stj-nao-reconhece-usucapiao-familiar-por-abandono-de-lar-em-propriedades-com-area-total-superior-a-250-metros-quadrados\/"},"modified":"2026-07-01T09:20:07","modified_gmt":"2026-07-01T12:20:07","slug":"stj-nao-reconhece-usucapiao-familiar-por-abandono-de-lar-em-propriedades-com-area-total-superior-a-250-metros-quadrados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/01\/stj-nao-reconhece-usucapiao-familiar-por-abandono-de-lar-em-propriedades-com-area-total-superior-a-250-metros-quadrados\/","title":{"rendered":"STJ n\u00e3o reconhece usucapi\u00e3o familiar por &#8220;abandono de lar&#8221; em propriedades com \u00e1rea total superior a 250 metros quadrados"},"content":{"rendered":"<div id=\"news-body-content\">\n<div id=\"firstHalf\">\n<p dir=\"ltr\">A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) decidiu, por unanimidade, que a usucapi&atilde;o familiar n&atilde;o pode ser reconhecida quando o im&oacute;vel urbano possui &aacute;rea total superior a 250 m&sup2;, ainda que o pedido recaia apenas sobre uma fra&ccedil;&atilde;o do bem. Segundo o colegiado, o limite previsto no artigo 1.240-A do C&oacute;digo Civil &eacute; requisito objetivo do instituto e deve considerar a metragem total do im&oacute;vel.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><b>&nbsp;<\/b>Com esse entendimento, a turma negou provimento ao recurso especial de uma mulher que buscava adquirir, por usucapi&atilde;o familiar, parte de um im&oacute;vel de 360 m&sup2; onde residia havia anos desde o fim do casamento.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O caso teve origem em um div&oacute;rcio litigioso com partilha de bens. Durante o processo, a mulher alegou exercer posse exclusiva sobre 250 m&sup2; do im&oacute;vel que habitava, sem obje&ccedil;&atilde;o do ex-c&ocirc;njuge. O Tribunal de Justi&ccedil;a de Minas Gerais (TJ-MG), por&eacute;m, entendeu que a usucapi&atilde;o familiar s&oacute; se aplica a im&oacute;veis com &aacute;rea m&aacute;xima de 250 m&sup2;, considerada a metragem total do terreno e da constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao STJ, a mulher sustentou que o limite legal deveria ser aplicado apenas &agrave; &aacute;rea pretendida na usucapi&atilde;o, e n&atilde;o &agrave; metragem total do im&oacute;vel. De acordo com a recorrente, seria poss&iacute;vel reconhecer a usucapi&atilde;o sobre fra&ccedil;&atilde;o de at&eacute; 250 m&sup2; mesmo em im&oacute;vel maior.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O ministro Antonio Carlos Ferreira, relator do recurso, explicou que a usucapi&atilde;o familiar permite a aquisi&ccedil;&atilde;o da parte do im&oacute;vel pertencente ao ex-c&ocirc;njuge ou ex-companheiro que abandonou o lar. Segundo ele, como o direito de propriedade &eacute; garantido pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, as hip&oacute;teses legais de limita&ccedil;&atilde;o desse direito devem ser interpretadas de forma restrita, sem amplia&ccedil;&atilde;o pelo Judici&aacute;rio.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"secondHalf\">\n<p dir=\"ltr\">Para o ministro, o artigo 1.240-A do C&oacute;digo Civil &eacute; claro ao estabelecer que a usucapi&atilde;o familiar se aplica apenas a im&oacute;vel urbano de at&eacute; 250 m&sup2;, referindo-se ao im&oacute;vel em sua totalidade, e n&atilde;o &agrave; fra&ccedil;&atilde;o pretendida pela parte interessada. Nessa linha, o relator observou que o dispositivo n&atilde;o menciona express&otilde;es como &#8220;parte do im&oacute;vel&#8221; ou &#8220;fra&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel&#8221;, o que afasta a possibilidade de aplica&ccedil;&atilde;o do instituto ao bem com &aacute;rea total superior ao limite legal.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><b id=\"docs-internal-guid-26928773-7fff-e4a5-a28a-5409855350d1\">&#8220;<\/b>A tese da parte recorrente &ndash; de que o limite de 250m&sup2; seria apenas o teto da &aacute;rea usucap&iacute;vel, e n&atilde;o um requisito do im&oacute;vel como um todo &ndash; inverte a l&oacute;gica do dispositivo: transforma o objeto da norma (o im&oacute;vel) em mero par&acirc;metro quantitativo, desvinculando-o da unidade imobili&aacute;ria que o legislador claramente teve em vista ao editar o instituto&#8221;, alertou o ministro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O relator afirmou que admitir a usucapi&atilde;o de apenas parte do im&oacute;vel, limitada a 250 m&sup2;, significaria ampliar indevidamente o alcance do artigo 1.240-A do C&oacute;digo Civil. Conforme disse, a norma foi criada como pol&iacute;tica habitacional voltada especificamente a im&oacute;veis de pequenas dimens&otilde;es, cabendo ao legislador &ndash; e n&atilde;o ao Judici&aacute;rio &ndash; definir os crit&eacute;rios de aplica&ccedil;&atilde;o do instituto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><b id=\"docs-internal-guid-26928773-7fff-e4a5-a28a-5409855350d1\">&#8220;<\/b>O limite de 250 m&sup2; qualifica o im&oacute;vel como um todo, e n&atilde;o apenas a fra&ccedil;&atilde;o que se pretende adquirir. A pretens&atilde;o de usucapi&atilde;o parcial sobre fra&ccedil;&atilde;o limitada a 250m&sup2; de im&oacute;vel maior constitui fraude &agrave; norma&#8221;, concluiu Antonio Carlos Ferreira.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) decidiu, por unanimidade, que a usucapi&atilde;o familiar n&atilde;o pode ser reconhecida quando o im&oacute;vel urbano\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-704467","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=704467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=704467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=704467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=704467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}