{"id":706421,"date":"2026-07-04T06:32:03","date_gmt":"2026-07-04T09:32:03","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/04\/existem-estrelas-verdes\/"},"modified":"2026-07-04T06:32:03","modified_gmt":"2026-07-04T09:32:03","slug":"existem-estrelas-verdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/04\/existem-estrelas-verdes\/","title":{"rendered":"Existem estrelas verdes?"},"content":{"rendered":"<p>Algumas estrelas parecem azuis, como Spica, a mais brilhante da constela&ccedil;&atilde;o de Virgem. Outras exibem um intenso tom avermelhado, que &eacute; o caso de Antares, a principal de Escorpi&atilde;o. Pollux, a mais luminosa de G&ecirc;meos, tem colora&ccedil;&atilde;o alaranjada. J&aacute; Sirius, a mais brilhante do c&eacute;u noturno, &eacute; branca, enquanto Alpha Centauri A, uma das principais estrelas do sistema estelar mais pr&oacute;ximo do Sol, apresenta tonalidade amarela.<\/p>\n<p>As estrelas variam em cor conforme a temperatura. As mais quentes s&atilde;o azuladas ou brancas, enquanto as mais frias tendem ao laranja ou vermelho. Os astr&ocirc;nomos classificam as estrelas da sequ&ecirc;ncia principal em tipos espectrais: O (azul), B (branco-azulado), A (branca), F (branco-amarelada), G (amarela), K (laranja) e M (vermelha), do mais quente ao mais frio.&nbsp;<\/p>\n<p>No caso do Sol, embora seja considerado uma estrela an&atilde; amarela, a luz que emite &eacute; praticamente branca. O aspecto amarelado que observamos quando ele est&aacute; pr&oacute;ximo ao horizonte &eacute; provocado pela atmosfera do planeta, que espalha parte da luz azul antes que ela alcance nossos olhos.<\/p>\n<p>Mas, entre tantas cores, existe alguma estrela verde? H&aacute; muito tempo um astro em espec&iacute;fico desperta essa discuss&atilde;o. Trata-se de Zubeneschamali, tamb&eacute;m conhecida como Beta Librae, a estrela mais brilhante da constela&ccedil;&atilde;o de Libra. Ela ficou famosa por supostamente apresentar uma tonalidade esverdeada, a ponto de muitos observadores afirmarem que se trata da &uacute;nica estrela verde vis&iacute;vel a olho nu.<\/p>\n<figure>\n<p> <iframe loading=\"lazy\" title=\"Why are there no green stars?\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4K3uK-b6nm0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe> <\/p>\n<\/figure>\n<p>O curioso &eacute; que essa fama contradiz a astronomia moderna. De acordo com o site <em>EarthSky.org<\/em>, os cientistas garantem que estrelas verdes simplesmente n&atilde;o existem.<\/p>\n<p>A explica&ccedil;&atilde;o est&aacute; na forma como esses astros emitem luz. Embora uma estrela produza comprimentos de onda correspondentes ao verde, ela tamb&eacute;m emite luz em diversas outras cores ao mesmo tempo. Como todas essas cores se misturam, o resultado final percebido pelo olho humano nunca &eacute; um verde.<\/p>\n<p>Entre os astr&ocirc;nomos, Zubeneschamali &eacute; classificada como uma estrela azul-esbranqui&ccedil;ada do tipo espectral B, um grupo formado por estrelas extremamente quentes.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o debate continua. Ao longo da hist&oacute;ria, diversos observadores relataram enxergar um discreto tom esverdeado nessa estrela. Um dos exemplos mais conhecidos &eacute; o do astr&ocirc;nomo amador William Tyler Olcott, dos EUA, que a descreveu como a &uacute;nica estrela verde vis&iacute;vel sem o aux&iacute;lio de telesc&oacute;pios. Seu relato foi reproduzido no cl&aacute;ssico Burnham&rsquo;s Celestial Handbook, uma das principais refer&ecirc;ncias para observadores do c&eacute;u.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"943\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/localizao-estrela-verde.jpg\" alt=\"estrela verde mapa libra\"><figcaption>Mapa de localiza&ccedil;&atilde;o das estrelas Zubenelgenubi (Alpha Librae) e Zubeneschamali (Beta Librae) &ndash; Cr&eacute;dito: Uni&atilde;o Astron&ocirc;mica Internacional\/ Sky &amp; Telescope (Roger Sinnott &amp; Rick Fienberg)\/ Wikimedia Commons ( CC BY 3.0 )<\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"h-por-que-algumas-pessoas-enxergam-a-estrela-como-verde\"><strong>Por que algumas pessoas enxergam a estrela como verde?<\/strong><\/h2>\n<p>Uma das hip&oacute;teses &eacute; que a resposta esteja na vis&atilde;o humana. A percep&ccedil;&atilde;o das cores varia de pessoa para pessoa e pode ser influenciada por fatores como a adapta&ccedil;&atilde;o dos olhos ao escuro, a transpar&ecirc;ncia da atmosfera e at&eacute; o contraste entre estrelas vizinhas. Em outras palavras, duas pessoas podem olhar para o mesmo astro e perceber cores ligeiramente diferentes.<\/p>\n<p>Quem quiser fazer o teste pode procurar Zubeneschamali em uma noite de c&eacute;u limpo. Astr&ocirc;nomos amadores recomendam observ&aacute;-la primeiro a olho nu e, depois, com um bin&oacute;culo. Tamb&eacute;m vale pedir a opini&atilde;o de outras pessoas, j&aacute; que nem todos enxergam a mesma tonalidade.<\/p>\n<p>Zubeneschamali pode ser observada em noites de c&eacute;u limpo olhando para a dire&ccedil;&atilde;o da constela&ccedil;&atilde;o de Libra, que fica pr&oacute;xima de Escorpi&atilde;o &ndash; facilmente identificado pela estrela vermelha Antares. Uma boa refer&ecirc;ncia &eacute; localizar primeiro Escorpi&atilde;o e, em seguida, buscar uma &aacute;rea ligeiramente ao norte dessa constela&ccedil;&atilde;o, onde Libra aparece mais discreta. A observa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais favor&aacute;vel entre abril e setembro, quando essa parte do c&eacute;u fica mais alta no in&iacute;cio da noite, especialmente entre 20h e 23h (pelo hor&aacute;rio de Bras&iacute;lia).&nbsp;<\/p>\n<p>Um app de observa&ccedil;&atilde;o, como <em>Stellarium<\/em>, <em>Star Walk<\/em><em> <\/em>ou<em> <\/em><em>Sky Safari<\/em>, por exemplo, pode ajudar a encontrar a constela&ccedil;&atilde;o de Libra.&nbsp;<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"606\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/localizao-estrela-verde-Zubeneschamali-1024x606.jpg\" alt=\"Localiza&ccedil;&atilde;o da estrela Zubeneschamali no c&eacute;u\"><figcaption>Localiza&ccedil;&atilde;o da estrela Zubeneschamali no c&eacute;u &ndash; Cr&eacute;dito: Stellarium \/ Adaptado e editado por Olhar Digital<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>James Webb flagra &ldquo;ber&ccedil;&aacute;rio de estrelas&rdquo; em &Oacute;rion e revela cena impressionante<\/li>\n<li>An&eacute;is de poeira ao redor de estrelas revelam segredos de planetas invis&iacute;veis<\/li>\n<li>Esta &eacute; a estrela mais pr&oacute;xima do Sol<\/li>\n<\/ul>\n<h2 id=\"h-a-historia-de-zubeneschamali-nbsp\"><strong>A hist&oacute;ria de Zubeneschamali&nbsp;<\/strong><\/h2>\n<p>Al&eacute;m da pol&ecirc;mica sobre sua cor, Zubeneschamali tamb&eacute;m chama aten&ccedil;&atilde;o por sua hist&oacute;ria. Seu nome vem do &aacute;rabe e significa &ldquo;Garra do Norte&rdquo;, enquanto a estrela vizinha Zubenelgenubi significa &ldquo;Garra do Sul&rdquo;. Esses nomes s&atilde;o uma heran&ccedil;a de milhares de anos atr&aacute;s, quando ambas pertenciam &agrave; constela&ccedil;&atilde;o de Escorpi&atilde;o e representavam as garras do animal.<\/p>\n<p>Mais tarde, gregos e romanos redesenharam essa regi&atilde;o do c&eacute;u e criaram a constela&ccedil;&atilde;o de Libra, representada por uma balan&ccedil;a. H&aacute; mais de dois mil anos, durante o equin&oacute;cio de outono no Hemisf&eacute;rio Norte, o Sol aparecia diante dessa constela&ccedil;&atilde;o, simbolizando o equil&iacute;brio entre a dura&ccedil;&atilde;o do dia e da noite. Atualmente, por causa da precess&atilde;o (o lento movimento do eixo de rota&ccedil;&atilde;o da Terra), o Sol passa pelo equin&oacute;cio em frente &agrave; constela&ccedil;&atilde;o de Virgem.<\/p>\n<p>Do ponto de vista cient&iacute;fico, Zubeneschamali tamb&eacute;m se destaca pelo brilho. Embora pare&ccedil;a ter luminosidade semelhante &agrave; da vizinha Zubenelgenubi (Alpha Librae) quando observada da Terra, isso acontece apenas porque est&aacute; muito mais distante. Enquanto Zubenelgenubi fica a cerca de 75 anos-luz de dist&acirc;ncia, Zubeneschamali est&aacute; a aproximadamente 185 anos-luz. Na realidade, Beta Librae tem uma luminosidade quase cinco vezes maior que Alpha Librae e cerca de 130 vezes maior que o Sol.<\/p>\n<p>Mesmo ap&oacute;s d&eacute;cadas de estudos, a explica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica permanece a mesma: estrelas verdes n&atilde;o existem. Mas Zubeneschamali continua desafiando a percep&ccedil;&atilde;o de muitos observadores e alimentando uma curiosidade que atravessa gera&ccedil;&otilde;es. Seja uma quest&atilde;o de ilus&atilde;o de &oacute;tica ou apenas de uma caracter&iacute;stica da vis&atilde;o humana, ela segue como um dos debates mais curiosos da astronomia observacional.<\/p>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/foto-flavia-perfil-1-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" alt=\"Flavia Correia\" loading=\"lazy\"><\/p>\n<div>\n<p>Flavia Correia<\/p>\n<p>Fl&aacute;via Correia &eacute; jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ci&ecirc;ncia e Espa&ccedil;o.<\/p>\n<p>Ver todos os artigos &rarr;  \t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas estrelas parecem azuis, como Spica, a mais brilhante da constela&ccedil;&atilde;o de Virgem. 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