{"id":706757,"date":"2026-07-05T03:39:18","date_gmt":"2026-07-05T06:39:18","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/05\/onibus-e-metro-de-bh-estao-entre-os-mais-caros-do-brasil-entenda-por-que\/"},"modified":"2026-07-05T03:39:18","modified_gmt":"2026-07-05T06:39:18","slug":"onibus-e-metro-de-bh-estao-entre-os-mais-caros-do-brasil-entenda-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/05\/onibus-e-metro-de-bh-estao-entre-os-mais-caros-do-brasil-entenda-por-que\/","title":{"rendered":"\u00d4nibus e metr\u00f4 de BH est\u00e3o entre os mais caros do Brasil; entenda por qu\u00ea"},"content":{"rendered":"<header class><span>Minas Gerais<\/span><\/p>\n<h2>Especialistas apontam que o modelo de financiamento do transporte p&uacute;blico ajuda a explicar por que a capital cobra tarifas mais altas <\/h2>\n<section>\n<p>Compartilhar not&iacute;cia<\/p>\n<\/section>\n<\/header>\n<section>\n<div>\n<figure><figcaption> Larissa Ricci\/ Metr&oacute;poles <\/figcaption><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.metroimg.com\/U9Cz8lKAtkwXipRlzzajKHJ_ZjW9qg_Usqf31LGgeOY\/w:600\/q:85\/f:webp\/plain\/https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/07\/30509327-9d4c-4de0-b0ce-3182edf32e11.jpg\" alt=\"Inaugura&ccedil;&atilde;o da primeira esta&ccedil;&atilde;o da Linha 2 do metr&ocirc; de BH\" width=\"600\" height=\"400\" loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\"><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong>Belo Horizonte &ndash;<\/strong> A capital mineira ganhou na &uacute;ltima semana duas novas esta&ccedil;&otilde;es no metr&ocirc; que, ap&oacute;s reajuste que come&ccedil;ou este m&ecirc;s, tem a segunda tarifa mais cara do pa&iacute;s: <strong>R$ 6<\/strong>.<span> Com o aumento, a capital&nbsp; fica atr&aacute;s apenas do Rio de Janeiro<\/span> <strong>(R$<\/strong> <strong>7,90<\/strong>). O<span> valor supera o cobrado em S&atilde;o Paulo,<\/span> onde a passagem custa <strong>R$ 5,40<\/strong>, apesar de a cidade contar com a maior rede metrovi&aacute;ria do pa&iacute;s, <strong>com 11 linhas.<\/strong><\/p>\n<p>Mas por que o usu&aacute;rio do metr&ocirc; de BH paga mais do que em cidades como S&atilde;o Paulo? Especialistas apontam que a resposta est&aacute; menos no tamanho da rede e mais na forma como o transporte p&uacute;blico &eacute; financiado.<\/p>\n<p>A tarifa de R$ 6 &eacute; resultado de uma sequ&ecirc;ncia de reajustes. <span>Em 2019, quando a passagem custava R$ 1,80<\/span>, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) justificou o in&iacute;cio dos aumentos afirmando que o valor estava <strong>congelado<\/strong> havia<strong> 13 anos<\/strong>. Desde ent&atilde;o, a passagem saltou para R$ 6, alta de mais de 233%. Desde a privatiza&ccedil;&atilde;o, o aumento foi de 13,2%.<\/p>\n<p>Questionado sobre as cr&iacute;ticas ao reajuste, o governador Mateus Sim&otilde;es (PSD), afirmou, em coletiva de imprensa, que o aumento reflete o custo operacional. &ldquo;<span>O custo de vida continua subindo no Brasil<\/span> (&hellip;). O governo coloca R$ 40 milh&otilde;es por ano para manter essas linhas funcionando hoje. Ent&atilde;o, faz parte&rdquo;, justificou.<\/p>\n<h2>N&atilde;o &eacute; s&oacute; metr&ocirc;<\/h2>\n<p>No transporte por &ocirc;nibus, a capital tamb&eacute;m ocupa a segunda posi&ccedil;&atilde;o entre as tarifas mais caras, com passagem a R$ 5,75, atr&aacute;s apenas de Florian&oacute;polis (R$ 6,90). <strong>Mas por que?<\/strong><\/p>\n<p>Para Giancarlo Gama,<strong> cientista pol&iacute;tico<\/strong> formado pela <strong>USP<\/strong>, mestre em<strong> Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas<\/strong> pela <strong>Universidade de Oxford<\/strong> e especialista em tarifa zero, os altos pre&ccedil;os do &ocirc;nibus e do metr&ocirc; em BH s&atilde;o<span> &ldquo;um s&iacute;mbolo de fal&ecirc;ncia&rdquo;<\/span> do modelo de financiamento do transporte p&uacute;blico. Segundo ele, o sistema vive um <span>&ldquo;ciclo vicioso&rdquo;<\/span>, em que a perda de passageiros leva a novos aumentos na tarifa e &agrave; piora do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>O diagn&oacute;stico &eacute; semelhante ao de Guilherme Leiva, professor do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG. Ele ressalta, tamb&eacute;m, que a <span>tarifa de R$ 6 n&atilde;o deve ser analisada apenas pelo valor cobrado, mas tamb&eacute;m pelas caracter&iacute;sticas do sistema de cada cidade.<\/span><\/p>\n<p>&ldquo;Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tarifa de R$ 6, a an&aacute;lise n&atilde;o deve se restringir ao valor nominal da passagem. (&hellip;) &Eacute; necess&aacute;rio considerar aspectos como extens&atilde;o da rede, cobertura territorial, frequ&ecirc;ncia dos servi&ccedil;os, n&iacute;vel de integra&ccedil;&atilde;o tarif&aacute;ria, economia de tempo proporcionada ao usu&aacute;rio e a capacidade de pagamento da popula&ccedil;&atilde;o atendida. <span>Compara&ccedil;&otilde;es diretas entre sistemas muito distintos podem levar a conclus&otilde;es equivocadas&rdquo;, afirmou.<\/span><\/p>\n<h2>SP X BH<\/h2>\n<p>Os dois especialistas concordam que a forma como o transporte &eacute; <strong>financiado<\/strong> ajuda a explicar por que <strong>BH<\/strong> cobra uma tarifa maior que S&atilde;o Paulo, mesmo tendo uma rede de metr&ocirc; muito menor.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&ldquo;S&atilde;o Paulo coloca mais recursos do poder p&uacute;blico e, por isso, coloca menos de tarifa. BH deve ter um desbalan&ccedil;o em que a tarifa ocupa um espa&ccedil;o maior, uma porcentagem maior do financiamento de todo esse sistema, ao passo que o subs&iacute;dio ocupa um espa&ccedil;o menor. (&hellip;) O que vai determinar o valor da tarifa &eacute; qual &eacute; a parcela que o poder p&uacute;blico coloca no financiamento dessa opera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou Giancarlo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para Giancarlo, <strong>tarifas altas aumentam a exclus&atilde;o dos usu&aacute;rios<\/strong>. &ldquo;Com a tarifa alta, voc&ecirc; deliberadamente exclui diversas pessoas, especialmente dos territ&oacute;rios perif&eacute;ricos e mais exclu&iacute;dos&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p>Para piorar, tarifas altas e a falta de melhorias impulsionam a <span>migra&ccedil;&atilde;o para o transporte individual,<\/span> como moto por aplicativo e Uber, reduzindo tamb&eacute;m a arrecada&ccedil;&atilde;o do sistema.<\/p>\n<p>Por isso, ele defende maior participa&ccedil;&atilde;o do Estado no financiamento do <strong>transporte p&uacute;blico<\/strong>. &ldquo;<span>O transporte p&uacute;blico, ele &eacute; um direito b&aacute;sico universal, que t&aacute; previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o, assim como sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, o Estado, ele tem que garantir isso, mas hoje quem financia essa pol&iacute;tica s&atilde;o os passageiros que utilizam ela<\/span>&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<h2>Tarifa zero foi rejeitada<\/h2>\n<p>Vale lembrar que, no ano passado, a <strong>C&acirc;mara de BH<\/strong> discutiu um<strong> projeto de lei<\/strong> que institu&iacute;a a tarifa zero nos &ocirc;nibus da capital. A proposta previa a gratuidade no transporte coletivo e um novo modelo de financiamento. O prefeito <span>&Aacute;lvaro Dami&atilde;o (Uni&atilde;o Brasil) se posicionou contra, alegando que a forma de custeio poderia afastar empresas da capital.<\/span> O projeto foi rejeitado em primeiro turno pela C&acirc;mara.<\/p>\n<h2>Tarifa alta pode afastar usu&aacute;rio da linha 2<\/h2>\n<p>O&nbsp; professor do<strong> Cefet-MG<\/strong> Guilherme Leiva avalia que a amplia&ccedil;&atilde;o da Linha 2 representa um avan&ccedil;o para a mobilidade da capital, <span>mas alerta que tarifas elevadas podem reduzir parte desse potencial ao afastar passageiros<\/span>. &ldquo;A literatura de transportes mostra que aumentos tarif&aacute;rios tendem a reduzir a demanda pelo transporte p&uacute;blico. (&hellip;) Tarifas mais elevadas podem limitar parte do potencial de atra&ccedil;&atilde;o da nova infraestrutura, especialmente entre os usu&aacute;rios de menor renda&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<h2>Melhorias no tr&acirc;nsito de BH<\/h2>\n<p>Apesar disso, Leiva destaca que a nova linha tende a melhorar os deslocamentos na cidade. &ldquo;Ao oferecer uma alternativa de transporte de maior capacidade, rapidez e regularidade, a nova linha tende a atrair novos usu&aacute;rios, especialmente trabalhadores e estudantes que fazem esse trajeto todos os dias. (&hellip;) No m&eacute;dio e longo prazo, isso pode ajudar a reduzir os congestionamentos, &agrave; medida que parte das viagens feitas de &ocirc;nibus ou de carro migrem para o metr&ocirc;&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>O especialista ressalta, por&eacute;m, que<span> esses benef&iacute;cios dependem da integra&ccedil;&atilde;o com outros modais<\/span>. &ldquo;Os <strong>&ocirc;nibus<\/strong> devem cumprir a fun&ccedil;&atilde;o de <strong>levar as pessoas at&eacute; as esta&ccedil;&otilde;es<\/strong>, enquanto <strong>bicicletas<\/strong> compartilhadas, transporte por aplicativo e at&eacute; os deslocamentos a p&eacute; tamb&eacute;m s&atilde;o importantes para <strong>completar a viagem.<\/strong> (&hellip;) A qualidade dos acessos &agrave;s esta&ccedil;&otilde;es, a seguran&ccedil;a e as op&ccedil;&otilde;es para chegar e sair delas s&atilde;o <span>fatores decisivos para o sucesso da expans&atilde;o da rede<\/span>&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>A opera&ccedil;&atilde;o parcial da Linha 2 come&ccedil;ou nesta sexta-feira (3), com as esta&ccedil;&otilde;es Amazonas e Nova Su&iacute;&ccedil;a. O funcionamento ser&aacute; de segunda a sexta-feira, das 9h &agrave;s 16h, sem opera&ccedil;&atilde;o aos fins de semana.<\/p>\n<p>As duas esta&ccedil;&otilde;es foram entregues quase dois anos antes do previsto. A conclus&atilde;o da linha ocorrer&aacute; em etapas, com novas esta&ccedil;&otilde;es em 2027 e finaliza&ccedil;&atilde;o total em 2028.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minas Gerais Especialistas apontam que o modelo de financiamento do transporte p&uacute;blico ajuda a explicar por que a capital cobra tarifas mais altas Compartilhar\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":706758,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-706757","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=706757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/706758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=706757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=706757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=706757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}