{"id":706853,"date":"2026-07-05T11:07:28","date_gmt":"2026-07-05T14:07:28","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/05\/tudo-que-nao-inclua-amor-pelo-inimigo-faz-parte-de-um-esforco-belico\/"},"modified":"2026-07-05T11:07:28","modified_gmt":"2026-07-05T14:07:28","slug":"tudo-que-nao-inclua-amor-pelo-inimigo-faz-parte-de-um-esforco-belico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/05\/tudo-que-nao-inclua-amor-pelo-inimigo-faz-parte-de-um-esforco-belico\/","title":{"rendered":"Tudo que n\u00e3o inclua amor pelo inimigo faz parte de um esfor\u00e7o b\u00e9lico"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O individualismo carrega uma ideia distorcida de que para se ter paz, o caminho seria enxergar-se como o &uacute;nico mundo a ser valorizado e preservado. Os outros n&atilde;o importam e s&atilde;o vistos como inimigos da paz. No entanto, o chamado para o cuidado da vida n&atilde;o &eacute; a extin&ccedil;&atilde;o dos mundos alheios, mas &eacute; fazer as pazes, inclusive com o mundo inimigo.<\/p>\n<p>Tudo que n&atilde;o inclua amor pelo inimigo faz parte de um esfor&ccedil;o b&eacute;lico. Isso convida a um deslocamento profundo do olhar. A viol&ecirc;ncia n&atilde;o come&ccedil;a apenas nos atos extremos, mas tamb&eacute;m nas pequenas recusas de reconhecer o outro como algu&eacute;m digno de presen&ccedil;a e sentido.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia humana &eacute; atravessada por modos de rela&ccedil;&atilde;o: podemos nos fechar na defesa, organizando o mundo a partir da amea&ccedil;a, ou nos abrir ao encontro, mesmo quando h&aacute; dor.<\/p>\n<p>Quando o outro &eacute; percebido apenas como amea&ccedil;a, nossa consci&ecirc;ncia se fecha, e passamos a viver em estado de resist&ecirc;ncia. O &ldquo;inimigo&rdquo;, nesse sentido, n&atilde;o &eacute; somente algu&eacute;m externo, mas tamb&eacute;m aquilo que n&atilde;o conseguimos integrar, aquilo que nos fere e que tentamos afastar sem elabora&ccedil;&atilde;o. Assim, o &ldquo;inimigo&rdquo; n&atilde;o &eacute; apenas aquele que nos feriu, mas aquele que nossa consci&ecirc;ncia rejeita.<\/p>\n<p>O amor n&atilde;o se reduz a trocas ou a respostas merecidas. Ele se manifesta como doa&ccedil;&atilde;o que excede as condi&ccedil;&otilde;es. Amar o inimigo n&atilde;o significa concordar ou permitir abusos, negar a dor e aceitar injusti&ccedil;as, mas recusar-se a reduzir o outro &agrave;quilo que nos feriu ou a aprisionar o outro e a pr&oacute;pria vida dentro de uma l&oacute;gica de reatividade. &Eacute; um gesto interior que interrompe a l&oacute;gica da equival&ecirc;ncia do &ldquo;olho por olho, dente por dente&rdquo;, da retalia&ccedil;&atilde;o, da d&iacute;vida, e cria um espa&ccedil;o novo de sentido, onde o rosto do outro passa ser um espa&ccedil;o sagrado.<\/p>\n<p>Assim, onde n&atilde;o h&aacute; amor, entendido como essa abertura que n&atilde;o aprisiona o outro, instala-se uma forma sutil de guerra: um endurecimento, uma divis&atilde;o. Amar o inimigo &eacute;, antes de tudo, um movimento de liberdade interior que desarma o conflito dentro de n&oacute;s e possibilita outras formas de presen&ccedil;a no mundo.<\/p>\n<p>____<\/p>\n<p><em>Carlos Jose Hern&aacute;ndez (psiquiatra, doutor em medicina) e Clarice Ebert (formada em psicologia, terapeuta fam&iacute;lia e de casal, mestre em teologia).<\/em><\/p>\n<p><strong>Clarice Ebert<\/strong> (@clariceebert) &eacute; psic&oacute;loga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. S&oacute;cia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de fam&iacute;lia). Membro e docente de EIRENE do Brasil.<\/p>\n<p><em>* O conte&uacute;do do texto acima &eacute; uma colabora&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria, de total responsabilidade do autor e n&atilde;o reflete necessariamente a opini&atilde;o do Portal Guiame.<\/em><\/p>\n<p>Leia o artigo anterior: <span><strong>Escutar para al&eacute;m do que se v&ecirc;!<\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O individualismo carrega uma ideia distorcida de que para se ter paz, o caminho seria enxergar-se como o &uacute;nico mundo a ser valorizado e\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":53,"featured_media":706854,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11133],"tags":[],"class_list":["post-706853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo-gospel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=706853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706853\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/706854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=706853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=706853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=706853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}