{"id":706887,"date":"2026-07-05T13:20:17","date_gmt":"2026-07-05T16:20:17","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/05\/china-cria-mecanismos-financeiros-na-africa-para-nao-depender-de-dolar\/"},"modified":"2026-07-05T13:20:17","modified_gmt":"2026-07-05T16:20:17","slug":"china-cria-mecanismos-financeiros-na-africa-para-nao-depender-de-dolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/05\/china-cria-mecanismos-financeiros-na-africa-para-nao-depender-de-dolar\/","title":{"rendered":"China cria mecanismos financeiros na \u00c1frica para n\u00e3o depender de d\u00f3lar"},"content":{"rendered":"<p><strong>A China vem ampliando a infraestrutura financeira na &Aacute;frica para n&atilde;o depender do d&oacute;lar, o que permite comercializar bens e servi&ccedil;os por meio das moedas africanas e da chinesa, o yuan.&nbsp;<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1695872&amp;o=rss\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1695872&amp;o=rss\"><\/p>\n<p>Apesar das mudan&ccedil;as, o uso yuan (ou renminbi) ainda &eacute; minorit&aacute;rio no continente e a chamada desdolariza&ccedil;&atilde;o segue fora do horizonte, mesmo para as autoridades de Pequim.<\/p>\n<p>No fim de junho, o Banco Central da China autorizou o pagamento com yuan diretamente no banco Standard Bank, maior grupo banc&aacute;rio do continente com sede na &Aacute;frica do Sul, em uma parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC).<\/p>\n<blockquote>\n<p>&ldquo;[A parceria] nos coloca em uma posi&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para lidar com renminbi chin&ecirc;s (RMB), permitindo que as empresas fa&ccedil;am e recebam pagamentos em RMB para liquida&ccedil;&otilde;es comerciais, viabilizando o com&eacute;rcio entre a &Aacute;frica e a China&rdquo;, diz comunicado do Standard Bank, presente em 21 pa&iacute;ses africanos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Atualmente, a China &eacute; a principal parceira comercial da &Aacute;frica. Entre 2000 e 2024, o crescimento m&eacute;dio do com&eacute;rcio entre o continente e a China foi de 14%, ao ano, segundo a Administra&ccedil;&atilde;o Geral de Alf&acirc;ndegas (GAC) da China.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1&ordm; de maio, a China decidiu isentar taxas de importa&ccedil;&otilde;es de produtos africanos, o que deve refor&ccedil;ar o com&eacute;rcio entre o gigante asi&aacute;tico e a &Aacute;frica.<\/p>\n<h2>Yuan ainda &eacute; minorit&aacute;rio<\/h2>\n<p>O analista geopol&iacute;tico Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, disse que o avan&ccedil;o do yuan na &Aacute;frica ainda &eacute; t&iacute;mido, mas destacou que a China vem construindo uma infraestrutura capaz de comercializar no continente sem precisar usar o d&oacute;lar.<\/p>\n<p>&ldquo;Isso &eacute; um come&ccedil;o. A China tem feito uma s&eacute;rie de iniciativas, como essas, no mundo inteiro para poder comercializar sem o d&oacute;lar. Mas o montante negociado em yuan &eacute; ainda irrelevante considerando o tamanho da economia global. &Eacute; como se eles estivessem construindo os trilhos para o trem bala chin&ecirc;s passar no futuro&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p><strong>O analista do portal <em>Brasil de Fato<\/em> acrescentou que as commodities de energia e alimentos, em sua maioria, ainda s&atilde;o negociadas em d&oacute;lares no mundo todo.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>&ldquo;O yuan &eacute; hoje a quinta moeda de com&eacute;rcio mundial com cerca de 8,5% das transa&ccedil;&otilde;es globais, ou seja, muito pouco ainda. Mas est&aacute; crescendo se voc&ecirc; comparar com tr&ecirc;s, cinco ou dez anos atr&aacute;s&rdquo;, disse Marco Fernandes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>A hegemonia do d&oacute;lar<\/h2>\n<p>Uma das agendas do Brics, grupos de pa&iacute;ses do Sul Global que inclui Brasil, China, &Iacute;ndia, &Aacute;frica do Sul, entre outros, tem sido a &ldquo;desdolariza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da economia mundial uma vez que o uso do d&oacute;lar como moeda do mercado internacional concede vantagens econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas aos Estados Unidos (EUA).&nbsp;<\/p>\n<p>A agenda de &ldquo;desdolariza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da economia mundial &eacute;, por sua vez, atacada pelo presidente Donald Trump, que promete lutar para manter a hegemonia da moeda dos EUA no mundo.&nbsp;<\/p>\n<h2>China hesita em impulsionar yuan<\/h2>\n<p>O tamb&eacute;m editor da revista<em> Wenhua Zongheng International<\/em>, Marco Fernandes, destaca, por outro lado, que a China n&atilde;o tem interesse em uma desdolariza&ccedil;&atilde;o imediata, entre outros motivos, por ter muitas reservas ainda em d&oacute;lar. Al&eacute;m disso, Pequim tenta manter o valor da sua moeda para preservar a competitividade das exporta&ccedil;&otilde;es chinesas.<\/p>\n<p>Outro problema &eacute; que a China evita abrir sua conta de capitais, medida apontada como necess&aacute;ria para internacionaliza&ccedil;&atilde;o do yuan, a fim de n&atilde;o expor o sistema financeiro chin&ecirc;s &agrave;s turbul&ecirc;ncias da especula&ccedil;&atilde;o global. A conta de capitais representa a movimenta&ccedil;&atilde;o de recursos que entram e saem do pa&iacute;s.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&ldquo;Uma r&aacute;pida desvaloriza&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar significaria um preju&iacute;zo muito grande, tanto para o Estado chin&ecirc;s, quanto para as empresas chinesas. &Eacute; preciso que esse processo de desdolariza&ccedil;&atilde;o seja lento, gradual e seguro&rdquo;, afirmou Marco Fernandes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Alternativa ao d&oacute;lar<\/h2>\n<p>O economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics, publicou, em junho deste ano, artigo com proposta para uma nova moeda de reserva para o com&eacute;rcio internacional.<\/p>\n<p>Nogueira reconhece que a rede de pagamentos do Banco Popular da China (PBOC), que envolve mais de 40 bancos centrais, amplia o papel da moeda chinesa nas opera&ccedil;&otilde;es de liquida&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio internacional.<\/p>\n<p><strong>Por&eacute;m, o especialista destaca que a substitui&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar pelo yuan ainda n&atilde;o interessa &agrave; economia chinesa e prop&otilde;e, no lugar, a cria&ccedil;&atilde;o de uma moeda pr&oacute;pria para o com&eacute;rcio global formada por uma &ldquo;cesta&rdquo; de moedas dos pa&iacute;ses do Sul Global.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>&ldquo;A cria&ccedil;&atilde;o de uma nova unidade de conta por um grupo de pa&iacute;ses do Brics (n&atilde;o necessariamente todos) e outras na&ccedil;&otilde;es do Sul Global. Em determinado momento, a unidade de conta seria convertida em uma nova moeda, preservando os mesmos pesos&rdquo;, escreveu Paulo Nogueira no Valdai Discussion Club, centro de estudos sediado em Moscou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para o analista geopol&iacute;tico Marco Fernandes, a desdolariza&ccedil;&atilde;o da economia &eacute; importante para trazer mais justi&ccedil;a para economia mundial, al&eacute;m de servir para reduzir o poder pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico dos EUA que, por meio de san&ccedil;&otilde;es e embargos financeiros, conseguem submeter outras na&ccedil;&otilde;es aos interesses de Washington.<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Por causa da hegemonia do d&oacute;lar, toda vez que o Banco Central dos EUA sobe os juros, h&aacute; uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o das moedas dos pa&iacute;ses pobres. Isso significa que as importa&ccedil;&otilde;es ficam mais caras. Trigo, arroz, milho e outros alimentos ficam mais caros. Uma pequena varia&ccedil;&atilde;o pode significar a fome, ou mesmo a morte, de milhares de pessoas&rdquo;, concluiu.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A China vem ampliando a infraestrutura financeira na &Aacute;frica para n&atilde;o depender do d&oacute;lar, o que permite comercializar bens e servi&ccedil;os por meio das\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":706888,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-706887","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=706887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706887\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/706888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=706887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=706887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=706887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}