{"id":70819,"date":"2022-04-04T06:05:34","date_gmt":"2022-04-04T09:05:34","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/o-segredo-dos-sites-asiaticos-para-conquistar-o-consumidor-brasileiro\/"},"modified":"2022-09-23T12:27:19","modified_gmt":"2022-09-23T15:27:19","slug":"o-segredo-dos-sites-asiaticos-para-conquistar-o-consumidor-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/04\/o-segredo-dos-sites-asiaticos-para-conquistar-o-consumidor-brasileiro\/","title":{"rendered":"O segredo dos sites asi\u00e1ticos para conquistar o consumidor brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; O internauta desavisado se assusta com o visual polu\u00eddo, cheio de pop-ups que saltam na tela, prometendo pre\u00e7os entre 50% e 80% mais baixos ou que pedem insistentemente o seu e-mail para cadastro. Existe ainda uma infinidade de cupons coloridos que garantem frete gr\u00e1tis ou desconto na primeira compra. Algumas express\u00f5es tamb\u00e9m soam esquisitas, como &#8220;depressa em breve&#8221;, para avisar sobre a promo\u00e7\u00e3o que tem hora para acabar.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A despeito do estranhamento inicial, os brasileiros t\u00eam feito cada vez mais compras em sites estrangeiros de origem asi\u00e1tica, como Shopee, Shein e Aliexpress. Pesquisa da consultoria NielsenIQ|ebit, em parceria com a Bexs Pay, apontou que o faturamento dos sites cross-border (internacionais) disparou 60% no ano passado e atingiu R$ 36,2 bilh\u00f5es. O montante representa cerca de 17% do com\u00e9rcio online no pa\u00eds, que faturou R$ 218,9 bilh\u00f5es em 2021.<\/p>\n<p>Considerando apenas as compras em sites que operam a partir do Brasil, o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico somou R$ 182,7 bilh\u00f5es no ano passado.<\/p>\n<p>O levantamento apontou que a Shopee \u00e9 a mais popular entre os internautas brasileiros: 58% deles adquiriram alguma coisa no site da varejista em 2021, contra 8% no ano anterior. Outro salto foi a da Shein, especializada em moda, que foi de 0% a 21% dos consumidores online no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Nesses sites, o consumidor v\u00ea como principal benef\u00edcio o pre\u00e7o baixo&#8221;, diz o diretor de ecommerce da NielsenIQ|Ebit, Marcelo Osanai. &#8220;O bom desempenho no Brasil tem feito com que essas empresas invistam em sellers [vendedores] nacionais e tamb\u00e9m procurem melhorar a sua log\u00edstica, para entregar no menor tempo poss\u00edvel&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Hoje a m\u00e9dia de espera \u00e9 de 28 dias -mas h\u00e1 tr\u00eas anos esse prazo estava em 42 dias, segundo Osanai. Em mar\u00e7o, o Aliexpress, do Alibaba, contratou um voo semanal da Qatar Airways para operar a rota Hong Kong-S\u00e3o Paulo, a fim de agilizar a entrega.<\/p>\n<p>Dos 87,7 milh\u00f5es de compradores online no Brasil, 68% (mais de dois a cada tr\u00eas) adquiriram produtos importados em 2021, aponta a pesquisa da NielsenIQ|ebit. As categorias mais acessadas foram moda (38%), eletr\u00f4nicos (36%) e casa e decora\u00e7\u00e3o (24%). Este ano, 71% pretendem continuar comprando, com destaque para eletr\u00f4nicos (48%), moda e acess\u00f3rios (45%) e inform\u00e1tica (35%).<\/p>\n<p>Enquanto Shopee e Shein cresceram, Aliexpress desacelerou no ano passado, embora sua parcela continue expressiva -de 52% para 44% dos internautas brasileiros compraram no site em 2021.<\/p>\n<p>&#8220;Aliexpress perdeu espa\u00e7o para os outros sites asi\u00e1ticos, porque n\u00e3o se movimentou muito em termos de marketing&#8221;, diz Osanai. A empresa, por\u00e9m, parece que aprendeu a li\u00e7\u00e3o: no m\u00eas passado, lan\u00e7ou uma campanha com a influencer Gkay, assinada pela AlmapBBDO, sob o mote &#8220;farofa do Ali&#8221;.<br \/>Tamb\u00e9m a Shopee investiu em uma campanha nacional estrelada pela banda Bar\u00f5es da Pisadinha, em comemora\u00e7\u00e3o ao Dia do Consumidor, em 15 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Os grandes sites estrangeiros v\u00eam investindo pesado nas a\u00e7\u00f5es de marketing em m\u00eddias sociais, com destaque para o TikTok, nos links patrocinados e nos an\u00fancios do Google&#8221;, diz Osanai.<\/p>\n<p>Por outro lado, segundo a pesquisa, os americanos Amazon, Wish eBay perderam a prefer\u00eancia do internauta brasileiro. &#8220;Mas no caso da Amazon quem perdeu espa\u00e7o foi o site americano, possivelmente para a pr\u00f3pria vers\u00e3o brasileira&#8221;, afirma o executivo da NielsenIQ|Ebit.<\/p>\n<p>DE REL??GIOS A PERUCAS, PASSANDO POR VIBRADORES<\/p>\n<p>Pre\u00e7o baixo, entrega mais \u00e1gil e forte presen\u00e7a na m\u00eddia digital n\u00e3o \u00e9 tudo. Variedade \u00e9 outra palavra de ordem nos sites de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico asi\u00e1ticos. No marketplace Shopee, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel comprar de short jeans a vibradores, passando por estojos para lentes de contato.<\/p>\n<p>No Aliexpress, encontra-se de adesivos de unha e perucas a rel\u00f3gios e furadeiras sem fio. J\u00e1 na Shein \u00e9 poss\u00edvel encontrar 80 mil op\u00e7\u00f5es de vestidos a partir de R$ 15 e 9,7 mil cal\u00e7as cujos pre\u00e7os come\u00e7am em R$ 19.<\/p>\n<p>Considerada a &#8220;Zara da China&#8221; -pela rapidez impressionante de produ\u00e7\u00e3o de novas cole\u00e7\u00f5es e log\u00edstica azeitada que faz com que os produtos cheguem a mais de 150 pa\u00edses-, a Shein (l\u00ea-se xi-in) abriu uma loja pop-up (tempor\u00e1ria) no Rio no m\u00eas passado, no shopping Village Mall, concebida pela ag\u00eancia V3A.<\/p>\n<p>&#8220;Os apps da Shopee e da Shein foram os aplicativos de varejo mais baixados do Brasil no ano passado&#8221;, diz o consultor de varejo Alberto Serrentino, s\u00f3cio da Varese Retail. De acordo com a empresa de desenvolvimento de software e an\u00e1lise de mercado EmizenTech, cada um deles teve mais de 100 milh\u00f5es de downloads em 2021.<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia dos brasileiros pelos varejistas asi\u00e1ticos j\u00e1 vem incomodando os competidores nacionais. No final de mar\u00e7o, a Receita Federal informou que estuda uma MP (Medida Provis\u00f3ria) para impedir que empresas de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico estrangeiras vendam mercadorias para brasileiros sem pagar os devidos impostos.<\/p>\n<p>Para varejistas brasileiros, trata-se de um &#8220;camel\u00f3dromo digital&#8221;: os asi\u00e1ticos estariam aproveitando um trecho da legisla\u00e7\u00e3o que autoriza a pessoa f\u00edsica a enviar bens estrangeiros a outra pessoa f\u00edsica no Brasil sem pagar impostos, desde que o valor da mercadoria fique abaixo de US$ 50.<\/p>\n<p>No Brasil, os maiores competidores do varejo online nacional s\u00e3o Mercado Livre, Americanas, Magazine Luiza e Via (Casas Bahia e Ponto Frio), nesta ordem.<\/p>\n<p>&#8220;Embora trabalhem com produtos de maior valor agregado, especialmente eletroeletr\u00f4nicos e eletrodom\u00e9sticos, esses sites aumentam cada vez mais o mix da chamada &#8216;cauda longa&#8217;, produtos de menor t\u00edquete m\u00e9dio e maior giro, entrando na concorr\u00eancia direta com os sites asi\u00e1ticos&#8221;, diz Danniela Eiger, analista de varejo da XP. &#8220;Os estrangeiros s\u00e3o um risco a ser monitorado pelos brasileiros.&#8221;<\/p>\n<p>Por enquanto, os marketplaces brasileiros se sentem incomodados, mas n\u00e3o amea\u00e7ados, na opini\u00e3o de Iago Souza, analista da Genial Investimentos. &#8220;Os asi\u00e1ticos teriam que trabalhar com produtos mais caros para se tornarem, realmente, uma amea\u00e7a&#8221;, diz ele. &#8220;De qualquer forma, o grupo Sea, dono da Shopee, j\u00e1 deixou claro que Brasil e M\u00e9xico s\u00e3o as prioridades da companhia&#8221;.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Serrentino, \u00e9 preciso tornar a competi\u00e7\u00e3o ison\u00f4mica, mas n\u00e3o engessada. &#8220;?? importante fomentar essa disputa, quem ganha com isso \u00e9 o consumidor&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O consultor Eug\u00eanio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, chama a aten\u00e7\u00e3o para a rapidez do fen\u00f4meno asi\u00e1tico no Brasil. &#8220;Em um ano, Shopee e Shein estouraram&#8221;, diz.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa da NielsenIQ|Ebit, 26% dos consumidores conheceram os sites no ano passado por indica\u00e7\u00e3o de amigos. &#8220;Isso d\u00e1 uma vantagem competitiva muito grande, \u00e9 o marketing boca a boca, que reduz o custo de aquisi\u00e7\u00e3o de cliente&#8221;, diz Foganholo.<\/p>\n<p>O crescimento das asi\u00e1ticas, especialmente da Shein, vem ganhando espa\u00e7o na pauta da ind\u00fastria e do varejo t\u00eaxtil. Para a Abvtex (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Varejo T\u00eaxtil), a preocupa\u00e7\u00e3o com os marketplaces internacionais \u00e9 similar \u00e0quela que a entidade dedica \u00e0 informalidade no setor -que chega a quase 35% de tudo o que \u00e9 vendido.<\/p>\n<p>Edmundo Lima, diretor-executivo da associa\u00e7\u00e3o, diz que sem o pagamento de ICMS, PIS e Cofins, esses sites chegam a pre\u00e7os muito mais competitivos na compara\u00e7\u00e3o com os produtos nacionais.<\/p>\n<p>Outro ponto de desconforto \u00e9 a falta de transpar\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es trabalhistas.<\/p>\n<p>Enquanto crescem, no setor, iniciativas de monitoramento das cadeias de fornecimento -a pr\u00f3pria Abvtex tem um programa de fiscaliza\u00e7\u00e3o, auditoria e certifica\u00e7\u00e3o-, sabe-se muito pouco das condi\u00e7\u00f5es em que s\u00e3o produzidas as roupas nesses sites.<\/p>\n<p>Procurada pela Folha, a Shein n\u00e3o atendeu ao pedido de entrevista. O Alibaba, controlador da Aliexpress, est\u00e1 em per\u00edodo de sil\u00eancio, antes da divulga\u00e7\u00e3o de resultados trimestrais.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Shopee informou, por meio de nota, que oferece no Brasil uma &#8220;experi\u00eancia de compra f\u00e1cil, segura e divertida&#8221; e que &#8220;mais de 85% das vendas s\u00e3o de vendedores brasileiros&#8221;. Segundo a empresa, a conquista de consumidores \u00e9 resultado da sua &#8220;estrat\u00e9gia de gamifica\u00e7\u00e3o&#8221; (jogos e recompensas em Moedas Shopee, que funcionam como cashback) e das campanhas de marketing com cupons de desconto e de frete gr\u00e1tis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; O internauta desavisado se assusta com o visual polu\u00eddo, cheio de pop-ups que saltam na tela, prometendo pre\u00e7os entre 50% e 80%\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":70820,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-70819","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70819\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}