{"id":709547,"date":"2026-07-11T12:38:50","date_gmt":"2026-07-11T15:38:50","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/11\/resgatada-a-mulher-que-foi-escravizada-por-55-anos-no-brasil\/"},"modified":"2026-07-11T12:38:50","modified_gmt":"2026-07-11T15:38:50","slug":"resgatada-a-mulher-que-foi-escravizada-por-55-anos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/resgatada-a-mulher-que-foi-escravizada-por-55-anos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Resgatada a mulher que foi escravizada por 55 anos no Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<header>\n<h2>Trabalhadora dom&eacute;stica come&ccedil;ou a trabalhar aos sete anos de idade e nunca recebeu sal&aacute;rio ou f&eacute;rias, deve ser indenizada pelos empregadores<\/h2>\n<\/header>\n<section>\n<div>\n<figure><figcaption> Divulga&ccedil;&atilde;o<\/figcaption><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.metroimg.com\/YL4gEMd6sqDhPhRoLoTj6X7acmYHFqFtU_DTGVpAyEU\/w:600\/q:85\/f:webp\/plain\/https:\/\/images.metroimg.com\/2026\/07\/MPT.jpg\" alt=\"Resgatada a mulher que foi escravizada por 55 anos no Brasil\" width=\"600\" height=\"400\" loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\"><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<p>Vamos cham&aacute;-la de Maria, o&nbsp;nome mais comum no Brasil&nbsp;, porque as autoridades n&atilde;o divulgaram seu nome para proteg&ecirc;-la. Maria, que come&ccedil;ou a trabalhar como empregada dom&eacute;stica na casa de uma fam&iacute;lia aos sete anos de idade, foi resgatada recentemente, aos 62 anos, em Fortaleza, pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, ap&oacute;s mais de meio s&eacute;culo de trabalho semelhante &agrave; escravid&atilde;o, sem sal&aacute;rio, sem f&eacute;rias e sem nunca ter aprendido a ler ou escrever.<\/p>\n<p>A empregada dom&eacute;stica foi explorada por tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es da mesma fam&iacute;lia, um&nbsp;caso raro, mas n&atilde;o in&eacute;dito&nbsp;. Ela ainda acordava &agrave;s 4h30 da manh&atilde; para preparar o caf&eacute; da manh&atilde; e vestir as crian&ccedil;as para a escola. A fam&iacute;lia concordou em indeniz&aacute;-la, mas como Maria vivia isolada, sem contato com a fam&iacute;lia, ela permanecer&aacute; com seus patr&otilde;es enquanto as autoridades localizam seus parentes.<\/p>\n<p>As estat&iacute;sticas mostram que Maria era, sem d&uacute;vida, pobre e, muito provavelmente, negra. Esse &eacute; o perfil das mais de&nbsp;seis milh&otilde;es de mulheres brasileiras&nbsp;que cuidam de crian&ccedil;as, cozinham, lavam, passam ou limpam em casas de fam&iacute;lias que n&atilde;o s&atilde;o as suas.&nbsp;Elas conquistaram seus direitos trabalhistas&nbsp;h&aacute; pouco mais de uma d&eacute;cada.<\/p>\n<p>A v&iacute;tima n&atilde;o tinha dinheiro, conta banc&aacute;ria nem amigos. Nunca ia &agrave; praia sozinha. &ldquo;Ela vivia numa esp&eacute;cie de pris&atilde;o&rdquo;, explicou Maria Neuzeli, procuradora especializada no combate &agrave; escravid&atilde;o dom&eacute;stica, &agrave; imprensa local. &ldquo;Ela n&atilde;o sabia como se locomover pela cidade; tinha medo da viol&ecirc;ncia. E, como recebia roupas, comida e abrigo, sentia-se&nbsp;remunerada&nbsp;pelo seu trabalho&rdquo;, acrescentou.<\/p>\n<p><span>Entre no canal de WhatsApp  do Metr&oacute;poles<\/span><\/p>\n<p>Especialistas explicam que, como a explora&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a na inf&acirc;ncia, as v&iacute;timas nem sequer t&ecirc;m consci&ecirc;ncia da gravidade do abuso. Al&eacute;m disso, n&atilde;o conhecem outro mundo al&eacute;m daquele lar. A m&atilde;e de Maria trabalhava para a mesma fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia acusada de mant&ecirc;-la em regime de escravid&atilde;o &eacute; branca e seu sobrenome &eacute; Brasil, um detalhe com peso simb&oacute;lico para um tipo de explora&ccedil;&atilde;o considerado pelos especialistas como um legado da&nbsp;escravid&atilde;o, abolida aqui em 1888&nbsp;.<\/p>\n<p>Os atuais propriet&aacute;rios, membros da terceira gera&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia Brasil, chegaram a um acordo com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, comprometendo-se a comprar para a v&iacute;tima um apartamento de US$ 30.000 (&euro; 26.000) &ldquo;totalmente mobiliado e com eletrodom&eacute;sticos&rdquo;, segundo comunicado do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, al&eacute;m de indeniz&aacute;-la com outros US$ 10.000 (&euro; 8.500). &ldquo;A assinatura deste acordo n&atilde;o impede que a trabalhadora reivindique seus direitos individuais por meio de a&ccedil;&atilde;o judicial&rdquo;, acrescenta o comunicado.<\/p>\n<p>Ela foi explorada durante 55 anos por tr&ecirc;s casais de diferentes gera&ccedil;&otilde;es: dois aposentados, um advogado e um funcion&aacute;rio p&uacute;blico, e um veterin&aacute;rio e outro funcion&aacute;rio p&uacute;blico. Eles tamb&eacute;m s&atilde;o suspeitos de fraude, segundo o portal de not&iacute;cias G1. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, que a localizou, tem provas de que, al&eacute;m de n&atilde;o lhe pagarem pelo trabalho dom&eacute;stico, eles se apropriaram indevidamente dos US$ 115 mensais (100 euros) que Maria recebia como aux&iacute;lio emergencial,&nbsp;o chamado programa Bolsa Fam&iacute;lia&nbsp;.<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia Brasil &ldquo;nega categoricamente as acusa&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o refletem a rela&ccedil;&atilde;o de conviv&ecirc;ncia, cuidado e afeto constru&iacute;da ao longo de d&eacute;cadas com a mulher envolvida&rdquo;, segundo um comunicado divulgado por um escrit&oacute;rio de advocacia. Maria entrou em suas vidas por volta de 1971, o ano em que Kissinger visitou a China, John Lennon comp&ocirc;s a can&ccedil;&atilde;o&nbsp;Imagine&nbsp;e o M&eacute;xico sediou&nbsp;a primeira Copa do Mundo Feminina&nbsp;.<\/p>\n<p>A como&ccedil;&atilde;o gerada pelo caso &eacute; agravada pelo esc&acirc;ndalo em torno da decis&atilde;o das autoridades de permitir que Maria permane&ccedil;a, por ora, com a fam&iacute;lia que a escravizou por 55 anos. O procurador Luciano Arag&atilde;o Santos, coordenador nacional para a erradica&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo, explicou a este jornal que os resgates da servid&atilde;o dom&eacute;stica &ldquo;s&atilde;o ainda mais complexos&rdquo;, pois a v&iacute;tima muitas vezes tamb&eacute;m &eacute; privada de sua autonomia, com la&ccedil;os familiares rompidos e sem acesso a sa&uacute;de ou educa&ccedil;&atilde;o. Portanto, sua liberta&ccedil;&atilde;o &ldquo;exige um esfor&ccedil;o genu&iacute;no para a reintegra&ccedil;&atilde;o social da v&iacute;tima, a restaura&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os familiares e a constru&ccedil;&atilde;o de uma vida aut&ocirc;noma e digna&rdquo;.<\/p>\n<p>A ideia &eacute; que a depend&ecirc;ncia dela em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia exploradora &eacute; t&atilde;o extrema que separ&aacute;-la repentinamente deles, sem uma rede de apoio estruturada, poderia lhe fazer mais mal do que bem.<\/p>\n<p>Maria est&aacute; numa idade em que os brasileiros mais ricos j&aacute; est&atilde;o aposentados e, sejam pobres ou ricos, t&ecirc;m prioridade em qualquer fila ou ao embarcar num avi&atilde;o.<\/p>\n<p>Os tradicionais alojamentos para empregadas dom&eacute;sticas est&atilde;o desaparecendo gradualmente no Brasil, mas edif&iacute;cios com elevador social e elevador de servi&ccedil;o &mdash; para empregadas dom&eacute;sticas, t&eacute;cnicos visitantes, vizinhos com cachorros ou que v&atilde;o &agrave;s compras &mdash; ainda s&atilde;o comuns.<\/p>\n<p>Este caso de viola&ccedil;&otilde;es extremamente graves dos direitos humanos veio &agrave; tona gra&ccedil;as a uma den&uacute;ncia an&ocirc;nima, algo que est&aacute; se tornando cada vez mais comum &agrave; medida que a conscientiza&ccedil;&atilde;o aumenta. E as testemunhas est&atilde;o mais dispostas a se apresentar. Em 2025, as autoridades brasileiras resgataram mais de 2.700 v&iacute;timas de trabalho for&ccedil;ado, dois ter&ccedil;os delas em cidades.<\/p>\n<p>De tempos em tempos, o Brasil se comove com o resgate de uma empregada dom&eacute;stica escravizada por d&eacute;cadas na casa de uma fam&iacute;lia aparentemente respeit&aacute;vel. Embora quase sempre sejam semelhantes, as hist&oacute;rias diferem nos detalhes.<\/p>\n<p>O ponto de virada foi o caso de Madalena Gordiano,&nbsp;cujo resgate em 2021&nbsp;teve um enorme impacto. Compensada pela fam&iacute;lia rica que a mantinha em cativeiro, ela foi libertada. Come&ccedil;ou uma nova vida com novos amigos, nadando no mar e participando de aulas de Zumba, que compartilhava nas redes sociais.<\/p>\n<p>(Transcrito do&nbsp;El Pa&iacute;s)<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadora dom&eacute;stica come&ccedil;ou a trabalhar aos sete anos de idade e nunca recebeu sal&aacute;rio ou f&eacute;rias, deve ser indenizada pelos empregadores Divulga&ccedil;&atilde;o Vamos cham&aacute;-la\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":709548,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-709547","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=709547"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709547\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/709548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=709547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=709547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=709547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}