{"id":71691,"date":"2022-04-05T07:51:43","date_gmt":"2022-04-05T10:51:43","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/tem-muito-protetor-passando-fome-com-os-animais-desabafa-dona-de-abrigo\/"},"modified":"2022-04-05T07:51:43","modified_gmt":"2022-04-05T10:51:43","slug":"tem-muito-protetor-passando-fome-com-os-animais-desabafa-dona-de-abrigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/05\/tem-muito-protetor-passando-fome-com-os-animais-desabafa-dona-de-abrigo\/","title":{"rendered":"&#8216;Tem muito protetor passando fome com os animais&#8217;, desabafa dona de abrigo"},"content":{"rendered":"<p> Abrigos cheios e protetores sem poder mais resgatar animais que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Este \u00e9 o panorama dos abrigos em Belo Horizonte. &#8220;Tem muito protetor passando fome junto com os bichos&#8221; diz Viviane Barbosa, propriet\u00e1ria do Abrigo Balaio de Gato, localizado no Bairro Jaragu\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><\/div>\n<div>O espa\u00e7o funciona desde 2012 na casa de Viviane, e tem cerca de 200 gatos e 30 cachorros. &#8220;Eles v\u00e3o sendo adotados, resgatados. Mas, tem um n\u00famero fixo e de animais que s\u00e3o mais dif\u00edceis de doar, s\u00e3o 120.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela explica que, mesmo antes da pandemia, ela encontrava animais deixados na porta do abrigo. &#8220;Agora aumentou. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem mais complicada, n\u00e3o temos mais doadores, a ra\u00e7\u00e3o est\u00e1 subindo muito e os doadores sumindo, porque est\u00e1 todo mundo muito apertado.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo a protetora, no in\u00edcio da pandemia, o n\u00famero de doa\u00e7\u00f5es aumentou. &#8220;Agora estamos tendo muita devolu\u00e7\u00e3o. As pessoas que adotavam est\u00e3o devolvendo. Na pandemia, ficou todo mundo \u00e0 toa em casa, e agora que voltaram para o trabalho, devolvem o bicho.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela conta que n\u00e3o consegue mais receber animais. &#8220;N\u00e3o estamos resgatando, a n\u00e3o ser em caso de morte. Fazemos um acordo, tentamos castra\u00e7\u00e3o, alimentamos, damos \u00e1gua e deixamos eles onde est\u00e3o (na rua) porque n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de trazer para dentro. N\u00e3o adianta colocar para dentro e todo mundo morrer de fome.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A protetora explica ainda que para resgatar um animal \u00e9 preciso que ele esteja castrado, vacinado e vermifugado para n\u00e3o levar doen\u00e7as para os que j\u00e1 est\u00e3o no abrigo. &#8220;O objetivo aqui \u00e9 deix\u00e1-los prontos para a ado\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Dia Mundial dos Animais de Rua\u00a0\u00a0<\/h3>\n<div><\/div>\n<div>Nesta segunda-feira (4\/4) \u00e9 comemorado o Dia Mundial dos Animais de Rua. A data foi criada por Organiza\u00e7\u00f5es Sem Fins Lucrativos da Holanda, em 2010, como uma forma de ajudar a diminuir o n\u00famero de animais abandonados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), h\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es de animais em situa\u00e7\u00e3o de rua no mundo. J\u00e1 no Brasil, ainda segundo a OMS, existem cerca de 30 milh\u00f5es de animais abandonados, dos quais 10 milh\u00f5es s\u00e3o gatos e 20 milh\u00f5es s\u00e3o c\u00e3es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em Belo Horizonte, de acordo com a coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA), Adriana Ara\u00fajo, existem cerca de 30 mil animais vivendo nas ruas. Por\u00e9m, os n\u00fameros podem ser ainda maiores, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 dados exatos sobre os resgates feitos pelas dezenas de ongs e abrigos independentes de animais na cidade.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Adriana explica que \u00e9 importante saber a quantidade de animais em situa\u00e7\u00e3o de rua para poder pensar em pol\u00edticas p\u00fablicas. &#8220;Como pensar em leis e pol\u00edticas p\u00fablicas diante de um universo desconhecido?&#8221;, questiona.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A coordenadora afirma que a situa\u00e7\u00e3o se agravou durante a pandemia.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Por v\u00e1rios motivos: morte, doen\u00e7a, perda de emprego, mudan\u00e7a de casa ou cidade. Mas, ao nosso ver, n\u00e3o justifica. A pessoa quando decide manter um animal sobre a sua responsabilidade, \u00e9 por toda a vida, independentemente do que aconte\u00e7a. ?? responsabilidade dela pensar antes.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Por isso, no processo de ado\u00e7\u00e3o fazemos um question\u00e1rio, sabatinando a pessoa. Geralmente, os animais abandonados s\u00e3o aqueles que foram comercializados. ?? uma vida que vai gerar despesa, trabalho, tempo, responsabilidade, espa\u00e7o adequado. A pandemia despertou nas pessoas o sentimento de ado\u00e7\u00e3o, mas uma preocupa\u00e7\u00e3o que nos veio, voltando \u00e0 normalidade, como ser\u00e1 a vida desse animal?&#8221;\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela lembra ainda que os animais em situa\u00e7\u00e3o de rua n\u00e3o se limitam aos c\u00e3es e gatos. &#8220;Vemos porcos e cavalos tamb\u00e9m nas ruas de Belo Horizonte. S\u00e3o animais em situa\u00e7\u00e3o de abandono ou neglig\u00eancia porque, muitas vezes, eles t\u00eam tutores que n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis. Todos eles est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de maus tratos, remexendo lixo, comem sacolas pl\u00e1sticas, cacos de vidro, est\u00e3o expostos a atropelamentos.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para Adriana, a pol\u00edtica p\u00fablica mais importante para resolver o problema \u00e9 a de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Para o respeito aos animais de todas as esp\u00e9cies e para a guarda respons\u00e1vel de c\u00e3es e gatos, que s\u00e3o os animais considerados de estima\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o animal e or\u00e7amento p\u00fablico que d\u00ea conta.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela alerta tamb\u00e9m que a popula\u00e7\u00e3o deve ser vigilante em rela\u00e7\u00e3o aos animais em situa\u00e7\u00e3o de rua e, em caso de maus-tratos, pede que acionem os \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1veis para que tomem as provid\u00eancias. &#8220;Exercer o controle popular, tirar esse animal do risco, cont\u00ea-lo e chamar o poder p\u00fablico e as ongs.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Resgate, ado\u00e7\u00e3o e pedido de recolhimento<\/h3>\n<div>A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Sa\u00fade, informa que, em 2021, foram recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses 1.145 c\u00e3es e 1.039 gatos. Em 2020, foram recolhidos 1.585 c\u00e3es e 1.206 gatos. J\u00e1 em 2019, 1.996 c\u00e3es e 1.108 gatos.<\/p>\n<\/div>\n<div>Segundo a PBH, o Centro de Controle de Zoonoses faz o recolhimento de animais soltos nas vias sem tutores pr\u00f3ximos. Todos os animais que chegam \u00e0 unidade passam por uma consulta com veterin\u00e1rio. Caso necess\u00e1rio, \u00e9 iniciado tratamento adequado. Al\u00e9m dessa avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 feita vermifuga\u00e7\u00e3o, vacina contra a raiva e controle de ectoendoparasitas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>C\u00e3es e gatos aguardam o per\u00edodo de dois dias ap\u00f3s a captura para serem resgatados por seus tutores. Expirado o prazo, eles s\u00e3o disponibilizados para ado\u00e7\u00e3o nas depend\u00eancias do Centro de Controle de Zoonoses, de segunda a sexta-feira, das 9h30 \u00e0s 16h30.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para adotar, \u00e9 necess\u00e1rio ser maior de idade, apresentar carteira de identidade e comprovante de endere\u00e7o. Animais adotados, com idade superior a 4 meses, saem castrados e microchipados. Filhotes abaixo de 4 meses saem com a castra\u00e7\u00e3o garantida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O pedido para recolhimento de animais soltos nas vias p\u00fablicas deve ser feito atrav\u00e9s dos telefones 3277-7411 ou 7413, presencialmente ou por meio da Pol\u00edcia Militar, Civil, Rodovi\u00e1ria e Corpo de Bombeiros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A PBH ressalta ainda que o abandono e maus tratos de animais \u00e9 crime e deve ser denunciado \u00e0 Delegacia Especializada de Investiga\u00e7\u00e3o de Crimes Contra a Fauna de Minas Gerais. &#8220;A Prefeitura de Belo Horizonte desenvolve pol\u00edticas, em v\u00e1rias frentes, para evitar o abandono, o tratamento inadequado e as doen\u00e7as transmitidas por animais.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Tr\u00eas gatos e ajuda para o irm\u00e3o autista<\/h3>\n<div>A designer gr\u00e1fico J\u00falia Corr\u00eaa, de 22 anos, tem tr\u00eas gatos em casa: Nina, Mingau e Frida. Dois deles vieram das ruas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;J\u00e1 tivemos v\u00e1rios gatos, na verdade. O primeiro apareceu na escola da minha m\u00e3e e ela alimentou. Eu e meu irm\u00e3o j\u00e1 quer\u00edamos um bichinho, ent\u00e3o minha m\u00e3e levou ele pra casa e passamos a cuidar. Infelizmente, ele acabou sendo atropelado.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dos tr\u00eas que est\u00e3o na casa atualmente, a mais velha, Nina, foi por ado\u00e7\u00e3o. &#8220;Uma colega da minha m\u00e3e tinha uma gatinha que precisava ser adotada. Pegamos ela. E os outros dois vieram durante a pandemia, viram a porta aberta, entraram e por ali ficaram. Foi bem espont\u00e2neo e a gente percebe que com os cuidados, alimenta\u00e7\u00e3o, carinho, eles decidem ficar.&#8221;<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mingau tem uma doen\u00e7a chamada esporotricose e, por causa dela, n\u00e3o pode ser castrado.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Por ter essa doen\u00e7a, n\u00e3o conseguimos ningu\u00e9m para castrar porque \u00e9 um risco para a pessoa, j\u00e1 que ela \u00e9 transmiss\u00edvel para humanos. Al\u00e9m disso, qualquer corte que ele tenha pode prejudicar o estado de sa\u00fade dele.&#8221;\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00falia conta que al\u00e9m da doen\u00e7a, Mingau chegou na casa dela com anemia e hepatite. &#8220;O f\u00edgado dele \u00e9 muito destru\u00eddo. Mas vamos tratando essas doen\u00e7as.&#8221;\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo a designer gr\u00e1fico, o pai dela tenta limitar a quantidade de animais na casa. Se fosse por ela, a m\u00e3e e o irm\u00e3o, C\u00e9sar, a casa seria cheia de gatos.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Meu irm\u00e3o \u00e9 autista e tem uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com os animais, at\u00e9 estimula e traz um bem estar para a sa\u00fade dele. Depois que o primeiro morreu e a gente n\u00e3o teve mais gatos, minha m\u00e3e fez quest\u00e3o de adotar a Nina porque via a falta que o gato fazia para ele.&#8221;\u00a0 \u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abrigos cheios e protetores sem poder mais resgatar animais que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. 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