{"id":716965,"date":"2026-07-28T01:48:04","date_gmt":"2026-07-28T04:48:04","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/rover-da-nasa-encontra-em-marte-rochas-de-mais-de-39-bilhoes-de-anos\/"},"modified":"2026-07-28T01:48:53","modified_gmt":"2026-07-28T04:48:53","slug":"rover-da-nasa-encontra-em-marte-rochas-de-mais-de-39-bilhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/28\/rover-da-nasa-encontra-em-marte-rochas-de-mais-de-39-bilhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Rover da NASA encontra em Marte rochas de mais de 3,9 bilh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p> <meta name=\"keywords\" content=\"Marte, Perseverance, Jezero, Broom Point, Isidis, cratera Jezero, rochas antigas, impactos de asteroides, AGU, NASA JPL\" \/><br \/>\n<meta name=\"description\" content=\"Estudo com o rover Perseverance em Jezero sugere que rochas na borda da cratera remontam a 3,9 bilh\u00f5es de anos, revelando registro de impactos de asteroides.\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPesquisadores identificaram evid\u00eancias geol\u00f3gicas em Marte que remontam a mais de 3,9 bilh\u00f5es de anos, preservadas em rochas localizadas nos arredores da Cratera Jezero. A descoberta foi feita pelo rover Perseverance, da NASA, e pode ajudar a entender um per\u00edodo da hist\u00f3ria do Sistema Solar que praticamente desapareceu da Terra devido \u00e0 tect\u00f4nica de placas e \u00e0 eros\u00e3o.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAs rochas analisadas foram encontradas na borda da Cratera Jezero, regi\u00e3o que j\u00e1 despertava o interesse da comunidade cient\u00edfica por indicar a presen\u00e7a de um lago no passado. Segundo o estudo, essas forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais antigas do que a pr\u00f3pria cratera, tornando-se o terreno mais antigo j\u00e1 investigado por um rover em Marte.\n<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"622\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides-1024x622.jpg\" alt=\"Rochas de cores vivas expostas na encosta de Marte\"><figcaption>Rochas de cores vivas expostas na encosta, que se estendem do centro-esquerdo ao centro-direito da imagem, pertencem a uma forma\u00e7\u00e3o que a equipe cient\u00edfica chama de <strong>membro Broom Point<\/strong>, uma pilha de rochas antigas com 75 metros de espessura \u2013 Imagem: NASA\/JPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 id=\"h-formacao-preserva-bilhoes-de-anos-da-historia-marciana\">Forma\u00e7\u00e3o preserva bilh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria marciana<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA estrutura estudada \u00e9 o <strong>membro Broom Point<\/strong>, uma sequ\u00eancia de camadas com cerca de 75 metros de espessura, formada por rochas depositadas ao longo de um extenso per\u00edodo. As camadas n\u00e3o teriam surgido de um \u00fanico evento geol\u00f3gico; elas foram constru\u00eddas gradualmente por detritos gerados a partir de sucessivos impactos de asteroides durante uma fase particularmente violenta da hist\u00f3ria do Sistema Solar.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u201cDesde que deixou a cratera, o Perseverance vem explorando uma fronteira totalmente nova, tanto geogr\u00e1fica quanto geologicamente \u2014 um cap\u00edtulo do tempo marciano que antecede a pr\u00f3pria cratera\u201d, afirmou Ken Farley, do <strong>Caltech<\/strong>, ao Earth.com. O pesquisador destacou que Marte preservou registros que desapareceram da Terra, pois n\u00e3o possui tect\u00f4nica de placas para reciclar sua crosta.\n<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"967\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-967x1024.jpg\" alt=\"Imagens da f\u00e1cies 5\"><figcaption>Imagens da f\u00e1cies 5, uma camada bem selecionada, com suporte de arcabou\u00e7o e contendo esf&eacute;ras, na estratigrafia de Broom Point. Isso indica impactos repetidos de asteroides na Cratera Jezero, em Marte \u2013 Imagem: NASA\/JPL-Caltech\/ASU\/MSSS\/L. Mehall<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 id=\"h-perseverance-encontrou-seis-tipos-diferentes-de-rochas\">Perseverance encontrou seis tipos diferentes de rochas<\/h2>\n<ul>\n<li>Ap\u00f3s descer a borda oeste da Cratera Jezero no in\u00edcio de 2025, o Perseverance utilizou seus instrumentos para examinar o <strong>membro Broom Point<\/strong>;<\/li>\n<li>Durante a investiga\u00e7\u00e3o, o rover identificou seis tipos distintos de rochas, incluindo fragmentos de rochas quebradas misturados a finas camadas de poeira rochosa;<\/li>\n<li>Alguns fragmentos apresentam cavidades deixadas por antigas bolhas de g\u00e1s, indicando que j\u00e1 estiveram fundidos;<\/li>\n<li>Observou-se grande quantidade de pequenas part\u00edculas escuras com apar\u00eancia v\u00edtrea distribu\u00eddas pela forma\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Embora vulc\u00f5es tamb\u00e9m possam produzir materiais semelhantes, os cientistas afirmam que isso ocorre em volumes menores, tornando menos prov\u00e1vel a origem apenas vulc\u00e2nica \u2014 os impactos de asteroides ganham for\u00e7a como explica\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>As maiores part&iacute;culas possuem dimens&otilde;es compar&aacute;veis ao material lan\u00e7ado na atmosfera pelo impacto do asteroide que terminou com os dinossauros na Terra, Chicxulub.<\/li>\n<\/ul>\n<h2 id=\"h-camadas-indicam-sucessivos-impactos-de-asteroides\">Camadas indicam sucessivos impactos de asteroides<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA repeti\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de rocha levou os pesquisadores a concluir que a regi\u00e3o foi atingida por v\u00e1rios impactos ao longo do tempo, e n\u00e3o por uma \u00fanica colis\u00e3o maci\u00e7a. \u201cAlguns grandes impactos ocorreram longe, outros pr\u00f3ximos; todos os detritos contribu\u00edram para formar a espessa sequ\u00eancia de rochas\u201d, explicou Alex Jones, do Imperial College London (Reino Unido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAlgumas camadas tamb\u00e9m exibem ind\u00edcios de terem se formado a partir de fluxos r\u00e1pidos de detritos que se deslocavam pr\u00f3ximos \u00e0 superf\u00edcie. Na Terra, fen\u00f4menos semelhantes podem ocorrer quando material extremamente quente entra em contato com \u00e1gua ou gelo, gerando vapor em grandes quantidades, o que sugere a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ou gelo na forma\u00e7\u00e3o dessas rochas em Marte.<\/p>\n<h2 id=\"h-dois-grandes-impactos-podem-ter-moldado-a-regiao\">Dois grandes impactos podem ter moldado a regi\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nOs pesquisadores destacam a inclina\u00e7\u00e3o acentuada de algumas camadas, com \u00e2ngulos superiores a 80 graus, hoje quase verticais. A conclus\u00e3o \u00e9 de que o impacto que criou a Cratera Jezero, com cerca de 45 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, n\u00e3o seria suficiente para explicar tal deforma\u00e7\u00e3o. A hip\u00f3tese \u00e9 que a regi\u00e3o tenha sido moldada por dois grandes impactos ocorridos em momentos distintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO primeiro teria formado a gigantesca <strong>Bacia Isidis<\/strong>, com di\u00e2metro de cerca de 1.930 quil\u00f4metros, cujo impacto inclinado as rochas. Posteriormente, outro asteroide teria atingido a \u00e1rea, formando Jezero e fragmentando as rochas j\u00e1 inclinadas, gerando as estruturas observadas hoje.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"967\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-967x1024.jpg\" alt=\"Fases de rochas em Marte\"><figcaption>Imagens da f\u00e1cies 5, evidenciando camadas e indi&ccedil;os de impactos repetidos na Cratera Jezero \u2014 Imagem: NASA\/JPL-Caltech\/ASU\/MSSS\/L. Mehall<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 id=\"h-amostras-podem-revelar-a-cronologia-dos-primeiros-bilhoes-de-anos\">Amostras podem revelar a cronologia dos primeiros bilh\u00f5es de anos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPara datar esses eventos, a equipe do Perseverance coletou duas amostras de n\u00facleo de rocha, batizadas de <strong>Bell Island<\/strong> e <strong>Main River<\/strong>. Se uma miss\u00e3o futura conseguir traz\u00ea-las \u00e0 Terra, especialistas poder\u00e3o usar laborat\u00f3rios de alta precis\u00e3o para determinar a idade das rochas com maior exatid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssas an\u00e1lises poder\u00e3o ajudar a estimar com que frequ\u00eancia asteroides atingiam Marte e a Terra primitiva. Enquanto grande parte do registro na Terra foi perdido pela reciclagem da crosta, Marte manteve evid\u00eancias antigas e menos alteradas \u00e0 superf\u00edcie. \u201cLer esse relat\u00f3rio meteorol\u00f3gico c\u00f3smico de quatro bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s seria como abrir uma janela para um passado quase in\u00e9dito\u201d, afirmou Alex Jones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO estudo foi publicado pela <em>American Geophysical Union (AGU)<\/em>.<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mozelli-150x150.jpg\" alt=\"Rodrigo Mozelli\" loading=\"lazy\"><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rodrigo Mozelli<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo Mozelli \u00e9 jornalista formado pela Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo (UMESP) e, atualmente, \u00e9 redator do Olhar Digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ver todos os artigos ?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores identificaram evid\u00eancias geol\u00f3gicas em Marte que remontam a mais de 3,9 bilh\u00f5es de anos, preservadas em rochas localizadas nos arredores da Cratera Jezero.\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":716967,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[229],"tags":[],"class_list":["post-716965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=716965"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716965\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":716966,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716965\/revisions\/716966"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/716967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=716965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=716965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=716965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}