{"id":717162,"date":"2026-07-28T12:26:46","date_gmt":"2026-07-28T15:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/disparidade-racial-e-pacto-da-branquitude-durante-julho-das-pretas-juiza-do-tjba-analisa-dados-de-raca-e-genero-do-judiciario-baiano\/"},"modified":"2026-07-28T12:36:48","modified_gmt":"2026-07-28T15:36:48","slug":"disparidade-racial-e-pacto-da-branquitude-durante-julho-das-pretas-juiza-do-tjba-analisa-dados-de-raca-e-genero-do-judiciario-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/28\/disparidade-racial-e-pacto-da-branquitude-durante-julho-das-pretas-juiza-do-tjba-analisa-dados-de-raca-e-genero-do-judiciario-baiano\/","title":{"rendered":"Julho das Pretas: ju\u00edza do TJBA analisa disparidades raciais e de g\u00eanero no judici\u00e1rio baiano"},"content":{"rendered":"<h1 id=\"mcetoc_1jukltde20\">Baixa representatividade racial e de g\u00eanero no Judici\u00e1rio \u00e9 tema de entrevista com ju\u00edza baiana<\/h1>\n<div class=\"box-resumo-jornalistico\" style=\"border: 1px solid #ccc; padding: 10px; margin: 20px 0;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo r\u00e1pido:<\/strong> Dados do CNJ revelam d\u00e9ficit de representatividade racial e de g\u00eanero no Judici\u00e1rio brasileiro. Na Bahia, 37,3% dos magistrados s\u00e3o negros, sendo 18,65% mulheres negras. A entrevista com a ju\u00edza Andremara dos Santos aborda impactos na democracia, na justi\u00e7a e na forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de juristas.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dados do CNJ evidenciam um acentuado d\u00e9ficit de representatividade racial e de g\u00eanero no Poder Judici\u00e1rio brasileiro. Do total de 18.935 magistrados no pa\u00eds, apenas 14,8% se autodeclaram negros, e entre as mulheres negras a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 de 5,3%. Em \u00e2mbito estadual, a Bahia apresenta n\u00fameros mais elevados, com 37,3% de magistrados negros, dos quais 18,65% s\u00e3o mulheres.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de esse \u00edndice ser acima da m\u00e9dia nacional, a magistratura baiana segue sub-representada frente \u00e0 composi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica do estado. Segundo dados do IBGE, 80,8% da popula\u00e7\u00e3o da Bahia se declara negra, sendo 41,5% mulheres negras. H\u00e1, portanto, um descompasso estrutural superior a 40 pontos percentuais entre a demografia local e a ocupa\u00e7\u00e3o de cargos no Judici\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para compreender o significado desses n\u00fameros, o Bahia Not\u00edcias publicou uma entrevista especial com a ju\u00edza Andremara dos Santos, doutoranda em Direito Constitucional pela Universidade Nova de Lisboa e mestre em Seguran\u00e7a P\u00fablica pela UFBA. Ela atua na 1\u00aa Vara de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher de Salvador e j\u00e1 ocupou a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia do STF.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andremara aponta que a aus\u00eancia de mulheres negras nos cargos de lideran\u00e7a prejudica a compreens\u00e3o de casos que afetam majoritariamente essa popula\u00e7\u00e3o, como demonstra a vis\u00e3o de pesquisas atuais sobre viol\u00eancia contra a mulher negra (Atlas da Viol\u00eancia, 2025). Ela ressalta que a disparidade n\u00e3o \u00e9 apenas n\u00fameros, mas um reflexo de um contexto hist\u00f3rico que perpetua uma vis\u00e3o de democracia centrada em padr\u00f5es de branquitude.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A magistrada refor\u00e7a que o fen\u00f4meno n\u00e3o decorre de uma inten\u00e7\u00e3o deliberada, mas de um conjunto de condicionamentos hist\u00f3ricos e culturais que dificultam o acesso de corpos negros a espa\u00e7os privilegiados de poder. Ela utiliza a express\u00e3o \u201cpacto narc\u00edsico da branquitude\u201d para explicar como a estrutura do Judici\u00e1rio tende a naturalizar a branquitude e a enxergar a presen\u00e7a negra como exce\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre as solu\u00e7\u00f5es discutidas, a ju\u00edza defende incentivos institucionais que promovam a ascens\u00e3o de clerical e magistrados negros, como a proposi\u00e7\u00e3o de pontua\u00e7\u00f5es em premia\u00e7\u00f5es e selos institucionais para tribunais que promovam a ascens\u00e3o de profissionais negros. Tamb\u00e9m ressalta o alto custo de prepara\u00e7\u00e3o para concursos\u2014estimado em mais de R$ 70 mil\u2014e destaca a necessidade de bolsas promovidas pelo CNJ para candidatas negras.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao final da entrevista, Andremara dirige uma mensagem aos estudantes e jovens juristas negros: seja \u201csurdo e cega\u201d diante das vozes que tentam desencoraj\u00e1-los, pois o caminho \u00e9 dif\u00edcil, mas poss\u00edvel, com portas cada vez mais abertas por pol\u00edticas de inclus\u00e3o. O objetivo \u00e9 conduzir o Judici\u00e1rio a uma democracia mais sens\u00edvel \u00e0s especificidades de quem \u00e9 maior v\u00edtima da viol\u00eancia no pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte de refer\u00eancia: Bahia Not\u00edcias, parceiro do PrimeiroJornal.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baixa representatividade racial e de g\u00eanero no Judici\u00e1rio \u00e9 tema de entrevista com ju\u00edza baiana Resumo r\u00e1pido: Dados do CNJ revelam d\u00e9ficit de representatividade\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":717164,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-717162","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=717162"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":717168,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717162\/revisions\/717168"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/717164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=717162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=717162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=717162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}