{"id":717587,"date":"2026-07-29T08:15:02","date_gmt":"2026-07-29T11:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/07\/dor-cronica-pode-influenciar-no-tratamento-da-depressao\/"},"modified":"2026-07-29T08:15:59","modified_gmt":"2026-07-29T11:15:59","slug":"dor-cronica-pode-influenciar-no-tratamento-da-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/07\/29\/dor-cronica-pode-influenciar-no-tratamento-da-depressao\/","title":{"rendered":"Dor cr\u00f4nica pode afetar o tratamento da depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo publicado na revista <strong>Nature Mental Health<\/strong> nesta ter\u00e7a-feira (28) aponta que parte dos pacientes classificados como depress\u00e3o resistente ao tratamento pode n\u00e3o ter uma doen\u00e7a refrat\u00e1ria a rem\u00e9dios, mas sim dor cr\u00f4nica n\u00e3o medida. Os autores, <strong>Nilson Mendes Neto<\/strong> (Harvard Medical School), <strong>Brendon Stubbs<\/strong> (King\u2019s College London) e <strong>Jessika Mendes<\/strong> (NeuroPsy), defendem que a dor explica a resist\u00eancia ao tratamento em alguns casos e que ela n\u00e3o \u00e9 capturada por instrumentos comumente usados na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o artigo, a dor cr\u00f4nica \u00e9 comum entre quem tem depress\u00e3o e pode reduzir a resposta aos antidepressivos. No entanto, a dor n\u00e3o entra na defini\u00e7\u00e3o de depress\u00e3o resistente nem aparece nos question\u00e1rios mais utilizados, como o <strong>PHQ-9<\/strong> e a <strong>escala de Hamilton<\/strong>, o que dificulta a avalia\u00e7\u00e3o do impacto da dor na gravidade dos sintomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo refor\u00e7a que, quando a depress\u00e3o n\u00e3o responde ao tratamento, m\u00e9dicos costumam perguntar se o medicamento falhou, sem questionar se a dor cr\u00f4nica n\u00e3o foi medida previamente, o que pode influenciar a condu\u00e7\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse \u00e9 justamente o ponto que levantamos: n\u00e3o estamos dizendo que os m\u00e9dicos simplesmente ignoram a dor. Estamos mostrando que a arquitetura usada para medir e classificar a depress\u00e3o resistente n\u00e3o exige que ela seja sistematicamente considerada.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores apontam que parte dos pacientes categorizados como depress\u00e3o resistente pode, na verdade, apresentar uma dor n\u00e3o identificada. <strong>\u201cN\u00e3o estamos afirmando que a maioria dos casos de depress\u00e3o resistente seja explicada pela dor, nem que pacientes com dor n\u00e3o tenham depress\u00e3o verdadeiramente resistente,\u201d<\/strong> explica Nilson Mendes Neto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que eles defendem<\/strong> \u00e9 que, em alguns pacientes, uma condi\u00e7\u00e3o dolorosa n\u00e3o medida pode contribuir para a aparente resist\u00eancia ao tratamento, influenciando tanto a resposta ao antidepressivo quanto a interpreta\u00e7\u00e3o da persist\u00eancia dos sintomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto brasileiro, os autores destacam implica\u00e7\u00f5es para o <strong>SUS<\/strong>. A primeira \u00e9 que o problema n\u00e3o exige necessariamente tecnologia cara para come\u00e7ar a ser enfrentado. Na <strong>aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria<\/strong>, em ambulat\u00f3rios de sa\u00fade mental e nos <strong>CAPS<\/strong>, uma avalia\u00e7\u00e3o estruturada sobre a presen\u00e7a, dura\u00e7\u00e3o e impacto da dor poderia orientar a identifica\u00e7\u00e3o de pacientes que merecem investiga\u00e7\u00e3o antes de concluir que a depress\u00e3o \u00e9 realmente resistente ao tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso \u00e9 especialmente relevante para o SUS, porque muitos pacientes com depress\u00e3o convivem com condi\u00e7\u00f5es dolorosas cr\u00f4nicas, como lombalgia, osteoartrite, fibromialgia e neuropatias\u201d, pondera Nilson. O pesquisador destaca que incorporar a dor \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa atrasar tratamentos eficazes, mas aumentar a precis\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o para oferecer o tratamento adequado ao paciente certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo tamb\u00e9m aponta que no Brasil isso poderia come\u00e7ar com rastreio de dor na avalia\u00e7\u00e3o de pacientes cuja depress\u00e3o n\u00e3o responde ao tratamento, registrando essa informa\u00e7\u00e3o de forma padronizada e fortalecendo a integra\u00e7\u00e3o entre aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, psiquiatria e cuidado da dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm resumo, a implica\u00e7\u00e3o para o SUS \u00e9 bastante concreta: antes de tornar o tratamento mais complexo, precisamos ter certeza de que a avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou de medir algo importante e potencialmente trat\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brendon Stubbs e Jessika Mendes (NeuroPsy) tamb\u00e9m assinam o artigo, fortalecendo uma colabora\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es internacionais e brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PALAVRAS-CHAVE:<\/strong> depress\u00e3o resistente, dor cr\u00f4nica, depress\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o da dor, PHQ-9, Hamilton, SUS, CAPS, sa\u00fade mental, Nature Mental Health<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>META DESCRI\u00c7\u00c3O:<\/strong> Estudo da Nature Mental Health sugere que dor cr\u00f4nica n\u00e3o medida pode explicar parte da depress\u00e3o resistente e prop\u00f5e rastreio de dor no SUS para melhorar a classifica\u00e7\u00e3o e o tratamento.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo publicado na revista Nature Mental Health nesta ter\u00e7a-feira (28) aponta que parte dos pacientes classificados como depress\u00e3o resistente ao tratamento pode n\u00e3o\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":717589,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[174],"tags":[],"class_list":["post-717587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=717587"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717587\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":717588,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717587\/revisions\/717588"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/717589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=717587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=717587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=717587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}