{"id":718966,"date":"2026-08-04T00:03:42","date_gmt":"2026-08-04T03:03:42","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/08\/ajuda-internacional-sofre-corte-de-231-em-2025-o-maior-da-historia\/"},"modified":"2026-08-04T00:03:42","modified_gmt":"2026-08-04T03:03:42","slug":"ajuda-internacional-sofre-corte-de-231-em-2025-o-maior-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/08\/04\/ajuda-internacional-sofre-corte-de-231-em-2025-o-maior-da-historia\/","title":{"rendered":"Ajuda internacional sofre corte de 23,1% em 2025, o maior da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O volume de ajuda internacional de pa&iacute;ses ricos para na&ccedil;&otilde;es pobres, menos desenvolvidas e institui&ccedil;&otilde;es multilaterais sofreu corte de 23,1% na passagem de 2024 para 2025, marcando a maior redu&ccedil;&atilde;o j&aacute; registrada.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1698461&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1698461&amp;o=node\"><\/p>\n<p>No ano passado, o aux&iacute;lio dos pa&iacute;ses ricos foi de US$ 174,3 bilh&otilde;es (quase R$ 900 bilh&otilde;es), corte de US$ 52,4 bilh&otilde;es em um ano, em termos reais, ou seja, j&aacute; considerando a infla&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo. Foi o segundo ano seguido de diminui&ccedil;&atilde;o na ajuda internacional global.<\/p>\n<p>Os dados fazem parte do estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado pelo Brics Policy Center, centro de estudos vinculado ao Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es&nbsp;Internacionais da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).<\/p>\n<p>Os pesquisadores Isabel Rocha de Siqueira, Enzo Cosenza, Luis Ehl buscaram informa&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; de Assist&ecirc;ncia ao Desenvolvimento (CAD), grupo de pa&iacute;ses doadores, ligado &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), conhecida como &ldquo;clube dos pa&iacute;ses ricos&rdquo;. O Brasil n&atilde;o faz parte da institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os <strong>acad&ecirc;micos projetam ainda nova redu&ccedil;&atilde;o de 6,9% em 2026, configurando o terceiro ano seguido de recuo, o que levaria o patamar de ajuda ao mesmo n&iacute;vel de 2014.<\/strong><\/p>\n<h2>Tipo de ajuda<\/h2>\n<p>Os valores de doa&ccedil;&otilde;es se referem &agrave; chamada Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD), recursos p&uacute;blicos fornecidos por governos com o objetivo de promover o desenvolvimento<\/p>\n<p>econ&ocirc;mico e a prosperidade em outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>A ajuda pode ser bilateral, quando &eacute; enviada diretamente para o pa&iacute;s receptor, ou multilateral, recursos que os governos enviam para institui&ccedil;&otilde;es, como a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) ou o Banco Mundial, que possuem os pr&oacute;prios programas de desenvolvimento.<\/p>\n<h2>EUA com maior corte<\/h2>\n<p><strong>Apesar de o comit&ecirc; ser formado por 33 pa&iacute;ses e a Uni&atilde;o Europeia (UE), o estudo revela que os cinco maiores doadores (Fran&ccedil;a, Alemanha, Jap&atilde;o, Reino Unido e Estados Unido) representam 95,7% da redu&ccedil;&atilde;o de 2024 para 2025.<\/strong><\/p>\n<p>Os EUA cortaram a ajuda internacional em mais que a metade (56,9%), de forma que s&oacute; os americanos respondem por tr&ecirc;s quartos (75,1%) da diminui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O ano passado marcou tamb&eacute;m a primeira vez em que todos os grandes doadores diminu&iacute;ram o volume de doa&ccedil;&atilde;o por dois anos seguidos: Alemanha (-17,4%), Fran&ccedil;a (-10,9%), Reino Unido&nbsp;(-10,8%) e Jap&atilde;o (-5,6%).<\/p>\n<h2>Trump, defesa e energia<\/h2>\n<p>O corte mais que pela metade da ajuda americana coincide com o in&iacute;cio do novo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O presidente americano tem mantido posi&ccedil;&atilde;o contra o multilateralismo.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/reSeVlUYj5LDg1Wnuuh7e1ur7r0=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/01\/06\/2026-01-06t160600z_445037955_rc2rvia3dx7v_rtrmadp_3_usa-trump.jpg?itok=Cfi5UfWB\" alt=\"U.S. President Donald Trump addresses House Republicans at their annual issues conference retreat, at the Kennedy Center, renamed the Trump-Kennedy Center by the Trump-appointed board of directors, in Washington, D.C., U.S., January 6, 2026. REUTERS\/Kevin Lamarque\" title=\"REUTERS\/Kevin Lamarque\/Proibida reprodu&ccedil;&atilde;o\" data-old-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/reSeVlUYj5LDg1Wnuuh7e1ur7r0=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/01\/06\/2026-01-06t160600z_445037955_rc2rvia3dx7v_rtrmadp_3_usa-trump.jpg?itok=Cfi5UfWB\"><\/p>\n<\/div>\n<h6>Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump&nbsp;<strong>Reuters\/Kevin Lamarque\/Proibida reprodu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/h6>\n<\/p><\/div>\n<p>&gt;&gt; Leia aqui: Trump retira EUA de 66 organiza&ccedil;&otilde;es internacionais&nbsp;<\/p>\n<p>Outro fator apontado para diminui&ccedil;&atilde;o &eacute; o direcionamento de recursos para outras &aacute;reas, notadamente seguran&ccedil;a energ&eacute;tica e defesa.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos EUA, os gastos com defesa subiram de US$ 822,8 bilh&otilde;es em 2024 para US$ 845,3 bilh&otilde;es. Na Uni&atilde;o Europeia, o salto foi de 11%, chegando a 381 bilh&otilde;es de euros.<\/p>\n<p>O estudo aponta que o investimento total em energia na UE passou de US$ 215 bilh&otilde;es em 2015 para cerca de US$ 420 bilh&otilde;es em 2025, ou seja, quase dobrou.<\/p>\n<p>&ldquo;Esse impulso de investimento vem se consolidando ao longo da d&eacute;cada e foi fortemente acelerado pelo choque de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica ap&oacute;s o in&iacute;cio da Guerra da Ucr&acirc;nia&nbsp;[fevereiro de 2022]&rdquo;, explica o relat&oacute;rio.<\/p>\n<p>Os pesquisadores sinalizam uma &ldquo;retra&ccedil;&atilde;o seletiva&rdquo; da ajuda internacional. Essa condi&ccedil;&atilde;o &eacute; marcada pelo fato de n&atilde;o haver queda uniforme nos canais multilaterais. O financiamento ao sistema ONU caiu 27%, o maior j&aacute; registrado. No entanto, o apoio ao Banco Mundial&nbsp;aumentou 6,4%; e aos bancos regionais de desenvolvimento, 11,9%.<\/p>\n<p>&ldquo;Os governos doadores est&atilde;o redefinindo quais tipos de engajamento multilateral eles consideram dignos de serem preservados, por motivos estrat&eacute;gicos&rdquo;, afirma o documento.<\/p>\n<h2>Ucr&acirc;nia<\/h2>\n<p>Mesmo com a queda global da ajuda internacional, a Ucr&acirc;nia, pa&iacute;s atualmente no quinto ano de guerra com a R&uacute;ssia, se destaca como prioridade estrat&eacute;gica de pa&iacute;ses europeus.<\/p>\n<p><strong>Mesmo com redu&ccedil;&atilde;o de 91% da ajuda dos EUA ao pa&iacute;s, a Ucr&acirc;nia &eacute; o maior recebedor individual de toda a hist&oacute;ria da AOD. Esse patamar, com R$ 44,9 bilh&otilde;es recebidos, foi compensado por 23 pa&iacute;ses que incrementaram o volume de assist&ecirc;ncia financeira. S&oacute; institui&ccedil;&otilde;es da UE subiram os envios em 65,2%.<\/strong><\/p>\n<p>O montante recebido pela Ucr&acirc;nia supera os US$ 28,1 bilh&otilde;es destinados aos 44 pa&iacute;ses do grupo classificado pela ONU como Pa&iacute;ses Menos Desenvolvidos (PMD).<\/p>\n<h2>Impacto da redu&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p>Para apresentar impactos do corte na ajuda internacional, os pesquisadores da PUC-Rio se utilizam de dados da Oxfam, organiza&ccedil;&atilde;o internacional sem fins lucrativos focada em combater a pobreza.<\/p>\n<p><strong>&ldquo;A estimativa &eacute; de que os cortes na ajuda externa somente em 2025 seriam respons&aacute;veis por 695.238 mortes em excesso e que, caso a tend&ecirc;ncia de cortes na ajuda continue, poderiam causar 9.416.417 mortes at&eacute; 2030&rdquo;, reproduzem.<\/strong><\/p>\n<p>A regi&atilde;o que mais sofre com o recuo da ajuda internacional dos pa&iacute;ses ricos &eacute; a &Aacute;frica Subsaariana, que viu em 2025 os recursos diminu&iacute;rem 23%, ficando em US$ 29,2 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Para 2026, a proje&ccedil;&atilde;o &eacute; nova redu&ccedil;&atilde;o, dessa vez de 11,6%. Se confirmado, ser&atilde;o US$ 11,8 bilh&otilde;es a menos para essas na&ccedil;&otilde;es.<\/strong><\/p>\n<p>O estudo lembra que 32 dos 49 pa&iacute;ses da &Aacute;frica Subsaariana tamb&eacute;m s&atilde;o do grupo Pa&iacute;ses Menos Desenvolvidos.<\/p>\n<p>Ao citar a insufici&ecirc;ncia de recursos, o documento lembra que durante a 30&ordf; Confer&ecirc;ncia da ONU sobre Mudan&ccedil;a do Clima (COP30), realizada em novembro passado em Bel&eacute;m,&nbsp;falava-se na necessidade de mobilizar US$ 1,3 trilh&atilde;o para o financiamento clim&aacute;tico, ao mesmo tempo em que havia &ldquo;um consenso de que esse valor &eacute; praticamente inalcan&ccedil;&aacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<h2>Caminhos<\/h2>\n<p>Ao fim do diagn&oacute;stico, o levantamento apresenta caminhos que deveriam ser perseguidos para minimizar impactos em pa&iacute;ses mais dependentes de ajuda internacional.<\/p>\n<p>Entre as a&ccedil;&otilde;es est&atilde;o direcionar recursos escassos para os pa&iacute;ses mais pobres, especialmente os que dependem excessivamente de poucos doadores; planejar sa&iacute;das de financiamento de forma &#8220;respons&aacute;vel e coordenada&#8221; e tornar a ajuda mais eficaz e geradora de mais impacto para o desenvolvimento.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O volume de ajuda internacional de pa&iacute;ses ricos para na&ccedil;&otilde;es pobres, menos desenvolvidas e institui&ccedil;&otilde;es multilaterais sofreu corte de 23,1% na passagem de 2024\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-718966","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/718966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=718966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/718966\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=718966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=718966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=718966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}