{"id":719075,"date":"2026-08-04T11:03:35","date_gmt":"2026-08-04T14:03:35","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/08\/especialistas-divergem-sobre-anuencia-de-marrocos-em-migracao-a-ceuta\/"},"modified":"2026-08-04T11:03:35","modified_gmt":"2026-08-04T14:03:35","slug":"especialistas-divergem-sobre-anuencia-de-marrocos-em-migracao-a-ceuta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/08\/04\/especialistas-divergem-sobre-anuencia-de-marrocos-em-migracao-a-ceuta\/","title":{"rendered":"Especialistas divergem sobre anu\u00eancia de Marrocos em migra\u00e7\u00e3o a Ceuta"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>Especialistas em rela&ccedil;&otilde;es internacionais divergem em rela&ccedil;&atilde;o ao papel de Marrocos na crise imigrat&oacute;ria em Ceuta, cidade espanhola em territ&oacute;rio africano, que recebeu uma onda de mais de 50 mil imigrantes nos &uacute;ltimos dias, deixando cerca de 100 mortos.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1698534&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1698534&amp;o=node\"><\/p>\n<p>O professor de Hist&oacute;ria da &Aacute;frica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nuno Carlos de Fragoso Vidal, avalia que n&atilde;o seria poss&iacute;vel uma imigra&ccedil;&atilde;o em massa, como a vista em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Ceuta, sem uma anu&ecirc;ncia do governo marroquino.<\/p>\n<p>O acad&ecirc;mico angolano ressaltou &agrave; <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong> que o governo espanhol de Pedro Sanch&eacute;z tem se aproximado de grupos da esquerda que apoiam a independ&ecirc;ncia do Saara Ocidental, territ&oacute;rio ocupado por Marrocos, mas que &eacute; reivindicado pela Frente Polis&aacute;rio, grupo apoiado pela vizinha Arg&eacute;lia. &nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;O rei de Marrocos [Mohammed VI] chateia-se com esse apoio e resolve retaliar. Certamente aquela imigra&ccedil;&atilde;o em massa teve a anu&ecirc;ncia das autoridades marroquinas, muito certamente por conta da Frente Polis&aacute;rio, que &eacute; profundamente apoiada pelas for&ccedil;as de extrema esquerda da Europa&rdquo;, disse.<\/p>\n<h2>Controle<\/h2>\n<p>O especialista em Europa e ex-senador pela It&aacute;lia em 2006, o &iacute;talo-brasileiro Jos&eacute; Lu&iacute;s Del Roio, avalia que o<strong> governo marroquino controla muito bem todo o territ&oacute;rio, sendo uma esp&eacute;cie de Estado policial, podendo bloquear a movimenta&ccedil;&atilde;o de grandes contingentes de pessoas. &nbsp;<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>&ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que deixem 80 mil jovens sa&iacute;rem correndo e n&atilde;o fazem nada. Se n&atilde;o fazem nada, &eacute; porque n&atilde;o quiseram fazer nada. O sistema marroquino &eacute; muito rigoroso no controle territorial. Ent&atilde;o existe coniv&ecirc;ncia, sim, do governo marroquino&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para o analista de geopol&iacute;tica Del Roio, a imigra&ccedil;&atilde;o em massa foi &ldquo;evento programado por for&ccedil;as poderosas&rdquo;, sendo Israel &ldquo;o grande suspeito&rdquo;. &ldquo;Primeiro, porque tem a capacidade de fazer isso e, segundo, porque Israel est&aacute; furioso com a posi&ccedil;&atilde;o do governo espanhol em rela&ccedil;&atilde;o a Gaza e Cisjord&acirc;nia&rdquo;, disse.&nbsp;<\/p>\n<p>Marrocos &eacute; um dos pa&iacute;ses que assinou o Acordo de Abra&atilde;o, pacto entre Tel Aviv e pa&iacute;ses &aacute;rabes usado para normalizar as rela&ccedil;&otilde;es com Israel, independentemente da quest&atilde;o palestina. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<h2>Juventude sem expectativa&nbsp;<\/h2>\n<p><strong>Por outro lado, o professor marroquino de rela&ccedil;&otilde;es internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC), ressaltou &agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil que n&atilde;o h&aacute; ind&iacute;cios do envolvimento de Marrocos na avalanche humana.<\/strong><\/p>\n<p>Nadir lembra que o governo Sanch&eacute;z reconheceu o projeto de Marrocos para o Saara Ocidental em 2022, o que teria aplacado as hostilidades do pa&iacute;s africano contra o governo S&aacute;nchez.<\/p>\n<p>Para ele, que estava em visita a Marrocos quando a crise estourou, o acontecimento tem rela&ccedil;&atilde;o com a falta de expectativa de futuro da juventude marroquina e expressa o fracasso do projeto de desenvolvimento do pa&iacute;s em alcan&ccedil;ar essa parcela da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&ldquo;O que tenho visto aqui na rua &eacute; o mal-estar em rela&ccedil;&atilde;o ao aumento custo de vida, falta de oportunidades e o dif&iacute;cil acesso &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica. Tudo isso faz com que a popula&ccedil;&atilde;o marroquina sonhe em emigrar para Europa em busca de melhoria de vida&rdquo;, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Intelig&ecirc;ncia espanhola&nbsp;<\/h2>\n<p>Os servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia espanh&oacute;is conclu&iacute;ram, segundo apura&ccedil;&atilde;o do jornal espanhol <em>El Pa&iacute;s<\/em>, que <strong>Marrocos n&atilde;o teria planejado a imigra&ccedil;&atilde;o em massa. Por&eacute;m, o governo de Rabat teria permitido a movimenta&ccedil;&atilde;o dos jovens em seu territ&oacute;rio, usando a situa&ccedil;&atilde;o politicamente a seu favor. &nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>A intelig&ecirc;ncia do pa&iacute;s europeu concluiu que a omiss&atilde;o do governo de Rabat &ndash; capital de Marrocos &ndash;, foi um ato de &ldquo;oportunismo&rdquo; frente a uma crise que j&aacute; estava em marcha.<\/p>\n<p>Em 2021, Ceuta foi o destino de outra onda imigrat&oacute;ria de Marrocos, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira. Ao contr&aacute;rio da situa&ccedil;&atilde;o atual, naquela &eacute;poca a Espanha acusou Rabat de promover a imigra&ccedil;&atilde;o ao enfraquecer os controles fronteiri&ccedil;os.<\/p>\n<p>Os acontecimentos em Ceuta t&ecirc;m sido usados para refor&ccedil;ar a defesa de uma pol&iacute;tica anti-imigra&ccedil;&atilde;o mais r&iacute;gida na Europa. <strong>O governo de Donald Trump chegou a responsabilizar as pol&iacute;ticas da Espanha por &ldquo;facilitar a imigra&ccedil;&atilde;o ilegal em massa para a Europa&rdquo;.<\/strong><\/p>\n<h2>Ceuta e Melilla&nbsp;<\/h2>\n<p><strong>O professor da UFRJ Nuno Carlos de Fragoso Vidal, por outro lado, rejeitou a hip&oacute;tese de que o Rei Mohammed VI estaria sendo uma &ldquo;marionete&rdquo; do governo Trump ou de Israel.<\/strong><\/p>\n<p>Analistas t&ecirc;m levantado essa hip&oacute;tese devido ao fato de a Espanha ter sido o &uacute;nico pa&iacute;s da Europa a se opor abertamente a guerra contra o Ir&atilde;, tendo fechado o espa&ccedil;o a&eacute;reo do pa&iacute;s para aeronaves militares dos EUA.<\/p>\n<p>Para o especialista da UFRJ, a anu&ecirc;ncia marroquina com a imigra&ccedil;&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o com quest&otilde;es referentes ao pr&oacute;prio Estado de Marrocos. Ele acrescentou que Ceuta, assim como Melilla, &eacute; um enclave Espanhol em territ&oacute;rio Marroquino, e as duas cidades s&atilde;o reclamadas pelo pa&iacute;s africano h&aacute; d&eacute;cadas, sendo estrat&eacute;gico no controle do Estreito de Gibraltar.<\/p>\n<p>&ldquo;Em uma altura em que o controle dos estreitos est&aacute; a ganhar import&acirc;ncia geopol&iacute;tica e geoestrat&eacute;gica, Marrocos pode tamb&eacute;m estar a criar problemas por conta dessa reclama&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ponderou Vidal.<\/p>\n<p>Ainda para o professor de Hist&oacute;ria da &Aacute;frica, o fato de a Espanha ter reconhecido o projeto de Marrocos para o Saara Ocidental n&atilde;o pacificou a rela&ccedil;&atilde;o entre Rabat e Madri.<\/p>\n<p>&ldquo;Deveria ter pacificado as rela&ccedil;&otilde;es, mas Sanch&eacute;z tem se aproximado das alas mais radicais da esquerda espanhola que o sustentam no poder, e esses puxam por uma agenda pr&oacute;-Sarau&iacute; [do povo do Saara Ocidental]&rdquo;, comentou Nuno Vidal.<\/p>\n<p>A visita do primeiro-ministro espanhol Pedro S&aacute;nchez &agrave; Arg&eacute;lia no m&ecirc;s passado, e o avan&ccedil;o no congresso da Espanha de projeto que prev&ecirc; nacionalidade espanhola para saarauis que nasceram durante a ocupa&ccedil;&atilde;o espanhola, at&eacute; 1976, t&ecirc;m sido apontados como motivos para atritos com o pa&iacute;s africano.<\/p>\n<h2>Espanha elogia Marrocos<\/h2>\n<p><strong>O governo da Espanha tem elogiado a postura do governo marroquino durante a crise de imigra&ccedil;&atilde;o, dizendo que Rabat, diferentemente de 2021, estaria colaborando com Madri para deporta&ccedil;&atilde;o dos imigrantes irregulares.<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Desde o in&iacute;cio, Marrocos ofereceu sua coopera&ccedil;&atilde;o para tentar impedir esse fluxo de pessoas e, sobretudo, garantir seu retorno. A grande maioria dos que entraram j&aacute; retornou a Marrocos, e o pa&iacute;s continua oferecendo essa coopera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse o ministro das rela&ccedil;&otilde;es exteriores Jos&eacute; Manuel Albares, em entrevista &agrave; RTVE.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Albares acusa grupos &ldquo;reacion&aacute;rios&rdquo; internacionais de mobilizarem as redes sociais contra a Espanha.<\/p>\n<p>Para o analista Jos&eacute; Lu&iacute;s Del Roio, o governo espanhol n&atilde;o acusa diretamente Marrocos para evitar o aumento das tens&otilde;es com o pa&iacute;s africano, uma vez que precisa da colabora&ccedil;&atilde;o dos marroquinos.<\/p>\n<p>&ldquo;Eles sabem perfeitamente qual &eacute; o quadro. Mas essa &eacute; uma decis&atilde;o de n&atilde;o aumentar a tens&atilde;o, porque j&aacute; tem muita tens&atilde;o, com EUA, com os europeus. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, o presidente da cidade aut&ocirc;noma de Ceuta, Juan Jesus Vivas, afirmou ontem que &ldquo;Marrocos j&aacute; demonstrou que n&atilde;o &eacute; confi&aacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Em declara&ccedil;&atilde;o ao jornal <em>El Pa&iacute;s<\/em>, Vivas acrescentou que Marrocos n&atilde;o &ldquo;quer&rdquo; ter boas rela&ccedil;&otilde;es e pediu que Espanha e a Europa exijam respeito do Marrocos em rela&ccedil;&atilde;o as fronteiras.<\/strong><\/p>\n<h2>Marrocos se manifesta<\/h2>\n<p>Neste domingo (2), o governo do Marrocos se pronunciou oficialmente pela primeira vez desde o in&iacute;cio da crise de imigra&ccedil;&atilde;o em Ceuta e Melilla. O porta-voz do minist&eacute;rio do interior do pa&iacute;s africano disse que a crise foi resultado da dissemina&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias falsas.<\/p>\n<p>&ldquo;Estes acontecimentos n&atilde;o se devem a fatores circunstanciais ou espont&acirc;neos, mas sim ao resultado da intera&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fatores interligados&rdquo;, disse Rachid El Khalfi, em declara&ccedil;&atilde;o &agrave; imprensa.<\/p>\n<p>Segundo ele, houve &ldquo;a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o tendenciosa&rdquo; das redes sociais com dissemina&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias falsas &ldquo;que visavam criar a ilus&atilde;o de f&aacute;cil acesso ao espa&ccedil;o europeu sem consequ&ecirc;ncias legais&rdquo;.<br \/> &nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/VVT2pF_VQhIJ0KC2M_9ClmlJz4w=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/03\/whatsapp_image_2026-08-03_at_18.31.02.jpeg?itok=iWn84oro\" alt=\"Bras&iacute;lia - DF - 03\/08\/2026 - Crise imigrat&oacute;ria em Ceuta repercute na Europa e no mundo. Fonte: Google Maps\" title=\"Google Maps\" data-old-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/VVT2pF_VQhIJ0KC2M_9ClmlJz4w=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/03\/whatsapp_image_2026-08-03_at_18.31.02.jpeg?itok=iWn84oro\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas em rela&ccedil;&otilde;es internacionais divergem em rela&ccedil;&atilde;o ao papel de Marrocos na crise imigrat&oacute;ria em Ceuta, cidade espanhola em territ&oacute;rio africano, que recebeu uma\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-719075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/719075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=719075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/719075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=719075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=719075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=719075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}