{"id":72042,"date":"2022-04-05T15:05:26","date_gmt":"2022-04-05T18:05:26","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/tiktok-tem-influencia-no-cerebro-de-jovens-causando-sensacoes-de-prazer\/"},"modified":"2022-09-23T12:27:15","modified_gmt":"2022-09-23T15:27:15","slug":"tiktok-tem-influencia-no-cerebro-de-jovens-causando-sensacoes-de-prazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/05\/tiktok-tem-influencia-no-cerebro-de-jovens-causando-sensacoes-de-prazer\/","title":{"rendered":"TikTok tem influ\u00eancia no c\u00e9rebro de jovens, causando sensa\u00e7\u00f5es de prazer"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo da Universidade Zhejiang, na China, apontou que o formato de v\u00eddeos curtos explorado pelo aplicativo TikTok faz sucesso junto ao p\u00fablico jovem por um motivo em especial: a ativa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas do c\u00e9rebro ligadas ao sistema de recompensa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Publicado na revista cient\u00edfica NeuroImage, o levantamento, que utilizou de exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica cerebral em 30 participantes. Foram exibidos dois tipos de conte\u00fado, v\u00eddeos personalizados pelo algoritmo do TikTok e os gen\u00e9ricos, mostrados para os novos usu\u00e1rios do app.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com o jornal O Globo, os pesquisadores descobriram que, entre as partes do c\u00e9rebro ativadas apenas pelos conte\u00fados personalizados est\u00e1 a \u00e1rea tegmental ventral (ATV), um dos principais centros dopamin\u00e9rgicos do \u00f3rg\u00e3o e considerado o in\u00edcio do circuito de recompensa. Durante as sess\u00f5es de v\u00eddeos, a dopamina \u00e9 liberada, provocando a sensa\u00e7\u00e3o de prazer.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, quando o jovem est\u00e1 assistindo a um v\u00eddeo no TikTok, o c\u00e9rebro dele recebe uma enxurrada de dopamina que faz com que ele se sinta feliz, alegre, satisfeito. O problema \u00e9 que, quanto mais dopamina o c\u00e9rebro recebe, mais ele quer, a\u00ed ele acaba entrando em um est\u00e1gio de satura\u00e7\u00e3o em que essas &#8216;doses&#8217; v\u00e3o precisar ser cada vez maiores&#8221;, explica a psic\u00f3loga especialista em crian\u00e7a e adolescente Manuela Santo, pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Psicologia Comunit\u00e1ria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A dopamina leva o jovem a n\u00e3o se desprender da plataforma. Isso \u00e9 o que explica a neurologista Let\u00edcia Sampaio, coordenadora do departamento cient\u00edfico de Neurologia Infantil da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Neurologia (ABN). &#8220;Quando voc\u00ea pega um v\u00eddeo e consegue essa sensa\u00e7\u00e3o de prazer de forma mais r\u00e1pida, voc\u00ea vai tender a repetir esse comportamento em detrimento de outros que demandem mais aten\u00e7\u00e3o, que a recompensa demore mais para chegar&#8221;, afirma a especialista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Outro estudo relacionado com o TikTok, desta vez conduzido pela Universidade Zhejiangem parceria com a universidade Texas AeM, nos Estados Unidos, levantou os motivos que levavam 1.051 jovens a utilizar a rede. Dentre 36 op\u00e7\u00f5es, entre &#8220;passar o tempo&#8221; ou &#8220;ficar mais feliz&#8221;, a &#8220;auto-apresenta\u00e7\u00e3o socialmente&#8221;, &#8220;tend\u00eancia&#8221;, &#8220;v\u00edcio escapista&#8221; e &#8220;novidade&#8221; despontaram como as mais escolhidas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Estudos de empresas de consultoria indicam ainda que a experi\u00eancia individualizada e a personaliza\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos mostrados s\u00e3o outros atributos da rede, que tem o Brasil como o segundo pa\u00eds com o maior n\u00famero de downloads.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para Ilana Pinsky, autora do livro &#8220;Sa\u00fade emocional: como n\u00e3o pirar em tempos inst\u00e1veis&#8221; (Editora Contexto) e consultora da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a forma como o aplicativo atua estabelece no c\u00e9rebro do jovem uma ideia de que a vida \u00e9 simples e acelerada &#8211; como nos v\u00eddeos &#8211; o que pode atrapalhar no desenvolvimento especialmente daqueles que j\u00e1 t\u00eam uma tend\u00eancia a serem mais introvertidos e evitarem intera\u00e7\u00f5es com outras pessoas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Para algu\u00e9m que j\u00e1 tem uma dificuldade social, timidez excessiva, baixa autoestima, ainda mais nesse per\u00edodo em que os jovens tiveram de ficar em casa por causa da pandemia, \u00e9 muito mais f\u00e1cil a pessoa sentar e ficar horas no TikTok substituindo o relacionamento social, que a longo prazo seria mais interessante, mas a curto prazo d\u00e1 mais trabalho&#8221;, afirma a psic\u00f3loga cl\u00ednica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Manuela, da UFRGS, ressalta tamb\u00e9m que a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia s\u00e3o per\u00edodos em que o c\u00e9rebro ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o, e por isso est\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos impactos negativos das redes sociais. &#8220;O processo de forma\u00e7\u00e3o cerebral s\u00f3 termina por volta dos 25 anos de idade, e especificamente as partes do c\u00e9rebro respons\u00e1veis pelo controle de impulsos, pela auto-regula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o umas das \u00faltimas a serem amadurecidas&#8221;, diz a pesquisadora, que prop\u00f5e um equil\u00edbrio no uso do TikTok.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo da Universidade Zhejiang, na China, apontou que o formato de v\u00eddeos curtos explorado pelo aplicativo TikTok faz sucesso junto ao p\u00fablico jovem\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":72043,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-72042","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72042\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}