{"id":72500,"date":"2022-04-06T04:44:54","date_gmt":"2022-04-06T07:44:54","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/frete-e-insumos-pressionam-lavouras-em-recuperacao\/"},"modified":"2022-04-06T04:44:54","modified_gmt":"2022-04-06T07:44:54","slug":"frete-e-insumos-pressionam-lavouras-em-recuperacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/06\/frete-e-insumos-pressionam-lavouras-em-recuperacao\/","title":{"rendered":"Frete e insumos pressionam lavouras em recupera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Os tons de verde voltaram a colorir o cintur\u00e3o de plantio de hortali\u00e7as que atende os consumidores da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, ap\u00f3s as chuvas intensas do come\u00e7o do ano. Os temporais castigaram as pequenas e m\u00e9dias planta\u00e7\u00f5es e provocaram altas in\u00e9ditas nos pre\u00e7os de verduras, legumes e frutas. Esses produtos j\u00e1 voltaram a florescer nos canteiros, mas a demanda do consumidor ainda \u00e9 maior que a oferta e a expectativa \u00e9 de que o desequil\u00edbrio persista at\u00e9 a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o chuvosa, em setembro, mantendo alto o custo desses alimentos para as fam\u00edlias. Outros dois fatores que pressionam a infla\u00e7\u00e3o dos hortigranjeiros s\u00e3o os aumentos das despesas nas lavouras e a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, encarecendo o frete do transporte das mercadorias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No atacado da CeasaMinas, entreposto da companhia de abastecimento em Contagem, na Grande BH, os pre\u00e7os disparam, enquanto o volume de produtos oferecidos caiu, diante das planta\u00e7\u00f5es ainda em recupera\u00e7\u00e3o. Estudo feito pela CeasaMinas mostrou redu\u00e7\u00e3o de 3,6% na oferta de hortigranjeiros em fevereiro. As chuvas destru\u00edram algumas lavouras, como as de cenoura. Entre as hortali\u00e7as, o pre\u00e7o m\u00e9dio aumentou 18%. Ovos ficaram 45% mais caros na negocia\u00e7\u00e3o entre produtores e intermedi\u00e1rios devido tamb\u00e9m \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o do per\u00edodo da quaresma.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A situa\u00e7\u00e3o nas hortas de M\u00e1rio Campos, Ibirit\u00e9, Sarzedo e Brumadinho, cidades no entorno da capital mineira, \u00e9 de intenso trabalho para recuperar os terrenos e acelerar os plantios. O servi\u00e7o come\u00e7a as 4h. Contudo, existe uma barreira, a do fornecimento de mudas para quem n\u00e3o tem produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A regi\u00e3o tamb\u00e9m enfrenta dificuldades com o fornecimento de energia. Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, diversas equipes da Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais (Cemig) ainda trabalhavam na recupera\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o da rede el\u00e9trica. As chuvas encharcaram o solo, provocando muitas quedas de \u00e1rvores sobre as redes de fornecimento de eletricidade. Os ventos derrubaram postes em toda a zona rural da regi\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ramon Rodrigues Campos, de 36 anos, \u00e9 filho de um propriet\u00e1rio de sete hectares de plantio de hortali\u00e7as em M\u00e1rio Campos, Artur Campos Filho, de 71, que sempre trabalhou na produ\u00e7\u00e3o local. O carro-chefe \u00e9 o chuchu, seguido de br\u00f3colis. Cinco meeiros trabalham na \u00e1rea. Segundo Ramon, os dois primeiros meses do ano foram ???dif\u00edceis???, at\u00e9 mesmo para o chuchu, que necessita de muita irriga\u00e7\u00e3o. ???Perdemos grande parte da lavoura e o br\u00f3colis nem sequer chegou ao in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o, por ser mais sens\u00edvel a grandes volumes de \u00e1gua.???<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O produtor considera que a recupera\u00e7\u00e3o tem sido positiva. As plantas mortas s\u00e3o arrancadas. Contudo, no cultivo do chuchu s\u00e3o necess\u00e1rios 4 meses entre o plantio e a colheita. ???Nunca vi pre\u00e7o t\u00e3o alto como no in\u00edcio do ano, quando chegou a R$ 100 a caixa de 20 quilos. Nesta semana caiu para R$ 20 a caixa.???, diz o produtor.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O pre\u00e7o do combust\u00edvel pesa tamb\u00e9m, mas n\u00e3o tanto porque a propriedade tem transporte pr\u00f3prio, conta Ramon. ???Se tiv\u00e9ssemos que pagar frete, a hist\u00f3ria seria outra???, pondera. Para administrar melhor as despesas, segundo ele, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 manter os caminh\u00f5es carregados tanto na ida quanto na volta do entreposto da Ceasa na Grande BH. ???Tudo isso na ponta da caneta para que n\u00e3o fiquemos dependentes s\u00f3 da lavoura.???<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os meeiros das terras de Ramon, Raul Herculano Martins de Souza, de 26, e Edir Catarino da Silva, de 46, come\u00e7am o trabalho por volta das 4h. Eles colhem, em m\u00e9dia, 100 caixas de chuchu por semana, cada um. Ambos falam do in\u00edcio de 2022 como ???o pior??? de sua vida no campo. ???A colheita foi p\u00e9ssima, mas estamos retomando aos poucos e os pre\u00e7os est\u00e3o muito bons, somados com o retorno de muitas atividades paralisadas pela pandemia.???<\/div>\n<h3>&#8216;Bate copo&#8217;\u00a0<\/h3>\n<div>???Perdemos 85% de tudo o que produzimos???, conta o meeiro Josinei Andrade Faria, de 31, que arrenda uma \u00e1rea com outros quatro meeiros. Ele planta alfaces crespa, comum e americana, al\u00e9m de coentro, br\u00f3colis ninja e comum, e milho durante o per\u00edodo em que o solo tem de ser renovado. A jornada dele come\u00e7a a partir de 6h, mas tem de ser antecipada quando o calor se torna intenso ou falta \u00e1gua.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com agilidade, ele ???bate copo???, como classifica o ato de proteger pequenas mudas de alface com um copo pl\u00e1stico para fazer a capina qu\u00edmica ao redor da planta. A alface que come\u00e7a a brotar s\u00f3 ser\u00e1 colhida em dois meses, ???se o clima estiver bom???, destaca Josinei. A melhor \u00e9poca ocorre por volta de junho, quando o clima frio e de pouca chuva ajuda no desenvolvimento da planta. A colheira pode ser feita em 30 dias e \u00e9 menor a quantidade necess\u00e1ria de adubo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Colhidas diariamente, as verduras s\u00e3o repassadas, diretamente, a sacol\u00f5es da regi\u00e3o metropolitana da capital, sem passar pela CeasaMinas. Segundo o produtor, uma caixa com 36 p\u00e9s de alface \u00e9 vendida ao custo aproximado de R$ 20. ???Mas tem variado a cada semana. Os melhores pre\u00e7os s\u00e3o em janeiro, mas n\u00e3o t\u00ednhamos para oferecer.???<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Eust\u00e1quio dos Santos Andrade, de 42, meeiro h\u00e1 um ano e meio, planta alface e mostarda. ???Em fevereiro, perdemos praticamente tudo. Quando estiou, tratamos a terra e, agora, plantamos de novo. S\u00f3 de alface perdemos 5mil p\u00e9s. N\u00e3o tivemos como trabalhar&#8221;, desabafou.<\/p>\n<p><\/div>\n<div><\/div>\n<h2>NO SUFOCO<\/h2>\n<h3>3,6%<\/h3>\n<div><b>Foi a queda, em fevereiro, da oferta de hotifr\u00fatis no atacado da Ceasa Minas na Grande BH<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<h3>18%<\/h3>\n<div><b>Foi a remarca\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das hortali\u00e7as vendidas no atacado do entreposto de Contagem<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<h2>No varejo, pre\u00e7os mais que dobram<\/h2>\n<div>O site de pesquisas de pre\u00e7os Mercado Mineiro e o aplicativo ComOferta apuraram significativa eleva\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor, neste m\u00eas, em sacol\u00f5es de Belo Horizonte. As remarca\u00e7\u00f5es foram identificadas em levantamento feito entre os dias 9 e 11 em 18 estabelecimentos da capital na compara\u00e7\u00e3o com as tabelas de janeiro. O repolho comandou os aumentos, com a farta varia\u00e7\u00e3o de 152%. O pre\u00e7o m\u00e9dio do quilo do produto subiu de R$ 2,51 para R$ 6,34.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O quilo da ab\u00f3bora passou a ser vendido a R$ 6,99, frente aos R$ 2,91 anteriores, diferen\u00e7a de 140%. Houve reajuste expressivo de pre\u00e7os tamb\u00e9m para o quilo da cenoura, que foi encontrado a R$ 10,95, em m\u00e9dia, 83% a mais que o custo verificado em janeiro, de R$ 5,96. Entre os produtos que tiveram menor aumento frente ao come\u00e7o do ano est\u00e3o o tomate, a cebola branca, a alface americana e a cebolinha, com altas que variaram de 20% a 30%, mas, ainda assim, apresentando valores expressivos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O pre\u00e7o m\u00e9dio do quilo do tomate comum passou de R$ 7,93 para R$ 10,32, aumento de 30%. O quilo da cebola branca subiu de R$ 4,11 para R$ 5,14, acr\u00e9scimo de 24,95%. A alface americana ficou 31% mais cara, saindo de R$ 3,99 para R$ 5,24 a unidade. A cebolinha, que custava R$ 1,76, foi encontrada a R$ 2,32 neste m\u00eas, ou seja, 32% mais cara. De acordo com a pesquisa, os \u00fanicos itens que apresentaram queda de pre\u00e7os foram a banana-prata, de R$ 6,84 para R$ 5,16, redu\u00e7\u00e3o de 24%, e o abacate, cujo pre\u00e7o m\u00e9dio do quilo caiu de R$ 12,20 para R$ 8,17, recuo de 33%.\u00a0<\/p>\n<p><\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Demanda de mudas supera a produ\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<div>Ap\u00f3s dois anos de pandemia de COVID-19, aumento de combust\u00edveis e fretes de transporte, enchentes, tempestades e chuvas de granizo desorganizaram todo o sistema produtivo e de distribui\u00e7\u00e3o. O momento \u00e9 de preparar a terra e ordenar os plantios das mudas, setor com dificuldades para suprir a grande demanda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>L\u00facio Moreira de Oliveira, de 65 anos, empres\u00e1rio propriet\u00e1rio da LM Viveiros, fornece mudas, entre outras, de alfaces crespa, lisa, roxa e americana; acelga, br\u00f3colis comum e ninja(japon\u00eas), couve, beterraba, repolho, cebolinha, salsa, coentro, r\u00facula, em M\u00e1rio Campos, Brumadinho, Sarzedo, Ibirit\u00e9, BH e Betim. Ele diz que a demanda est\u00e1 acima da capacidade produtiva da mat\u00e9ria-prima.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???As chuvas de janeiro e fevereiro foram muito al\u00e9m dos limites. Houve enchentes e muita gente perdeu toda a produ\u00e7\u00e3o. Quem tinha horta, precisou esperar secar para depois preparar a terra e agora adquirir mudas. Ent\u00e3o, houve um choque entre o estoque de mudas e a demanda, j\u00e1 que tudo estava perdido. Os viveiristas n\u00e3o estavam preparados para tamanha perda. Se havia mil bandejas, o mercado precisava de 10 mil.???<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo o produtor, a expectativa \u00e9 de que essa defasagem continue com o mercado aquecido. A empresa de L\u00facio Oliveira conta com oito estufas, cada uma comportando em torno de mil bandejas. Cada bandeja tem 200 c\u00e9lulas (mudas). Mesmo assim, a demanda n\u00e3o \u00e9 atendida. Situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica semelhante Oliveira diz ter visto apenas em 1997, ???quando as chuvas provocaram inunda\u00e7\u00f5es, mas em menor espa\u00e7o de tempo e sem a anteced\u00eancia de uma pandemia???.<\/div>\n<h3>Acima da m\u00e9dia\u00a0<\/h3>\n<div>De acordo com o boletim meteorol\u00f3gico do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), fevereiro foi um m\u00eas chuvoso em Minas Gerais devido \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios da Zona de Converg\u00eancia do Atl\u00e2ntico Sul (ZCAS). As condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas observadas nos per\u00edodos de 7 a 12 e 18 a 21 do m\u00eas passado, provocaram chuvas frequentes em grande parte do estado, com maiores acumulados na regi\u00e3o central mineira, Alto Parana\u00edba, na \u00e1rea metropolitana de Belo Horizonte e Zona da Mata. Os totais mensais variaram aproximadamente entre 100 e 500 mil\u00edmetros, tendo superado a m\u00e9dia hist\u00f3rica para fevereiro em quase todas as regi\u00f5es do estado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em janeiro, na Regi\u00e3o metropolitana de BH, o per\u00edodo seco se deu apenas durante nove dias consecutivos. A precipita\u00e7\u00e3o total mensal superou a m\u00e9dia hist\u00f3rica em quase todo o estado, situando-se no intervalo m\u00e9dio apenas no Leste e no Vale do Jequitinhonha. O final do primeiro dec\u00eanio registrou n\u00edveis superiores a 600 mil\u00edmetros na RMBH. (EG)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tons de verde voltaram a colorir o cintur\u00e3o de plantio de hortali\u00e7as que atende os consumidores da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, ap\u00f3s\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":72501,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-72500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72500\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}