{"id":727298,"date":"2026-09-25T23:03:50","date_gmt":"2026-09-26T02:03:50","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2026\/09\/lente-de-contato-inteligente-desenvolvida-nos-eua-identifica-alteracoes-ligadas-ao-estresse-nas-lagrimas-2\/"},"modified":"2026-09-25T23:03:50","modified_gmt":"2026-09-26T02:03:50","slug":"lente-de-contato-inteligente-desenvolvida-nos-eua-identifica-alteracoes-ligadas-ao-estresse-nas-lagrimas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2026\/09\/25\/lente-de-contato-inteligente-desenvolvida-nos-eua-identifica-alteracoes-ligadas-ao-estresse-nas-lagrimas-2\/","title":{"rendered":"Lente de contato inteligente desenvolvida nos EUA identifica altera\u00e7\u00f5es ligadas ao estresse nas l\u00e1grimas"},"content":{"rendered":"<div id=\"news-body-content\">\n<div id=\"firstHalf\">\n<p>Pesquisadores do Instituto Terasaki de Inova&ccedil;&atilde;o Biom&eacute;dica, nos Estados Unidos, desenvolveram uma lente de contato inteligente, flex&iacute;vel e reutiliz&aacute;vel capaz de identificar altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas associadas ao estresse a partir da an&aacute;lise das l&aacute;grimas. A tecnologia utiliza um sensor integrado &agrave; lente para detectar n&iacute;veis de serotonina, subst&acirc;ncia que participa de processos relacionados &agrave; resposta do organismo ao estresse.<\/p>\n<p>Segundo apura&ccedil;&atilde;o e entrevistas do jornal O GLOBO, a proposta &eacute; transformar a lente de contato em uma esp&eacute;cie de laborat&oacute;rio em miniatura, capaz de coletar informa&ccedil;&otilde;es bioqu&iacute;micas diretamente do filme lacrimal sem a necessidade de agulhas ou da coleta convencional de sangue.<\/p>\n<p>&#8220;As l&aacute;grimas carregam mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o nosso corpo do que a maioria das pessoas imagina&#8221;, afirmou ao O GLOBO&nbsp;Minwoo Kim, primeiro autor do estudo e pesquisador de p&oacute;s-doutorado no Instituto Terasaki. De acordo com o pesquisador, a tecnologia permite acessar essas informa&ccedil;&otilde;es por meio de um dispositivo que j&aacute; faz parte da rotina de muitas pessoas.<\/p>\n<p>A pesquisa parte da constata&ccedil;&atilde;o de que o estresse provoca uma s&eacute;rie de altera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas e mentais que nem sempre s&atilde;o f&aacute;ceis de acompanhar de maneira objetiva. A serotonina, embora seja frequentemente associada &agrave; regula&ccedil;&atilde;o do humor, tamb&eacute;m atua como uma mol&eacute;cula de sinaliza&ccedil;&atilde;o em diferentes processos fisiol&oacute;gicos e pode ser encontrada nas l&aacute;grimas.<\/p>\n<p><strong>COMO FUNCIONA A TECNOLOGIA<\/strong><\/p>\n<p>Para desenvolver o dispositivo, os pesquisadores incorporaram um sensor fino e flex&iacute;vel a uma lente de contato gelatinosa convencional. O sistema foi desenvolvido para identificar a presen&ccedil;a de serotonina no l&iacute;quido lacrimal e transformar essa informa&ccedil;&atilde;o em um sinal el&eacute;trico que pode ser posteriormente convertido em uma medida de concentra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O sensor utiliza ferroceno, um composto que reage com a serotonina e produz uma pequena resposta el&eacute;trica. De acordo com o estudo, publicado na revista cient&iacute;fica *Science Translational Medicine*, o dispositivo foi capaz de detectar concentra&ccedil;&otilde;es de serotonina de at&eacute; 72 picomolares.<\/p>\n<p>A sensibilidade registrada &eacute; cerca de 200 vezes superior &agrave; necess&aacute;ria para identificar os n&iacute;veis normalmente encontrados de serotonina nas l&aacute;grimas humanas, o que, segundo os pesquisadores, permite acompanhar altera&ccedil;&otilde;es relativamente pequenas na concentra&ccedil;&atilde;o da subst&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Testes realizados em camundongos submetidos a estresse cr&ocirc;nico tamb&eacute;m apresentaram mudan&ccedil;as nos biomarcadores analisados. Os n&iacute;veis de serotonina nas l&aacute;grimas diminu&iacute;ram, enquanto as concentra&ccedil;&otilde;es de cortisol, horm&ocirc;nio associado &agrave; resposta ao estresse, aumentaram no sangue e nas l&aacute;grimas.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"secondHalf\">\n<p>Em uma etapa inicial com humanos, amostras de l&aacute;grimas de dez volunt&aacute;rios foram coletadas durante um teste padronizado de estresse. Os resultados apresentaram comportamento semelhante ao observado nos animais: a concentra&ccedil;&atilde;o de serotonina caiu durante a atividade estressante e voltou aos n&iacute;veis registrados antes do teste posteriormente.<\/p>\n<p>Outro aspecto avaliado foi a possibilidade de reutiliza&ccedil;&atilde;o da lente. Segundo o estudo, o sensor manteve a precis&atilde;o das medi&ccedil;&otilde;es por at&eacute; 400 utiliza&ccedil;&otilde;es distribu&iacute;das ao longo de v&aacute;rios dias.<\/p>\n<p>Para Yangzhi Zhu, pesquisador principal e professor assistente do Instituto Terasaki, o olho pode funcionar como uma esp&eacute;cie de acesso a informa&ccedil;&otilde;es tanto da regi&atilde;o ocular quanto de processos que ocorrem em outras partes do organismo.<\/p>\n<p>Em entrevista ao O GLOBO, Zhu explicou que o objetivo do projeto &eacute; desenvolver dispositivos oculares flex&iacute;veis capazes de transformar as l&aacute;grimas em uma fonte cont&iacute;nua de informa&ccedil;&otilde;es bioqu&iacute;micas. A serotonina foi utilizada como uma prova de conceito, mas a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; ampliar a tecnologia para acompanhar diferentes biomarcadores e sinais fisiol&oacute;gicos.<\/p>\n<p><strong>PR&Oacute;XIMAS ETAPAS<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores agora pretendem transformar o prot&oacute;tipo atualmente conectado a equipamentos de laborat&oacute;rio em um dispositivo vest&iacute;vel completamente integrado. Uma das etapas previstas &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o de componentes sem fio, permitindo que futuras vers&otilde;es da lente fa&ccedil;am as medi&ccedil;&otilde;es e transmitam os dados em tempo real enquanto s&atilde;o utilizadas.<\/p>\n<p>Antes de uma eventual aplica&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, no entanto, a tecnologia ainda precisa passar por novos testes. Os cientistas apontam a necessidade de estudos com grupos maiores e mais diversos de volunt&aacute;rios para compreender melhor a rela&ccedil;&atilde;o entre os n&iacute;veis de serotonina nas l&aacute;grimas, o estresse e aspectos relacionados &agrave; sa&uacute;de mental em diferentes popula&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m ser&atilde;o necess&aacute;rios estudos sobre a estabilidade do sensor durante per&iacute;odos prolongados, a calibra&ccedil;&atilde;o em um ambiente din&acirc;mico como o filme lacrimal, o conforto para o usu&aacute;rio, a seguran&ccedil;a do uso cont&iacute;nuo e a capacidade de reproduzir o dispositivo em larga escala.<\/p>\n<p>O trabalho representa uma etapa inicial no desenvolvimento da chamada bioeletr&ocirc;nica ocular, &aacute;rea que combina sensores bioqu&iacute;micos, eletr&ocirc;nica flex&iacute;vel e tecnologias vest&iacute;veis para obter informa&ccedil;&otilde;es a partir da superf&iacute;cie dos olhos.<\/p>\n<p>De acordo com Zhu, em declara&ccedil;&atilde;o ao O GLOBO, a perspectiva de longo prazo n&atilde;o &eacute; limitar a tecnologia &agrave; medi&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica subst&acirc;ncia. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; utilizar as l&aacute;grimas como uma plataforma para acompanhar diferentes aspectos da fisiologia do organismo de maneira cont&iacute;nua e pouco invasiva.<br \/>  &nbsp;<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto Terasaki de Inova&ccedil;&atilde;o Biom&eacute;dica, nos Estados Unidos, desenvolveram uma lente de contato inteligente, flex&iacute;vel e reutiliz&aacute;vel capaz de identificar altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-727298","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/727298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=727298"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/727298\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=727298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=727298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=727298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}