{"id":72871,"date":"2022-04-06T13:45:31","date_gmt":"2022-04-06T16:45:31","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/criancas-no-celular-quanto-tempo-devem-usar-e-7-sinais-de-excesso\/"},"modified":"2022-04-06T13:45:31","modified_gmt":"2022-04-06T16:45:31","slug":"criancas-no-celular-quanto-tempo-devem-usar-e-7-sinais-de-excesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/06\/criancas-no-celular-quanto-tempo-devem-usar-e-7-sinais-de-excesso\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as no celular: quanto tempo devem usar e 7 sinais de excesso"},"content":{"rendered":"<p>Quase 90% das crian\u00e7as e dos adolescentes brasileiros est\u00e3o conectados \u00e0 internet. Desses, 95% usam o celular como principal dispositivo para acessar sites e aplicativos.<\/p>\n<p>Esses dados, obtidos a partir de um levantamento de 2019 do Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil, endossam o fato de que o mundo online faz parte da realidade da maioria da popula\u00e7\u00e3o ??? e \u00e9 praticamente imposs\u00edvel pensar que essa &#8220;depend\u00eancia digital&#8221; v\u00e1 diminuir nos pr\u00f3ximos anos (ou nas gera\u00e7\u00f5es futuras).<\/p>\n<ul>\n<li>Como uso excessivo de celular impacta c\u00e9rebro da crian\u00e7a<\/li>\n<li>Pandemia agrava &#8216;d\u00e9ficit de natureza&#8217; em crian\u00e7as e adultos: &#8216;Estamos menos vivos quando nos concentramos nas telas&#8217;<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por um lado, a internet pode aproximar as pessoas e abre muitas possibilidades de aprendizado e entretenimento. Por outro, h\u00e1 o risco de exagero no tempo conectado, de acesso a conte\u00fados inapropriados ou de golpes e exposi\u00e7\u00e3o indevida, ainda mais quando falamos dos jovens.<\/p>\n<p>Mas como pais, m\u00e3es e tutores podem garantir que seus filhos fa\u00e7am um uso mais saud\u00e1vel de celulares e outros dispositivos? E como identificar quando essa rela\u00e7\u00e3o com as telas passou dos limites? <\/p>\n<p>A BBC News Brasil ouviu especialistas no tema e resume a seguir os sete sinais de que h\u00e1 algo errado e o que pode ser feito para melhorar essa rela\u00e7\u00e3o com o mundo digital.<\/p>\n<h3>1. Ficar muito tempo vidrado nas telinhas<\/h3>\n<p>A fonte da maioria das recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 uma s\u00e9rie de artigos publicados entre 2019 e 2021 pelo Grupo de Trabalho Sa\u00fade na Era Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).<\/p>\n<p>&#8220;E todas as nossas diretrizes est\u00e3o alinhadas com as orienta\u00e7\u00f5es divulgadas pelas academias de pediatria dos Estados Unidos, do Canad\u00e1 e da Uni\u00e3o Europeia&#8221;, ressalta a m\u00e9dica Evelyn Eisenstein, coordenadora do grupo brasileiro. <\/p>\n<p>O primeiro ponto que os especialistas chamam a aten\u00e7\u00e3o envolve a quantidade de horas que crian\u00e7as e adolescentes passam conectados. <\/p>\n<p>No mundo ideal, o limite de tempo em contato com celulares, <i>tablets <\/i>e computadores \u00e9 determinado pela faixa et\u00e1ria, como voc\u00ea confere a seguir:<\/p>\n<ul>\n<li>Menores de 2 anos: nenhum contato com telas ou videogames;<\/li>\n<li>Dos 2 aos 5 anos: at\u00e9 uma hora por dia;<\/li>\n<li>Dos 6 aos 10 anos: entre uma e duas horas por dia;<\/li>\n<li>Dos 11 aos 18 anos: entre duas e tr\u00eas horas por dia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8220;Precisamos lembrar que o dia tem 24 horas. Se o jovem fica 4 ou 5 horas conectado, isso j\u00e1 representa 20% do tempo dispon\u00edvel&#8221;, calcula Eisenstein.<\/p>\n<h3>2. Ter acesso a conte\u00fados inapropriados<\/h3>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 apenas com a quantidade que os especialistas est\u00e3o preocupados. Eles tamb\u00e9m pedem muita aten\u00e7\u00e3o com a qualidade dos conte\u00fados que os jovens acessam.<\/p>\n<p>&#8220;Estima-se que metade dos pais n\u00e3o tem ideia do que seus filhos consomem na internet&#8221;, informa Eisenstein.<\/p>\n<p>&#8220;E as crian\u00e7as n\u00e3o sabem bloquear mensagens indevidas, enquanto o mundo online est\u00e1 cheio de agressores e predadores&#8221;, complementa a pediatra.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 supervisionar a atividade dos menores em sites e aplicativos. Muitos celulares e servi\u00e7os online, inclusive, possuem ferramentas e filtros que permitem esse controle parental.<\/p>\n<p>A SBP orienta que crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o utilizem computadores, tablets e celulares em lugares isolados da casa, como o quarto ou o escrit\u00f3rio, mas, sim, em locais onde os adultos estejam sempre por perto.<\/p>\n<h3>3. Trocar o dia pela noite<\/h3>\n<p>Quando o contato com as telas ultrapassa todos os limites, um dos quesitos mais prejudicados \u00e9 o sono. <\/p>\n<p>&#8220;?? normal vermos crian\u00e7as que ficam jogando ou mexendo nas redes sociais at\u00e9 altas horas da madrugada&#8221;, conta o psic\u00f3logo Thiago Viola, professor da Escola de Medicina da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>&#8220;E n\u00f3s sabemos como o sono \u00e9 importante para nossa sa\u00fade, ainda mais durante a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia&#8221;, completa.<\/p>\n<p>?? justamente durante o descanso noturno que o corpo se desenvolve e o c\u00e9rebro solidifica as mem\u00f3rias e os aprendizados.<\/p>\n<p>Quando o jovem troca o dia pela noite, todos esses processos s\u00e3o prejudicados, o que pode trazer repercuss\u00f5es para a vida inteira.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal \u00e9 limitar o contato com est\u00edmulos luminosos que v\u00eam das telas conforme anoitece&#8221;, orienta o m\u00e9dico Rodrigo Machado, do Ambulat\u00f3rio Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>&#8220;A luz prejudica a produ\u00e7\u00e3o da melatonina, horm\u00f4nio que dita o ritmo de 24 horas do dia. Sem a presen\u00e7a dessa subst\u00e2ncia, todo o processo do sono acaba atrasado&#8221;, explica. <\/p>\n<h3>4. Abandonar o conv\u00edvio, a rotina e as atividades sociais<\/h3>\n<p>Outros sinais t\u00edpicos de que o jovem est\u00e1 exagerando no tempo de telas \u00e9 o abandono, parcial ou completo, de todas as atividades fora da internet, como as pr\u00e1ticas esportivas, culturais e de lazer.<\/p>\n<p>Outro sintoma preocupante \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o do conv\u00edvio com amigos, pais ou familiares pelos jogos de videogame ou a intera\u00e7\u00e3o pelas redes sociais.<\/p>\n<p>&#8220;Esbarramos mais uma vez na quest\u00e3o do limite: quando o uso do celular faz com que as crian\u00e7as ou os adolescentes deixem de cumprir as fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, como comer, dormir, tomar banho, preparar a li\u00e7\u00e3o de casa ou fazer atividade f\u00edsica, algo est\u00e1 errado&#8221;, exemplifica Eisenstein.<\/p>\n<p>Os especialistas dizem que a rotina e o estabelecimento de regras claras \u00e9 fundamental nas primeiras d\u00e9cadas de vida e deve incluir aqueles que est\u00e3o na primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse contexto, os pais de crian\u00e7as menores n\u00e3o podem usar o celular ou o <i>tablet <\/i>como uma &#8216;bengala&#8217;, para deixar a crian\u00e7a entretida enquanto eles fazem outras atividades&#8221;, destaca Viola.<\/p>\n<p>Muitas vezes, esse acesso ilimitado \u00e0s telas numa idade t\u00e3o tenra \u00e9 o in\u00edcio de um processo que vai desembocar no uso abusivo de dispositivos eletr\u00f4nicos pelos anos que vir\u00e3o.<\/p>\n<h3>5. Sofrer uma queda no rendimento das aulas<\/h3>\n<p>O documento da SBP tamb\u00e9m pede que pais e tutores prestem aten\u00e7\u00e3o na &#8220;queda do rendimento, fracasso, abandono ou evas\u00e3o escolar&#8221;.<\/p>\n<p>Observe, portanto, se a crian\u00e7a ou o adolescente est\u00e1 passando muitas horas na frente do computador ou do celular e, em paralelo, as notas e o comportamento em sala de aula sofreram alguma altera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Em alguns casos, \u00e9 poss\u00edvel que exista uma conex\u00e3o entre esses dois fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>&#8220;E n\u00e3o podemos ignorar o fato de que as escolas e os educadores t\u00eam uma responsabilidade em toda essa discuss\u00e3o, ainda mais quando estamos numa pandemia, em que muitas atividades escolares precisaram acontecer \u00e0 dist\u00e2ncia, por meio dos aplicativos de videochamada&#8221;, contextualiza Eisenstein. <\/p>\n<h3>6. Estar envolvido em epis\u00f3dios de bullying<\/h3>\n<p>?? preciso ficar de olho neste tipo de discrimina\u00e7\u00e3o no mundo f\u00edsico e no digital ??? e tanto agressor quanto v\u00edtima precisam de cuidados.<\/p>\n<p>&#8220;A crian\u00e7a mais velha e o adolescente podem ser alvos de <i>cyberbullying <\/i>e passar por um processo de &#8216;cancelamento&#8217; de todo o c\u00edrculo social&#8221;, descreve Viola.<\/p>\n<p>&#8220;Em alguns casos, fotos, v\u00eddeos e detalhes \u00edntimos do alvo caem na rede, o que vai gerar muitas repercuss\u00f5es emocionais e psicol\u00f3gicas&#8221;, alerta. <\/p>\n<p>Machado lembra que o mundo digital pode propiciar um comportamento mais agressivo dos usu\u00e1rios. &#8220;Como voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea a rea\u00e7\u00e3o do outro, acaba se sentindo mais \u00e0 vontade para compartilhar emo\u00e7\u00f5es primitivas, sem um freio cr\u00edtico ou moral&#8221;, raciocina o psiquiatra.<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja: h\u00e1 uma propens\u00e3o em perpetuar e naturalizar comportamentos extremados nas redes&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>A melhor ferramenta, garantem os especialistas, \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o: pais e tutores precisam ficar atentos e orientar os mais jovens como se comportar nessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando o <i>bullying <\/i>escalou e j\u00e1 atingiu um n\u00edvel mais grave, muitas vezes ser\u00e1 necess\u00e1rio envolver os familiares de agressores e v\u00edtimas, representantes da escola e algum tipo de media\u00e7\u00e3o feita por psic\u00f3logos ou outros profissionais que atuem nessa \u00e1rea.<\/p>\n<h3>7. Desenvolver problemas no corpo e na mente<\/h3>\n<p>O uso excessivo de celulares e outros dispositivos conectados \u00e0 internet pode dar as caras em uma s\u00e9rie de sintomas e doen\u00e7as. A SBP lista alguns nas diretrizes publicadas nesses \u00faltimos anos:<\/p>\n<ul>\n<li>Transtornos do sono, como ins\u00f4nia;<\/li>\n<li>Transtornos alimentares, como bulimia e anorexia;<\/li>\n<li>Sedentarismo;<\/li>\n<li>Obesidade;<\/li>\n<li>Dores de cabe\u00e7a;<\/li>\n<li>Dores musculares relacionadas \u00e0 postura;<\/li>\n<li>Irritabilidade, agressividade e condutas violentas;<\/li>\n<li>Ansiedade e depress\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Uma parcela desses inc\u00f4modos est\u00e1 relacionada com o tempo prolongado de inatividade. Quem fica muitas horas sentado na frente de um computador, por exemplo, possui menos tempo para fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos e pode sofrer com dores nas costas pela postura inadequada.<\/p>\n<p>Outra parte dos sinais, por\u00e9m, tem um fundo emocional e afetivo. &#8220;O acesso a conte\u00fados sobre emagrecimento e a busca de um corpo idealizado aumenta o risco de transtornos alimentares&#8221;, cita Eisenstein. <\/p>\n<h3>Como resolver esses problemas?<\/h3>\n<p>Considerando o fato de que os celulares s\u00e3o parte da rotina da vasta maioria das pessoas, ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel ter uma rela\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel com a tecnologia? E como identificar as situa\u00e7\u00f5es em que o uso desses dispositivos ultrapassou os limites, especialmente na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia? <\/p>\n<p>&#8220;A primeira interven\u00e7\u00e3o \u00e9 se desconectar aos poucos. De nada adianta castigar ou tirar o celular da crian\u00e7a ou do adolescente de forma brusca e definitiva&#8221;, aponta Eisenstein. <\/p>\n<p>&#8220;E, claro, esse ato de se desconectar da internet precisa envolver todos os integrantes da fam\u00edlia, n\u00e3o apenas os jovens&#8221;, destaca a pediatra. <\/p>\n<p>Viola refor\u00e7a a necessidade de estabelecer limites. &#8220;A crian\u00e7a e o adolescente precisam saber que podem entrar na internet por um determinado n\u00famero de horas por dia.&#8221;<\/p>\n<p>Por fim, vale refor\u00e7ar que existem formas de identificar e tratar os quadros de v\u00edcio no uso de celular e outros dispositivos eletr\u00f4nicos. <\/p>\n<p>&#8220;Se o jovem apresenta dificuldades nos \u00e2mbitos social, profissional, educacional ou familiar, \u00e9 necess\u00e1rio buscar a avalia\u00e7\u00e3o de um profissional de sa\u00fade&#8221;, orienta Machado.<\/p>\n<p>Para os casos em que h\u00e1 diagn\u00f3stico de um transtorno, como uma depend\u00eancia de videogames, \u00e9 poss\u00edvel intervir por meio da terapia cognitivo-comportamental, uma abordagem da psicologia que busca analisar, racionalizar e propor interven\u00e7\u00f5es nos h\u00e1bitos e nos pensamentos do paciente.<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? Inscreva-se no nosso canal! <\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 90% das crian\u00e7as e dos adolescentes brasileiros est\u00e3o conectados \u00e0 internet. Desses, 95% usam o celular como principal dispositivo para acessar sites e\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":72872,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[229],"tags":[],"class_list":["post-72871","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72871"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72871\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}