{"id":73132,"date":"2022-04-06T19:42:49","date_gmt":"2022-04-06T22:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/faxineira-e-filha-sao-aprovadas-em-universidade-federal-para-o-mesmo-curso\/"},"modified":"2022-04-06T19:42:49","modified_gmt":"2022-04-06T22:42:49","slug":"faxineira-e-filha-sao-aprovadas-em-universidade-federal-para-o-mesmo-curso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/06\/faxineira-e-filha-sao-aprovadas-em-universidade-federal-para-o-mesmo-curso\/","title":{"rendered":"Faxineira e filha s\u00e3o aprovadas em universidade federal, para o mesmo curso"},"content":{"rendered":"<div>A\u00a0faxineira Andr\u00e9a Saad Grape, 48 anos, e sua filha Amanda, 21, foram aprovadas na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), no curso de engenharia industrial madeireira. Gestora de TI, Amanda decidiu embarcar no antigo sonho da m\u00e3e e prop\u00f4s a ela fazer a inscri\u00e7\u00e3o para o vestibular juntas. <\/p>\n<p>Mesmo sem ter feito cursinho ou se afogado em livros para tentar a sorte, Andr\u00e9a deixou a indecis\u00e3o de lado e topou o desafio. O resultado da aprova\u00e7\u00e3o, rec\u00e9m-divulgado, foi recebido com espanto e euforia pelas duas.<\/p><\/div>\n<div>Amanda, trabalha na \u00e1rea de e-commerce de uma empresa de colch\u00f5es em Curitiba, e a m\u00e3e presta servi\u00e7os para uma empresa, limpando salas comerciais. Ao saber da aprova\u00e7\u00e3o das duas, Amanda n\u00e3o conteve a emo\u00e7\u00e3o. Imediatamente encaminhou uma mensagem, para a m\u00e3e, que estava em meio a uma faxina, deixando-a igualmente perplexa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Foi o resgate de um projeto&#8221;, conta Andr\u00e9a, lembrando que em 2009, quando a filha tinha apenas 9 anos, foi aprovada para o mesmo curso, na mesma institui\u00e7\u00e3o. &#8220;Cheguei a frequentar aulas, que eram diurnas, sempre fazendo bicos para ajudar no sustento da casa. Na hora do almo\u00e7o, cozinhava ou passava roupas para algum professor que sabia da minha luta di\u00e1ria&#8221;, conta, completando que depois de tr\u00eas anos se viu obrigada a trancar a matr\u00edcula. Agora, ambas v\u00e3o estudar \u00e0 noite, mas continuar\u00e3o trabalhando em seus respectivos empregos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O marido de Andr\u00e9a e pai de Amanda, Cristiano \u00c1lvaro Grape, 48, \u00e9 dono de um quiosque de papelaria e presentes num mercado do bairro Cap\u00e3o Raso, e o filho mais velho, Lucas, 26 cursa educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica em uma faculdade particular. Graduado em tecnologia em log\u00edstica, Cristiano revela que a conquista da mulher e da filha o motivaram a tamb\u00e9m retomar os estudos. &#8220;Penso em fazer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o com outro encaminhamento, como terapia ou psicologia. Nada me impede, ainda mais com esses exemplos dentro de casa. Posso me toronar alguma coisa a mais&#8221;, afirma.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele revela ter recebido a not\u00edcia da aprova\u00e7\u00e3o das duas com muita emo\u00e7\u00e3o. &#8220;Foi superbacana ?? muito bom saber que elas seguir\u00e3o juntas&#8221;, disse. Segundo ele, a fam\u00edlia sempre foi muito unida e colaborativa em todos os sentidos. Tanto que pai e filho est\u00e3o empenhados em ajudar a mulher e a filha a comprarem um ve\u00edculo para facilitar o deslocamento at\u00e9 a universidade, que fica cerca de 10 km da casa onde moram.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As novas calouras da UFPR n\u00e3o escondem a expectativa de fazer o mesmo percurso para a faculdade juntas. &#8220;Nossa vida sempre foi de muita uni\u00e3o e carinho. O caminho do meu trabalho \u00e9 o mesmo do dela e isso vai facilitar bastante as nossas vidas. Agora, estudando juntas, ficaremos ainda mais pr\u00f3ximas&#8221;, diz Andr\u00e9a. <\/p>\n<p>&#8220;Estou bastante animada com essa nova rotina. Sempre fomos grandes companheiras, parceiras em tudo. A ideia \u00e9 ajudarmos uma a outra nas mat\u00e9rias e no que for preciso. De forma alguma isso vai ser entediante. Muito pelo contr\u00e1rio, vai ser uma aventura muito legal. Pra gente, quanto mais conviv\u00eancia melhor&#8221;, completa Amanda.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Planejando o futuro<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Andr\u00e9a, cujos pais estudaram somente at\u00e9 o 4\u00ba ano do ensino fundamental, fez curso de tecn\u00f3logo em recursos humanos, conclu\u00eddo em dois anos, mas nunca atuou na \u00e1rea, &#8220;porque as faxinas pagam bem mais&#8221;. Para auto testar seus conhecimentos, ela costuma se inscrever em concursos p\u00fablicos. &#8220;Gosto de saber at\u00e9 que ponto estou atualizada, saber como est\u00e3o as coisas, ser esperta, acumular conhecimento, n\u00e3o deixar a peteca cair. Qualquer coisa que a gente aprende nunca \u00e9 perdida&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Sobre o fato de retomar os estudos, ela observa que, apesar de n\u00e3o poder prever como ser\u00e1 esse percurso, n\u00e3o h\u00e1 motivo algum para desanimar. &#8220;O importante \u00e9 ir \u00e0 luta. Pode ser at\u00e9 um cursinho aleat\u00f3rio, nada \u00e9 perdido, digo e repito.&#8221;<\/p><\/div>\n<div>J\u00e1 Amanda estudou at\u00e9 a 8\u00aa s\u00e9rie em escolas p\u00fablicas e cursou o ensino m\u00e9dio com bolsa integral em uma unidade do Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria (Sesi). Com bolsa do Prouni, ela graduou-se em gest\u00e3o de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o em uma institui\u00e7\u00e3o privada, em 2020. &#8220;Agora vou fazer o que realmente quero&#8221;, comemora, revelando que seu interesse pela engenharia industrial madeireira foi despertado pela m\u00e3e. <\/p>\n<p>&#8220;A gente sempre passeava no campus quando ela estudou l\u00e1 pela primeira vez. Cheguei at\u00e9 a acompanh\u00e1-la nas aulas, mas foi numa feira de cursos e profiss\u00f5es da UFPR, quando minha m\u00e3e me explicou as propriedades da madeira, que fiquei realmente encantada, atra\u00edda pela a profiss\u00e3o&#8221;, lembra. <\/p>\n<p>Agora, ambas pensam em montar uma empresa de reflorestamento. Antes, Amanda pretende fazer uma especializa\u00e7\u00e3o na Alemanha, que \u00e9 refer\u00eancia na \u00e1rea. &#8220;Vai ser mais uma oportunidade para pintarmos a cara e todo o corpo e tomarmos um belo banho de chope, como fizemos agora&#8221;, diz Andr\u00e9a.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0faxineira Andr\u00e9a Saad Grape, 48 anos, e sua filha Amanda, 21, foram aprovadas na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), no curso de engenharia industrial\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":73133,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2799],"tags":[],"class_list":["post-73132","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73132\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73133"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}