{"id":74306,"date":"2022-04-08T08:40:30","date_gmt":"2022-04-08T11:40:30","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/facebook-derruba-rede-de-desinformacao-sobre-amazonia-operada-por-militares-do-exercito\/"},"modified":"2022-04-08T08:40:30","modified_gmt":"2022-04-08T11:40:30","slug":"facebook-derruba-rede-de-desinformacao-sobre-amazonia-operada-por-militares-do-exercito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/08\/facebook-derruba-rede-de-desinformacao-sobre-amazonia-operada-por-militares-do-exercito\/","title":{"rendered":"Facebook derruba rede de desinforma\u00e7\u00e3o sobre Amaz\u00f4nia operada por militares do Ex\u00e9rcito"},"content":{"rendered":"<p>A Meta, holding que controla o Facebook e o Instagram, anunciou nesta quinta-feira (7\/04) que identificou e derrubou uma rede de perfis e contas ligadas a dois militares do Ex\u00e9rcito brasileiro que executava uma opera\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o sobre temas ambientais.  <\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio produzido pela empresa de intelig\u00eancia digital Graphika, que fez uma investiga\u00e7\u00e3o independente a partir dos dados fornecidos pelo Facebook, mostrou que os perfis criados pela dupla criticavam a atua\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e elogiavam a a\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito no combate ao desmatamento na Amaz\u00f4nia. Os nomes dos militares n\u00e3o foram divulgados. <\/p>\n<p>&#8220;Embora as pessoas por tr\u00e1s tentassem esconder suas identidades e coordena\u00e7\u00e3o, nossas investiga\u00e7\u00e3o encontrou v\u00ednculos com indiv\u00edduos associados ao Ex\u00e9rcito Brasileiro&#8221;, diz a Meta. Os relat\u00f3rios tamb\u00e9m n\u00e3o dizem se a a\u00e7\u00e3o da dupla agiu sozinha ou a mando de algu\u00e9m.  <\/p>\n<p>A BBC News Brasil questionou o Ex\u00e9rcito sobre o relat\u00f3rio da Meta. Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o original desta reportagem, o Ex\u00e9rcito enviou uma nota de resposta (leia a \u00edntegra ao final do texto).<\/p>\n<p>Na nota, o Ex\u00e9rcito afirma que a &#8220;institui\u00e7\u00e3o possui contas oficiais nessas m\u00eddias e obedece as pol\u00edticas de uso das empresas respons\u00e1veis por essas plataformas. Assim, o Ex\u00e9rcito j\u00e1 entrou em contato com a empresa Meta para viabilizar, dentro dos par\u00e2metros legais vigentes, acesso aos dados que fundamentaram o relat\u00f3rio, no que diz respeito \u00e0 suposta participa\u00e7\u00e3o de militares nas atividades descritas&#8221;.  <\/p>\n<p>De acordo com a Meta, a rede operada pelos militares era composta por quatro perfis e nove p\u00e1ginas no Facebook e 39 contas no Instagram. <\/p>\n<p>Algumas delas, segundo a investiga\u00e7\u00e3o, utilizavam fotos criadas a partir de intelig\u00eancia artificial. <\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da Graphika aponta que a atua\u00e7\u00e3o do grupo teve duas fases. Na primeira, eles criaram perfis que divulgavam cr\u00edtica ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em rela\u00e7\u00e3o a temas como a pol\u00edtica do governo sobre a epidemia de covid-19. A segunda fase da atua\u00e7\u00e3o do grupo foi dedicada a temas ambientais. <\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios da Meta e da Graphika n\u00e3o explicam os motivos pelos quais as duas fases da opera\u00e7\u00e3o adotaram abordagens diferentes. As duas empresas afirmaram que o foco foi a apura\u00e7\u00e3o de comportamento inaut\u00eantico envolvendo perfis e p\u00e1ginas no Facebook e no Instagram.   <\/p>\n<h3>Rede de ONGs falsas<\/h3>\n<p>A partir de 2019, o governo brasileiro passou a ser criticado internacionalmente pelo aumento no desmatamento e na quantidade de queimadas na Amaz\u00f4nia. Sob press\u00e3o, o presidente Jair Bolsonaro (PL) autorizou o emprego das For\u00e7as Armadas numa tentativa de conter a crise. <\/p>\n<p>Em manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o ent\u00e3o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles rebatiam as cr\u00edticas internacionais de pa\u00edses como Fran\u00e7a e atacavam a atua\u00e7\u00e3o de ONGs ambientalistas que denunciavam o avan\u00e7o do desmatamento no pa\u00eds.  <\/p>\n<p>Segundo o documento, a segunda fase da opera\u00e7\u00e3o executada pelos militares se deu entre maio e junho de 2021. Para isso, o grupo criou pelo menos tr\u00eas perfis de ONGs ambientalistas falsas que tentavam gerar engajamento com o p\u00fablico.  <\/p>\n<p>Esses perfis tinham nomes como &#8220;NaturAmazon&#8221;, &#8220;Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel&#8221; e &#8220;Verde Mais&#8221;. <\/p>\n<p>Os investigadores da Graphika constataram que o endere\u00e7o indicado no perfil da NaturAmazon correspondia a uma pet-shop em Manaus. <\/p>\n<p>No caso da  Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel, o endere\u00e7o informado pelos respons\u00e1veis pelo perfil era o da sede da ONG Greenpeace, em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, parte do conte\u00fado divulgado no perfil da NaturAmazon, por exemplo, era composto por elogios \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos militares.  <\/p>\n<p>&#8220;O grupo promoveu uma narrativa central sobre a necessidade de proteger a floresta e sua biodiversidade, frequentemente elogiando os esfor\u00e7os do governo para combater o desmatamento [&#8230;] Em geral, NaturAmazon s\u00f3 postava estat\u00edsticas e not\u00edcias sobre o desmatamento que retratavam o governo brasileiro e os militares de forma positiva&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<h3>Cr\u00edtica a a\u00e7\u00e3o de ambientalistas<\/h3>\n<p>E ao mesmo tempo em que os perfis falsos divulgavam elogios \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do governo, uma outra conta operada pelo grupo criticava a a\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e em defesa dos direitos humanos. O perfil foi batizado como &#8220;O Fiscal das ONGs&#8221; e operava tanto no Instagram quanto no Twitter. <\/p>\n<p>O nome lembra um outro perfil, O Fiscal do Ibama, com mais de 142 mil seguidores no Twitter e que ficou conhecido por criticar a pol\u00edtica ambiental do governo. <\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, a conta &#8220;O Fiscal das ONGs&#8221; tentava &#8220;minar&#8221; a credibilidade de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais brasileiras que atuam na defesa do meio ambiente e que s\u00e3o cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica ambiental do governo Bolsonaro como o Instituto Socioambiental e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon). As postagens tamb\u00e9m acusavam membros dessas ongs de crimes como desvio de verbas. <\/p>\n<p>&#8220;O Fiscal das ONGs postava conte\u00fado no Instagram e no Twitter que procurava minar a credibilidade de ONGs ambientalistas que trabalham na regi\u00e3o amaz\u00f4nica [&#8230;] As contas acusavam executivos dessas ONGs de desviarem dinheiro arrecadado para ajudar povos ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia e manipular dados sobre tend\u00eancias de desmatamento para servir a interesses estrangeiros&#8221;, diz um trecho do documento. <\/p>\n<h3>Identifica\u00e7\u00e3o no Portal da Transpar\u00eancia<\/h3>\n<p>O relat\u00f3rio da Graphika d\u00e1 mais detalhes sobre como forma identificados os militares por tr\u00e1s da rede derrubada pelo Facebook. Segundo o documento, as contas falsas derrubadas pertenciam a duas pessoas que serviam ao Ex\u00e9rcito at\u00e9, pelo menos, dezembro de 2021. <\/p>\n<p>Os investigadores da empresa cruzaram os dados dos perfis que eles mantinham em redes sociais e identificaram padr\u00f5es que comprovariam que se tratavam de perfis de pessoas reais. Depois disso, eles cruzaram esses dados como a base de pagamentos do Portal da Transpar\u00eancia, do governo federal. <\/p>\n<p>&#8220;Mais notavelmente, os perfis de Facebook e contas do Instagram do conjunto que foi derrubado pertenciam a dois indiv\u00edduos que estavam ativamente servido no Ex\u00e9rcito brasileiro at\u00e9 dezembro de 2021, de acordo com registros de pagamentos dispon\u00edveis&#8221;, diz um trecho do relat\u00f3rio da Graphika. <\/p>\n<p>A Graphika diz que a descoberta da rede operada pelos militares brasileiros \u00e9 particularmente importante porque o pa\u00eds realizar\u00e1 elei\u00e7\u00f5es em outubro deste ano. <\/p>\n<p>&#8220;Isto \u00e9 particularmente relevante no Brasil, que tem um hist\u00f3rico de atores politicamente motivados se engajando em comportamento online coordenado e prejudicial e que est\u00e1 prestes a realizar elei\u00e7\u00f5es presidenciais em outubro deste ano&#8221;, disse a empresa. <\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m lembra as investiga\u00e7\u00f5es feitas pela Pol\u00edcia Federal sobre aliados do presidente Bolsonaro que teriam orquestrado ataques contra seus oponentes e mostra a tentativa de fragilizar o ambiente pol\u00edtico brasileiro. <\/p>\n<p>&#8220;Essa atividade rec\u00e9m-descoberta n\u00e3o objetivou as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, mas ilustra a abrang\u00eancia dos atores tentando manipular o polarizado e fr\u00e1gil ambiente pol\u00edtico brasileiro&#8221;, diz o relat\u00f3rio. <\/p>\n<p>A Meta, holding que controla o Facebook e o Instagram, anunciou nesta quinta-feira (7\/04) que identificou e derrubou uma rede de perfis e contas comandadas por dois militares do Ex\u00e9rcito brasileiro que comandavam uma opera\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o sobre temas ambientais. <\/p>\n<p><b><i>*Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, o Ex\u00e9rcito Brasileiro enviou nota \u00e0 BBC News Brasil com seu posicionamento. Leia a \u00edntegra abaixo:<\/i><\/b><\/p>\n<p><i>&#8220;O Centro de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Ex\u00e9rcito informa que o Ex\u00e9rcito Brasileiro tomou conhecimento do conte\u00fado do documento &#8220;Adversial Threat Report&#8221;, da empresa Meta, por meio de publica\u00e7\u00f5es na imprensa na data de hoje, 7 de abril. O texto afirma que a empresa agiu contra rede de contas falsas que divulgavam conte\u00fado com foco em quest\u00f5es ambientais, e que os respons\u00e1veis por essas contas seriam indiv\u00edduos supostamente associados \u00e0 For\u00e7a. O Ex\u00e9rcito Brasileiro n\u00e3o fomenta a desinforma\u00e7\u00e3o por meio das m\u00eddias sociais. A institui\u00e7\u00e3o possui contas oficiais nessas m\u00eddias e obedece as pol\u00edticas de uso das empresas respons\u00e1veis por essas plataformas. Assim, o Ex\u00e9rcito j\u00e1 entrou em contato com a empresa Meta para viabilizar, dentro dos par\u00e2metros legais vigentes, acesso aos dados que fundamentaram o relat\u00f3rio, no que diz respeito \u00e0 suposta participa\u00e7\u00e3o de militares nas atividades descritas.  Finalmente, cabe ressaltar que a Institui\u00e7\u00e3o requer de seus profissionais o cumprimento de deveres militares, tais como o culto \u00e0 verdade, a probidade e a honestidade.&#8221;<\/i><\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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