{"id":75835,"date":"2022-04-11T06:33:04","date_gmt":"2022-04-11T09:33:04","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/04\/numero-de-acidentes-de-trabalho-cresce-470-na-bahia\/"},"modified":"2022-04-11T06:33:04","modified_gmt":"2022-04-11T09:33:04","slug":"numero-de-acidentes-de-trabalho-cresce-470-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/04\/11\/numero-de-acidentes-de-trabalho-cresce-470-na-bahia\/","title":{"rendered":"N\u00famero de acidentes de trabalho cresce 470% na Bahia"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/04\/09\/Acidente_trabalho_agencia_brasil__1_.jpeg\" alt=\"Pedreiros (trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil) aparecem como os mais vulner\u00e1veis\" width=\"1100\" height=\"684\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Todas as vezes que precisa subir num andaime, o pedreiro Edivaldo Fraga, 55 anos, redobra os cuidados: amarra-se bem a cintos de seguran\u00e7a para evitar quedas. Em 35 anos de profiss\u00e3o, ele j\u00e1 caiu tr\u00eas vezes e sabe dos riscos da profiss\u00e3o. Os pedreiros s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis a acidentes de trabalho, que cresceram 470% na Bahia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A realidade dos acidentes de trabalho no estado estar\u00e1\u00a0em exibi\u00e7\u00e3o a partir desta segunda-feira (11) at\u00e9 o dia\u00a01\u00ba de maio no Salvador Shopping\u00a0e faz parte da campanha &#8220;Acidentes de trabalho: \u00e9 urgente evitar!&#8221;. H\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, em 2010, 1.133 acidentes de trabalho foram notificados, n\u00famero que saltou a 6.469 no ano passado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O trabalho no shopping \u00e9 resultado de uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT)\u00a0contra o estabelecimento e uma empresa que realizou obras no local.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em 2007, um oper\u00e1rio morreu no curso de obras no shopping. A\u00a0senten\u00e7a condenou as empresas a custear uma campanha de preven\u00e7\u00e3o de acidentes de trabalho. Foi ent\u00e3o que o\u00a0MPT, a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a Secretaria da Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab) se uniram.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A alta de acidentes aparece em um levantamento realizado\u00a0pelo grupo, a partir de\u00a0dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan). O levantamento tamb\u00e9m mostra as atividades mais vulner\u00e1veis a acidentes e os perfis mais comuns dos acidentados.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nas estat\u00edsticas oficiais, o ramo de atividades mais vulner\u00e1vel a acidentes \u00e9, na ordem decrescente, o de pedreiros (9,6%), agricultores (8,3%) e soldadores (8,1%) &#8211; as tr\u00eas atividades profissionais est\u00e3o recorrentemente expostas a maquin\u00e1rios, estruturas pesadas e\/ou\u00a0subst\u00e2ncias t\u00f3xicas.\u00a0<\/p>\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/9342692\">\n<p class=\"bodytext\">O pedreiro Edivaldo, por exemplo, perdeu amigos que ca\u00edram de andaimes ou morreram eletrocutados. De 2010 a 2019, 1750 pessoas morreram, na Bahia, v\u00edtimas de acidentes de trabalho &#8211; foram 34.683 em todo o pa\u00eds. Motoristas de caminh\u00e3o (9,6%), pedreiros (9,4%) e trabalhadores agropecu\u00e1rios (9,3%) lideram o ranking.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Sempre analiso como vou trabalhar para n\u00e3o sofrer acidentes. J\u00e1 cai de andaime, o trabalho mais perigoso, mas das vezes que cai sempre foi muito baixo&#8221;<\/strong>, conta Edivaldo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Pelas depend\u00eancias do shopping, estar\u00e3o espalhadas informa\u00e7\u00f5es como orienta\u00e7\u00f5es gerais relacionadas aos acidentes e a necessidade do uso de Equipamento de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPIs) &#8211; as empresas s\u00e3o obrigadas a fornecer prote\u00e7\u00e3o a funcion\u00e1rios.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">?? poss\u00edvel denunciar aquelas que descumprem as regras de seguran\u00e7a\u00a0ao MPT, por meio do site do \u00f3rg\u00e3o, de forma sigilosa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Os porqu\u00eas dos acidentes<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A alta de acidentes tem a ver com fatores como o avan\u00e7o do mercado informal &#8211; como o de servi\u00e7o de entregas por delivery,\u00a0que exp\u00f5e trabalhadores a longas jornadas de trabalho\u00a0sem equipamento de prote\u00e7\u00e3o adequado &#8211; e aprimoramento no sistema inform\u00e1tico da\u00a0cataloga\u00e7\u00e3o de dados.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Talvez o n\u00famero seja ainda maior pois h\u00e1 pessoas n\u00e3o resguardadas pelo INSS. Se a pessoa n\u00e3o tem v\u00ednculo de trabalho ou n\u00e3o est\u00e1 segura pelo INSS, ela vai ter que levantar da cama e ir trabalhar&#8221;<\/strong>, interpreta\u00a0Cleber\u00a0Cremonese, professor do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da UFBA.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Salvador \u00e9 a cidade baiana com maior quantidade porcentual de acidentes.\u00a0Na capital, est\u00e3o 32% do total de acidentes registrados na Bahia &#8211; as principais v\u00edtimas\u00a0s\u00e3o pessoas com faixa et\u00e1ria entre 30 e 39 anos (29%), que trabalham sem v\u00ednculo formal (37,5%) e homens (86%).\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1 tr\u00eas problemas, na opini\u00e3o do procurador do MPT Ilan Fonseca, que dificultam a preven\u00e7\u00e3o e a culpabiliza\u00e7\u00e3o de respons\u00e1veis por acidentes de trabalho:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;O primeiro \u00e9 a subnotifica\u00e7\u00e3o. Os\u00a0acidentes acontecem e as autoridades n\u00e3o tomam conhecimento. O segundo \u00e9 responsabilizar a v\u00edtima pelo acidente. Compete \u00e0 empresa orientar e exigir o uso de equipamento de prote\u00e7\u00e3o. O terceiro \u00e9 [garantir] o direito de recusa do trabalhador em situa\u00e7\u00f5es de risco. A lei assegura isso&#8221;<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Dos acidentes com trabalhadores que t\u00eam v\u00ednculo\u00a0pela CLT, 81% foram\u00a0t\u00edpicos, ou seja, na execu\u00e7\u00e3o do trabalho, e\u00a019% no trajeto de ida ou volta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Invisibilidade dos entregadores<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1 uma quest\u00e3o que inviabiliza o conhecimento total da realidade de classes trabalhistas que se exp\u00f5em diariamente: a informalidade. Em 2020, um estudo do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da Ufba mostrou que 20% das mortes decorrentes de acidentes de trabalho ocorreram no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Quem s\u00e3o esses trabalhadores e quais suas atividades di\u00e1rias s\u00e3o perguntas que, no entanto, os pesquisadores ainda n\u00e3o conseguem responder.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A hip\u00f3tese \u00e9 de que a demanda crescente de trabalhos plataformizados, como as entregas por aplicativo, durante a pandemia, tenha exposto a ainda mais risco os trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas, como as empresas para as quais os entregadores atuam n\u00e3o reconhecem v\u00ednculo de trabalho formal, os trabalhadores n\u00e3o est\u00e3o assegurados pelo\u00a0Instituto Nacional do Seguro Social\u00a0(INSS). A totalidade dos afetados pelos riscos do trabalho a quatro rodas, desse modo, \u00e9 desconhecida.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O INSS garante\u00a0afastamento remunerado a profissionais que tenham sofrido acidentes e estejam impossibilitados de trabalhar.\u00a0Os acidentes que ocasionaram maior frequ\u00eancia de incapacidade de trabalhar aconteceram entre\u00a0soldadores (7,2%), operadores de m\u00e1quinas fixas (4%) e pedreiros (1,7%).\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Para o trabalhador informal, qual \u00e9 o interesse em ir a uma unidade de sa\u00fade\u00a0fazer o registro do acidente? No fim, os trabalhadores registram para terem acesso aos benef\u00edcios, como o afastamento remunerado, mas esses trabalhadores n\u00e3o, eles n\u00e3o s\u00e3o contemplados???<\/strong>, afirma Cleber.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A falta de direitos trabalhistas \u00e9 apenas uma das faces da subnotifica\u00e7\u00e3o. Os pr\u00f3prios agentes de sa\u00fade, explica Cleber, nem sempre possuem as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e estruturais\u00a0adequadas para preencher corretamente formul\u00e1rios de acidentes de trabalho.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Quantas vezes o m\u00e9dico, na pressa, preenche s\u00f3 os dados b\u00e1sico? N\u00e3o adianta jogar s\u00f3 para o trabalhador, temos que fazer um conjunto de a\u00e7\u00f5es para orientar, as organiza\u00e7\u00f5es precisam conversar???, conclui o pesquisador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as vezes que precisa subir num andaime, o pedreiro Edivaldo Fraga, 55 anos, redobra os cuidados: amarra-se bem a cintos de seguran\u00e7a para\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":75836,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-75835","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75835\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}