{"id":78095,"date":"2022-09-11T17:31:57","date_gmt":"2022-09-11T20:31:57","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/09\/em-10-anos-tinder-transformou-paquera-em-jogo-e-deu-mais-poder-as-mulheres\/"},"modified":"2022-09-11T17:31:57","modified_gmt":"2022-09-11T20:31:57","slug":"em-10-anos-tinder-transformou-paquera-em-jogo-e-deu-mais-poder-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/09\/11\/em-10-anos-tinder-transformou-paquera-em-jogo-e-deu-mais-poder-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Em 10 anos, Tinder transformou paquera em jogo e deu mais poder \u00e0s mulheres"},"content":{"rendered":"<p>No meio do tr\u00e2nsito de uma tempestade que caiu em S\u00e3o Paulo em 2014, a  consultora Lilian Ribeiro, 37, deu match pelo Tinder com o administrador  Rafael Ribeiro, 40, que estava em casa, sem luz e impossibilitado de  assistir um jogo de futebol. Em pouco tempo, j\u00e1 estavam morando juntos.<\/p>\n<p> Casados h\u00e1 sete anos, eles hoje t\u00eam dois filhos pequenos. &#8220;As pessoas se  espantam que nos conhecemos pelo aplicativo e deu certo&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p> O aplicativo que conecta casais como Lilian e Rafael completa dez anos  nesta segunda-feira (12) e revolucionou a paquera online, antes restrita  a sites de namoro &#8211; que atra\u00edam uma popula\u00e7\u00e3o mais velha.<\/p>\n<p> Nesta \u00faltima d\u00e9cada, especialistas concordam que o Tinder colocou  mulheres heterossexuais no controle da procura e gamificou o flerte em  meio a uma sociedade cada vez mais individualista.<\/p>\n<p> O primeiro aplicativo de relacionamento a utilizar a l\u00f3gica do GPS, na  verdade, foi o Grindr, em 2009, focado no p\u00fablico gay . Mas, foi depois  do Tinder que surgiram outros com a mesma l\u00f3gica, como o Bumble e o  Happn.<\/p>\n<p> Para a psic\u00f3loga L\u00edgia Baruch, que estudou o tema no doutorado, os  aplicativos mudaram a maneira como as pessoas usam as imagens e como  elas se vendem para um relacionamento. &#8220;H\u00e1 uma busca constante por  algu\u00e9m que se encaixe, mas pouca disposi\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de  rela\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p> Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de  Janeiro e colunista da Folha, classifica os aplicativos como &#8220;revolu\u00e7\u00e3o  feminista&#8221;. Se nos sites elas recebiam enxurrada de mensagens sem  filtros, j\u00e1 nos aplicativos, elas t\u00eam que concordar com o match para dar  in\u00edcio ao papo.<\/p>\n<p> Uma pesquisa divulgada em 2016 pela Universidade Queen Mary, de Londres,  mostra que homens costumam dar mais likes no Tinder que as mulheres.  Por outro lado, apenas em 0,6% dos casos eles s\u00e3o correspondidos. J\u00e1 as  mulheres, com um comportamento mais seletivo, t\u00eam um retorno de 10%.<\/p>\n<p> Apesar do controle nas m\u00e3os delas, os aplicativos n\u00e3o limaram ass\u00e9dios.  Outra pesquisa divulgada em 2020 pelo Centro de Pesquisas Pew mostra que  30% dos americanos adultos j\u00e1 usaram sites ou aplicativos. Entre eles,  37% afirmam que foram contatados por um usu\u00e1rio mesmo ap\u00f3s manifestarem  que n\u00e3o tinham interesse naquela pessoa. E 35% receberam mensagens ou  imagens sexualmente expl\u00edcitas indesejadas.<\/p>\n<p> Lemos considera que o Tinder gamificou a paquera. Ou seja, o aplicativo  proporciona aos usu\u00e1rios uma experi\u00eancia como a de um jogo que embaralha  cartas e vai mostrando pouco a pouco, de acordo com o interesse do  usu\u00e1rio.<\/p>\n<p> Ou seja, o Tinder mostra v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o interessantes e, de  vez em quando, aparecem alguns com poder de reten\u00e7\u00e3o alto. &#8220;H\u00e1 uma  prefer\u00eancia por conhecer outras por meio do aplicativo e o desafio n\u00e3o \u00e9  usar o aplicativo, mas deixar de us\u00e1-lo&#8221;, avalia ele.<\/p>\n<p> Seja para relacionamentos duradouros, sexo sem compromisso ou  passatempo, os aplicativos trouxeram consequ\u00eancias. Ele cita como  exemplo o surgimento do termo ghosting -quando uma pessoa corta todas as  comunica\u00e7\u00f5es com a outra sem explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p> &#8220;Temos uma dissolu\u00e7\u00e3o da vida em comunidade e um individualismo  exacerbado. O ghosting se torna n\u00e3o s\u00f3 f\u00e1cil de ser praticado, como  representa uma deteriora\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n<p> A produtora de conte\u00fado Andrea Diniz, 47, tamb\u00e9m sente essa fragilidade  nas rela\u00e7\u00f5es. H\u00e1 quase um ano no Tinder, ela conta que j\u00e1 se apaixonou e  j\u00e1 se decepcionou com os homens que conheceu no aplicativo.<br \/> Diniz busca um relacionamento s\u00e9rio, mas n\u00e3o tem pressa. &#8220;As chances de  encontrar homens nessa idade que n\u00e3o seja o &#8216;tio do pav\u00ea&#8217; s\u00e3o  baix\u00edssimas&#8221;, diz. A maioria dos homens da sua idade, afirma, &#8220;procuram  por gatinhas&#8221; ou n\u00e3o querem nada s\u00e9rio porque vem de relacionamentos  longo que se arrastaram.<\/p>\n<p> Ela nota que, nos aplicativos, muitos deles est\u00e3o em busca de sexting  [envio de mensagens digitais de teor er\u00f3tico], mas n\u00e3o t\u00eam vontade para  sair e bater papo. &#8220;Tenho me dado melhor no ao vivo&#8221;, resume.<br \/> J\u00e1 a assistente administrativa Mariana Castro, 25, tem um carinho  especial pelo aplicativo, pois foi por l\u00e1 que conheceu a atual namorada  Liz Figueiredo, 22, no in\u00edcio de 2021. Elas deram match, mas a conversa  n\u00e3o engatou.<\/p>\n<p> Um dia, Liz foi \u00e0 farm\u00e1cia e, coincidentemente, a atendente era Mariana.  A partir dali, elas come\u00e7aram a conversar e logo elas passaram a  namorar.<\/p>\n<p> &#8220;Se tem aplicativo para pedir comida, fazer compras, porque n\u00e3o usar  para conhecer algu\u00e9m?&#8221;, diz a assistente administrativa, que passou a  usar mais o aplicativo durante a pandemia.<\/p>\n<p> Dados divulgados pelo Tinder apontam que as conversas ficaram 33% mais  longas durante a crise sanit\u00e1ria. Procurado, a empresa n\u00e3o divulgou o  perfil mais detalhado dos usu\u00e1rios e n\u00e3o quis comentar o tema. Disse  apenas que mais de 50% de quem usa o aplicativo t\u00eam a idade de Mariana e  sua namorada, entre 18 e 25 anos.<\/p>\n<p> A psic\u00f3loga Carla Guth tem um olhar mais cr\u00edtico aos aplicativos de  paquera. Para ela, os filtros e pr\u00e9-sele\u00e7\u00f5es criadas contribuem para um  comportamento cada vez mais controlador da sociedade. &#8220;Antes, as pessoas  tinham vontade de se abrirem. Hoje, elas v\u00eam frustradas porque o outro  n\u00e3o atende as necessidades. Nos tornamos controladores e o novo \u00e9  assustador.&#8221;<\/p>\n<p> J\u00e1 a fisioterapeuta Cybelle Varonos, 53, considera esses filtros  positivos. Quem a encontra no Tinder, j\u00e1 l\u00ea: &#8220;cansada de pessoas rasas,  solteira, sem filhos e 9 tatuagens.&#8221; Como n\u00e3o costuma frequentar festas e  bares, o aplicativo ajuda a fazer uma esp\u00e9cie de pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o. &#8220;Quem n\u00e3o  gosta, nem d\u00e1 like&#8221;, diz ela que j\u00e1 se apaixonou, teve rela\u00e7\u00f5es casuais  e fez amigos com o Tinder.<\/p>\n<p> Ela avalia que o preconceito de quem se conhece pelo aplicativo  diminuiu, mas conhecidos ainda perguntam se ela n\u00e3o tem medo de cair em  algum golpe. &#8220;No bar e na academia n\u00e3o tem perigo? Quem n\u00e3o usa \u00e9 porque  tem medo de se envolver.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio do tr\u00e2nsito de uma tempestade que caiu em S\u00e3o Paulo em 2014, a consultora Lilian Ribeiro, 37, deu match pelo Tinder com\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":78096,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2799],"tags":[],"class_list":["post-78095","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78095","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78095\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78096"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}