{"id":78407,"date":"2022-09-12T07:42:05","date_gmt":"2022-09-12T10:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/09\/economia-da-bahia-encolheu-36-em-dez-anos\/"},"modified":"2022-09-12T07:42:05","modified_gmt":"2022-09-12T10:42:05","slug":"economia-da-bahia-encolheu-36-em-dez-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/09\/12\/economia-da-bahia-encolheu-36-em-dez-anos\/","title":{"rendered":"Economia da Bahia encolheu 3,6% em dez anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/09\/09\/centro_convencoes_da_Bahia_Foto_Marina_Silva.jpeg\" alt=\"Centro de Conven\u00e7\u00f5es da Bahia est\u00e1 abandonado\" width=\"1280\" height=\"853\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A Bahia viveu a pior d\u00e9cada de sua hist\u00f3ria econ\u00f4mica entre os anos de 2011 e 2020. Se os primeiros anos do per\u00edodo ainda registraram algum crescimento ??? efeito de investimentos anteriores em matura\u00e7\u00e3o e de medidas para estimular o consumo adotadas pelo governo federal, os \u00faltimos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) escancararam a aus\u00eancia de uma pol\u00edtica de desenvolvimento econ\u00f4mico para o estado. Em 2015, a queda foi de 3,4%, seguida de outra de 6,2% em 2016, crescimento zero em 2017, leves altas de 2,4% e 0,8% em 2018 e 2019, al\u00e9m de um recuo de 3,4% em 2020, neste caso j\u00e1 sob os efeitos da pandemia do coronav\u00edrus.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Desde 2007, quando o PT assumiu o comando do governo baiano, com Jaques Wagner, os resultados econ\u00f4micos indicam uma estagna\u00e7\u00e3o no desenvolvimento estadual. Na \u00e9poca, a Bahia era a 6\u00aa economia brasileira, atr\u00e1s apenas de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1. Em 2011, a participa\u00e7\u00e3o do estado no PIB nacional caiu de 4% para 3,8% e Santa Catarina assumiu o posto da Bahia no ranking. De l\u00e1 para c\u00e1, a economia baiana vem oscilando na faixa dos 4%, enquanto a catarinense j\u00e1 alcan\u00e7ou 4,4% de participa\u00e7\u00e3o. E mesmo entre os estados da regi\u00e3o Nordeste, os resultados daqui deixam a desejar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De 2007 at\u00e9 2019, a participa\u00e7\u00e3o do Nordeste no conjunto de riquezas produzidas pelo Brasil passou de 13% para 14,2% ??? o que representa um crescimento de quase 10%. Por\u00e9m, isto aconteceu sem a participa\u00e7\u00e3o baiana, que respondia pelos mesmos 4% de participa\u00e7\u00e3o na economia nacional. Com a evolu\u00e7\u00e3o de todos os outros estados nordestinos, a participa\u00e7\u00e3o da Bahia na economia da regi\u00e3o caiu de quase 31% para pouco mais de 28%.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Por que o PIB \u00e9 t\u00e3o importante? O especialista no indicador Gustavo Pessoti, presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-Ba) explica que o Produto Interno Bruto \u00e9 um n\u00famero que sintetiza tudo o que aconteceu numa economia num determinado tempo. Em bom portugu\u00eas, significa pegar tudo o que se produziu na Bahia, em um determinado per\u00edodo e somar. No ???econom\u00eas???, ???\u00e9 uma grandeza monet\u00e1ria, que \u00e9 agrega\u00e7\u00e3o de valor da atividade econ\u00f4mica numa unidade de refer\u00eancia???.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">????? um indicador muito \u00fatil porque permite entender a matriz produtiva de uma determinada economia, setores mais pujantes, que arrecadam mais, \u00e9 um retrato fiel do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica. ?? o indicador mais sens\u00edvel do ponto das mudan\u00e7as econ\u00f4micas???, explica Pessoti.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O economista lembra, entretanto, que o PIB n\u00e3o \u00e9 capaz de explicar tudo, por\u00e9m \u00e9 eficiente para mostrar se uma economia est\u00e1 crescendo ou n\u00e3o. No caso da Bahia, o retrato recente est\u00e1 muito longe de ser bonito, lamenta Pessoti. Desde o in\u00edcio das gest\u00f5es petistas no estado, em 2007, at\u00e9 2020, o crescimento acumulado do Produto Interno Bruto foi de 9,4%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e da Superintend\u00eancia de Estudos Econ\u00f4micos e Sociais da Bahia (SEI), \u00f3rg\u00e3o estadual respons\u00e1vel pela tabula\u00e7\u00e3o dos dados.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Entre 2011 e 2020, no que se poderia chamar de ???d\u00e9cada perdida??? na Economia baiana, o resultado somado foi de uma queda de 3,6% no PIB acumulado, de acordo com os dados da SEI.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Do ponto de vista econ\u00f4mico, infelizmente vivemos na Bahia um momento muito delicado???, reconhece o presidente do Corecon-Ba. ????? um estado privilegiado, maior PIB da regi\u00e3o Nordeste, principal estado exportador da regi\u00e3o, tem todos os destaques de mercado de trabalho, mas os n\u00fameros mostram um cen\u00e1rio de desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sem precedentes???, avalia.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pessoti lembra que este freio no crescimento aconteceu depois de uma d\u00e9cada de intenso desenvolvimento na Bahia. Os anos 2000 marcaram, por exemplo, a chegada da montadora Ford e suas sistemistas, impulsionando o Polo Industrial de Cama\u00e7ari. ???A d\u00e9cada passada se iniciou com muito boas perspectivas, a Ford chegou e coroou um processo intenso de atra\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria de bens finais.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ele conta que a d\u00e9cada de 90, com os problemas causados pelo governo Collor e o processo de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com FHC, foi dif\u00edcil para a economia baiana. ???A Bahia viveu os anos dourados na d\u00e9cada de 2000, foram anos extremamente favor\u00e1veis. Os investimentos industriais e o incentivo ao consumo trouxeram melhorias nos padr\u00f5es da sociedade, fizeram novas atividades econ\u00f4micas surgirem???, explica.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Quando n\u00f3s temos a virada de 2010 para 2011, esperava-se um continu\u00edsmo no processo de desenvolvimento???, conta. N\u00e3o foi o que aconteceu, diz Pessoti. ???Iniciamos o ano de 2011 com menos de 11% de desemprego e no in\u00edcio de 2020, antes da pandemia, portanto, t\u00ednhamos 22%???, compara.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para o economista, o cen\u00e1rio nacional n\u00e3o deve ser usado como \u00fanica explica\u00e7\u00e3o para o retrocesso econ\u00f4mico. Nem mesmo como a principal explica\u00e7\u00e3o, pondera. ???Realmente, tivemos um segundo governo Dilma com uma pol\u00edtica macroecon\u00f4mica desastrosa, o que criou uma condi\u00e7\u00e3o bastante negativa para todos. Mas se voc\u00ea tra\u00e7a os paralelos, se \u00e9 uma crise para todo mundo, o comportamento precisa ser padr\u00e3o e a realidade \u00e9 que tivemos resultados piores???, diz.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ele lembra que no Nordeste, apenas Sergipe registrou um desempenho pior que o da Bahia na d\u00e9cada. Pessoti aponta o primeiro governo Rui Costa como o fundo do po\u00e7o, economicamente falando. O Brasil inteiro cresceu pouco no per\u00edodo, mas nenhum estado decresceu tanto quanto a Bahia???, aponta. O resultado acumulado do PIB aponta um encolhimento de 7,3% na economia baiana no per\u00edodo, de acordo com os dados da SEI.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Foi neste per\u00edodo, em 23 de setembro de 2016, que o Centro de Conven\u00e7\u00f5es da Bahia (CCB) desabou, no que pode ser considerado um marco da pol\u00edtica de Turismo do estado no per\u00edodo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Tudo o que est\u00e1 acontecendo neste per\u00edodo nos indica a urg\u00eancia de uma pol\u00edtica de desenvolvimento econ\u00f4mico. Entrou-se no senso comum de que melhorar socialmente se reflete na economia, mas a Bahia est\u00e1 andando para tr\u00e1s e precisa ir atr\u00e1s das suas potencialidades???, avisa Pessoti.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ele destaca o exemplo do turismo, que tem tudo para voltar a funcionar como um motor econ\u00f4mico no estado e precisa apenas de um bom plano para isto. ???Temos um novo centro de conven\u00e7\u00f5es, um aeroporto modernizado, mas n\u00e3o d\u00e1 para pensar que as coisas v\u00e3o acontecer naturalmente, \u00e9 preciso pensar numa pol\u00edtica???, avalia. ???O turismo \u00e9 inclusivo demais para n\u00e3o ser valorizado???, acredita.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Perdas no turismo refletem falta de pol\u00edtica p\u00fablica\u00a0<\/strong><br \/> O empres\u00e1rio Silvio Pessoa, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Baiana de Hospedagem e Alimenta\u00e7\u00e3o (Fehba), acredita que o fechamento de grandes hot\u00e9is nos \u00faltimos anos \u00e9 um reflexo da aus\u00eancia de uma pol\u00edtica de desenvolvimento para a atividade. ???N\u00f3s tivemos uma estrutura de turismo e retrocedemos. O pr\u00f3ximo governador da Bahia ter\u00e1 que recuperar uma estrutura que foi bastante sucateada nos \u00faltimos oito anos???, aponta.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???O turismo baiano perdeu capital humano, o conhecimento t\u00e9cnico, muitos profissionais deixaram a Secretaria do Turismo (Setur) e a Bahiatursa ou foram desligados. Temos uma empresa de turismo que resume a sua atividade a organizar festas de S\u00e3o Jo\u00e3o e shows em anivers\u00e1rios de cidades. A\u00ed em 2016, desaba o Centro de Conven\u00e7\u00f5es???, lembra.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo ele, n\u00e3o fosse a constru\u00e7\u00e3o de um novo equipamento, desta vez municipal, o futuro da atividade seria ainda mais sombrio. ???N\u00f3s vamos come\u00e7ar a perceber os efeitos do novo centro de conven\u00e7\u00f5es agora, mas n\u00e3o temos uma pol\u00edtica para desenvolver a atividade no estado???, destaca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ele cita a necessidade de um planejamento para a atra\u00e7\u00e3o de novos voos, principalmente internacionais. ???O aeroporto de Salvador j\u00e1 foi o port\u00e3o de entrada dos visitantes que vinham de diversos pa\u00edses europeus, como Portugal, Espanha e Fran\u00e7a. Hoje \u00e9 preciso ir para o Rio e S\u00e3o Paulo antes de chegar aqui???, lamenta. ???Faz muito tempo que os representantes do turismo batem nesta tecla, sem uma resposta efetiva.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Silvio Pessoa ainda acrescenta a defasagem na divulga\u00e7\u00e3o dos atrativos do estado. ???Parece mentira, mas hoje a Bahia ainda n\u00e3o tem um banco de imagens estadual de seus atrativos tur\u00edsticos. Vivemos no tempo do 5G, mas o poder p\u00fablico ainda \u00e9 anal\u00f3gico???, aponta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Potencial est\u00e1 sendo desperdi\u00e7ado<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Um dos principais motores para o desenvolvimento da economia baiana nos \u00faltimos anos, a agropecu\u00e1ria poderia ter dado uma contribui\u00e7\u00e3o ainda maior, avalia o produtor rural Humberto Miranda, presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb). Para ele os resultados conquistados nos campos baianos se devem aos esfor\u00e7os da iniciativa privada.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???A Bahia tem crescido na contram\u00e3o da hist\u00f3ria. Com certeza, poderia ser muito melhor. N\u00e3o temos uma pol\u00edtica p\u00fablica estruturada para o desenvolvimento do estado. Existem coisas pontuais, mas um projeto estruturado, n\u00e3o tem. O setor tem crescido no faro do empres\u00e1rio, que tem investido em ci\u00eancia e tecnologia, por enxergar a oportunidade de vender alimentos para o mundo???, descreve Miranda.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para ele, o que acontece atualmente \u00e9 um desperd\u00edcio do potencial que o estado possui. ???A Bahia tem um potencial enorme, mas nunca teve um programa estruturado de desenvolvimento???, diz. Segundo ele, a \u00faltima vez que se pensou algo no setor agr\u00edcola em n\u00edvel estadual aconteceu ainda no governo Paulo Souto, quando se pensou num programa de reserva h\u00eddrica para o semi\u00e1rido, com a constru\u00e7\u00e3o de diversas barragens.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Humberto Miranda afirma que existem muitos gargalos a serem superados, mas aponta a falta de educa\u00e7\u00e3o rural como o principal deles. ???Qualificar, capacitar as pessoas \u00e9 algo urgente. ?? a\u00ed que entra a quest\u00e3o da assist\u00eancia t\u00e9cnica???, lembra.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???O pr\u00f3ximo governador precisa fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es sociais. Isso precisar ser pauta nos pr\u00f3ximos quatro anos. Onde n\u00f3s temos discuss\u00f5es fortes, com participa\u00e7\u00e3o de todos, temos verdadeiras democracias???, defende.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mais espa\u00e7o para a participa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada na discuss\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas tamb\u00e9m \u00e9 uma prioridade apontada pelo presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado da Bahia (Fieb), Ricardo Alban.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???N\u00f3s entregamos para os candidatos ao governo da Bahia caminhos pelos quais n\u00f3s podemos colaborar com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Eu destaco a educa\u00e7\u00e3o, b\u00e1sica e profissional. Temos inclusive todo um programa pronto, que podemos passar para o novo governador???, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Alban ressalta ainda a necessidade de ter na pr\u00f3xima gest\u00e3o uma Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico ???forte, representativa e atuante???.\u00a0<br \/> ???A Bahia precisa ter na SDE o protagonismo de uma verdadeira pol\u00edtica industrial. Durante muito tempo quem fez isso foi a Casa Civil, mas \u00e9 uma secretaria que tem muitas outras demandas???, diz. Segundo ele, a Fieb tem conversado com a consultoria McKinsey &#038; Company para oferecer ao pr\u00f3ximo governo um plano de desenvolvimento. ???Temos disposi\u00e7\u00e3o para ajudar a fazer essa pol\u00edtica. Nossa proposta \u00e9 fazermos algo a longo prazo, um plano plurianual???, aponta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Bahia viveu a pior d\u00e9cada de sua hist\u00f3ria econ\u00f4mica entre os anos de 2011 e 2020. 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