{"id":83973,"date":"2022-05-01T05:04:32","date_gmt":"2022-05-01T08:04:32","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/familias-ucranianas-buscam-uma-vida-nova-em-bh\/"},"modified":"2022-05-01T05:04:32","modified_gmt":"2022-05-01T08:04:32","slug":"familias-ucranianas-buscam-uma-vida-nova-em-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/01\/familias-ucranianas-buscam-uma-vida-nova-em-bh\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias ucranianas buscam uma vida nova em BH"},"content":{"rendered":"<div>Sorriso emocionado iluminando o rosto cansado, bra\u00e7os cruzados sobre o peito num s\u00edmbolo de ternura, l\u00e1bios balbuciando palavras de agradecimento. Com esses gestos singelos, Olena Zibrova, de 66 anos, retribuiu, no in\u00edcio da tarde de ontem, a calorosa recep\u00e7\u00e3o no aeroporto internacional de Confins, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, aos primeiros refugiados ucranianos que chegam \u00e0 capital mineira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais velha de um grupo de quatro fam\u00edlias, no total de 13 pessoas que s\u00f3 falam seu idioma (ucraniano), Olena veio na companhia das filhas Poliana, de 24, e Viktoriia Bodnariuk, de 22, e contou ser natural de Kryvyi Rih, no Sudeste do pa\u00eds, cidade do presidente Volodymyr Zelensky, que lidera os ucranianos na guerra contra a R\u00fassia.<\/p>\n<\/div>\n<div>A viagem em busca de vida nova, longe dos bombardeios, foi longa. Primeiro, deixaram a terra natal, familiares e pessoas queridas devido \u00e0 guerra, muitos deles agora mortos; depois ficaram em Vars\u00f3via, capital do pa\u00eds vizinho ao seu, a Pol\u00f4nia, em compasso de espera, at\u00e9, finalmente, viajarem dois dias rumo ao Brasil.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>A chegada a BH estava prevista para sexta-feira, mas problemas na conex\u00e3o em Frankfurt, na Alemanha, atrasaram os planos.<\/p>\n<\/div>\n<div>Ontem, exatamente \u00e0s 12h30, as fam\u00edlias chegaram ao desembarque em Confins. Na sofrida e delicada situa\u00e7\u00e3o de ???refugiadas???, as 13 pessoas, das quais cinco crian\u00e7as, est\u00e3o sendo acolhidas pela Igreja Batista Central, localizada na Regi\u00e3o Centro-Sul de BH.<\/div>\n<div>Cerca de 50 pessoas com bandeiras e flores aplaudiram e desejaram em voz alta &#8220;laskavo pr\u00f3ximo&#8221;, som em portugu\u00eas para &#8220;bem-vindos&#8221; na l\u00edngua ucraniana. &#8220;Estou com o cora\u00e7\u00e3o batendo acelerado de emo\u00e7\u00e3o&#8221;, comentou uma mineira ao lado da filha adolescente, agitando uma bandeira.<\/p>\n<\/div>\n<div>Composto na maioria por mulheres, o grupo tem cinco adultos, tr\u00eas jovens e as crian\u00e7as, com idade entre 2 e 12 anos. Com o semblante naturalmente fatigado de quem viaja v\u00e1rias horas de avi\u00e3o, acentuado pelo estresse extremo do conflito no pa\u00eds invadido pela R\u00fassia, eles s\u00e3o os primeiros ucranianos que chegam a Minas ap\u00f3s o conflito, iniciado em 24 de fevereiro.\u00a0<\/div>\n<div>Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a guerra j\u00e1 motivou a sa\u00edda de cerca de 6 milh\u00f5es de ucranianos.<\/p>\n<\/div>\n<div>Foi uma chegada t\u00e3o emocionante, que quase todos os presentes \u00e0 recep\u00e7\u00e3o aos ucranianos deixavam escapar l\u00e1grimas, incluindo rep\u00f3rteres escalados para a cobertura.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>&#8220;Os ucranianos adoram flores, por isso h\u00e1 tantos buqu\u00eas aqui hoje. Tenho certeza de que meus conterr\u00e2neos v\u00e3o gostar muito de Belo Horizonte&#8221;, disse o engenheiro de telecomunica\u00e7\u00f5es Vitalii Afanasiev, de 37, residente h\u00e1 14 anos em BH, casado com a belo-horizontina Rafaela e pai das meninas Mila, de 5, e Lia, de 4. Todos ofereceram aos rec\u00e9m-chegados flores azuis e amarelas, as cores nacionais do pa\u00eds europeu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>ACOLHIDA <\/b><br \/>De acordo com o pastor Paulo Mazoni, da Igreja Batista Central, que recepcionou o grupo e fez uma ora\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias seguiram para um hotel e, nos pr\u00f3ximos dias, para quatro casas localizadas no Bairro Luxemburgo, na Regi\u00e3o Centro-Sul da capital. As moradias s\u00e3o mobiliadas e ter\u00e3o as despesas pagas por um per\u00edodo de 12 meses.<\/div>\n<div>&#8220;Eles vieram com a roupa do corpo, por isso vamos ajud\u00e1-los em tudo. Estamos aguardando a vinda de mais 15 refugiados ucranianos. A embaixada do Brasil na Pol\u00f4nia, o governo brasileiro&#8230; tivemos todo apoio para trazer o grupo. Fazemos o melhor para receb\u00ea-los&#8221;, disse o pastor, explicando que os refugiados s\u00e3o de religi\u00f5es e localidades diversas, e que o destino, o Brasil, especificamente Minas, foi decidido pelos pr\u00f3prios ucranianos. O pastor disse n\u00e3o ter d\u00favidas de que eles v\u00e3o gostar do p\u00e3o de queijo e do feij\u00e3o-tropeiro.<\/p>\n<\/div>\n<div>Nos primeiros momentos em solo brasileiro, n\u00e3o havia sinais de estranhamento, mas demonstra\u00e7\u00f5es de vontade de interagir, mesmo ante as barreiras da l\u00edngua. As filhas de Vitalii e Rafaela, Mila e Lia, logo se aproximaram das crian\u00e7as rec\u00e9m-chegadas ??? os irm\u00e3os Sofia, de 8, e Illya, de 6, com a m\u00e3e, Rafaela Mendes, fazendo as apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div>Todos sorriram muito, participaram da ora\u00e7\u00e3o, traduzida pela ucraniana residente em BH Svitlana Muzychenco, que mora h\u00e1 oito anos em BH, \u00e9 casada com um mineiro, trabalha em projetos humanit\u00e1rios, e trazia, na recep\u00e7\u00e3o, uma bandeira do pa\u00eds europeu amarrada como se fosse uma capa.<\/p>\n<\/div>\n<div>No desembarque, algumas cenas despertaram ternura: uma crian\u00e7a afagando as m\u00e3os da m\u00e3e; o menino de 2 anos dormindo no colo, e a alegria diante do coro de bem-vindos.<\/div>\n<div>Para garantir a nova vida aos refugiados, as fam\u00edlias receber\u00e3o suporte m\u00e9dico, e as crian\u00e7as ser\u00e3o encaminhadas para a escola. Os adultos ter\u00e3o aulas de portugu\u00eas ministradas por volunt\u00e1rios. ???Em alguns casos, os adultos ter\u00e3o coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho???, conforme nota divulgada pela Igreja Batista Central, que est\u00e1 ligada ao Global Kingdom PartnerShip Network (GKPN), rede internacional sob a lideran\u00e7a do pastor brasileiro Elias Dantas, que, desde o come\u00e7o do conflito, &#8220;vem conseguindo tirar 300 fam\u00edlias por dia&#8221; das \u00e1reas de risco na Ucr\u00e2nia.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>PARCERIA <br \/><\/b>O GKPN, ao qual est\u00e1 vinculada a Igreja Batista Central, \u00e9 um movimento presente em 108 pa\u00edses agregando pastores e empres\u00e1rios crist\u00e3os. No mundo, acolhem 2,5 mil fam\u00edlias de refugiados ucranianos.<\/p>\n<\/div>\n<div>As fam\u00edlias que decidiram vir para o Brasil t\u00eam as despesas a\u00e9reas custeadas por meio de ofertas de igrejas e empres\u00e1rios do movimento. No Brasil, o primeiro grupo foi acolhido em Curitiba (PR), pela Primeira Igreja Batista; o segundo, pela Igreja da Cidade, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP); e o terceiro pela Igreja Batista Central, em Belo Horizonte. O projeto envolve inicialmente o per\u00edodo de 12 meses. Entre a metas, est\u00e3o manter as fam\u00edlias em unidades habitacionais, oferecer alimenta\u00e7\u00e3o, encaminhar as crian\u00e7as \u00e0 escola e os adultos para aulas de idioma, e, em alguns casos, emprego para os refugiados.\u00a0\u00a0<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorriso emocionado iluminando o rosto cansado, bra\u00e7os cruzados sobre o peito num s\u00edmbolo de ternura, l\u00e1bios balbuciando palavras de agradecimento. 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