{"id":84381,"date":"2022-05-01T12:04:56","date_gmt":"2022-05-01T15:04:56","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/1o-de-maio-atos-marcam-o-retorno-das-manifestacoes-apos-a-pandemia\/"},"modified":"2022-05-01T12:04:56","modified_gmt":"2022-05-01T15:04:56","slug":"1o-de-maio-atos-marcam-o-retorno-das-manifestacoes-apos-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/01\/1o-de-maio-atos-marcam-o-retorno-das-manifestacoes-apos-a-pandemia\/","title":{"rendered":"1\u00ba de Maio: atos marcam o retorno das manifesta\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a pandemia"},"content":{"rendered":"<p>O 1\u00ba de maio deste ano \u00e9 marcado pelo retorno dos trabalhadores e trabalhadoras \u00e0s ruas ap\u00f3s a pandemia de covid-19. Atos agendados em todas as capitais dar\u00e3o a t\u00f4nica da mobiliza\u00e7\u00e3o por &#8220;emprego, direitos, democracia e vida&#8221;, bandeira do encontro de 2022. Apenas em Bras\u00edlia, sete manifesta\u00e7\u00f5es est\u00e3o programadas, a partir da manh\u00e3, na Esplanada dos Minist\u00e9rios, na rodovi\u00e1ria do Plano Piloto, e em frente ao Congresso, conforme informa\u00e7\u00f5es da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Distrito Federal. <\/p>\n<p>A pauta de reivindica\u00e7\u00f5es \u00e9 t\u00edpica para o per\u00edodo eleitoral marcado por infla\u00e7\u00e3o sem tr\u00e9gua, baixos sal\u00e1rios e profundas mudan\u00e7as no mercado de trabalho. Na \u00faltima semana, um indicador internacional mostrou como est\u00e1 complicada a situa\u00e7\u00e3o do trabalhador brasileiro, que n\u00e3o para de ver a renda encolher por conta da infla\u00e7\u00e3o, que subiu mais de 12% na pr\u00e9via de abril.  <\/p>\n<p>Conforme levantamento da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Austin Rating, elaborado a partir das novas proje\u00e7\u00f5es do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) para a economia global, em 2022, o Brasil aparece como a nona pior estimativa de desemprego no ano, de 13,7%, em um ranking de 102 pa\u00edses. Essa taxa, inclusive, est\u00e1 bem acima da m\u00e9dia global prevista para o ano, de 7,7%. Na compara\u00e7\u00e3o com pa\u00edses do G20 &#8211; grupo das 19 maiores economias desenvolvidas e emergentes, mais a Uni\u00e3o Europeia, o pa\u00eds Brasil ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o no rankig, atr\u00e1s somente da \u00c1frica do Sul, com taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 35,2%.  <\/p>\n<p>Dados mais recentes mostram que o desemprego no Brasil est\u00e1 estagnado, ap\u00f3s atingir recordes recentes no ano passado. No primeiro trimestre de 2022, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o ficou 11,1%, atingindo 11,9 milh\u00f5es de pessoas, conforme a mais recente Pesquisa Nacional de Amostragem por Domic\u00edlio (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). <\/p>\n<p> No trimestre encerrado em dezembro do ano passado, o contingente de desocupados era parecido, de 12 milh\u00f5es. J\u00e1 no primeiro trimestre de 2021, esse n\u00famero era bem maior, de 15,3 milh\u00f5es e a taxa de desemprego estava em 14,9%, pico hist\u00f3rico da pesquisa do IBGE. <\/p>\n<p><b>Pouca reposi\u00e7\u00e3o  <\/b><\/p>\n<p>Logo, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de desempregados \u00e9 gradual, mas a renda do trabalhador encolhe sem parar e perde para a infla\u00e7\u00e3o. A m\u00e9dia salarial no trimestre encerrado em mar\u00e7o foi de R$ 2.548, dado 8,7% abaixo do registrado em igual per\u00edodo de 2021. Na data-base de fevereiro, 60,5% dos 119 reajustes analisados pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) at\u00e9 9 de mar\u00e7o ficaram abaixo da varia\u00e7\u00e3o do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC), que serve de refer\u00eancia para reajustes salariais e para o sal\u00e1rio m\u00ednimo. S\u00e3o dados preliminares, mas, em termos percentuais, se aproximam do observado em janeiro de 2021, quando foram analisados 2.315 reajustes.  <\/p>\n<p>&#8220;Os indicadores da economia ainda est\u00e3o patinando. Esse \u00e9 um contexto que joga contra as negocia\u00e7\u00f5es coletivas. O que temos observado \u00e9 que as categorias mais sindicalizadas est\u00e3o conseguindo repor, pelo menos, o INPC. ?? um cen\u00e1rio de muita instabilidade e vai requerer muita aten\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, que t\u00eam de focar no poder de compra&#8221;, explica o soci\u00f3logo Lu\u00eds Ribeiro, t\u00e9cnico respons\u00e1vel pelo acompanhamento das negocia\u00e7\u00f5es do Dieese. <\/p>\n<p><b>Subutilizados  <\/b><\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de trabalhadores subutilizada representa um dos maiores desafios nacionais. De acordo com o IBGE, \u00e9 considerado subutilizado quem est\u00e1 desempregado, que trabalha menos do que poderia, que n\u00e3o procurou emprego mas estava dispon\u00edvel para trabalhar ou que procurou emprego mas n\u00e3o estava dispon\u00edvel para a vaga. Em mar\u00e7o, essa popula\u00e7\u00e3o chegou a 26,8 milh\u00f5es de pessoas, enquanto a popula\u00e7\u00e3o subocupada por insufici\u00eancia de horas trabalhadas compreende 6,5 milh\u00f5es de brasileiros. Juntos, seriam quase 33 milh\u00f5es de pessoas trabalhando abaixo daquilo que conseguem produzir. <\/p>\n<p> Mais grave ainda, a popula\u00e7\u00e3o desalentada ou aquela que parou de procurar emprego chega a 4,6 milh\u00f5es de pessoas em idade e condi\u00e7\u00f5es de produzir e representa 4,1% da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>  Desempregada, a professora Elis\u00e2ngela Alvarenga de Souza, 41 anos, natural de Migrante (ES), j\u00e1 pensou em desistir de procurar emprego. Mas a necessidade sempre falou mais alto. &#8220;Chegar ao Dia do Trabalho em 2022, p\u00f3s-graduada, com experi\u00eancia profissional e sem trabalho \u00e9 frustrante e, muitas vezes, desesperador, principalmente na segunda quinzena do m\u00eas, quando a geladeira esvazia. No mercado de trabalho real &#8211; aquele que n\u00e3o \u00e9 o da plataforma virtual de emprego &#8211; mais se fala em demiss\u00e3o do que em contrata\u00e7\u00e3o. Muitas das &#8216;novas&#8217; vagas s\u00e3o admiss\u00f5es com menores sal\u00e1rios, que se deram em fun\u00e7\u00e3o da demiss\u00e3o de antigos funcion\u00e1rios mais bem remunerados&#8221;, relata. <\/p>\n<p><b>Formalidade  <\/b><\/p>\n<p>No mercado de trabalho formal, h\u00e1 algumas ilhas de esperan\u00e7a, com 41,2 milh\u00f5es de trabalhadores atualmente. A constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 um dos setores que vem recuperando o ritmo da gera\u00e7\u00e3o de empregos. S\u00f3 em 2021, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia, o setor registrou aumento de 150% na gera\u00e7\u00e3o de novas vagas. Foram, ao todo, 244.755 novos postos de trabalho. Em Goi\u00e1s, o setor criou quase 9 mil vagas.  <\/p>\n<p>Em Valpara\u00edso de Goi\u00e1s, o setor imobili\u00e1rio deve garantir bons n\u00fameros neste ano. Somente nas obras do bairro planejado Reserva do Vale, devem ser criadas mais de 700 vagas at\u00e9 dezembro. Um dos trabalhadores rec\u00e9m-contratados \u00e9 Cleber Almeida, 35 anos, casado e com duas filhas pequenas. Contratado h\u00e1 40 dias, ele est\u00e1 feliz com o sal\u00e1rio de R$ 6,6 mil para atuar como encarregado de obra, ap\u00f3s ter ficado desempregado de setembro de 2021 at\u00e9 mar\u00e7o deste ano. &#8220;Fui trabalhar no Par\u00e1. Passei um tempo l\u00e1, desempregado. Tenho boas perspectivas com a obra e isso deixa a gente animado&#8221;, diz.  <\/p>\n<p>De acordo com Marcos Franco, diretor da \u00e1rea de engenharia da Plano Urbano, empresa respons\u00e1vel pelo Reserva do Vale, os investimentos em constru\u00e7\u00e3o civil s\u00e3o estrat\u00e9gicos. &#8220;Grande parte da m\u00e3o de obra que o setor de constru\u00e7\u00e3o civil emprega \u00e9 de pessoas com menor qualifica\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os que mais enfrentam o desemprego no Brasil&#8221;, explica. <\/p>\n<p><b>Informais<\/b>  <\/p>\n<p>Mas \u00e9 no mercado informal que reside um dos grandes desafios brasileiros. A taxa de informalidade no primeiro trimestre de 2022 foi de 40,1% da popula\u00e7\u00e3o ocupada, conforme os dados do IBGE. Ou seja, existem 38,2 milh\u00f5es de trabalhadores sem qualquer v\u00ednculo empregat\u00edcio.  <\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, o n\u00famero de empregados sem carteira assinada no setor privado \u00e9 de 12,2 milh\u00f5es, enquanto os trabalhadores por conta pr\u00f3pria correspondem a 25,3 milh\u00f5es de pessoas. Esse dado aumentou 7,3% (mais 1,7 milh\u00e3o) frente ao mesmo per\u00edodo do ano anterior.  <\/p>\n<p>Em meio aos debates sobre a precariza\u00e7\u00e3o do emprego no pa\u00eds, trabalhadores de aplicativos garantiram avan\u00e7os em meio aos conflitos gerados pela pandemia. Paulo Brezolin, 45, motorista de aplicativo, planeja rodar mais tr\u00eas anos para quitar o investimento que fez para adquirir o carro el\u00e9trico chin\u00eas, como forma de tentar reduzir os custos com combust\u00edveis.<\/p>\n<p>  &#8220;A recupera\u00e7\u00e3o do investimento, acredito que ainda preciso de mais tr\u00eas anos para reaver. Mas acho que para trabalhar como motorista, o caminho \u00e9 o carro el\u00e9trico. Eu gastava mais de R$ 3 mil por m\u00eas e, agora, tenho um carregador port\u00e1til&#8221;, ironiza o motorista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 1\u00ba de maio deste ano \u00e9 marcado pelo retorno dos trabalhadores e trabalhadoras \u00e0s ruas ap\u00f3s a pandemia de covid-19. 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