{"id":88815,"date":"2022-05-02T22:03:46","date_gmt":"2022-05-03T01:03:46","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/ativista-baiana-trans-e-barrada-no-mexico-passou-10h-detida\/"},"modified":"2022-05-02T22:03:46","modified_gmt":"2022-05-03T01:03:46","slug":"ativista-baiana-trans-e-barrada-no-mexico-passou-10h-detida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/02\/ativista-baiana-trans-e-barrada-no-mexico-passou-10h-detida\/","title":{"rendered":"Ativista baiana trans \u00e9 barrada no M\u00e9xico; passou 10h detida"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">No desembarque de um aeroporto internacional, uma mulher trans \u00e9 detida. Para provar ser uma cidad\u00e3 regular, ela precisa apresentar mais documentos do que os outros viajantes, e mesmo depois de cumprir tudo o que lhe foi solicitado, \u00e9 deportada de volta para o seu pa\u00eds, sem justificativa.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">?? o que relata a presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a baiana Keila Simpson. A ativista foi barrada e impedida de entrar no M\u00e9xico onde participaria do F\u00f3rum de Movimentos Sociais, como palestrante em uma mesa sobre\u00a0a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o trans, representando a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais (Abong).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No \u00faltimo s\u00e1bado (30), ela embarcou do Brasil para o M\u00e9xico. Ao chegar ao Aeroporto Internacional da Cidade do M\u00e9xico,\u00a0na manh\u00e3 do domingo (1), foi a \u00fanica pessoa da fila em que estava a ser detida pelas autoridades. Keyla viajou sozinha, depois do restante da delega\u00e7\u00e3o da Abong, que j\u00e1 havia ido ao M\u00e9xico na sexta-feira (28).<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???As pessoas que estavam na minha frente passaram normalmente, mas eu n\u00e3o. ?? dif\u00edcil n\u00e3o pensar em transfobia. O senhor que me atendeu viu que o nome [masculino, de registro] n\u00e3o condizia com minha imagem. Ent\u00e3o, ele perguntou sobre o bilhete de volta e voucher de hospedagem, eu apresentei todos os documentos e mesmo assim fui barrada???<\/strong>, conta a ativista.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Ao ser detida, ela foi encaminhada para uma sala do aeroporto, onde foi mantida por dez horas, at\u00e9 ser enviada de volta para o Brasil. Seus documentos e seus dois telefones celulares foram retidos at\u00e9 o momento do embarque, e o seu passaporte s\u00f3 foi devolvido no final do voo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ativista ficou impedida de fazer qualquer contato com a fam\u00edlia ou com colegas da delega\u00e7\u00e3o de trabalho das 7h at\u00e9 as 10h30 quando foi autorizada a realizar uma liga\u00e7\u00e3o de um minuto. Keyla, no entanto, n\u00e3o conseguiu contato, e foi mantida na sala at\u00e9 por volta das 16h30, quando foi encaminhada para o embarque de volta ao Brasil.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Deixei recado com a delega\u00e7\u00e3o [da Abong] que estava no M\u00e9xico, a presidente me atendeu, mas\u00a0eu n\u00e3o tive certeza se ela me entendeu. Expliquei ao guarda e pedi para ligar novamente. Tamb\u00e9m sem sucesso, deixei outro recado para o presidente da associa\u00e7\u00e3o no Brasil???, explica Keila<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma hora ap\u00f3s as liga\u00e7\u00f5es, um grupo da delega\u00e7\u00e3o da Abong, que estava no M\u00e9xico, foi at\u00e9 o aeroporto na tentativa de ajudar a ativista, mas foram impedidos de v\u00ea-la. Sem sucesso, o grupo buscou o delegado que atua no aeroporto e ele solicitou que um representante de um \u00f3rg\u00e3o de direitos humanos do M\u00e9xico\u00a0falasse com Keila.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Antes de embarcar, Keila chegou a ser recebida pelo representante, que disse que a brasileira tinha direito a fazer uma den\u00fancia formal pelo caso de transfobia. A den\u00fancia, no entanto, n\u00e3o foi formalizada por falta de tempo h\u00e1bil antes do embarque de retorno. A den\u00fancia, segundo Keyla, ser\u00e1 formalizada no Brasil, e autoridades brasileiras tamb\u00e9m ser\u00e3o acionadas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ativista voltou ao Brasil em um voo que pousou em S\u00e3o Paulo\u00a0\u00e0s 5h da manh\u00e3 dessa segunda-feira (2) e acionar\u00e1 as autoridades competentes sobre o caso. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Keila s\u00f3 soube do efeito das suas liga\u00e7\u00f5es ao chegar no Brasil. Seu desejo \u00e9 que o epis\u00f3dio sirva de impulso para discutir a necessidade da educa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero em aeroportos e para impedir que outras pessoas com menos voz\u00a0passem pelo que ela passou.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;O que me fortalece \u00e9 saber que quando ocorre um caso desse comigo, serve para que outras mulheres trans, que estejam tentando migrar para outros pa\u00edses, por causa da viol\u00eancia que sofremos no Brasil, n\u00e3o passem por isso???, deseja Keila.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Organiza\u00e7\u00f5es de todo mundo, presentes no evento, declararam solidariedade \u00e0 ativista. A mesa da qual ela participaria presencialmente, que ocorrer\u00e1 no dia\u00a04 de maio \u00e0s 9h (hor\u00e1rio do M\u00e9xico), manter\u00e1 sua participa\u00e7\u00e3o de forma virtual e servir\u00e1 como den\u00fancia sobre o epis\u00f3dio e cobran\u00e7a de retrata\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A reportagem entrou em contato com o aeroporto de Barajas, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria.\u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><em>*Com orienta\u00e7\u00e3o da subchefe de reportagem Monique L\u00f4bo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No desembarque de um aeroporto internacional, uma mulher trans \u00e9 detida. 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