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Brancos são maioria absoluta no judiciário baiano, aponta levanto do Observatório da Branquitude

Brancos são maioria absoluta no judiciário baiano, aponta levanto do Observatório da Branquitude
Brancos são maioria absoluta no judiciário baiano, aponta levanto do Observatório da Branquitude

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Resumo rápido: estudo do Observatório da Branquitude aponta que, na Bahia, o estado mais negro do país, brancos ocupam três vezes mais cargos de juiz, desembargador e promotor do que a proporção demográfica sugere. Mesmo com 80,4% da população racializada, apenas 42% dos juízes e desembargadores e 34% dos promotores são pretos ou pardos.

Além do retrato de desigualdade, a Bahia foi pioneira na adoção de cotas, reservando 30% das vagas em concursos públicos para juiz e desembargador desde 2014, ante a orientação do CNJ, que previa 20%.

No entanto, a série histórica mostra que o Judiciário está bem aquém da mudança demográfica da sociedade. A presença de pessoas negras entre magistrados e membros do Ministério Público é bem menor do que a participação da população, e especialistas afirmam que, para chegar aos números da sociedade, seria necessário que negros duplicassem as cadeiras hoje ocupadas.

Carolina Canegal, coordenadora do estudo, lembra que a trajetória dos concursos mostra o impacto do processo seletivo ao longo das décadas. Entre 1980 e 2009, no TJ-BA, a parcela de autodeclarados pretos era inferior a 1%; com a implementação das cotas, esse grupo chegou a 15,4%, um salto significativo, ainda longe de refletir a realidade da população do estado.

Ainda assim, a reserva de vagas não elimina os obstáculos ao acesso. Juízes e promotores negros, beneficiários e não beneficiários das cotas apontam o custo financeiro da preparação e da participação nos concursos — incluindo deslocamentos, hospedagem e alimentação — como entraves que mantêm a disputa em condições desiguais. Cursos preparatórios, mentorias, grupos de estudo e assessorias para organização da documentação viraram quase indispensáveis, elevando o valor total do investimento necessário.

Embora alguns editais prevejam isenção de taxas de inscrição para grupos de baixa renda ou beneficiários do Cadastro Único, essa medida isolada não basta. A combinação de várias etapas presenciais e a necessidade de recursos extras cria um fosso entre quem tem condições de se dedicar integralmente ao processo e quem não tem.

Especialistas defendem políticas complementares para ampliar a equidade, como apoio financeiro contínuo, mentoria estruturada e desburocratização de etapas, para que as cotas se traduzam em maior representatividade sem agravar as barreiras de acesso. O caminho, dizem, passa por ações conjuntas de educação, financiamento e mudanças institucionais que avancem a presença negra na magistratura e no MP.

E você, o que acha que pode reduzir essa lacuna na Bahia? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre cidadania, justiça e inclusão na carreira jurídica.

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